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terça-feira, 21 de maio de 2019

Alto Falantes – O upgrade mais subestimado


O melhor upgrade para seu timbre são novos alto falantes


Alto Falantes – O upgrade mais subestimado

A parte do equipamento esquecida pelos guitarristas – Os Alto falantes.

Uma coisa é certa: nós guitarristas estamos sempre ajustando o nosso setup, nossos equipamentos em busca de um timbre cada vez melhor. Algumas vezes melhoramos nossos timbres ao melhorar como tocamos. Outras vezes melhoramos nossos timbres melhorando os nossos equipamentos.
Compramos novos pedais, amplificadores, guitarras e tudo mais.
No entanto existem um poderoso upgrade que passa totalmente despercebido pela maioria de nós:
A troca dos Alto Falantes do seu amplificador.
A troca de falante é considerada por muitos especialistas a maior mudança que você pode fazer no timbre do seu amplificador, no entanto, quando estamos na busca por uma maneira de melhorar o nosso timbre atual, raramente olhamos para esses caras
Por outro lado é fácil de entender o motivo.
Alto Falantes de boa qualidade nunca foram fáceis de encontrar (com um bom preço) no mercado brasileiro e, além disso, os detalhes a serem considerados na hora de escolher um bom falante não são frequentemente conhecidos.
Esses – e outros – fatores contribuem para tornar o upgrade de alto falantes uma alteração menos popular no meio guitarrístico em geral.

Alto Falantes como upgrade de timbre

Como mencionado anteriormente, a troca de falantes é uma das alterações mais efetivas para melhorar (ou simplesmente alterar) o timbre do seu amplificador.
Para que a troca te traga o resultado esperado, você precisa fazer o dever de casa.
Isso significa que antes de por a mão no bolso e comprar o novo alto falante, você precisa determinar alguns fatores, como:
  • Características de timbre (americano clássico, britânico, timbre moderno, etc)
  • Faixa de potência
  • Orçamento
  • Tamanho (em polegadas)
  • Impedância
Com essas respostas, já é possível afunilar as opções e passar a analisar os próximos detalhes que determinam as nuances mais suaves do seu novo falante.

Tipos de Alto Falantes

Quando você já tiver chegado a uma conclusão quanto às características gerais do amplificador, nós podemos começar a olhar para os fatores que determinam os detalhes do timbre de cada falante.

Voicing

Como já mencionei anteriormente, hoje temos no mercado basicamente três características principais de falantes para nossa escolha.
American:
Os falantes do tipo american são usados tradicionalmente nos amplificadores Fender.
Esses falantes tem por característica um timbre limpo acentuado com agudos presentes e graves muito bem pronunciados.
British:
Esses são os falantes que ficaram marcados por serem usados pela Marshall, Vox e Orange.
Normalmente trazem os médios bastante presentes, ajudando a quem gosta de um bom crunch. Além disso traz agudos bem acentuados.
Modern:
Nessa classificação estão os falantes usados por fabricantes como a Mesa.
Esses falantes são capazes de lidar com quantidades grandes de potência sem que percam suas característica ou adicionem qualquer tipo de distorção.
É comum que apresentem uma resposta mais equilibrada entre agudos, graves e médios, fazendo com tenham um timbre bastante claro.

O tipo de imã do alto Falante

Um item muitas vezes negligenciado e que faz uma considerável diferença no som do seu novo falante é o tipo de imã usado na construção do falante.
Alnico:
Assim como no mundo dos captadores, os alto falantes construídos com imãs de Alnico são – geramlmente – considerados superiores em termos de timbre.
Algumas características atribuídas aos falantes de Alnico são:
– Suavidade
– Balanço em graves e agudos
– Dinâmica
Por conter alguns metais relativamente raros em seu composto (cobalto, por exemplo), falantes de Alnico vem se tornando cada vez mais caros.
O que abre caminho para os falantes com imãs…
Cerâmicos:
Os falantes com imãs cerâmicos são os mais populares atualmente.
Esse tipo de falante se tornou especialmente popular a partir da década de 70.
Apesar de o Alnico levar a fama, vários falantes clássicos – vintage – são feitos com imãs Cerâmicos.
O exemplo mais conhecido é o Celestion G12M Greenback que ficou famoso por equipar a grande maioria dos stacks 4×12 da Marshall e é o falante preferido de grandes nomes como Slash, Angus Young dentre outros.
Os falantes com imãs Cerâmicos são mais conhecidos por apresentar as seguintes características:
– Médios acentuados
– Agudos pronunciados
– Graves contidos.

Eficiência

A eficiência de um falante diz respeito à capacidade do falante de transformar cada watt de potência vinda do amplificador em som.
Esse fator simples de ser entendido tem uma implicação direta no timbre.
A eficiência determina o nível de distorção que o falante vai gerar quando trabalhar no extremo.
Sendo assim, se você deseja um falante para usar no extremo, mas não quer que esse falante produza nenhuma distorção, um alto falante com alta eficiência será uma melhor escolha.
Por outro lado se você gostaria de ouvir o falante distorcer um pouco junto do amp, então um falante com eficiência mais baixa vai fazer um melhor trabalho.

Bônus: o material do cone

O material com o qual o cone do alto falante é produzido tem uma influência direta e sutil na resposta de frequência do falante.
No mercado atual temos falantes produzidos dos mais variados tipos de materiais produzindo timbres levementes diferentes para atender aos gostos mais variados.
Segue um vídeo bem interessante, ao qual poder perceber a mudança que o alto falente pode fazer em seu timbre. Pesquise e ache seu som!

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Amplificadores valvulados clássicos - Parte 1

Comentarei sobre alguns dos amplificadores valvulados mais cultuados e utilizados por grandes ícones da guitarra desde os primórdios do Blues e do Rock ‘n’ Roll até hoje em dia. Vamos para os cinco primeiros:


VOX AC 30




    Vox AC30 Handwired Series – Acabamento que mescla o visual tradicional com o dos primeiros        AC30 lançados ainda na década de 50



Sobre a história, os detalhes e o timbre do AC30 nós já falamos em detalhes aqui antes, mas não custa nada dar uma pincelada nesse clássico valvulado.
Quando o AC15 tornou-se extremamente popular no Reino Unido, nem o mais otimista poderia prever o que viria pela frente. O Rock ‘n’ Roll era uma febre e o AC15 era o amplificador de 9 a cada 10 guitarristas da época. No entanto, os clubes ficavam maiores e a necessidade de volume também. Daí a Vox veio solucionar o problema trazendo o irmão mais velho: o AC30.
O AC30 foi a resposta da VOX à popularização do Fender Twin que era, na época, o amplificador que supria as ‘grandes’ necessidades de volume que o AC15 não suportava. Dessa forma a Vox conseguiu manter o timbre matador do seu antecessor em uma versão maior e que aguentava o tranco em ocasiões mais barulhentas. O Vox AC30 se colocou com uma alternativa extremamente versátil em termos de timbre e ganho; não é tão clean quanto os Fender e, no entanto não chega a ser tão saturado quanto os Marshall da época.
Essa versatilidade foi um dos grandes motivos que levou o AC30 a ser adotado por inúmeras bandas da época, entre elas os Beatles, que levaram o visual e o som dos Vox a serem conhecidos por todo o mundo. Por falar em visual, a característica marcante da aparência dos amplificadores Vox também apareceu nessa época e é famoso e totalmente reconhecível até hoje.
O AC30 tem em seu pré formado por ECC83 (12AX7) e o power fica por conta das clássicas EL84.
  • The Beatles
  • Jimmy Page (Se quiser conhecer os detalhes das guitarras usadas pelo mestre Page, 
  • Brian May
  • Ritchie Blackmore

2. Marshall “Plexi” 1959


     Marshall Plexi – Reissue do Marshall 100 watts usado por muitos inclusive por Jimi Hendrix

Depois de algum tempo já fazendo sucesso com o The Who e sempre usando o seu JTM45, Pete Townshend perguntou ao Jim Marshall em pessoa (O que não era tão difícil naquela época) por um amplificador mais alto do que aquele que ele vinha usando. Mas ele não queria algo apenas mais alto, ele queria o dobro de volume. Após algum trabalho e vários protótipos e testes, saiu do forno o que hoje conhecemos como Marshall Plexi, que, na verdade, se trata do Marshall JTM 1959 de 100 Watts.
Pouco tempo após o Pete começar a usar o Plexi, várias outras grandes bandas o adotaram, principalmente pelo impacto visual causado pelo Full Stack encabeçado pelo queria Marshall Plexi. Mas quem realmente tornou esse amplificador famoso e é, até hoje, o seu símbolo foi Jimi Hendrix. A combinação Strato e Marshall Plexi foi imortalizada por ele e acredito que dificilmente mudará de mãos.Esse amplificador foi utilizado largamente pelo Pete Townshend até que ele encontrasse os Hiwatt.
Pouco tempo depois a Marshall passou a oferecer o as caixas para baixo equipadas com Falantes Celestion G12H-30 (Esse H no nome se referia ao ‘Heavy magnet’), mas esses falantes ficaram muito populares entre os guitarristas principalmente por sua capacidade ímpar de lidar com mais potência e de serem muito resistentes.
A essa altura, nomes como Eric Clapton, durante a turnê do Cream e o Jimi Page, nos Yardbirds e posteriormente no Led Zepellin já usavam exaustivamente o novo amplificador da Marshall. Uma das unanimidades sobre esse amplificador é que, sempre que ele era ouvido em um show, era a todo volume. Até hoje nomes como Eric Johnson usam esse amplificador, e, nesses casos, você pode ter uma noção do quanto ele fala alto!
Esse amplificador marca muito bem uma época onde os shows passaram definitivamente às grandes arenas e os Stacks passaram a ser o símbolo desses grandes e apoteóticos shows. Falaremos mais detalhadamente sobre esse clássico em breve!
Veja também alguns caras que usaram essa máquina em suas carreiras:
  • Jimi Hendrix
  • Pete Townsend
  • Eric Clapton
  • Angus Young 

3. Fender Tweed Bassman (1959)

                   Fender Bassman Tweed – Reissue baseado nas edições dos anos 50

Os Bassman da era Tweed da Fender são até hoje altamente cultuados, principalmente quando falamos dos que foram produzidos entre o fim de 1954 e 1959, que foram os Fender Bassman Tweed 4×10. Como a descrição sugere, são amplificadores combo equipados com 4 alto falantes de 10 polegadas ao invés do único falante de 15” como era comum até então. Essa mudança aconteceu principalmente pelo grande uso que os guitarristas já estavam fazendo desse amplificador naquela época.
O Bassman vinha equipado com duas 12AY7 no pré amplificador, duas 6L6G no estágio de potência e duas 5U4GA como retificadoras. Nesse esquema o Bassman entregava 40 watts de puro Rock ‘n’ Roll em 2ohms.Por conta de características do circuito, o Bassman tinha um som um pouco mais comprimido e dinâmico do que a maioria dos valvulados da época.
É sabido que os Bassman da era Tweed tinham um som um pouco mais sujo, comprimido e dinâmico do que os seus sucessores das décadas seguintes.

                                                             Bassman silverface Head


Vale lembrar que o Fender Bassman foi a base para a criação do primeiro Mesa Boogie e também do primeiro Marshall.

Esse amplificador é um dos mais versáteis da Fender e também um onde é possível conseguir mais saturação.

Alguns artistas que usaram o Bassman durante a sua carreira são:
  •  Stevie Ray Vaughan
  •  John Mayer
  •  Buddy Guy
  •  Chris Shiflett – Foo Fighters
  •  Brian Setzer

4. Fender Twin Reverb

’59 Fender Twin Amp Tweed – Apresentando seu acabamento clássico e já bastante usado


Um som definido, alto e muito limpo. Essa poderia ser a definição do Fender Twin Reverb. Esse amplificador teve o seu debut na década de 60 e desde então experimentou uma infinidade de variações (que serão descritas em detalhes em um post específico). Esse é mais um dos amplificadores da Fender que sobreviveu a todas as ‘eras’ da empresa, passando pela fase Tweed, Blonde, Silverface, Blackface, etc.
As primeiras edições do Fender Twin (edição anterior ao Twin Reverb), conhecidas como ‘Wide and Narrow Panel’ entregava apenas 25 watts em dois falantes Jensen de 12 polegadas em formato combo, tendo duas 6L6 no estágio de potência. Na Narrow já foram inseridas algumas mudanças no visual e a introdução das válvulas 5U4 como retificadoras assim como nos Bassman.
              1973 Fender Twin Reverb – Silverface, já apresentando o canal vibrato
O passo seguinte já foi a introdução do que ficou conhecido como Tweed Twin. Essa é, de longe, a era mais famosa dos Twin e onde também, eles tiveram mais mudanças. A circuito foi novamente alterado para que entregasse uma maior potência. A partir dessa fase o Fender Twin Reverb entregava 80 Watts em dois falantes Jensen de 12 polegadas. Para que essa mudança na potência fosse possível, a Fender optou por usar quatro válvulas 5881 no estágio de potência.
A partir de 1963 o Fender Twin passou a ser produzido na versão Blonde como a maioria dos amplificadores da série Pro da Fender na época.
O Twin Reverb também foi fabricado em sua versão Blackface. Nessa fase, além das mudanças óbvias no design para atender às características dos amplificadores da Fender da época, houveram também mudanças no circuito, onde, na parte de potência passou a usar quatro válvulas 6L6GC e no pré amplificador passam a usar seis válvulas, sendo essas quatro 7025 e duas 12AT7. Esse amplificador também apresentava dois canais, um Normal e outro Vibrato.
Entre 1967 e 1981 a Fender produziu a versão Silverface do Twin Reverb, e a partir de 1968 apresentou algumas mudanças, como a adição de um volume master e a mudança da potência para 100 watts.
Abaixo você pode ver alguns caras que usavam o Fender Twin:
  • Buddy Guy
  • Eric Clapton
  • The Rolling Stones
  • Yeah Yeah Yeahs
  • The Beatles  
    ("John Lennon e George Harrison dos Beatles usaram os amplificadores Fender Twin
    durante as gravações de Abbey Road e Let It Be; o grupo também usou Twins durante
    o famoso Rooftop Concert")


    5. Marshall JCM 800

    O primeiro modelo projetado pela Marshall nos anos 80 fez o seu debut em 1981, e ali era um novo clássico que nascia: O JCM 800. Era apenas o secundo modelo da Master Volume Series (MV) que contava com a adição de um volume master, o que proporcionava a possibilidade de ter boas distorções a baixos volumes.
    O novo modelo (JCM 800 2210) apresentava dois canais Lead e Rhythm que podem ser usados via footswitch. Além disso o amplificador já vinha equipado com um Loop de efeitos e reverb de molas.
    Esse amplificador, rapidamente se tornou uma febre dentre as bandas de Hard Rock e de Heavy Metal.
    O seu ganho mais elevado se deve à quantidade maior de estágios de ganho no pré amplificador, já no canal lead o ganho extra era dado por um triodo extra.
    JCM 800 Lead Series Head – Imortalizado por vários rock stars dos anos 80




    Esse amplificador vinha equipado com três válvulas ECC83 (Equivalentes da 12AX7 vendidas no UK) no pré amplificador e duas EL34 no amplificador de potência.
    Alguns guitarristas que usaram e usam o JCM800
    • Slash
    • Tom Morello
    • Zakk Wylde
    • Joe Perry
    • Jeff Beck
    • Malcolm Young
    • Angus Young
    • Billy Corgan
    • Bad Company

    Fontes:
    • The Tube Amp Book – Aspen Pittman
    • Jimi Hendrix Gear: The Guitars, Amps & Effects That Revolutionized Rock ‘n’ Roll – Michael Heatley, Harry Shapiro, Roger Mayer
    • Fender Amplifiers
    • Maquinas de Música (Jorge Lopes)
        

segunda-feira, 30 de julho de 2018

O que é Headroom e que diferença ele faz no som do seu amplificador?






Você sabe o que Headroom e que diferença ele faz no som do seu amplificador?


Quase sempre quando as características e qualidades de um amplificador valvulado estão sendo discutidas nós ouvimos alguém citar o ‘Headroom’ e normalmente ele está sendo referenciado como fator determinante na qualidade do amplificador. Mas afinal de contas, você sabe o que vem a ser o Headroom? E a diferença que tem um amplificador com muito Headroom e um com pouco?


Vamos falar um pouco disso aqui então:


Sabe quando você pluga a guitarra num amplificador e com o volume bem baixo você já está sentindo aquele crunch vindo das válvulas? (Quem já tocou em um Orange Tiny Terror sabe bem do que estou falando). Pois bem, nesse caso dizemos que o amp tem poucoHeadroom.


Fender Twin Reverb








Headroom é a quantidade de potência e volume entregues pelo amplificador antes que ele comece a distorcer. Se você tem algum amplificador que consegue entregar grandes quantidades devolume antes de começar a distorcer, esse é um amplificador com grande Headroom.


A questão mais confusa a respeito desse conceito é o fato de não existir uma parâmetro ou padrão pelo qual ele pode ser medido e comparado. Dessa forma, usualmente são usados alguns casos famosos que se destacam como referência, por exemplo, o Fender Twin Reverb que é notadamente um amplificador com muito Headroom.


Essa característica pode estar ligada a vários fatores mas na maioria dos casos está intimamente atrelada ao design e a proposta do amplificador em questão.


Por exemplo, mesmo que você tenha um amplificador com grande Headroom como o Fender Twin Reverb que foi citado anteriormente, mas seja necessário usá-lo perto do seu limite todo o tempo já não é mais possível dizer que o amplificador tem grande Headroom para tal aplicação, uma vez que muito provavelmente ele estará distorcendo ou prestes a distorcer, sem que haja alguma potência a ser entregue antes que tal efeito aconteça.


Outros amplificadores, como o caso do Bassman (que foi a base da criação do primeiro Marshall) e o caso também da maioria dos amplificadores Hi Gain, a distorção começa mesmo com baixos volumes. Isso é especialmente interessante quando todo o som do músico é baseado no som distorcido. Nesses caos, em praticamente todos os volumes você terá o amplificador distorcendo já de maneira agradável sem que seja necessário colocá-lo perto do limite. Sim, em amplificadores como o Twin Reverb você precisa mesmo levá-lo quase ao limite pra conseguir uma distorção considerável, mas mesmo assim, não será nada que chegue perto de um Marshall, Mesa Boogie, Peavey, Alien (Sim, o Brasil também fabrica amplificadores de respeito) etc. Isso diz respeito apenas aos níveis de distorção alcançados que vão ser pontos positivos ou não dependendo do uso.


Fender Bassman Blonde





Com base no que foi dito anteriormente já somos capazes de chegar a conclusão que: Headroom não necessariamente é sinal de qualidade, eu não vou precisar necessariamente do amplificador com maior Headroom possível e dependendo do estilo que eu toco, ter um amplificador com pouco Headroom pode ser uma ótima idéia. Vamos aos exemplos:


Jimi Hendrix: Usou basicamente cabeçotes Marshall que vieram a ser chamados posteriormente de “Plexi”. Usou tanto as versões 50W como as versões 100W, apesar de ter usado o Fender Bassman em alguns casos como na gravação da música Bold as Love.


Stevie Ray Vaughan: Usou o Bassman como amplificador para som crunch durante algumas turnês e enquanto isso usava adicionalmente um Twin Reverb e um Vibroverb.


Mike McCready (Pearl Jam): Dentre os outros amplificadores que costuma usar temos um Bassman e um Marshal 1968 “Plexi” JPM, usados essencialmente para som sujo. Tendo um Matchless e um Fender Twin Reverb que são usados nas sequências de som limpo.


Geroge Harrison: Usou Twin Reverb da Fender durante as gravações do Abbey Road e do Let it Be.


Keith Richards: Durante muito tempo usou o Fender Dual Showman e hoje usa, normalmente Fenders Twin Reverb em palco.


Slash: Por muito tempo usou cabeçotes JCM 800 pra conseguir aquele timbre caracteristico do Guns ‘n Roses.

Dentre os exemplos acima já é possível sentirmos um pouco de em que estilos são procurados amplificadores com mais Headroom e onde menos pode ser a chave para o timbre desejado.

Marshall JCM 800




Galera, por enquanto é só. Falem mais artistas que vocês se identificam nos comentários e os amplificadores que eles usavam.


E agora, ficou um pouco mais claro o que significa o tão falado Headroom?


Fonte: Jorge Lopes https://maquinasdemusica.com/amplificadores/01/voce-sabe-o-que-headroom/

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

A IMPEDÂNCIA e seus amigos



Por que alguns guitarristas usam a combinação head e caixa ao invés de Combo?

Existem muitas razões. A primeira é potência. A maioria dos amps de alta potência
só saem na versão head. A segunda é flexibilidade. O músico pode escolher entre
uma grande variedade de caixas que variam também o número e tamanho dos falantes.
Seu amp terá uma certa performance com uma 4×12, mas você também poderá usá-lo
com uma 1×12 compacta em outras situações.

Lembre-se que seu head e caixa precisam estar conectados da forma correta.


O mais importante a ser considerado é a resistência elétrica, ou impedância de
cada parte. Ela é medida em ohms e representada pelo símbolo grego ? (ômega).

Pra entender melhor as razões para as regras de conexão dos falantes,
precisamos entender um pouco de eletrônica. Pra ficar mais fácil de entender,
vamos relacioná-la a algo que já estamos acostumados e vamos tomar como exemplo
uma mangueira. Pegue a mangueira (sem o esguicho) e abra a torneira. Logo, a
água deve começar a sair da ponta da mangueira. Esse fluxo de água através da
mangueira é parecida com a corrente elétrica, que normalmente é descrita como
o fluxo de elétrons através do cabo e é medida em amperes.

Agora coloque o dedão na ponta da mangueira e tente parar o fluxo de água. A pressão
que você sente é parecida com a Tensão. Ela é a força da eletricidade que empurra os
elétrons através do cabo. Perceba que se você conseguir parar o fluxo de água (nenhuma
corrente), a pressão ainda continuará. É assim num amplificador sem falantes.


A tensão está presente, mas não há o fluxo da corrente.

Finalmente mexa um pouco o seu dedão pra que um pouquinho de água saia. Mudando a
posição do seu dedo, você consegue controlar a quantidade de água que sai da mangueira.
Ele está restringindo a corrente de água. Num circuito elétrico, “coisas” que impedem
ou controlam o fluxo de corrente tem impedância. Numa mangueira, usamos o esguicho
pra restringir o fluxo. Num circuito elétrico, a “coisa” que usa energia elétrica
e tem impedância é chamada de carga (falantes, load box, dummy load).

O que são ohms?
Ohm é a unidade de medida de impedância, que é a propriedade de um falante de
restringir o fluxo de corrente através dele. Normalmente falantes tem impedâncias
de 4, 8 ou 16 ohms.

Por quê ohms são importantes?
Se você conectar seu amplificador ao falante com impedância errada, corre o risco de
danificar o amp. Em valvulados, uma impedância muito alta (ou o falante desconectado)
pode danificar as válvulas ou o transformador de saída.
Conectar só uma caixa ou um falante num combo é mais fácil, pois a maioria dos heads
tem chaves seletoras de impedância, então é só casar a impedância do amplificador com a
da caixa ou falante. Mas o esquema fica um pouquinho mais complexo quando você tem
mais de uma caixa e precisa considerar outros fatores.

Sempre use um speaker cable, que é diferente de um cabo de guitarra comum.

Primeira regra: Não ligue o amplificador sem o falante ou caixa conectada.
Ignorar essa primeira regra pode danificar o seu amplificador, então preste bastante
atenção.
Existem alguns equipamentos que substituem o falante, como load boxes e dummy loads.
A não ser que você esteja usando um deles, lembre-se sempre de verificar se seu falante
ou sua caixa está ligada no amp.
Segunda regra: Certifique-se que a impedância do amplificador é a mesma da caixa ou
falante(s).
Um amplificador com a impedância errada pode ainda soar normalmente, mas pode estar
causando danos ao transformador, resistores e válvulas.

Em situações que você tem uma caixa com 16 ohms e saídas de 4 e 8 ohms, você pode
usar o amp setado em 8 ohms, com a caixa com 16 ohms, mas o amp nunca deve estar
setado com uma impedância maior que a da caixa.
Amplificadores podem ter duas saídas para caixas, com ligação em série ou paralelo.
Paralelo: Duas caixas de 8 ohms plugadas em um amp = carga de 4 ohms.
Em paralelo você divide a impedância total pelo número de caixas (ou falantes numa caixa).
Então se você tem duas caixas de 16 ohms conectadas ao amp, terá um total de 8 ohms.
Deu pra sacar?
Série: Uma caixa de 8 mais outra caixa de 8 ohms= 16 ohms.
Em série, você soma a impedância das caixas, ou seja, duas caixas com 4 ohms serão
vistas pelo amp com 8 ohms.


O resto é com você! Agora que você já sabe como ligar as caixas ao seu amplificador,
você pode deixar seu som com a sua cara. Usar um amp de 10W numa 4×12 pode ser incrível.
Ou usar seu monstro de 100W com uma caixa mais compacta caso não tenha muito
espaço também é adorável. As combinações são muitas. Encontre a sua!
Fontes:
http://www.prestonelectronics.com/audio/Impedance.htm
http://www.justinguitar.com/en/GG-011-SpeakerCabinets.php
http://www.georgesmusic.com/speaker-cabinets-the-world-of-ohms.html

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Loops de efeito em amplificadores

PRÉ E POWER, AS CHAVES PARA ENTENDER O “LOOP DE EFEITOS”
Antes de tentarmos entender melhor o Loop de Efeitos, é importante você saber exatamente o que é o pré amp e o power.
O Pré-Amp – O estágio da “timbragem”
A função do pré-amp é aumentar a amplitude (o volume mesmo) de um sinal de áudio, preparando um sinal eletrônico que sai da guitarra para uma posterior amplificação ou processamento.
Cada pré-amp tem uma sonoridade característica, um timbre, e nesse sentido você vai encontrar várias diferenças entre cada um deles: limpos x distorcidos, vintage x modernos, vocação mais grave x vocação mais agudo… e por aí vai!
As funções principais de um pré-amp (além de aumentar a amplitude do sinal) são: distorcer (em alguns casos), equalizar e timbrar o sinal vindo da guitarra.
O Power – O estágio da “pancada”
O power transforma o sinal ainda fraco do pré-amp em um sinal forte o suficiente para gerar som no alto-falante. Ou seja, o power é o estágio de potência do amplificador, e quanto mais potente maior será o volume que o amp pode gerar.
O power também pode distorcer e timbrar, mas em geral faz isso com menos intensidade do que o pré-amp. Uma curiosidade: as distorções do pré e do power tem características diferentes. Os guitarristas que curtem uma pegada mais vintage costumam gostar mais da distorção gerada pelo power, enquanto quem curte uma pegada mais moderna costuma optar por uma distorção vinda do pré.
ENTRE PRÉ E POWER, O LOOP DE EFEITOS
Quando falamos de pedais de guitarra, eles podem ser utilizados em dois estágios diferentes: antes do pré ou entre o pré e o power. Mas para usar o pedal entre o pré e o power, o seu amplificador tem, necessariamente, que possuir um loop de efeitos. E essa, por sinal, é a função do loop: permitir aplicar efeitos depois do pré e antes do power.
Porque isso é tão importante? Ao conectar o pedal no loop de efeitos (depois do pré), o efeito é aplicado em um sinal já timbrado, distorcido e equalizado. Alguns efeitos só ficam bons se forem utilizados assim, e alguns outros efeitos soam diferentes se forem utilizados direto no input ou no loop de efeitos (vamos falar deles mais pra frente).
O importante é que o loop de efeitos te dá possibilidades!
TIPOS DE LOOP DE EFEITOS
O loop de efeitos de um amp pode ser completamente diferente do loop de efeitos de outro, e é importante entender quais as principais características que criam essas diferenças. Vamos lá!?
Loop de Efeitos Em Série x Paralelo
  • Loop de Efeitos Em série: Nesse tipo de loop, o sinal é integralmente processado pelos efeitos conectados ao loop (se houver efeitos conectados ao loop) antes de voltar ao power. Isso ocorre porque o pré-amplificador é totalmente desconectado do power quando há algum efeito conectado ao loop.
  • Loop de Efeitos em Paralelo: Aqui o sinal é dividido: parte segue para a fase de potência e outra é processada pelos efeitos conectados ao loop. Resultado disso é mais versatilidade – já que a divisão do sinal pode trabalhar como um controle de mix.
Loop de Efeitos Ativos x Passivos
  • Loop de Efeitos Ativo: Sem perda de sinal. Esse loop também é chamado de buffered ou buferizado (porque contém um buffer). O loop ativo casa bem a impedância de saída do pré com a impedância de entrada do pedal.
    Outro ponto interessante é que o loop ativo também recupera as perdas sofridas pelo sinal ao passar por um circuito externo.
  • Loop de Efeitos Passivo: Pode ocasionar perda de sinal, principalmente nas frequências mais agudas (acontece mais se forem ligados muitos pedais no loop). Podem ser problemáticos porque alguns pedais devolvem um nível de sinal muito abaixo da saída do pré, e acabam atenuando demais a saída do amp.
    Esse tipo não “regenera” o sinal da guitarra, fazendo somente o casamento de impedâncias.
DICAS PRÁTICAS SOBRE O LOOP DE EFEITOS
Agora vamos ao que realmente interessa: como esse conhecimento pode ser útil na prática! Quais pedais usar no input? Quais usar no loop? Quais os tipos de loop? Vamos responder todas essas perguntas.
Loop de efeitos como saída de linha
O loop de efeitos pode ser utilizado como alternativa para saída de linha (ligando-se o SEND na entrada da interface de áudio ou na mesa de som).
ATENÇÃO: mesmo que seja utilizado dessa forma, a maioria dos amplificadores valvulados precisa que na sua saída seja ligado um alto-falante ou uma dummy load.
Loop de efeitos para usar pré de um amp e power de outro
O loop de efeitos permite que o pré-amp seja utilizado com outros powers (no caso de se desejar mais potência, por exemplo) ou que o power seja utilizado com outros prés (no caso de se buscar um timbre diferente).
Para fazer isso, basta conectar o SEND do amp que você quer utilizar o pré no RETURN do amp que você quer utilizar o power.
ATENÇÃO: o mesmo dito acima se aplica aqui. Vou até repetir para não ter erro: mesmo que seja utilizado apenas o pré do amp, a maioria dos amplificadores valvulados precisa que na sua saída seja ligado um alto-falante ou uma dummy load.
Pedais no loop x Pedais no input - Quais pedais devem ser conectados no loop? E quais devem ser conectados no input?
  • Pedais que devem ser conectados no Loop de Efeitos – Principalmente quando falamos de timbre distorcidos, alguns pedais funcionam melhor depois das distorções.
    Pra dar alguns exemplos: os pedais de 
    delay e reverb quando colocados antes de um amplificador de alto ganho acabam embolando muito o som. Por isso, delay e reverb sempre devem ser ligados no loop.
    Já alguns efeitos produzem características 
    diferentes se forem utilizados no loop ou no input. É o caso de: chorus, phaser, flanger e boost. O boost, por exemplo, quando é utilizado em um amp que já esteja com timbre distorcido, gera um aumento da distorção se for utilizado no input e um aumento de volume se for utilizado no loop.

  • Pedais que devem ser conectados no Input – Como dito acima, alguns pedais 
    podem ser ligados tanto no input quanto no loop, com resultados diferentes. São eles: 
    chorus, phaser, flanger e boost.
    Existem ainda alguns pedais que devem ser ligados no input: 
    distortion, overdrive, fuzz, compressor, wah wah, afinador e noise gate.


sexta-feira, 22 de abril de 2016

E ai, uso amplificador ou não ?


INTRODUÇÃO
Nos últimos anos, como profissional que visita várias igrejas e casas de eventos em geral, senti uma verdadeira invasão do conceito de que os cubos e baterias acústicas são os grandes vilões dos grupos musicais. Assim, vários grupos, optando pelo “bem maior” da plateia, resolveram abolir o uso. “Vamos ligar tudo na mesa”, disseram animados, o que realmente trouxe várias vantagens para os operadores de áudio. A principal delas é a diminuição das fontes sonoras que não são controláveis pelo “cara do som”. Assim, a mixagem fica muito mais flexível, diminuindo a famosa “guerra de volumes” que tanto discutimos no meio.
Antes, com os cubos individuais, o operador poderia até cortar nos PAs o sinal de determinado instrumento, mas ainda haveria no ambiente o áudio gerado pelo amplificador, que, muitas vezes, ainda é demais para a mixagem pretendida.
Agora, depois de cortados e empilhados todos os cubos na “salinha do som”, o operador de áudio sente-se todo poderoso, podendo fazer o que bem entender em cada mixagem. Se for instalada uma bateria eletrônica então, nem se fala…
O operador, que até então só era responsável pelas vozes, e quem sabe pelo teclado e violão, parte para a missão de mixar uma banda completa. Os que reclamavam do alto volume das programações elogiam, mas depois de algum tempo de percepção musical, começam novos problemas:
  • “Essa bateria eletrônica é horrível, hein?!”;
  • “Não dá pra aumentar o violão?”;
  • “Cadê os grave do baixo?” (com erro de português e tudo);
  • ou então a clássica: “O som da minha pedaleira fica muito melhor no cubo”.
Pois é… E agora? Antes de cortar, sem dó nem piedade, os cubos do palco, você se perguntou se o sistema de sonorização tem capacidade de atender a banda toda “em linha”? O volume que antes era gerado com o auxílio de vários amplificadores e instrumentos acústicos, você terá que fazer só com esse “PAzinho”! Você se preocupou em ver se suas caixas têm resposta de frequência compatível com o timbre gerado por um contra-baixo ou uma bateria eletrônica? Ou então, indo um pouco mais longe no técniquês, se perguntou se há recursos de processamento mínimos para que você faça uma mixagem com qualidade, sem virar essa salada que virou?
Por essas e outras, já me peguei em diversas ocasiões sugerindo a utilização de cubos, mesmo onde, a princípio, parece uma péssima escolha. Quer um exemplo? Os cubos são uma ótima alternativa para quem está com o sistema de sonorização em construção. Ou seja, ainda não há recursos técnicos suficientes para fazer uma mixagem com qualidade nos PAs, e nem para uma distribuição homogênea de retornos para todos os músicos. Às vezes, a mesa de som temporária não tem nem canais suficientes para ligar todos componentes da banda.Também é importante citar os casos em que o equipamento de som simples e descomplicado não é algo temporário,  e sim uma decisão de aquisição. Uma igreja sem operador de áudio, por exemplo.
Às vezes, é melhor uma mixagem sem controle pelo operador, com mais volume do que o ideal e um pouco embolada; do que uma mixagem sob controle do operador, mas com péssimas condições de retorno para os músicos, trabalhando com o sistema em níveis de saturação e gerando um resultado totalmente embolado para o público.
Agora, para se obter um resultado satisfatório com a utilização de diversos cubos no palco, é necessário utilizá-los corretamente.
DICAS PRÁTICAS
1. QUAL CUBO USAR?
Para começar, um que seja adequado ao seu instrumento. Um cubo de contra-baixo, por exemplo, é desenvolvido com componentes que respondem de maneira ideal ao timbre gerado do instrumento. Isso vai desde o(s) alto-falante(s), a amplificação, o projeto da caixa (litragem interna, dutos de ar, etc), e até os recursos personalizáveis pelo usuário, como o tipo de equalização e outros recursos comutáveis.
Para uso ao vivo (há exceções para esse raciocínio! Estou dizendo isso embasado na grande maioria dos produtos disponíveis no mercado  brasileiro), sugiro amplificadores com potência mínima de 50w. Não pela potência em si, mas porque os amplificadores com potência menor a essa costumam ser destinados a estudo, ou seja, são bem baratos, e limitados quanto à sonoridade e recursos. Os produtos de 50w ou mais já tendem para uso profissional, e já possuem melhores componentes.
2. COMO POSICIONAR NO PALCO?
Os cubos projetam seu som para frente, ou seja, o músico deve estar posicionado à frente do amplificador. Se o cubo é a única fonte sonora do instrumento no ambiente, é importante que esteja posicionado de frente para a plateia, mas ainda sim de frente para o músico, para que não deixe de desempenhar seu papel de retorno. Conforme a ilustração:
ilustracao cubo 1
Agora, se o cubo está sendo utilizado apenas como retorno, a posição recomendada é de lado em relação ao palco, mas ainda de frente para o músico. Assim, o músico terá a melhor audição possível, e interferirá muito menos no som gerado pelos PAs. Conforme a ilustração:
ilustracao cubo 2
Procure manter os alto-falantes direcionados para  seus ouvidos. Deixar o cubo no chão, olhando para suas pernas, fará com que você necessite de mais volume para ouvir bem, e ainda fará com que você ouça o som de forma indireta, ou seja, já influenciado pelas reflexões acústicas do local. É mais volume no ambiente, e som mais embolado nos seus ouvidos. Alguns cubos possuem um corte inclinado na parte de trás, para que possam ficar no chão, e ao mesmo tempo, voltados para o músico. Caso não tenha esse recurso, coloque seu cubo em um suporte próprio, ou no mínimo, em cima de uma cadeira.
É importante comentar a importância de manter certa distância entre o músico e o cubo. As frequências mais graves possuem comprimentos de onda grandes, sendo que algumas frequências podem chegar facilmente aos 3 metros! Ou seja, para ouvir claramente tais frequências a uma distância muito curta, o músico terá que disparar muito mais volume do que se estivesse na distância adequada. E o público, ou até mesmo os outros músicos no palco, ouvirão o som do instrumento em volume muito maior que o próprio músico, uma vez que estão mais distantes, e ouvem as ondas após completarem os ciclos completos. Entenda que aí começamos a mergulhar em conceitos um pouco mais profundos, que necessitariam de uma explicação mais técnica para que fossem compreendidos. Como não é o objetivo desse artigo, resumo esse tópico com uma dica: mantenha distância de pelo menos 1 metro do cubo. Se o palco permitir, fique entre 1 e 3 metros para uma audição ideal.
A utilização dos cubos em distância superior a 3 metros não é necessariamente errada, mas só é coerente no caso de grandes palcos, onde o volume dos mesmos não precisa ser tão dosado, como nos pequenos locais que são o foco deste artigo.
3. QUANTO VOLUME UTILIZAR?
Se estiver utilizando o cubo apenas como retorno, a resposta é bem simples: utilize o mínimo que precisar. O cubo servirá para que você ouça seu instrumento com qualidade e definição, além de preencher o palco com o som de seu instrumento. Evite incomodar os  “vizinhos”.
Agora, se estiver utilizando o cubo como única fonte do instrumento no ambiente, é importantíssimo que haja interação entre o músico e o operador de áudio. A princípio, utilize no volume mínimo para retorno. Atendendo às recomendações deste artigo, você perceberá que dá para ouvir bem com pouco volume disparado! A partir daí, busque a referência de como está a audição do instrumento para o público. Às vezes será necessário aumentar ou abaixar um pouco. Localize o meio termo entre volume satisfatório de retorno e equilíbrio com o resto da banda.
4. CASOS PARTICULARES
  • Contra-baixo: Sem dúvida, a maioria dos sistemas de sonorização de pequeno porte não tem recursos para reproduzir o som de um contra-baixo com qualidade. Por isso, vejo aí um ótimo candidato para utilização no cubo. E, mesmo que o sistema de PA seja bem projetado, capaz de reproduzir com qualidade o instrumento para a plateia, ainda sobra o problema da monitoração. Nem sempre temos um monitor de chão ou fone de ouvido que dê uma referência de qualidade do instrumento para o músico.
  • Guitarra: Aqui temos uma discussão e tanto! Os amplificadores de guitarra, em especial seus alto-falantes, são projetados de maneira a atender exclusivamente esse instrumento, o que acaba produzindo respostas sonoras bem particulares. Podemos também destacar características típicas de cada fabricante. Alguns guitarristas localizam em determinada marca um timbre mais adequado àquilo que espera de sua guitarra. Por isso, vários guitarristas fazem questão da utilização dos cubos.Para solucionar esse problema, vários fabricantes de pedais e pedaleiras incluíram em seus produtos os “simuladores de amplificador”, ou seja, recurso capaz de simular a presença de determinado cubo, simulando também o resultado sonoro produzido por ele. É óbvio que aí temos MARCAS e marcas, PRODUTOS e produtos. Simuladores de qualidade realmente conseguem produzir tais características sonoras com bastante precisão. A utilização ou não desses recursos é uma discussão que tange ao gosto pessoal de cada músico, mas é óbvio que, com equipamentos de qualidade, fica mais fácil “tirar” som de qualidade, seja no cubo ou no sistema de PA.
PONTO DE VISTA FINANCEIRO
Como tudo no áudio, o mercado nos oferece produtos baratos e produtos caros.
Se você está vendo nos cubos uma solução definitiva para seu sistema de sonorização, procure por produtos de qualidade, que trabalhem com certa folga de potência, e que atendam às expectativas sonoras do(s) músico(s).
Se você está vendo nos cubos uma solução temporária, enquanto o sistema de sonorização não é montado de forma ideal, pense bem se vale a pena gastar dinheiro com isso… O que seria investido em “cubo pra todo mundo” não daria uma boa agilizada na aquisição dos equipamentos que estão faltando?
Por mais que pareça impossível em curto prazo, tenha em mente e nas mãos o projeto do sistema de som perfeito para você. Procure investir nos equipamentos que farão parte de forma definitiva no “som ideal” de vocês. Evite desperdiçar dinheiro em equipamentos temporários ou quebra-galhos, e dê preferência para antecipar aquisições do projeto ideal.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Não podemos taxar o uso de cubos como prejudicial à qualidade do áudio, nem muito menos tomar como exigência boba por parte do músico. É um recurso que pode sim trazer benefícios, mas deve ser utilizado observando regras, para que se tenha o melhor desempenho possível, e sem se esquecer do contexto onde se está inserido. Nem sempre som mais alto é som melhor.
Fica claro também, em especial para os operadores de áudio, que trabalhar sem os cubos normalmente é melhor (para guitarristas e baixistas não), mas para isso, o sistema de sonorização precisa ser capaz de reproduzir com qualidade a mixagem de toda a banda, tanto para o público, quanto para o sistema de retornos.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Simuladores de Amplificadores e Pedais - Breve história e Plugins - Parte I




Antes de entrar no assunto, um breve histórico da simulação analógica e digital de amplificadores de guitarra:


O Rockman X100 (criado pelo Tom Scholz, guitarrista do Boston e engenheiro eletrônico, por volta dos anos 80), foi o primeiro "simulador" de amps/timbres e o mais legal é que podíamos usar fones de ouvido e gravar direto na mesa!. Pra quem quiser ouvi-lo, aqui tem alguns mp3: Rockman X100 





Em 1989, o Sansamp Classic, da Tech 21, foi ainda mais além na simulação analógica. Com pequenas chaves para ajustes, ele simulava desde Fender a Mesa Boogie. "Sans" em francês: "Sem": Sansamp: "Sem amp". Plugava direto na mesa de gravação ou ao vivo, fantástico.




Em 1997, surgiu o primeiro simulador digital, o POD, da Line 6. Na época, poder gravar as demos sem amp, microfones, com o Sansamp, já era fantástico, mas girar um botão do POD e trocar de amp/gabinete/microfone.




Com a evolução digital, os simuladores foram ficando cada vez melhores. Assim que lançaram primeiros para PC (plugins VST), como o Amplitube, Guitar Rig entre outros.

Toda essa intro foi pra dizer que, desde os anos 80, acompanho bem de perto a evolução dos simuladores de amp, sejam eles digitais ou analógicos.

Entretanto, desde o primeiro POD, eu percebi também as limitações desses processadores. A principal delas era a resposta quase linear do timbre à dinâmica, ou seja, palhetada fraca ou forte, pouca diferença no timbre. Isso não ocorre nos amps reais, principalmente os valvulados, onde cada dinâmica, cada palhetada, tem uma "cor" diferente, um som diferente. É sutil mas perceptível.
Essa deficiência tornava a simulação às vezes monótona e cansativa.

Falei no tempo passado, porque, com o lançamento do Amplitube 3 (e suas variantes: Amplitube Fender, Hendrix, etc.), essa barreira finalmente foi quebrada. As simulações do Amplitube 3 e principalmente do Amplitube Fender me deixaram boquiaberto, como não ficava há mais de 10 ou 15 anos. Absolutamente fantásticas!

As nuances dinâmicas estão presentes e cada vez melhores na maioria das simulações mais recentes. Até a versão 2 do Amplitube, o seu principal concorrente, Guitar Rig, era superior. Mas na versão 3 eles arrasaram. A 3.5 é ainda melhor e me parece que daqui pra frente, não tem limites, saiu a versão 4, e a tecnologia não tem limites e não dá pra saber  onde a coisa vai parar
( amplitube )


Segue alguns vídeos :

Excelente a idéia da IK Multimedia, criadora do Amplitube, de vender os amps (e gabinetes, efeitos, etc.) isoladamente. O Tiny Terror custa cerca de 18 dólares e seu gabinete, menos de 5...
Visite a Custom Shop da IK e dê uma checada no que tem disponível por lá:
Custom ShopAmplitube



      O Soldano, o Fender Princeton e Blues Jr., o Orange AD30... Incríveis!
As duas tecnologias exclusivas de simulação que colocaram a IK Multimedia (de origem italiana) na frente dos outros chamam-se: "DSM" - Dynamic Saturation Modeling e VRM - Volumetric Response Modeling. É por isso que a gente sente de fato o amp respondendo à nossa dinâmica.

E só agora percebi que ainda não cheguei no objetivo principal do post: usar o Amplitube para escolher seu TIPO de amp!
A maioria dos valvulados atuais, inclusive os nacionais, são baseados nos amps clássicos, portanto, podemos usar as ótimas simulações do Amplitube para definir qual amp, caixa, pedal (nunca tocou com um Tube Screamer? Lá tem um igualzinho) fica mais legal com a nossa guitarra ou com o nosso estilo.

Vale apena conferir ikmultimedia

Claro que temos a questão do computador, interface de áudio, monitor, etc. Não é o meu objetivo chegar até esse ponto, mas basta um computador legal, uma interface dedicada de áudio (USB, Firewire, PCI) e um bom par de fones de ouvido ou caixas de som, para a coisa acontecer.

Mas sempre lembrando que digital não é analógico, um simulador, sempre vai ser um simulador.

Boa diversão! :)