Mostrando postagens com marcador Baixo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Baixo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 22 de abril de 2016

E ai, uso amplificador ou não ?


INTRODUÇÃO
Nos últimos anos, como profissional que visita várias igrejas e casas de eventos em geral, senti uma verdadeira invasão do conceito de que os cubos e baterias acústicas são os grandes vilões dos grupos musicais. Assim, vários grupos, optando pelo “bem maior” da plateia, resolveram abolir o uso. “Vamos ligar tudo na mesa”, disseram animados, o que realmente trouxe várias vantagens para os operadores de áudio. A principal delas é a diminuição das fontes sonoras que não são controláveis pelo “cara do som”. Assim, a mixagem fica muito mais flexível, diminuindo a famosa “guerra de volumes” que tanto discutimos no meio.
Antes, com os cubos individuais, o operador poderia até cortar nos PAs o sinal de determinado instrumento, mas ainda haveria no ambiente o áudio gerado pelo amplificador, que, muitas vezes, ainda é demais para a mixagem pretendida.
Agora, depois de cortados e empilhados todos os cubos na “salinha do som”, o operador de áudio sente-se todo poderoso, podendo fazer o que bem entender em cada mixagem. Se for instalada uma bateria eletrônica então, nem se fala…
O operador, que até então só era responsável pelas vozes, e quem sabe pelo teclado e violão, parte para a missão de mixar uma banda completa. Os que reclamavam do alto volume das programações elogiam, mas depois de algum tempo de percepção musical, começam novos problemas:
  • “Essa bateria eletrônica é horrível, hein?!”;
  • “Não dá pra aumentar o violão?”;
  • “Cadê os grave do baixo?” (com erro de português e tudo);
  • ou então a clássica: “O som da minha pedaleira fica muito melhor no cubo”.
Pois é… E agora? Antes de cortar, sem dó nem piedade, os cubos do palco, você se perguntou se o sistema de sonorização tem capacidade de atender a banda toda “em linha”? O volume que antes era gerado com o auxílio de vários amplificadores e instrumentos acústicos, você terá que fazer só com esse “PAzinho”! Você se preocupou em ver se suas caixas têm resposta de frequência compatível com o timbre gerado por um contra-baixo ou uma bateria eletrônica? Ou então, indo um pouco mais longe no técniquês, se perguntou se há recursos de processamento mínimos para que você faça uma mixagem com qualidade, sem virar essa salada que virou?
Por essas e outras, já me peguei em diversas ocasiões sugerindo a utilização de cubos, mesmo onde, a princípio, parece uma péssima escolha. Quer um exemplo? Os cubos são uma ótima alternativa para quem está com o sistema de sonorização em construção. Ou seja, ainda não há recursos técnicos suficientes para fazer uma mixagem com qualidade nos PAs, e nem para uma distribuição homogênea de retornos para todos os músicos. Às vezes, a mesa de som temporária não tem nem canais suficientes para ligar todos componentes da banda.Também é importante citar os casos em que o equipamento de som simples e descomplicado não é algo temporário,  e sim uma decisão de aquisição. Uma igreja sem operador de áudio, por exemplo.
Às vezes, é melhor uma mixagem sem controle pelo operador, com mais volume do que o ideal e um pouco embolada; do que uma mixagem sob controle do operador, mas com péssimas condições de retorno para os músicos, trabalhando com o sistema em níveis de saturação e gerando um resultado totalmente embolado para o público.
Agora, para se obter um resultado satisfatório com a utilização de diversos cubos no palco, é necessário utilizá-los corretamente.
DICAS PRÁTICAS
1. QUAL CUBO USAR?
Para começar, um que seja adequado ao seu instrumento. Um cubo de contra-baixo, por exemplo, é desenvolvido com componentes que respondem de maneira ideal ao timbre gerado do instrumento. Isso vai desde o(s) alto-falante(s), a amplificação, o projeto da caixa (litragem interna, dutos de ar, etc), e até os recursos personalizáveis pelo usuário, como o tipo de equalização e outros recursos comutáveis.
Para uso ao vivo (há exceções para esse raciocínio! Estou dizendo isso embasado na grande maioria dos produtos disponíveis no mercado  brasileiro), sugiro amplificadores com potência mínima de 50w. Não pela potência em si, mas porque os amplificadores com potência menor a essa costumam ser destinados a estudo, ou seja, são bem baratos, e limitados quanto à sonoridade e recursos. Os produtos de 50w ou mais já tendem para uso profissional, e já possuem melhores componentes.
2. COMO POSICIONAR NO PALCO?
Os cubos projetam seu som para frente, ou seja, o músico deve estar posicionado à frente do amplificador. Se o cubo é a única fonte sonora do instrumento no ambiente, é importante que esteja posicionado de frente para a plateia, mas ainda sim de frente para o músico, para que não deixe de desempenhar seu papel de retorno. Conforme a ilustração:
ilustracao cubo 1
Agora, se o cubo está sendo utilizado apenas como retorno, a posição recomendada é de lado em relação ao palco, mas ainda de frente para o músico. Assim, o músico terá a melhor audição possível, e interferirá muito menos no som gerado pelos PAs. Conforme a ilustração:
ilustracao cubo 2
Procure manter os alto-falantes direcionados para  seus ouvidos. Deixar o cubo no chão, olhando para suas pernas, fará com que você necessite de mais volume para ouvir bem, e ainda fará com que você ouça o som de forma indireta, ou seja, já influenciado pelas reflexões acústicas do local. É mais volume no ambiente, e som mais embolado nos seus ouvidos. Alguns cubos possuem um corte inclinado na parte de trás, para que possam ficar no chão, e ao mesmo tempo, voltados para o músico. Caso não tenha esse recurso, coloque seu cubo em um suporte próprio, ou no mínimo, em cima de uma cadeira.
É importante comentar a importância de manter certa distância entre o músico e o cubo. As frequências mais graves possuem comprimentos de onda grandes, sendo que algumas frequências podem chegar facilmente aos 3 metros! Ou seja, para ouvir claramente tais frequências a uma distância muito curta, o músico terá que disparar muito mais volume do que se estivesse na distância adequada. E o público, ou até mesmo os outros músicos no palco, ouvirão o som do instrumento em volume muito maior que o próprio músico, uma vez que estão mais distantes, e ouvem as ondas após completarem os ciclos completos. Entenda que aí começamos a mergulhar em conceitos um pouco mais profundos, que necessitariam de uma explicação mais técnica para que fossem compreendidos. Como não é o objetivo desse artigo, resumo esse tópico com uma dica: mantenha distância de pelo menos 1 metro do cubo. Se o palco permitir, fique entre 1 e 3 metros para uma audição ideal.
A utilização dos cubos em distância superior a 3 metros não é necessariamente errada, mas só é coerente no caso de grandes palcos, onde o volume dos mesmos não precisa ser tão dosado, como nos pequenos locais que são o foco deste artigo.
3. QUANTO VOLUME UTILIZAR?
Se estiver utilizando o cubo apenas como retorno, a resposta é bem simples: utilize o mínimo que precisar. O cubo servirá para que você ouça seu instrumento com qualidade e definição, além de preencher o palco com o som de seu instrumento. Evite incomodar os  “vizinhos”.
Agora, se estiver utilizando o cubo como única fonte do instrumento no ambiente, é importantíssimo que haja interação entre o músico e o operador de áudio. A princípio, utilize no volume mínimo para retorno. Atendendo às recomendações deste artigo, você perceberá que dá para ouvir bem com pouco volume disparado! A partir daí, busque a referência de como está a audição do instrumento para o público. Às vezes será necessário aumentar ou abaixar um pouco. Localize o meio termo entre volume satisfatório de retorno e equilíbrio com o resto da banda.
4. CASOS PARTICULARES
  • Contra-baixo: Sem dúvida, a maioria dos sistemas de sonorização de pequeno porte não tem recursos para reproduzir o som de um contra-baixo com qualidade. Por isso, vejo aí um ótimo candidato para utilização no cubo. E, mesmo que o sistema de PA seja bem projetado, capaz de reproduzir com qualidade o instrumento para a plateia, ainda sobra o problema da monitoração. Nem sempre temos um monitor de chão ou fone de ouvido que dê uma referência de qualidade do instrumento para o músico.
  • Guitarra: Aqui temos uma discussão e tanto! Os amplificadores de guitarra, em especial seus alto-falantes, são projetados de maneira a atender exclusivamente esse instrumento, o que acaba produzindo respostas sonoras bem particulares. Podemos também destacar características típicas de cada fabricante. Alguns guitarristas localizam em determinada marca um timbre mais adequado àquilo que espera de sua guitarra. Por isso, vários guitarristas fazem questão da utilização dos cubos.Para solucionar esse problema, vários fabricantes de pedais e pedaleiras incluíram em seus produtos os “simuladores de amplificador”, ou seja, recurso capaz de simular a presença de determinado cubo, simulando também o resultado sonoro produzido por ele. É óbvio que aí temos MARCAS e marcas, PRODUTOS e produtos. Simuladores de qualidade realmente conseguem produzir tais características sonoras com bastante precisão. A utilização ou não desses recursos é uma discussão que tange ao gosto pessoal de cada músico, mas é óbvio que, com equipamentos de qualidade, fica mais fácil “tirar” som de qualidade, seja no cubo ou no sistema de PA.
PONTO DE VISTA FINANCEIRO
Como tudo no áudio, o mercado nos oferece produtos baratos e produtos caros.
Se você está vendo nos cubos uma solução definitiva para seu sistema de sonorização, procure por produtos de qualidade, que trabalhem com certa folga de potência, e que atendam às expectativas sonoras do(s) músico(s).
Se você está vendo nos cubos uma solução temporária, enquanto o sistema de sonorização não é montado de forma ideal, pense bem se vale a pena gastar dinheiro com isso… O que seria investido em “cubo pra todo mundo” não daria uma boa agilizada na aquisição dos equipamentos que estão faltando?
Por mais que pareça impossível em curto prazo, tenha em mente e nas mãos o projeto do sistema de som perfeito para você. Procure investir nos equipamentos que farão parte de forma definitiva no “som ideal” de vocês. Evite desperdiçar dinheiro em equipamentos temporários ou quebra-galhos, e dê preferência para antecipar aquisições do projeto ideal.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Não podemos taxar o uso de cubos como prejudicial à qualidade do áudio, nem muito menos tomar como exigência boba por parte do músico. É um recurso que pode sim trazer benefícios, mas deve ser utilizado observando regras, para que se tenha o melhor desempenho possível, e sem se esquecer do contexto onde se está inserido. Nem sempre som mais alto é som melhor.
Fica claro também, em especial para os operadores de áudio, que trabalhar sem os cubos normalmente é melhor (para guitarristas e baixistas não), mas para isso, o sistema de sonorização precisa ser capaz de reproduzir com qualidade a mixagem de toda a banda, tanto para o público, quanto para o sistema de retornos.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

NUT - tipo de materiais



Hoje em dia, nos principais fóruns na internet, tanto nacionais como estrangeiros, existe um amplo debate de opiniões sobre vários assuntos que dizem respeito ao bom funcionamento de um instrumento musical de cordas, principalmente guitarras e baixos. Com o intuito de colaborar na formação de sua própria opinião sobre alguns deles, nesse primeiro post da série “Mitos e Verdades” vou abordar o tema “NUT” baseado em minha própria experiência lidando com essas pequenas peças na busca do meu timbre ideal. Concordando ou não com a minha opinião, leia todo o post para saber como embasei tecnicamente os meus comentários. 

O “NUT”, também chamado de “pestana”, é responsável pelo ponto de apoio das cordas que “chegam” nas tarraxas passando sobre a escala do instrumento, partindo da ponte. É uma parte do instrumento de corda, pequeno e muitas vezes desprezado componente que pode modificar consideravelmente o desempenho do instrumento. Um NUT mal instalado ou adaptado de maneira incorreta pode gerar conseqüências desastrosas tais como: desafinações constantes, quebras de cordas, instabilidade e impossibilidade de regulagem das oitavas, sem contarmos o trastejamento por irregularidades proporcionadas por alteração da altura das cordas em relação à escala.

Os NUTS mais conhecidos e encontrados no mercado são:

NUT de Osso Bovino: Também conhecido como “bone”, foi o material mais utilizado historicamente nos instrumentos de corda. É um material com dureza considerável e seu desgaste é pequeno. Normalmente prendem um pouco as cordas e geram alguns estalos ao afinar, devendo ser lubrificados constantemente para melhor funcionamento. Esta lubrificação nunca foi bem difundida e será abordada mais adiante.
400x150 - 001


NUT de plástico: É encontrado na maioria das guitarras de custo baixo vendidas no mercado e geralmente pode ser comprado facilmente para reposição em lojas de instrumentos musicais sendo considerados como peças de reposição. Para que possam desempenhar sua função com mais eficiência, darei também algumas dicas mais a frente. Continue sua leitura.
400x150 - 002

NUT de Grafite: Alguns fabricantes observaram que "guitar techs" de guitarristas experientes usavam pó de grafite “in natura” ou oriundo de lápis ou lapiseiras no leito das cordas nos NUTS para melhor deslizamento. Por que não fabricar um NUT todo desse material? Pronto, estava inventado um NUT onde seu material principal era o Grafite. Com o passar dos anos esta peça foi ganhando muitos seguidores. Sua característica principal é diminuir consideravelmente o atrito das vibrações das cordas nos NUTS, mantendo a afinação do instrumento por mais tempo principalmente com músicos que exageram nos “Trêmulos e Bends”.
400x150 - 003

NUT de Latão (Liga de Cobre e Zinco): Para aqueles que gostam de acompanhar determinados Guitar Heros, vale a pena lembrar que o guitarrista Yngwie Malmsteen tem este tipo de nut instalado em muitas de suas guitarras. A questão é que apresenta pouco atrito com as cordas e uma mudança no timbre de forma “metalizada”. Vale a pena lembrar que determinadas mudanças no timbre deve ser observado com a corda solta e certamente com o “ouvido referencia”, portanto muito individual e subjetivo, sem comprovação técnica eficaz.
400x150 - 004
NUT de Corian: É um material híbrido feito de osso, caroços e plástico, com aspecto visual de um osso branco, boa densidade e dureza. Também tem sido utilizado para saddles de violão com captadores de contato do tipo Piezo apresentando boa resposta do contato magnético segundo os fabricantes. 


















NUT de Micarta: É um material sintético do “bone”, ou seja, osso sintético com um visual “fosco e amarelado” parecido com o Marfim (presas de elefantes). É um material bem maleável ao lixamento e ótimo para fabricar saddles para captadores tipo piezos.  É muito utilizado, juntamente com o material anterior (Corian), pela empresa de violões Martin Guitars e outras conceituadas marcas de violões.
400x150 - 005

NUT de Marfin: Fabricado a partir da presa de elefantes,  nem preciso dizer que é um material proibido mundialmente na fabricação de quaisquer itens, exceto de uso religioso na Índia e Tailândia. Portanto, é extremamente caro, e tem características técnicas semelhantes ao osso.
400x150 - 006

NUT de Madrepérola: Material natural de extrema densidade e visual muito bonito, são provenientes das conchas e usados para confecções de NUT´s de Banjos e Bandolins. Por ai se imagina o preço (!)

400x150 - 007

Roller NUT: merecem uma citação à parte, sendo classificados como sub categoria dos NUT´s de Latão. Foi criado para de resolver alguns problemas que existiam com os NUT´s comuns, como diminuir o atrito e manter a afinação. Um dos primeiros protótipos lançados no mercado foi através da empresa Wilkinson na década de 70 e um guitarrista muito conhecido foi um dos pioneiros a utilizar e difundir o produto: Jeff Beck
400x150 - 008

A criação realmente resolveu o problema de muitos guitarristas que passaram a ter mais estabilidade na afinação e o uso tranquilo da alavanca sem desafinar o instrumento rapidamente. O problema é que os Roller Nuts não suportavam grandes calibres de corda e normalmente paravam no 0.010. Outro fator negativo foi que com a pressão das cordas e o tempo de uso, faziam com que o eixo das roldanas se deformasse fazendo com que elas não girassem mais tão livres quanto antes, aumentando o atrito com as cordas.

A Fender, que já estava estabelecida no mercado na área de acessórios para guitarras, lançou em 1993 o seu próprio “NUT turbinado” que recebeu o nome Fender LSR Roller Nut. Com uma construção maciça em metal, a peça internamente agrega esferas de aço que “seguram” a corda e rodam dentro do compartimento quando a guitarra é tocada ou afinada. Essa peça, além de ser menor e mais bonita, resolveu o problema de calibres maiores, suportando cordas de 0.008 a 0.056. O problema do desgaste também foi resolvido. O desgaste é praticamente zero, uma vez que as esferas duram anos em um rolamento normal de uma máquina que faz milhares de giros por minuto. Basta pensar que para elas girarem tudo isso em uma guitarra seria preciso anos tocando ininterruptamente para começar a ter problemas com desgaste.
400x150 - 009
400x150 - 010
400x150 - 011
Agora que você já conhece ou relembrou os principais tipos de matérias primas de NUT´s mais encontrados nos instrumentos musicais até hoje, vamos aprofundar um pouco mais o nosso tema.
Minha experiência nunca me deixou preocupar apenas com o NUT em sí, pois ele é uma das partes integrantes para o bom funcionamento de um instrumento de cordas. Não adianta ter um NUT de ótima qualidade, “caro”, “lubrificado constantemente”, “timbre maravilhoso” (como dizem, totalmente ajustado ao tamanho das cordas, bem colado, etc) trabalhando em conjunto com tarraxas que não conseguem “segurar” a afinação, abaixadores de cordas (string retainer) ruins e pontes com trêmulos de baixa qualidade. Devemos considerar até mesmo a maneira como que o músico toca seu instrumento, exagerando nas “alavancadas” ou nos “bends”.

Para chegar a conclusão que realmente o NUT “desestabiliza” sua guitarra, a análise deve ser ampla, considerando o instrumento como um todo, e, em muitas vezes, a ajuda de um bom luthier ou um guitartech é fundamental para evitar gastar dinheiro desnecessariamente em peças que não irão resolver definitivamente o problema.

Atribuir ao NUT a mudança do timbre da guitarra, como tenho visto em alguns videos no YouTube, seria arriscar demais na minha opinião. Aliás, como já mencionei anteriormente, nem me preocupo muito com isso. Posso afirmar que já percebi uma mudança muito discreta, quando instalei rastilho de metal em um violão ao invés de osso ou plástico, aparentemente ocorrendo uma “metalização” do som. Assim tenho minhas dúvidas quando ouço alguém dizendo que há diferenças na troca do NUT, uma vez que para essa peça supostamente influenciar “audívelmente”, deveríamos considerar apenas as cordas soltas sendo tocadas, ou como alguns dizem traste zero, já que para os outros casos, o timbre sairá dos trastes que você tocar.

Assim, a característica mais importante a ser considerada no NUT é a sua capacidade de não “prender” a corda, comprometendo a afinação e o livre deslizamento durante as vibrações das notas. Dessa forma, o ajuste de altura é importantíssimo para uma boa regulagem das cordas e melhorar a tocabilidade. Devemos considerar o “leito das cordas”, ou seja, uma corda com calibre maior deslizando em um NUT com seu leito não adaptado para este calibre da corda proporcionará mais atrito.
Na figura abaixo está demonstrado o que chamamos de “traste zero”. Trata-se de uma das maneiras de diminuir o atrito das cordas junto ao NUT. Isto só funciona se a região (berço) do NUT onde as cordas passam estiver maior que o diâmetro das cordas.
400x150 - 012

A outra maneira de usar o “traste zero” é transformar o nut apenas como guia das cordas em direção às tarraxas.
400x150 - 013

Outra tentativa em diminuir o atrito ocasionado pelas cordas é o uso de pó de Grafite, que pode ser encontrado em lojas de ferragens ou passando um lápis ou lapiseira no leito das cordas no NUT. Devemos tomar cuidado para não exageramos e deixar suja a escala como na figura abaixo. Percebam que o NUT é de osso, com berços adequados ao tamanho das cordas e lubrificado com Grafite.
400x150 - 014
Ao invés do pó de Grafite, o uso de óleos lubrificantes tanto no NUT quanto nos sadlles da ponte, estão ficando cada vez mais comuns. Muitos guitartechs estrangeiros utilizam seringas já carregadas com esses lubrificantes, como nas figuras abaixo. Note que somente uma gota é utilizada por berço, com a corda fora do NUT. 
400x400 - 001
400x400 - 002

Mas de nada adiantará a lubrificação dos berços se não fizermos o ajuste correto considerando o diâmetro das cordas. Como vimos, esse ajuste é importantíssimo para que a corda movimente-se com menos ou nenhum atrito. Veja na figura abaixo uma das situações ideais:
400x400 - 003
400x400 - 004
Você pode me perguntar se um leigo poderia fazer tais ajustes no NUT das suas guitarras. Eu respondo que SIM, se você conseguiu identificar que o NUT é o único responsável por alterações do seu instrumento e se sentir seguro para realizar este trabalho. Mas lembre-se que deve estar preparado para o que possa surgir como conseqüência e se ainda assim estiver inseguro, procure um luthier da sua confiança para fazer o ajuste. Ah, sente-se seguro para seguir adiante? Então fique tranqüilo e leia algumas dicas bem simples para se sair bem dessa tarefa. Vocêe vai precisar de uma pequena lima redonda, encontrada nas lojas de ferragens, para fazer esse ajuste.
O primeiro passo é adequar o diâmetro da corda ao diâmetro do respectivo leito no NUT. Se as alturas das cordas estão corretas, procure não limar em excesso, aprofundando demais o leito. Se fizer isso, essa corda poderá apresentar trastejamento. Neste ponto acredito que um musico inseguro ou inexperiente terá muita dificuldade na determinação do limite e relembro que nesse caso um luthier ou um guitartech serão necessários para o ajuste.
Para quem não pode contar com eles, minha dica é ajustar os berços com muito cuidado. Existem limas próprias (importadas) para este serviço, inclusive no diâmetro das cordas. No meu caso usarei uma lima diamantada comum apenas para a largura e não profundidade.
400x400 - 005
400x400 - 006


Após adequarmos o tamanho do leito para a corda no NUT, passaremos para a parte da lubrificação, que qualquer um conseguirá fazer. Devemos lubrificar para diminuir o atrito, certo? As maneiras mais simples e mais acessíveis além de adaptadas que conheço são:

1. Grafite:
400x400 - 007
400x400 - 008

2. Óleo lubrificante (extrato de limão utilizado na limpeza das escalas):
400x400 - 009

3. Óleo de lubrificação de válvulas de instrumentos de sopro:
400x400 - 0010

Pronto, com o NUT ajustado e as cordas trabalhando livremente, você já tem base para emitir sobre própria opinião sobre qual NUT é o mais apropriado para seu estilo de tocar e para o seu instrumento musical.
Concluindo, quero dizer que para “fatos não há argumentos”. Se por acaso surgir uma oportunidade para você opinar sobre as alterações das frequências ligadas ao material que o NUT é feito, considere que deverão ser adaptados, em uma mesma guitarra, todos os tipos dessa peça e, com o som de uma corda solta, verificar se há alterações de frequências através de um analisador de espectro de áudio, sem espaço para achismos. O ouvido humano é muito complexo e algumas alterações que possam ser percebidas por uma pessoa, podem não ser para outra. E com esses conhecimentos, você se torna um consumidor mais preparado e não vai cair em qualquer “historinha”.

Como regra geral, acredito que uma guitarra, que tenha boas tarraxas, ponte, cordas e o NUT bem ajustado e lubrificado, associado a uma boa regulagem lhe trará ótimos resultados.


Fonte: http://blog.santoangelo.com.br/

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Qual a Madeira de seu instrumento ?





Maple, Spruce, Poplar… se você entende um pouco de instrumentos musicais já deve ter se deparado com esses nomes. Mas se você não conhece todos eles, vamos dar um explanada.

Antes de mais nada, é importante dizer que a madeira utilizada na fabricação de um instrumento é responsável por grande parte das suas características sonoras(como o timbre e o sustain) e claro, pelas características estéticas. É interessante notar que a madeira tem funções diferentes, dependendo da área em que será utilizada (tampo, laterais, braço, escala, fundo).

Vale lembrar que as principais madeiras usadas não representam todos os aspectos tonais do instrumento. Design, perícia do fabricante ou do luthier e qualidade de cada peça da madeira utilizada também são fatores importantes. Dito isso, já podemos falar um pouco sobre cada tipo de madeira.



Esta madeira norte-americana, de baixa densidade, é a mais utilizada hoje em dia para a fabricação do tampo, e o Sitka é a espécie mais comum. Sua alta rigidez, combinada com características macias e leves, faz com que soe naturalmente com uma alta velocidade de som.
Mesmo sendo tocado com força, essa madeira consegue soar com clareza, o que faz do Sitka uma excelente escolha para músicos cujo estilo exige uma resposta dinâmica ampla e um tom mais robusto. Por outro lado, a falta de uma tonalidade mais complexa faz com que Sitka soe um pouco fino aos leves toques, mas claro que tudo depende do desenho do instrumento e das demais madeiras envolvidas.



O Ovangkol é uma madeira original da África Ocidental. Normalmente, sua coloração vai do amarelo-marrom a marrom-escuro e possui listras que vão do cinza ao quase preto. A diversidade de Ovangkol e padrão de grão assemelham ao jacarandá da Índia oriental. Ele também compartilha algumas características com tons rosa, mas ostenta o “brilho” vivo encontrada em madeiras de média densidade, tais como o mogno, nogueira e koa.
Apesar de ser largamente utilizado em luthierias, o Ovangkol é uma madeira bastante exótica. Ela concebe timbres mais cheios e envolventes, corrigindo um pouco o déficit dos “médios” de outros violões Folk.



A Koa é uma madeira original do Hawaii, que parece estar em extinção, e por isso é mais cara e difícil de encontrar. Essa madeira, de média densidade, é muito usada em tampos, fundos e laterais de instrumentos acústicos. Tem desenho exótico, mas discreto, com uma coloração variando do rosa alaranjado até o marrom avermelhado.
É uma espécie de prima rica (em todos os sentidos) do mogno. Ela tem sido cada vez mais usada pelo pessoalfingerstile (cordas de aço) por causa da boa definição sem ser seco demais.



A Ash é uma madeira dura, porosa e de densidade média, mas muito bonita e com um som brilhante. Existem o Light Ash ou Swamp Ash, que é mais leve e tem um som menos encorpado, sendo que as fábricas preferem essa madeira ao Ash convencional, para que o instrumento não cause dor de coluna nos músicos.
Um instrumento com corpo feito em Ash é certamente mais pesado do que um em Alder, característica que favorece os médios e agudos. Esta madeira foi usada nas primeiras stratos e nas teles.



A Poplar é uma madeira fibrosa, densa, mas bastante leve e extraordinariamente ressonante. Quando usada em instrumentos de corpos sólidos, como em uma guitarra, possui um som muito nítido. Conhecida como tulipeiro, yellow poplar ou tulip wood, é uma madeira boa para quem gosta de um som mais limpo.





A Alder (ou amieiro, em português) possui um timbre caracteristicamente mais agudo, alta velocidade de propagação do som e bom sustain. Ela é uma madeira de baixa densidade muito utilizada na construção de corpos de guitarras sólidas, e tem como característica sonora um som mais aveludado com grave bastante profundo. Muitos músicos não gostam da sua aparência estética, mas concordam que ela favorece os médios e agudos. Muito versátil, a Alder fica boa com todos tipos de captadores.



O Basswood é uma madeira de baixa densidade, muito leve, estável e de timbre médio, muito utilizado na construção de corpos e braços de guitarras e contrabaixos, principalmente pelas suas excelentes respostas aos tons graves. Ela tem ataque moderado, umsustain incrível e resolução sonora perfeita; ótima para rock em volumes elevadíssimos, ajudando a não perder a resolução mesmo em altos volumes.
É uma madeira de fácil reflorestamento, que resulta em um bom custo-benefício. Não é ruim, como muitos pensam ser: o problema é que existe muito compensado de Basswood confundindo os menos entendidos.



O Cedro é uma madeira de média a baixa densidade, de fácil manuseio e bom sustain. Ela é muito estável, com timbre mais grave e aveludado. Utilizada na construção de corpos e braços de guitarra e baixo, reforço interno de violão, fundo e faixa de violão ou tampo, esta madeira é esteticamente bastante similar ao mogno, porém sua velocidade de propagação sonora é superior.





Madeira de altíssima densidade, muito sustain e alta reflexibilidade. O ébano tem um timbre agudo e muito estável, é a madeira mais cobiçada para escalas de instrumentos devido a sua dureza e alta resistência a empenamentos.
Sempre foi a favorita para a confecção das escalas de instrumentos musicais devido à sua grande dureza e resistência ao desgaste mecânico. Sua coloração negra e exótica cria um contraste muito bonito com o prateado dos trastes. Tem variedades originárias da África Continental, Madagascar e Índia. Atualmente, trata-se de uma madeira muito rara, quase beirando a extinção. Por ser de alta densidade e cara, é utilizada apenas nas escalas de instrumentos “top de linha” ou feitos por luthiers.



O jacarandá (também conhecido como rosewood) é a madeira preferida por luthiers do mundo todo para laterais, escalas e fundo, e em casos raros para o corpo de guitarras e baixos. Madeira de alta densidade, com muito sustain e um timbre grave e estalado, o Jacarandá é sem dúvida a mais cobiçada em instrumentos musicais.
Dentre os jacarandás, o mais apreciado é o baiano (nacional), graças à beleza incomparável e de grande variedade de colorido e figura. Geralmente avermelhada com listras negras, às vezes marrom escura ou quase preta. Suas reservas estão praticamente extintas, mas ele ainda pode ser encontrado nas regiões de Mata Atlântica brasileira. Sua exploração comercial está banida há vários anos.



Esta madeira tem cor clara e muito brilho natural. Sua sonoridade é diferente dos Jacarandás, pois não é tão profunda e não tem tanta sustentação, mas possui grande projeção e muito equilíbrio entre as frequências agudas, médias e graves. Estável e resistente, é originária das florestas de clima temperado da Europa e da América do Norte.
O maple é uma madeira muito utilizada na fabricação de fundos e faixas dos instrumentos da família do violino e das guitarras archtop acústicas, tampos de violão, braços e corpos de guitarra, devido ao desenho dos veios da madeira. Em alguns casos é possível encontrar escalas feitas com essa madeira, embora não seja a melhor escolha, por ser relativamente porosa, macia e clara. Portanto, se não for envernizada, a escala poderá sujar rapidamente.



Encontrado no Paraguai, Uruguai e Argentina, o marfim é uma madeira de grande beleza e relativamente fácil de ser encontrada nas madeireiras do Brasil, devido à sua popularidade como material de acabamento de interiores de residências e móveis. Sua densidade é boa e similar a dos Jacarandás, apresentando diversos tipos de figuras e podendo ser reta ou ondulada como o maple.
Os instrumentos feitos com esta madeira têm um bom som, porém com um pouco menos de sustentação que os de Jacarandá. Com um timbre agudo e grande resistência mecânica, ele é muito utilizado na fabricação de braços de guitarra e baixos e filetes decorativos. Tem boa estabilidade quando bem seca e quarteada, com uma coloração dourada clara e um brilho muito bonito.



Madeira de alta densidade, com muito sustain, média estabilidade, timbre grave e encorpado, além de uma grande resistência mecânica. O mogno, também conhecido como Mahogany, é muito utilizado na fabricação de corpos e braços de guitarras e baixos, fundo e faixa de violões.

Existe uma variedade bem grande de mogno, com texturas e influências diferentes. Mas de forma geral, para o tampo, ele tem um forte punchy produzindo bons sustenidos e uma velocidade de som relativamente lenta. Para o fundo e nas laterais, o mogno tem uma velocidade relativamente alta de som, tendendo a enfatizar os graves e agudos.

O mogno brasileiro é uma madeira de comercialização proibida em face do perigo de extinção, por isso é também uma das madeiras mais nobres e caras para a lutheria.



O marupá é uma madeira de média densidade, com bom sustain e boa estabilidade, além de um timbre agudo e boa resistência mecânica. É muito utilizada na fabricação de tampos, corpos de guitarra e baixos e em reforços internos de violões, o que garante um instrumento leve. Assim como o mogno, o marupá é uma madeira com baixa velocidade de propagação do som.

Encontrada na região norte do Brasil, é vulgarmente conhecida como caixeta, por ser utilizada também na fabricação de caixas de feiras. Esta madeira tem a textura e as características físicas muito parecidas com a do cedro rosa, diferindo apenas no cheiro e na cor. Seu cheiro é bastante neutro e a cor é um branco amarelado que cria um contraste bonito com madeiras mais claras como o mogno e o cedro. Geralmente os instrumentos fabricados com ela são pintados pelo fato de a madeira não ser bonita.

É uma madeira geralmente utilizada no Brasil para palitos de picolé e fósforo, cabos de vassoura, brinquedos e caixas de frutas. Todo mundo conhece o Marupá :). "Caxeta" ou "Caixeta" é um nome genérico dado a várias espécies similares, entre elas o Marupá. ( saber disso decepciona muita gente, mas vamos deixar isso pra um post mais técnico).



O pau-brasil possui um sustain constante, ataque moderado com uma boa massa sonora final. Também conhecido como pau-pernambuco, palo brasil ou pernambuco wood, é originário da na Mata Atlântica, mais precisamente no litoral da região nordeste e sudeste brasileira. Como é uma madeira rara, virtualmente extinta na natureza, seu preço e uso são proibitivos.

É uma madeira adequada apenas para a confecção de arcos de violino, viola, violoncelo e contrabaixo. Eventualmente pode ser também utilizada para a confecção de escalas, fundo e lateral de violão e para percussão, essa madeira é melhor para palhetadas e não tão boa para o dedilhado.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Abrangência Musical - Estilo, Técnica e Versatilidade




 Qual o critério para o estudo de gêneros musicais e técnicas de execução variadas, pois é sabido que ninguém pode aprender tudo, ou pelo menos ser bom em tudo. Então, a pergunta é, como ter uma boa abrangência musical, mas sem ficar apenas na superfície? 

Compreendo sua dúvida, pois, enquanto sabemos que é fundamental ter um estilo próprio para se diferenciar como guitarrista, também sabemos que um músico que só sabe fazer uma coisa vai sempre soar igual.

Parece ser um dilema: Devo ter um foco para fortalecer meu estilo ou devo me desenvolver em diversos estilos para ser versátil?

A questão é encontrar o equilíbrio entre estilo e versatilidade, tanto em termos de técnicas quanto de gêneros musicais.

Depende do seu objetivo

Essa pergunta é excelente e gera uma boa discussão. Não existe uma resposta simples, mas o primeiro passo é definir seu objetivo. Se você deseja ser um grande guitarrista de blues como B.B. King, não é necessário saber vários outros estilos. Você pode se concentrar no blues e outros estilos próximos a ele, como vou explicar mais na frente. Mas se o seu objetivo for compor músicas que permeiam vários estilos, ou até mesmo desenvolver seu próprio estilo, o caminho é diferente. E, ainda, se você pretende tocar músicas diversas de outros artistas, surge mais um caminho. Enfim, tudo depende do seu objetivo.

Foco e Curiosidade

Mas, de forma simples e direta, a minha sugestão é desenvolver a fundo seus estilos favoritos, que você mais gosta de tocar, e frequentemente buscar referências fora desses estilos. Ou seja, tenha foco e curiosidade.

Desenvolver-se a fundo num estilo é algo que leva tempo, por isso não dá pra fazer isso com muitos estilos se o tempo é escasso. Mas, aprender um pouco sobre alguns estilos que te interessam pode ser feito rapidamente. E você pode ter mais de um estilo principal também. Por exemplo, eu gosto muito de tocar rock e hard rock, com muita distorção, mas também passo muito tempo tocando reggae, algo que não tem nada a ver com esses outros estilos.

Se tocar vários estilos é algo que te dá prazer, vá em frente!

Ter curiosidade é estar sempre atento a coisas que podem despertar seu interesse e te deixar animado! Curiosidade é abrir os olhos e presenciar a beleza que há ao seu redor, e eventualmente aprender coisas novas para usar no dia-a-dia.

Por outro lado, ter foco é estar em linha com sua própria identidade. Quando as pessoas vão escutá-lo tocando, elas querem ver algo único, diferente dos outros.

Sei que pode soar paradoxal, mas quando escolhemos um foco, acabamos ampliando nosso leque. Estranho, não é? Mas isso acontece de fato, pois estilo e versatilidade são complementares, andam na mesma direção. Quando escolhemos um gênero musical como foco, acabamos descobrindo que há muita coisa interessante para explorar e aprender dentro desse tipo de música em termos de ritmos, técnicas, efeitos, timbres, licks, e acordes. E, ao desenvolver toda essa riqueza que há dentro de um estilo musical, acabamos nos tornando mais versáteis, podendo aplicar esses aprendizados em outros estilos. Afinal, em geral, uma técnica que serve para um estilo serve para outros também, como é o caso dos bends, vibratos, palhetada, etc.

Explore as adjacências

Se a música possui centenas de estilos e precisamos escolher para onde ir, por onde começar? A resposta é explorar os estilos ao redor do seu estilo favorito. Um grande exemplo disso é Johnny Hiland, um dos melhores guitarristas atuais de country. Sua diversidade técnica é impressionante e ele foi fundo em explorar tudo relacionado ao country, como blues e honky tonk, e muitos outros estilos relacionados.

Essa abordagem permite que você conecte os pontos de forma natural, pois estilos que estão próximos uns aos outros possuem muitas características em comum, então basta aprender alguns elementos novos e pronto, você agora consegue tocar mais um estilo em seu repertório. Além disso, você poderá ir além da superficialidade de um estilo. Se você estuda estilos desconexos, dificilmente conseguirá se aprofundar. Mas se eles estão interligados, é possível dominar todos eles.

Não caia na armadilha

A guitarra é um instrumento incrível porque permite tocar centenas de estilos diferentes. Mas isso não significa que um bom guitarrista é aquele que sabe tocar todos os estilos. Entre um guitarrista que é muito bom em apenas um estilo e outro que sabe tocar de tudo um pouco, em geral o primeiro é mais interessante. Afinal, quando queremos ouvir blues, buscamos um artista de blues, quando queremos ouvir bossa nova, buscamos um artista de bossa nova. Ninguém espera escutar vários gêneros em um só artista. Além disso, o tempo passado com muitos estilos poderia ser usado para se aprofundar nos estilos mais relevantes para você.

Criatividade por associações

Para os músicos que compõem ou gostam de improvisar, a criatividade é um fator crucial. A criatividade pode ser desenvolvida com a prática. Não vou entrar em detalhes aqui sobre isso, mas vale destacar que uma das principais abordagens que conhecemos para gerar ideias criativas são as associações. Através dessa abordagem, pensamos em duas ideias desconexas e tentamos imaginar diferentes formas de conectá-las. Os resultados são surpreendentes. Por exemplo, Randy Rhoads criou um estilo próprio de solar unindo música erudita com metal, e Zakk Wylde juntou country com hard rock em muitos de seus solos.

A mensagem aqui é que quanto mais estilos você conhecer, mais opções terá para combinar um estilo com o outro, nem que sejam apenas pequenos detalhes. Alimente sua curiosidade e colha os frutos.

Quantos estilos devo estudar?

Existem centenas de estilos interessantes para tocar. Só no Brasil deve ter mais de 50 estilos e variações. No Nordeste, por exemplo há uma diversidade enorme. Mas os estilos não vem até nós, precisamos ir até eles. Se queremos descobrir coisas novas, precisamos agir como exploradores numa verdadeira aventura musical.

Geralmente, associamos a cada país um tipo de música, mas a verdade é que o cenário musical de cada país é muito mais complexo. Se quisermos, podemos escutar um estilo diferente a cada dia de nossas vidas e nunca vamos esgotar as possibilidades. Por isso, não vamos deixar a busca por versatilidade e abrangência nos levar para a perda de foco. A quantidade de estilos que você vai estudar depende de quanto você quer se aprofundar em cada um deles e de quanto tempo você tem disponível. Vale a pena traçar uma meta. Por exemplo, “Quero poder tocar jazz no nível básico em 6 meses”. Aí, é só correr atrás do desafio!

Como ter abrangência musical

Como mencionei antes, aprender um estilo a fundo leva tempo, mas aprender superficialmente pode ser bem rápido, além de ser interessante para o seu desenvolvimento musical. Por exemplo, digamos que você toque blues e queira que essa seja sua especialidade. Nada te impede de querer aprender um pouco sobre country. Aí, minha sugestão é escolher uma música que represente bem esse estilo e aprender a tocá-la. Com apenas uma música você verá a enorme quantidade de elementos que um estilo pode conter. Você não se tornará um especialista nesse estilo, mas pelo menos terá a chance de descobrir alguns elementos que você pode aplicar no seu dia-a-dia.  A sua abrangência musical pode ser medida em quantas músicas de quantos gêneros você consegue tocar. Quem sabe, você acaba esbarrando em um estilo que te agrade tanto a ponto de você decidir se dedicar mais intensamente a ele.

Quer conhecer mais estilos musicais?




quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Cuidados e Manutenção I : Limpeza




Para melhor conservação do instrumento, alguns cuidados são   essenciais para prolongar a vida do violão ou da guitarra. Muitas vezes por manuseio errado ou armazenagem em local incorreto os instrumentos podem sofrer avarias as quais podem ser evitados com cuidados básicos.

Primeira ação a ser tomada como regra, é tomar cuidado com quem manuseia o instrumento, evitando ao máximo deixar o violão, a guitarra ou o baixo com pessoas que não sabem como lidar com eles , podendo assim danificá-los. Já quanto ao próprio proprietário do instrumento, alguns cuidados básicos são imprescindíveis:

Tempo úmido ou seco: com as mudanças de temperatura e umidade o instrumento sofre variações sendo necessário certo controle sobre ele para evitar danos. Evitar ao máximo ambiente com umidade excessiva por período prolongado de tempo, isto ajuda a manter as colagens estruturais intactas.

Cases e capas podem acumular umidade com o tempo, sempre que constatado
certa umidade neles, deixar secar ao sol. No caso de acústicos, um higrômetro junto ao instrumento é algo que pode auxiliar no controle, tanto umidade excessiva quanto do tempo muito seco, que danificam as finas madeiras que são usadas, o ideal é manter em ambiente com umidade entre 40% a 60%, fora desta faixa, umidificadores e desumidificadores ajudam a controlar a umidade do instrumento, evitando danos estruturais e rachaduras na madeira. Do mesmo jeito evitar ambientes muito quentes por período prolongado, que também afetam as colagens estruturais.
Deixar o instrumento no carro em dia quente é algo que pode comprometer completamente um violão ou guitarra.

Limpeza do instrumento: ao terminar de utilizar seu instrumento, faça uma limpeza com pano macio e seco para retirar qualquer sujeira ou suor que caia sobre a superfície e nas cordas, geralmente são recomendadas flanelas macias, mas é sempre bom analisar o tipo de pano, pois alguns podem causar micro riscos no instrumento. O uso de produtos só se faz necessário se a sujeira estiver muito “grossa”, neste caso o uso de produtos específicos para limpeza de instrumentos o recomendável. Antes de aplicar qualquer produto certifique-se quanto ao tipo de acabamento que o seu instrumento possui, vernizes do tipo PU tem uma resistência maior e a grande maioria dos produtos de limpeza não o afetam; vernizes do tipo nitrocelulose já tem uma base um pouco mais sensível e podem se danificar com alguns limpadores com solventes químicos, evitar lustra móveis ou limpadores do gênero; vernizes do tipo goma laca ou óleo deve-se evitar qualquer tipo de limpador, o ideal é usar somente o pano seco, no máximo, levemente umedecido para limpar e logo em seguida pano seco para retirar qualquer umidade do instrumento. Existem produtos específicos
para limpeza de instrumentos, em geral não são caros pelo rendimento, a manutenção bem feita é mais barato que a reparação do dano.
Observação: para acabamentos em verniz fosco não se deve usar nenhum tipo de polidor, somente pano seco que deve ser aplicado sem muita força. Limpar o instrumento com força fará com que ele comece a tomar brilho.

Limpeza da escala: a limpeza da escala vai depender do tipo de acabamento que ela recebe. Alguns instrumentos têm a escala polida com ceras, outras somente aplicações de óleo e em casos de escala clara a aplicação de vernizes. Quando a escala é envernizada a limpeza deve ser feita como no resto do
instrumento, somente pano seco ou com polidores de instrumentos. A grande maioria dos instrumentos recebe apenas aplicação de óleo na escala, para a limpeza, embora antes devesse  analisar a necessidade, acúmulo de sujeira na escala é removida com produtos específicos, neste caso o luthier deve ser
procurado para orientação ou para realizar o trabalho. Após limpa a escala então é feita a aplicação do óleo de limão, duas a três gotas em uma estopa ou pedaço de pano pequeno, tal medida de produto é o suficiente para a escala toda, aplica-se o óleo na estopa e então é passado na escala, espalhando bem. Após aplicar o óleo, espera-se 1 minuto e retira-se o excesso de óleo com um
pano ou estopa seca. Deve-se sempre evitar excessos, pois em excesso o óleo pode acelerar a degradação da madeira e ela começa a desgastar rapidamente, sendo necessária sua troca em menor tempo, em geral, minha recomendação é de no máximo 2 vezes ao ano fazer a aplicação de óleo. Não existe o óleo ideal, existem os mais comuns, para saber qual o mais adequado ao seu instrumento, converse com o seu luthier de confiança.

Limpeza de peças metálicas: as peças metálicas de guitarras devem ser limpas com os mesmos polidores de instrumentos ou pano seco. Após o uso, limpar as peças do suor ou sujeira para evitar que se oxidem rapidamente. Deve-se usar um pano somente para as peças, pois as peças metálicas soltam resíduos no pano que pode causar riscos no instrumento. Peças douradas tendem a perder o acabamento mais facilmente, mas todos possuem certo desgaste. Ao limpar evitar esfregar a peça com muita força, evitando assim a retirada do banho que dá a cor à peça.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Captadores - Parte II - Imãs


IMÃS

Os magnetos, ou imãs, são o coração do captador e suas características e materiais determinam grande parte da sonoridade deste. Quatro tipos de imãs industriais são mais comumente usados (em ordem crescente de potência): Alnico, Ferrite, Samarium Cobalt e Neodymium. Todos são bem resistentes ao calor e corrosão.

1) - Alnico . É uma liga formada por Alumínio, Níquel e Cobalto ( e Ferro). O Alnico foi o primeiro tipo de liga magnética desenvolvida, portanto é o mais antigo da família dos magnetos. Foi desenvolvido para uso comercial por volta de 1940 e é composto por porcentagens específicas (mas que podem variar um pouco entre os produtores) de Alumínio, Níquel, Cobalto e Ferro (Ex: AlNiCo V: 15%Ni, 25%Co, 9%Al, e 48%Fe). A combinação dos componentes pode variar, gerando ligas de Alnico de diferentes potências, que são numeradas em algarismos romanos, com ordem crescente de potência: II, III, IV, V, etc. Ainda não encontrei uma informação exata, mas me parece que o Alnico III é mais fraco que o II. Os mais usados são o II e o V.
Todos os captadores de 1940 até início de 1960, com raras exceções, usavam ALNICO. Seu "timbre" é mais macio, ou pelo menos, sua resposta ao ataque da nota é mais natural, além de refletir bem as ressonâncias das cordas e madeiras.
O Alnico II, por ser mais fraco, tem menos ataque e mais médios que o V. Esse, por sua vez, apresenta graves e agudos mais definidos.


2) Ferrite (ou Cerâmico) - Strontium Ferrite - O imã de Ferrite é manufaturado desde 1954 e nasceu como uma alternativa de baixo custo para o Alnico. Resulta da combinação de Estrôncio e Ferro, inicialmente em pó, depois prensado e aquecido a altas temperaturas, adquirindo um aspecto "cerâmico".
Devido a sua estrutura, nos captadores é usado apenas em forma de barras.
O Ferrite soa mais agudo, seco, com mais ataque e realça menos as ressonâncias que o Alnico.


3) Samarium Cobalt - Assim como o Neodymium, é formado por minerais raros (Rare Earth Magnets) e é bem mais potente que o Alnico ou Ferrite. Usado em alguns captadores, como os Fender SCN (Samarium Cobalt Noiseless).

4) Neodymium - Magnetos de extrema potência, mas atualmente usados mais em alto-falantes

Essas ligas são magnetizadas em máquinas específicas através de pulsos eletromagnéticos. Por curiosidade, o Neodymium é tão potente que ele próprio pode magnetizar/desmagnetizar o Alnico.
A maioria dos produtores de captadores magnetiza o Alnico somente após o captador montado.

Mas o que interessa para o guitarrista?

Nos interessa tão somente o TIMBRE que diferentes tipos de magnetos podem nos proporcionar. E a influência no timbre não depende apenas do material e força magnética, mas também da posição do magneto em relação à(s) bobina(s).
Vamos dar uma geral:

Nos Singles clássicos, os pinos de alnico estão no centro da bobina. Isso gera um timbre mais seco, com mais ataque e brilhante.


Já nos Humbuckers, a barra de alnico localiza-se embaixo das bobinas, transferindo o magnetismo para os parafusos.


O P-90 é exatamente um meio termo entre eles, pois tem apenas uma bobina (é um single), mas duas barras de alnico (uma de cada lado, polaridades inversas) magnetizam os 6 parafusos centrais.

Claro que cada captador tem sua sonoridade não apenas pela estrutura magnética e sim pela estrutura global, mas eu diria que o imã contribui com pelo menos 50% disso...
Esses são os 3 tipos básicos de captadores que utilizam Alnico, mas outros excelentes, como os GretschDeArmond, Dynasonic e Filtertron devem ser mencionados (por favor, procure pelas especificações da guitarra do Malcom Young/ACDC :) ). Aliás, os DeArmond e Dynasonic são singles incríveis - veja os links de vídeos abaixo.

A partir dos anos 60, gradativamente o alnico foi sendo substituido, nos captadores mais baratos, pelo ferrite. Nos anos 80, com os humbuckers de alta potência, o ferrite passou a ser uma opção até para captadores mais caros porque o aumento do número de voltas/resistência diminui os agudos e o ferrite é um pouco mais agudo que o alnico. Em captadores de baixa saída (os clássicos), ele soa estridente, mas pode ficar muito bem nos outros.
Uma mutreta que não dá pra encarar é um single que, ao invés de usar pinos de alnico, tem uma barra de ferrite embaixo magnetizando pinos de metal. São os que abundam por aí nas guitarras chinesas baratas. Veja:



Alguns humbuckers de alta potência, mais de 17k geralmente, precisam utilizar 3 barras de ferrite (uma central maior e duas laterais menores), senão soariam abafados demais.
Se tens curiosidade de saber se o teu single coil é cerâmico, é só procurar pela barra. Ou observar o brilho dos pinos - geralmente o alnico é mais fosco e nunca é niquelado.
Os imãs de ferrite são escuros e os de alnico via de regra têm aspecto de aço escovado (embora hoje em dia, alguns captadores vintage e caros utilizem alnico não polido).
Pessoalmente, nunca ouvi um captador feito de ferrite, de baixa/média saída, que soasse natural ou bonito. Alnico na cabeça!
_________________________________

Pra ilustrar o post geral sobre captadores, vou colocar links para exemplos clássicos de captadores clássicos. Entre os caras, ninguém melhor do que o Phil X pra isso:
Single DeArmond (Gretsch Duo Jet 1953):

Single P-90 (Les Paul 1955) 

Humbucker PAF:

Stratocaster 1957 e seus singles (essa todos conhecem - ouça também Mark Knopfler, Eric Clapton, John Mayer, Hendrix e dezenas de outros mestres):


E pra finalizar esse post sobre captadores, um excelente vídeo com o Gary Moore (RIP) tocando só guitarras clássicas e captadores clássicos num Orange Tiny Terror (o pedal, ligado eventualmente, pode ser um Tube Screamer mas é mais provável um Digitech Bad Monkey). A Telecaster dele é 1968