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quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Qual a diferença entre guitarra e violão?





Parece uma pergunta boba, mas já vi respostas absurdas. Mas enfim, existe alguma diferença entre guitarra e violão? Se eu aprender violão, posso tocar guitarra depois? Tocar guitarra é diferente de tocar violão?
Vamos entender um pouco mais sobre a semelhança e a diferença entre guitarra e violão.

Nome e surgimento da guitarra

Dos dois instrumentos, o violão nasceu primeiro. O violão nasceu bem antes e seus “avós” vieram de instrumentos antigos, como o alaúde, a lira, cítara, etc. Observe o nome “cítara”, original da palavra chitarra, que em português tornou-se guitarra.
Voltando para os dias de hoje – aqui no Brasil o nome é diferente, mas em outros países, como Estados Unidos e Espanha por exemplo, é tudo guitarra.
Guitarra (Br) = Guitarra elétrica (outros países)
Violão (Br) = Guitarra acústica (outros países)
Em países assim, eles fazem a diferença entre guitarra e violão citando se um é elétrico ou acústico (sem eletricidade).
Então, antes da criação da guitarra elétrica,

Guitarra elétrica


apenas tínhamos a guitarra acústica (violão)…

Guitarra acústica

A guitarra elétrica foi criada a partir de uma necessidade de se amplificar o som do violão, quando no início do século XX (século passado) o crescente número de ouvintes que prestigiava apresentações musicais precisava de maior volume para curtir performances em casas noturnas e grandes salões. Além disso, as bandas de música da época possuíam em sua formação instrumentos com grande poder de volume. Não era possível competir com o volume de um trompete por exemplo… Não é verdade? então fatalmente o volume (do coitado) do violonista sumia no palco…

Foi ai que os fabricantes (vamos deixar os detalhes pra outro tópico) de violão ou guitarra acústica pensaram: Como faremos para o instrumento ficar com maior volume?
Inicialmente, os fabricantes tentaram apenas colocar formas de captar um violão normal e amplificar o som. Surgiu um problema: o corpo do violão é oco internamente e, quando adicionado maior volume ao som, isso causa um efeito chamado feedback que gera a microfonia, um apito ensurdecedor (você já deve ter ouvido isso em shows ao vivo).
Então pensaram numa solução: “ao invés de corpo oco, vamos deixar ele inteiriço”. Daí surgiu o corpo sólido.
Após vários testes, a melhor configuração que chegaram é o modelo que temos hoje: um “violão” de corpo sólido, com captadores e cordas de aço – que chamamos aqui no Brasil apenas de guitarra.
No Brasil, tivemos desbravadores na busca por violões com maior volume. Isso ao mesmo tempo que buscavam por essa invenção lá fora.
Podemos citar a dupla Dodô e Osmar criadores do trio elétrico e da guitarra baiana. Eles foram desbravadores aqui no Brasil nesse assunto.

A diferença entre guitarra e violão quanto a tocar o instrumento

O violão é o antecessor mais próximo da guitarra e é, consequentemente, mais velho em termos de história. Possui características próprias e várias técnicas que foram se desenvolvendo através dos violonistas durante a história e antes da criação da guitarra.
Antes da guitarra, o violão já possuía um vasto repertório e uma tradição técnica tanto popular quanto erudita.
Quando o violão se eletrificou e houve a criação da guitarra, outras possibilidades de se tocar surgiram devido às novas características desse novo instrumento.
Nasceram novas formas de se executar esse “violão” eletrificado. Novas técnicas foram se desenvolvendo por causa das características próprias da guitarra.
Algumas técnicas passaram a ser utilizadas apenas no violão, outras técnicas passaram a se desenvolver apenas na guitarra.
E é nessa altura do caminho que o violão se separa da guitarra: as bases estruturais em termos de construção do equipamento e tocabilidade são as mesmas, mas chega um ponto que cada um segue sua própria estrada. Estrada essa que cada instrumento construiu ao longo de sua própria história de existência.
Nessa altura em que os instrumentos se separam é que esta a diferença entre guitarra e violão.
"A guitarra e o violão possuem uma estrada comum mas precisam se separar em uma determinada altura do caminho para que cada um siga seu próprio rumo…"
Então, quando o iniciante começa a aprender violão, ele pode usar o que aprendeu na guitarra, e vice-versa. Mas chegará um momento no qual ele deverá se aprofundar no estudo de um ou de outro para desenvolver técnicas específicas de determinado instrumento.

Existe diferença entre guitarra e violão para começar a estudar?

VOCÊ NÃO PRECISA COMEÇAR PELO VIOLÃO PARA DEPOIS PASSAR PARA A GUITARRA.
Não existe essa necessidade. O iniciante pode começar direto na guitarra.
Uma pessoa que está começando a aprender, tanto guitarra quanto violão, vai poder tocar os dois. Poderá intercambiar seu aprendizado nos dois instrumentos. Você pode “estranhar” um pouco quando, por exemplo, esta acostumado com a guitarra e pega um violão. Isso pode ocorrer devido às diferenças anatômicas de cada instrumento: tamanho do braço do instrumento, espessura de cordas, número de trastes, etc. Mas, basicamente, os dois possuem a mesma estrutura. É como você dirigir carros diferentes: você estranha no começo, porque está acostumado com o seu, mas sabe dirigir. É só se adaptar.
Obviamente, observando o que foi dito acima: chega um ponto na estrada que para desenvolvermos certas habilidades técnicas, precisamos nos focar em apenas um instrumento. Existem técnicas que são especificamente usadas para a guitarra e outras específicas para violão. Muitas dessas técnicas soaram melhor se tocadas em seu instrumento de origem.
Então, se você tem o desejo de aprender guitarra e tinha dúvidas se precisava começar pelo violão: comece logo pela guitarra!
Ou, se você gostaria de aprender violão, não há nenhum problema de passar para a guitarra no futuro se quiser.

Qual escolher?

Muitas pessoas já são fãs de algum artista ou músico em específico e não possuem dúvidas a respeito do que querem. Outros possuem dúvida sobre qual deles começar. Se é o seu caso, você deve se questionar porque gostaria de tocar o tal instrumento.
OBJETIVO – essa é a pergunta que você deve se fazer: Qual meu objetivo no futuro? Como quero me ver daqui a um tempo: tocando guitarra ou tocando violão?
Guitarra – Se você gostaria de fazer parte de uma banda, por exemplo, o mais indicado é a guitarra. Muitas pessoas não querem tocar em bandas, mas quando ouvem o som de uma guitarra ou vêem um guitarrista tocando se arrepiam. Ai, meu amigo: guitarra na certa…
Violão – Se você só quer tocar como lazer, tocar e cantar com amigos, numa rodinha ou num churrasco e tal, o violão é a indicação. Essa forma de tocar se encaixa no violão popular
Muitos começam pelo violão por ser mais barato e mais fácil: não precisa de amplificador e outros acessórios.
Então, pelo custo, acessibilidade e até desinformação, grande número de pessoas começa pelo violão. O que pode ser feito também, sem nenhum problema. Nada te impede de começar com violão e depois passar para guitarra. Mas nada te impede de começar logo pela guitarra também.
Mas tenha em mente o seguinte: como já disse, "vai chegar um ponto no qual você vai ter que optar entre um ou outro para melhor se desenvolver."


terça-feira, 6 de outubro de 2015

NUT - tipo de materiais



Hoje em dia, nos principais fóruns na internet, tanto nacionais como estrangeiros, existe um amplo debate de opiniões sobre vários assuntos que dizem respeito ao bom funcionamento de um instrumento musical de cordas, principalmente guitarras e baixos. Com o intuito de colaborar na formação de sua própria opinião sobre alguns deles, nesse primeiro post da série “Mitos e Verdades” vou abordar o tema “NUT” baseado em minha própria experiência lidando com essas pequenas peças na busca do meu timbre ideal. Concordando ou não com a minha opinião, leia todo o post para saber como embasei tecnicamente os meus comentários. 

O “NUT”, também chamado de “pestana”, é responsável pelo ponto de apoio das cordas que “chegam” nas tarraxas passando sobre a escala do instrumento, partindo da ponte. É uma parte do instrumento de corda, pequeno e muitas vezes desprezado componente que pode modificar consideravelmente o desempenho do instrumento. Um NUT mal instalado ou adaptado de maneira incorreta pode gerar conseqüências desastrosas tais como: desafinações constantes, quebras de cordas, instabilidade e impossibilidade de regulagem das oitavas, sem contarmos o trastejamento por irregularidades proporcionadas por alteração da altura das cordas em relação à escala.

Os NUTS mais conhecidos e encontrados no mercado são:

NUT de Osso Bovino: Também conhecido como “bone”, foi o material mais utilizado historicamente nos instrumentos de corda. É um material com dureza considerável e seu desgaste é pequeno. Normalmente prendem um pouco as cordas e geram alguns estalos ao afinar, devendo ser lubrificados constantemente para melhor funcionamento. Esta lubrificação nunca foi bem difundida e será abordada mais adiante.
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NUT de plástico: É encontrado na maioria das guitarras de custo baixo vendidas no mercado e geralmente pode ser comprado facilmente para reposição em lojas de instrumentos musicais sendo considerados como peças de reposição. Para que possam desempenhar sua função com mais eficiência, darei também algumas dicas mais a frente. Continue sua leitura.
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NUT de Grafite: Alguns fabricantes observaram que "guitar techs" de guitarristas experientes usavam pó de grafite “in natura” ou oriundo de lápis ou lapiseiras no leito das cordas nos NUTS para melhor deslizamento. Por que não fabricar um NUT todo desse material? Pronto, estava inventado um NUT onde seu material principal era o Grafite. Com o passar dos anos esta peça foi ganhando muitos seguidores. Sua característica principal é diminuir consideravelmente o atrito das vibrações das cordas nos NUTS, mantendo a afinação do instrumento por mais tempo principalmente com músicos que exageram nos “Trêmulos e Bends”.
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NUT de Latão (Liga de Cobre e Zinco): Para aqueles que gostam de acompanhar determinados Guitar Heros, vale a pena lembrar que o guitarrista Yngwie Malmsteen tem este tipo de nut instalado em muitas de suas guitarras. A questão é que apresenta pouco atrito com as cordas e uma mudança no timbre de forma “metalizada”. Vale a pena lembrar que determinadas mudanças no timbre deve ser observado com a corda solta e certamente com o “ouvido referencia”, portanto muito individual e subjetivo, sem comprovação técnica eficaz.
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NUT de Corian: É um material híbrido feito de osso, caroços e plástico, com aspecto visual de um osso branco, boa densidade e dureza. Também tem sido utilizado para saddles de violão com captadores de contato do tipo Piezo apresentando boa resposta do contato magnético segundo os fabricantes. 


















NUT de Micarta: É um material sintético do “bone”, ou seja, osso sintético com um visual “fosco e amarelado” parecido com o Marfim (presas de elefantes). É um material bem maleável ao lixamento e ótimo para fabricar saddles para captadores tipo piezos.  É muito utilizado, juntamente com o material anterior (Corian), pela empresa de violões Martin Guitars e outras conceituadas marcas de violões.
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NUT de Marfin: Fabricado a partir da presa de elefantes,  nem preciso dizer que é um material proibido mundialmente na fabricação de quaisquer itens, exceto de uso religioso na Índia e Tailândia. Portanto, é extremamente caro, e tem características técnicas semelhantes ao osso.
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NUT de Madrepérola: Material natural de extrema densidade e visual muito bonito, são provenientes das conchas e usados para confecções de NUT´s de Banjos e Bandolins. Por ai se imagina o preço (!)

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Roller NUT: merecem uma citação à parte, sendo classificados como sub categoria dos NUT´s de Latão. Foi criado para de resolver alguns problemas que existiam com os NUT´s comuns, como diminuir o atrito e manter a afinação. Um dos primeiros protótipos lançados no mercado foi através da empresa Wilkinson na década de 70 e um guitarrista muito conhecido foi um dos pioneiros a utilizar e difundir o produto: Jeff Beck
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A criação realmente resolveu o problema de muitos guitarristas que passaram a ter mais estabilidade na afinação e o uso tranquilo da alavanca sem desafinar o instrumento rapidamente. O problema é que os Roller Nuts não suportavam grandes calibres de corda e normalmente paravam no 0.010. Outro fator negativo foi que com a pressão das cordas e o tempo de uso, faziam com que o eixo das roldanas se deformasse fazendo com que elas não girassem mais tão livres quanto antes, aumentando o atrito com as cordas.

A Fender, que já estava estabelecida no mercado na área de acessórios para guitarras, lançou em 1993 o seu próprio “NUT turbinado” que recebeu o nome Fender LSR Roller Nut. Com uma construção maciça em metal, a peça internamente agrega esferas de aço que “seguram” a corda e rodam dentro do compartimento quando a guitarra é tocada ou afinada. Essa peça, além de ser menor e mais bonita, resolveu o problema de calibres maiores, suportando cordas de 0.008 a 0.056. O problema do desgaste também foi resolvido. O desgaste é praticamente zero, uma vez que as esferas duram anos em um rolamento normal de uma máquina que faz milhares de giros por minuto. Basta pensar que para elas girarem tudo isso em uma guitarra seria preciso anos tocando ininterruptamente para começar a ter problemas com desgaste.
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Agora que você já conhece ou relembrou os principais tipos de matérias primas de NUT´s mais encontrados nos instrumentos musicais até hoje, vamos aprofundar um pouco mais o nosso tema.
Minha experiência nunca me deixou preocupar apenas com o NUT em sí, pois ele é uma das partes integrantes para o bom funcionamento de um instrumento de cordas. Não adianta ter um NUT de ótima qualidade, “caro”, “lubrificado constantemente”, “timbre maravilhoso” (como dizem, totalmente ajustado ao tamanho das cordas, bem colado, etc) trabalhando em conjunto com tarraxas que não conseguem “segurar” a afinação, abaixadores de cordas (string retainer) ruins e pontes com trêmulos de baixa qualidade. Devemos considerar até mesmo a maneira como que o músico toca seu instrumento, exagerando nas “alavancadas” ou nos “bends”.

Para chegar a conclusão que realmente o NUT “desestabiliza” sua guitarra, a análise deve ser ampla, considerando o instrumento como um todo, e, em muitas vezes, a ajuda de um bom luthier ou um guitartech é fundamental para evitar gastar dinheiro desnecessariamente em peças que não irão resolver definitivamente o problema.

Atribuir ao NUT a mudança do timbre da guitarra, como tenho visto em alguns videos no YouTube, seria arriscar demais na minha opinião. Aliás, como já mencionei anteriormente, nem me preocupo muito com isso. Posso afirmar que já percebi uma mudança muito discreta, quando instalei rastilho de metal em um violão ao invés de osso ou plástico, aparentemente ocorrendo uma “metalização” do som. Assim tenho minhas dúvidas quando ouço alguém dizendo que há diferenças na troca do NUT, uma vez que para essa peça supostamente influenciar “audívelmente”, deveríamos considerar apenas as cordas soltas sendo tocadas, ou como alguns dizem traste zero, já que para os outros casos, o timbre sairá dos trastes que você tocar.

Assim, a característica mais importante a ser considerada no NUT é a sua capacidade de não “prender” a corda, comprometendo a afinação e o livre deslizamento durante as vibrações das notas. Dessa forma, o ajuste de altura é importantíssimo para uma boa regulagem das cordas e melhorar a tocabilidade. Devemos considerar o “leito das cordas”, ou seja, uma corda com calibre maior deslizando em um NUT com seu leito não adaptado para este calibre da corda proporcionará mais atrito.
Na figura abaixo está demonstrado o que chamamos de “traste zero”. Trata-se de uma das maneiras de diminuir o atrito das cordas junto ao NUT. Isto só funciona se a região (berço) do NUT onde as cordas passam estiver maior que o diâmetro das cordas.
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A outra maneira de usar o “traste zero” é transformar o nut apenas como guia das cordas em direção às tarraxas.
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Outra tentativa em diminuir o atrito ocasionado pelas cordas é o uso de pó de Grafite, que pode ser encontrado em lojas de ferragens ou passando um lápis ou lapiseira no leito das cordas no NUT. Devemos tomar cuidado para não exageramos e deixar suja a escala como na figura abaixo. Percebam que o NUT é de osso, com berços adequados ao tamanho das cordas e lubrificado com Grafite.
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Ao invés do pó de Grafite, o uso de óleos lubrificantes tanto no NUT quanto nos sadlles da ponte, estão ficando cada vez mais comuns. Muitos guitartechs estrangeiros utilizam seringas já carregadas com esses lubrificantes, como nas figuras abaixo. Note que somente uma gota é utilizada por berço, com a corda fora do NUT. 
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Mas de nada adiantará a lubrificação dos berços se não fizermos o ajuste correto considerando o diâmetro das cordas. Como vimos, esse ajuste é importantíssimo para que a corda movimente-se com menos ou nenhum atrito. Veja na figura abaixo uma das situações ideais:
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Você pode me perguntar se um leigo poderia fazer tais ajustes no NUT das suas guitarras. Eu respondo que SIM, se você conseguiu identificar que o NUT é o único responsável por alterações do seu instrumento e se sentir seguro para realizar este trabalho. Mas lembre-se que deve estar preparado para o que possa surgir como conseqüência e se ainda assim estiver inseguro, procure um luthier da sua confiança para fazer o ajuste. Ah, sente-se seguro para seguir adiante? Então fique tranqüilo e leia algumas dicas bem simples para se sair bem dessa tarefa. Vocêe vai precisar de uma pequena lima redonda, encontrada nas lojas de ferragens, para fazer esse ajuste.
O primeiro passo é adequar o diâmetro da corda ao diâmetro do respectivo leito no NUT. Se as alturas das cordas estão corretas, procure não limar em excesso, aprofundando demais o leito. Se fizer isso, essa corda poderá apresentar trastejamento. Neste ponto acredito que um musico inseguro ou inexperiente terá muita dificuldade na determinação do limite e relembro que nesse caso um luthier ou um guitartech serão necessários para o ajuste.
Para quem não pode contar com eles, minha dica é ajustar os berços com muito cuidado. Existem limas próprias (importadas) para este serviço, inclusive no diâmetro das cordas. No meu caso usarei uma lima diamantada comum apenas para a largura e não profundidade.
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Após adequarmos o tamanho do leito para a corda no NUT, passaremos para a parte da lubrificação, que qualquer um conseguirá fazer. Devemos lubrificar para diminuir o atrito, certo? As maneiras mais simples e mais acessíveis além de adaptadas que conheço são:

1. Grafite:
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2. Óleo lubrificante (extrato de limão utilizado na limpeza das escalas):
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3. Óleo de lubrificação de válvulas de instrumentos de sopro:
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Pronto, com o NUT ajustado e as cordas trabalhando livremente, você já tem base para emitir sobre própria opinião sobre qual NUT é o mais apropriado para seu estilo de tocar e para o seu instrumento musical.
Concluindo, quero dizer que para “fatos não há argumentos”. Se por acaso surgir uma oportunidade para você opinar sobre as alterações das frequências ligadas ao material que o NUT é feito, considere que deverão ser adaptados, em uma mesma guitarra, todos os tipos dessa peça e, com o som de uma corda solta, verificar se há alterações de frequências através de um analisador de espectro de áudio, sem espaço para achismos. O ouvido humano é muito complexo e algumas alterações que possam ser percebidas por uma pessoa, podem não ser para outra. E com esses conhecimentos, você se torna um consumidor mais preparado e não vai cair em qualquer “historinha”.

Como regra geral, acredito que uma guitarra, que tenha boas tarraxas, ponte, cordas e o NUT bem ajustado e lubrificado, associado a uma boa regulagem lhe trará ótimos resultados.


Fonte: http://blog.santoangelo.com.br/

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Qual a Madeira de seu instrumento ?





Maple, Spruce, Poplar… se você entende um pouco de instrumentos musicais já deve ter se deparado com esses nomes. Mas se você não conhece todos eles, vamos dar um explanada.

Antes de mais nada, é importante dizer que a madeira utilizada na fabricação de um instrumento é responsável por grande parte das suas características sonoras(como o timbre e o sustain) e claro, pelas características estéticas. É interessante notar que a madeira tem funções diferentes, dependendo da área em que será utilizada (tampo, laterais, braço, escala, fundo).

Vale lembrar que as principais madeiras usadas não representam todos os aspectos tonais do instrumento. Design, perícia do fabricante ou do luthier e qualidade de cada peça da madeira utilizada também são fatores importantes. Dito isso, já podemos falar um pouco sobre cada tipo de madeira.



Esta madeira norte-americana, de baixa densidade, é a mais utilizada hoje em dia para a fabricação do tampo, e o Sitka é a espécie mais comum. Sua alta rigidez, combinada com características macias e leves, faz com que soe naturalmente com uma alta velocidade de som.
Mesmo sendo tocado com força, essa madeira consegue soar com clareza, o que faz do Sitka uma excelente escolha para músicos cujo estilo exige uma resposta dinâmica ampla e um tom mais robusto. Por outro lado, a falta de uma tonalidade mais complexa faz com que Sitka soe um pouco fino aos leves toques, mas claro que tudo depende do desenho do instrumento e das demais madeiras envolvidas.



O Ovangkol é uma madeira original da África Ocidental. Normalmente, sua coloração vai do amarelo-marrom a marrom-escuro e possui listras que vão do cinza ao quase preto. A diversidade de Ovangkol e padrão de grão assemelham ao jacarandá da Índia oriental. Ele também compartilha algumas características com tons rosa, mas ostenta o “brilho” vivo encontrada em madeiras de média densidade, tais como o mogno, nogueira e koa.
Apesar de ser largamente utilizado em luthierias, o Ovangkol é uma madeira bastante exótica. Ela concebe timbres mais cheios e envolventes, corrigindo um pouco o déficit dos “médios” de outros violões Folk.



A Koa é uma madeira original do Hawaii, que parece estar em extinção, e por isso é mais cara e difícil de encontrar. Essa madeira, de média densidade, é muito usada em tampos, fundos e laterais de instrumentos acústicos. Tem desenho exótico, mas discreto, com uma coloração variando do rosa alaranjado até o marrom avermelhado.
É uma espécie de prima rica (em todos os sentidos) do mogno. Ela tem sido cada vez mais usada pelo pessoalfingerstile (cordas de aço) por causa da boa definição sem ser seco demais.



A Ash é uma madeira dura, porosa e de densidade média, mas muito bonita e com um som brilhante. Existem o Light Ash ou Swamp Ash, que é mais leve e tem um som menos encorpado, sendo que as fábricas preferem essa madeira ao Ash convencional, para que o instrumento não cause dor de coluna nos músicos.
Um instrumento com corpo feito em Ash é certamente mais pesado do que um em Alder, característica que favorece os médios e agudos. Esta madeira foi usada nas primeiras stratos e nas teles.



A Poplar é uma madeira fibrosa, densa, mas bastante leve e extraordinariamente ressonante. Quando usada em instrumentos de corpos sólidos, como em uma guitarra, possui um som muito nítido. Conhecida como tulipeiro, yellow poplar ou tulip wood, é uma madeira boa para quem gosta de um som mais limpo.





A Alder (ou amieiro, em português) possui um timbre caracteristicamente mais agudo, alta velocidade de propagação do som e bom sustain. Ela é uma madeira de baixa densidade muito utilizada na construção de corpos de guitarras sólidas, e tem como característica sonora um som mais aveludado com grave bastante profundo. Muitos músicos não gostam da sua aparência estética, mas concordam que ela favorece os médios e agudos. Muito versátil, a Alder fica boa com todos tipos de captadores.



O Basswood é uma madeira de baixa densidade, muito leve, estável e de timbre médio, muito utilizado na construção de corpos e braços de guitarras e contrabaixos, principalmente pelas suas excelentes respostas aos tons graves. Ela tem ataque moderado, umsustain incrível e resolução sonora perfeita; ótima para rock em volumes elevadíssimos, ajudando a não perder a resolução mesmo em altos volumes.
É uma madeira de fácil reflorestamento, que resulta em um bom custo-benefício. Não é ruim, como muitos pensam ser: o problema é que existe muito compensado de Basswood confundindo os menos entendidos.



O Cedro é uma madeira de média a baixa densidade, de fácil manuseio e bom sustain. Ela é muito estável, com timbre mais grave e aveludado. Utilizada na construção de corpos e braços de guitarra e baixo, reforço interno de violão, fundo e faixa de violão ou tampo, esta madeira é esteticamente bastante similar ao mogno, porém sua velocidade de propagação sonora é superior.





Madeira de altíssima densidade, muito sustain e alta reflexibilidade. O ébano tem um timbre agudo e muito estável, é a madeira mais cobiçada para escalas de instrumentos devido a sua dureza e alta resistência a empenamentos.
Sempre foi a favorita para a confecção das escalas de instrumentos musicais devido à sua grande dureza e resistência ao desgaste mecânico. Sua coloração negra e exótica cria um contraste muito bonito com o prateado dos trastes. Tem variedades originárias da África Continental, Madagascar e Índia. Atualmente, trata-se de uma madeira muito rara, quase beirando a extinção. Por ser de alta densidade e cara, é utilizada apenas nas escalas de instrumentos “top de linha” ou feitos por luthiers.



O jacarandá (também conhecido como rosewood) é a madeira preferida por luthiers do mundo todo para laterais, escalas e fundo, e em casos raros para o corpo de guitarras e baixos. Madeira de alta densidade, com muito sustain e um timbre grave e estalado, o Jacarandá é sem dúvida a mais cobiçada em instrumentos musicais.
Dentre os jacarandás, o mais apreciado é o baiano (nacional), graças à beleza incomparável e de grande variedade de colorido e figura. Geralmente avermelhada com listras negras, às vezes marrom escura ou quase preta. Suas reservas estão praticamente extintas, mas ele ainda pode ser encontrado nas regiões de Mata Atlântica brasileira. Sua exploração comercial está banida há vários anos.



Esta madeira tem cor clara e muito brilho natural. Sua sonoridade é diferente dos Jacarandás, pois não é tão profunda e não tem tanta sustentação, mas possui grande projeção e muito equilíbrio entre as frequências agudas, médias e graves. Estável e resistente, é originária das florestas de clima temperado da Europa e da América do Norte.
O maple é uma madeira muito utilizada na fabricação de fundos e faixas dos instrumentos da família do violino e das guitarras archtop acústicas, tampos de violão, braços e corpos de guitarra, devido ao desenho dos veios da madeira. Em alguns casos é possível encontrar escalas feitas com essa madeira, embora não seja a melhor escolha, por ser relativamente porosa, macia e clara. Portanto, se não for envernizada, a escala poderá sujar rapidamente.



Encontrado no Paraguai, Uruguai e Argentina, o marfim é uma madeira de grande beleza e relativamente fácil de ser encontrada nas madeireiras do Brasil, devido à sua popularidade como material de acabamento de interiores de residências e móveis. Sua densidade é boa e similar a dos Jacarandás, apresentando diversos tipos de figuras e podendo ser reta ou ondulada como o maple.
Os instrumentos feitos com esta madeira têm um bom som, porém com um pouco menos de sustentação que os de Jacarandá. Com um timbre agudo e grande resistência mecânica, ele é muito utilizado na fabricação de braços de guitarra e baixos e filetes decorativos. Tem boa estabilidade quando bem seca e quarteada, com uma coloração dourada clara e um brilho muito bonito.



Madeira de alta densidade, com muito sustain, média estabilidade, timbre grave e encorpado, além de uma grande resistência mecânica. O mogno, também conhecido como Mahogany, é muito utilizado na fabricação de corpos e braços de guitarras e baixos, fundo e faixa de violões.

Existe uma variedade bem grande de mogno, com texturas e influências diferentes. Mas de forma geral, para o tampo, ele tem um forte punchy produzindo bons sustenidos e uma velocidade de som relativamente lenta. Para o fundo e nas laterais, o mogno tem uma velocidade relativamente alta de som, tendendo a enfatizar os graves e agudos.

O mogno brasileiro é uma madeira de comercialização proibida em face do perigo de extinção, por isso é também uma das madeiras mais nobres e caras para a lutheria.



O marupá é uma madeira de média densidade, com bom sustain e boa estabilidade, além de um timbre agudo e boa resistência mecânica. É muito utilizada na fabricação de tampos, corpos de guitarra e baixos e em reforços internos de violões, o que garante um instrumento leve. Assim como o mogno, o marupá é uma madeira com baixa velocidade de propagação do som.

Encontrada na região norte do Brasil, é vulgarmente conhecida como caixeta, por ser utilizada também na fabricação de caixas de feiras. Esta madeira tem a textura e as características físicas muito parecidas com a do cedro rosa, diferindo apenas no cheiro e na cor. Seu cheiro é bastante neutro e a cor é um branco amarelado que cria um contraste bonito com madeiras mais claras como o mogno e o cedro. Geralmente os instrumentos fabricados com ela são pintados pelo fato de a madeira não ser bonita.

É uma madeira geralmente utilizada no Brasil para palitos de picolé e fósforo, cabos de vassoura, brinquedos e caixas de frutas. Todo mundo conhece o Marupá :). "Caxeta" ou "Caixeta" é um nome genérico dado a várias espécies similares, entre elas o Marupá. ( saber disso decepciona muita gente, mas vamos deixar isso pra um post mais técnico).



O pau-brasil possui um sustain constante, ataque moderado com uma boa massa sonora final. Também conhecido como pau-pernambuco, palo brasil ou pernambuco wood, é originário da na Mata Atlântica, mais precisamente no litoral da região nordeste e sudeste brasileira. Como é uma madeira rara, virtualmente extinta na natureza, seu preço e uso são proibitivos.

É uma madeira adequada apenas para a confecção de arcos de violino, viola, violoncelo e contrabaixo. Eventualmente pode ser também utilizada para a confecção de escalas, fundo e lateral de violão e para percussão, essa madeira é melhor para palhetadas e não tão boa para o dedilhado.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Abrangência Musical - Estilo, Técnica e Versatilidade




 Qual o critério para o estudo de gêneros musicais e técnicas de execução variadas, pois é sabido que ninguém pode aprender tudo, ou pelo menos ser bom em tudo. Então, a pergunta é, como ter uma boa abrangência musical, mas sem ficar apenas na superfície? 

Compreendo sua dúvida, pois, enquanto sabemos que é fundamental ter um estilo próprio para se diferenciar como guitarrista, também sabemos que um músico que só sabe fazer uma coisa vai sempre soar igual.

Parece ser um dilema: Devo ter um foco para fortalecer meu estilo ou devo me desenvolver em diversos estilos para ser versátil?

A questão é encontrar o equilíbrio entre estilo e versatilidade, tanto em termos de técnicas quanto de gêneros musicais.

Depende do seu objetivo

Essa pergunta é excelente e gera uma boa discussão. Não existe uma resposta simples, mas o primeiro passo é definir seu objetivo. Se você deseja ser um grande guitarrista de blues como B.B. King, não é necessário saber vários outros estilos. Você pode se concentrar no blues e outros estilos próximos a ele, como vou explicar mais na frente. Mas se o seu objetivo for compor músicas que permeiam vários estilos, ou até mesmo desenvolver seu próprio estilo, o caminho é diferente. E, ainda, se você pretende tocar músicas diversas de outros artistas, surge mais um caminho. Enfim, tudo depende do seu objetivo.

Foco e Curiosidade

Mas, de forma simples e direta, a minha sugestão é desenvolver a fundo seus estilos favoritos, que você mais gosta de tocar, e frequentemente buscar referências fora desses estilos. Ou seja, tenha foco e curiosidade.

Desenvolver-se a fundo num estilo é algo que leva tempo, por isso não dá pra fazer isso com muitos estilos se o tempo é escasso. Mas, aprender um pouco sobre alguns estilos que te interessam pode ser feito rapidamente. E você pode ter mais de um estilo principal também. Por exemplo, eu gosto muito de tocar rock e hard rock, com muita distorção, mas também passo muito tempo tocando reggae, algo que não tem nada a ver com esses outros estilos.

Se tocar vários estilos é algo que te dá prazer, vá em frente!

Ter curiosidade é estar sempre atento a coisas que podem despertar seu interesse e te deixar animado! Curiosidade é abrir os olhos e presenciar a beleza que há ao seu redor, e eventualmente aprender coisas novas para usar no dia-a-dia.

Por outro lado, ter foco é estar em linha com sua própria identidade. Quando as pessoas vão escutá-lo tocando, elas querem ver algo único, diferente dos outros.

Sei que pode soar paradoxal, mas quando escolhemos um foco, acabamos ampliando nosso leque. Estranho, não é? Mas isso acontece de fato, pois estilo e versatilidade são complementares, andam na mesma direção. Quando escolhemos um gênero musical como foco, acabamos descobrindo que há muita coisa interessante para explorar e aprender dentro desse tipo de música em termos de ritmos, técnicas, efeitos, timbres, licks, e acordes. E, ao desenvolver toda essa riqueza que há dentro de um estilo musical, acabamos nos tornando mais versáteis, podendo aplicar esses aprendizados em outros estilos. Afinal, em geral, uma técnica que serve para um estilo serve para outros também, como é o caso dos bends, vibratos, palhetada, etc.

Explore as adjacências

Se a música possui centenas de estilos e precisamos escolher para onde ir, por onde começar? A resposta é explorar os estilos ao redor do seu estilo favorito. Um grande exemplo disso é Johnny Hiland, um dos melhores guitarristas atuais de country. Sua diversidade técnica é impressionante e ele foi fundo em explorar tudo relacionado ao country, como blues e honky tonk, e muitos outros estilos relacionados.

Essa abordagem permite que você conecte os pontos de forma natural, pois estilos que estão próximos uns aos outros possuem muitas características em comum, então basta aprender alguns elementos novos e pronto, você agora consegue tocar mais um estilo em seu repertório. Além disso, você poderá ir além da superficialidade de um estilo. Se você estuda estilos desconexos, dificilmente conseguirá se aprofundar. Mas se eles estão interligados, é possível dominar todos eles.

Não caia na armadilha

A guitarra é um instrumento incrível porque permite tocar centenas de estilos diferentes. Mas isso não significa que um bom guitarrista é aquele que sabe tocar todos os estilos. Entre um guitarrista que é muito bom em apenas um estilo e outro que sabe tocar de tudo um pouco, em geral o primeiro é mais interessante. Afinal, quando queremos ouvir blues, buscamos um artista de blues, quando queremos ouvir bossa nova, buscamos um artista de bossa nova. Ninguém espera escutar vários gêneros em um só artista. Além disso, o tempo passado com muitos estilos poderia ser usado para se aprofundar nos estilos mais relevantes para você.

Criatividade por associações

Para os músicos que compõem ou gostam de improvisar, a criatividade é um fator crucial. A criatividade pode ser desenvolvida com a prática. Não vou entrar em detalhes aqui sobre isso, mas vale destacar que uma das principais abordagens que conhecemos para gerar ideias criativas são as associações. Através dessa abordagem, pensamos em duas ideias desconexas e tentamos imaginar diferentes formas de conectá-las. Os resultados são surpreendentes. Por exemplo, Randy Rhoads criou um estilo próprio de solar unindo música erudita com metal, e Zakk Wylde juntou country com hard rock em muitos de seus solos.

A mensagem aqui é que quanto mais estilos você conhecer, mais opções terá para combinar um estilo com o outro, nem que sejam apenas pequenos detalhes. Alimente sua curiosidade e colha os frutos.

Quantos estilos devo estudar?

Existem centenas de estilos interessantes para tocar. Só no Brasil deve ter mais de 50 estilos e variações. No Nordeste, por exemplo há uma diversidade enorme. Mas os estilos não vem até nós, precisamos ir até eles. Se queremos descobrir coisas novas, precisamos agir como exploradores numa verdadeira aventura musical.

Geralmente, associamos a cada país um tipo de música, mas a verdade é que o cenário musical de cada país é muito mais complexo. Se quisermos, podemos escutar um estilo diferente a cada dia de nossas vidas e nunca vamos esgotar as possibilidades. Por isso, não vamos deixar a busca por versatilidade e abrangência nos levar para a perda de foco. A quantidade de estilos que você vai estudar depende de quanto você quer se aprofundar em cada um deles e de quanto tempo você tem disponível. Vale a pena traçar uma meta. Por exemplo, “Quero poder tocar jazz no nível básico em 6 meses”. Aí, é só correr atrás do desafio!

Como ter abrangência musical

Como mencionei antes, aprender um estilo a fundo leva tempo, mas aprender superficialmente pode ser bem rápido, além de ser interessante para o seu desenvolvimento musical. Por exemplo, digamos que você toque blues e queira que essa seja sua especialidade. Nada te impede de querer aprender um pouco sobre country. Aí, minha sugestão é escolher uma música que represente bem esse estilo e aprender a tocá-la. Com apenas uma música você verá a enorme quantidade de elementos que um estilo pode conter. Você não se tornará um especialista nesse estilo, mas pelo menos terá a chance de descobrir alguns elementos que você pode aplicar no seu dia-a-dia.  A sua abrangência musical pode ser medida em quantas músicas de quantos gêneros você consegue tocar. Quem sabe, você acaba esbarrando em um estilo que te agrade tanto a ponto de você decidir se dedicar mais intensamente a ele.

Quer conhecer mais estilos musicais?




sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Slide Guitar - História e Técnica





Slide guitar, ou Bottleneck guitar , é uma forma de tocar guitarra, em que se utiliza geralmente no dedo anular ou mínimo, um pequeno tubo oco cilíndrico, feito de metal, vidro ou cerâmica. Com o objetivo fazer a entonação das notas não através dos trastes mas de forma flutuante, com que o instrumento não tivesse trastes, deslizando o tubo pelas cordas da guitarra. Este método, introduzido inicialmente na música do Hawaii, passou a ser utilizado nos blues (Blues rock) e no country.

Histórias da origem

Vou citar duas história referente a origem, pois se pesquisarmos vamos encontrar a Africana baseada no Arco de Diddley e outros a Joseph Kekuku do Hawaii.

Segundo a origem do Hawaii esse pequeno cilindro que se coloca no dedo para tocar guitarra foi descoberto por acaso no Havaí por um jovem chamado Joseph Kekuku, em 1889. Ele estava indo a pé para a escola com seu violão e um amigo quando pegou um pedaço de metal que encontrou na estrada. O pedaço de metal escorregou de sua mão e esbarrou nas cordas de seu violão, produzindo um som agradável. Intrigado, ele levou o objeto para casa e passou a explorar novos sons com ele em seu violão.

Depois ele criou o que hoje é conhecido como música havaina, foi para os EUA e popularizou o slide no país ao longo dos 28 anos em que viveu lá. O resultado foi que rapidamente a música country e depois o blues absorveram o slide entre suas principais técnicas. Nos anos 30, a guitarra havaiana foi a 1ª guitarra elétrica construída (com pequenas diferenças em relação à guitarra normal de hoje) e o sucesso do slide passou a crescer ainda mais rápido.

Hoje em dia, guitarristas como John Buttler (do John Buttler Trio) e Ben Harper (do Ben Harper and The Innocent Criminals) continuam a desenvolver a técnica. Mas o consenso geral é de que foi o guitarrista Duane Allman (do Allman Brothers Band) quem levou a técnica e a sonoridade do slide da guitarra no rock para um novo patamar.

Segundo a origem Africana o Slide teve influência direta dos Africanos que usava o Arco de Diddley" ( Instrumento constituído por uma única cadeia de arame sob tensão entre dois pregos de uma placa sobre uma garrafa de vidro, que é usado tanto como uma ponte e como um meio para aumentar o som do instrumento )


A técnica tornou-se popular por artistas de blues afro-americanos. O primeiro músico a ser gravado usando o estilo era Sylvester Weaver que gravou duas peças solo "Guitar Blues" e "Guitar Rag", em 1923. Alguns dos artistas de blues no sul dos Estados Unidos, que mais usaram o slide, incluem o cantor gospel Blind Willie Johnson, Blind Willie McTell, Son House, Robert Johnson (Rei do blues do delta) e Casey Bill Weldon. Provavelmente os primeiros influentes do blues elétrico no slide guitar é Elmore James, cujo riff na canção " Dust My Broom " é influência direta de Robert Johnson.

A lenda do blues Muddy Waters, foi a maior influência no blues depois de Robert Johnson. Seu talento foi decisivo para o desenvolvimento do blues elétrico de Chicago.

No Texas nos anos 60, o músico Johnny Winter desenvolveu com seu slide guitar técnico e preciso um estilo feroz e eletrizante. Gravou discos como o notável ¨¨The ProgressiveBlues Experiment¨ (1968) e junto com Muddy Waters, fez turnês e gravou o incrível disco ¨Hard Again¨ de 1977, ganhador do Grammy de melhor disco de blues.

Rory Gallagher, foi um irlandês mágico que incendiava plateias, seu potencial ao vivo era fantástico. Rory gravou vários shows de sua turnê de 1972 e lançou o álbum Live in Europe, com um estilo impressionante no slide guitar. Esse disco ficou entre os tops na Inglaterra e levou a Rory, ser eleito o músico do ano pelo jornal Melody Maker e também foi eleito o melhor guitarrista deste mesmo ano.

Eric Clapton , seu uso refinado do slide tem como maior influência Muddy Waters, Son House, Elmore James e Robert Johnson. Já Robert Johnson, recebeu em 2004, um tributo em CD e DVD, o incrível ¨Me and Mr. Johnson¨ . com covers dedicados ao seu mestre.

Roy Rogers aperfeiçoou suas habilidades de slide em turnês com o artista de blues John Lee Hooker . O primo de John Lee Hooker Earl pode ter sido o primeiro a usar wah-wah com slide guitar.

Como Alan Wilson, Duane Allman que usava o dedo médio como apoio do slide de vidro, desempenhou um papel fundamental em trazer o slide guitar para o rock, através de seu trabalho com The Allman Brothers Band, especificamente em 1971 com o álbum ao vivo no Fillmore East e com Derek and the Dominos o album " Layla and Other Assorted Love Songs ¨. Outros guitarristas de slide, como Jeff Beck, Bonnie Raitt, Rory Gallagher, Ronnie Wood, Billy Gibbons, Gary Rossington do Lynyrd Skynyrd, e Joe Walsh tem usado o dedo médio como apoio do slide. Allman ampliou a gama expressiva do slide guitar, incorporando os efeitos da gaita de Sonny Boy Williamson II, mais claramente pode ser ouvido essa influência na versão cover de Sonny Boy em "One Way Out", álbum Eat a Peach de Allman Brothers.



Lap Steel ( slide de colo )

Mais recentemente o estilo slide colo (lap steel) renasceu através de artistas como Ben Harper, Sean Kirkwood e Xavier Rudd - ambos tocadores de Weissenborns, antigo instrumento do começo do século 20, hoje com variações modernas, co-projetado modelo de assinatura Asher, este último usando reproduções modernas de weissenborn.


 A Técnica

1 - Em qual dedo usar
 Tanto faz. É uma escolha pessoal e depende de como cada um se sente melhor. Ao usar o dedo 4, deixa-se mais dedos livres para tocar acordes e riffs. Por outro lado, algumas pessoas podem preferir o dedo 2 ou 3 por serem mais firmes. O dedo 1 é menos comum.

Notação:
Dedo 1 = indicador
Dedo 2 = médio
Dedo 3 = anelar
Dedo 4 = mínimo

2 - Como posicionar o slide 
O slide deve encostar a corda bem em cima do traste e paralelo a ele. Você deve pressionar o slide com firmeza contra a corda para não sair aquele som tremido. Mas não deve pressionar com força, pois a corda nunca pode encostar no traste. Na verdade, o slide assume o papel dos trastes, que por sua vez passam a servir apenas para localizá-lo no braço da guitarra.
 Obs: se as cordas da sua guitarra estiverem muito baixas (muito próximas dos trastes), pode ser necessário mexer na regulagem dela para deixá-las mais altas.

3 - Abafar as cordas
 Provavelmente, a principal dúvida de alguém que está começando a tocar com slide é "Como faço para cortar todo esse ruído? Parece que tem um monte de notas sobrando e o som não está bom". A resposta é simples. Para acabar definitivamente com aqueles sons que aparecem por trás do slide, abafe as cordas. Quem toca com slide abafa as cordas o tempo todo.

Ao ver um vídeo de alguém tocando com um slide, observe que o guitarrista deixa pelo menos um dedo, além do slide, sobre as cordas da guitarra (como na foto acima). É porque ela está usando a mão para impedir que cordas que não estão sendo tocadas vibrem na hora errada.

É preciso abafar tanto com os dedos da mão do slide, quanto com a mão que toca as cordas. Digamos que você esteja usando o slide no dedo 3. Isso quer dizer que você pode usar o dedo 1 e o 2 para abafar as cordas por trás do slide. Eles devem encostar todas as cordas da guitarra paralelamente ao slide, como se eles estivessem fazendo uma pestana, mas sem pressionar as cordas. Apenas abafando-as. Assim, o único som que sairá da guitarra será o das notas que você está "slideando".

É bom também abafar as cordas com a mão que toca as cordas. Para quem toca sem palheta pode ser um pouco mais fácil, mas para quem toca com palheta, também não é nenhum mistério. Em ambos os casos, basta encontrar uma posição confortável para abafar as cordas que não estão sendo tocadas, usando os dedos que estiverem livres e as bordas da mão para encostar levemente sobre elas.

4 - Vibrato
 A diferença entre um iniciante e um guitarrista que já domina o slide é a forma como se toca cada nota. A graça do slide é poder deslizar pelas notas, passando suavemente por todas as notas que estiverem no meio do caminho. Mas não dá para ficar o tempo todo arrastando o slide pra lá e pra cá. É preciso parar nas principais notas do solo. Aquelas que fazem a diferença. A grande sacada, no entanto, é que você não pode parar. Pelo menos não totalmente.
 Para extrair aquele som característico do slide, em todas as notas que você parar, você deve executar um vibrato. Ele dará mais vida ao som de cada nota. Dessa forma, tocar guitarra com um slide pode ser visto como uma combinação de deslizadas de uma nota para outra e de vibratos nas principais notas. Tudo que você precisa aprender, após dominar a técnica, é desenvolver o feeling para saber em que notas parar e em que notas deslizar.

Obs: Note que o vibrato com slide é diferente do vibrato normal. Para executar o vibrato com slide basta deslizar para frente e para trás em torno da nota alvo, como se estivesse tremendo a mão. A amplitude dessa oscilação fica à escolha de cada guitarrista, mas geralmente é usada uma oscilação bem pequena.


5 - Confie no seu ouvido
 Ao tocar guitarra com slide, não se pode confiar totalmente na sua visão. Ao olhar para os trastes para saber se o slide está na posição certa, você pode acabar atingindo a nota errada. Isso ocorre porque o ângulo do olhar pode enganá-lo. A solução é simples: confie nos seus ouvidos e deixe-os guiá-los para as notas certas.

Além disso, o vibrato que você estará executando nas principais notas é uma forma de achar a posição certa do slide, através de pequenos ajustes na posição do vibrato. Não se preocupe em fazer um vibrato perfeito em torno da nota certa, pois é justamente essa pequena imprecisão que que torna único o som do slide.

6 - Escute The Allman Brothers Band

Todos os guitarristas de rock que usam slide tem uma dívida com Duane Allman, guitarrista da banda de blues e rock The Allman Brothers Band. Não é preciso falar muito sobre ele. Seus solos falam por si.
 Escute o álbum Live at Filmore East, a bíblia da guitarra slide do rock.

7 - Escute música havaiana

O 1º estilo de música a usar o slide para tocar guitarra foi a música havaiana. De fato, a música do Havaí é totalmente marcada pelo uso de slides. Chega a ser comum uma banda havaiana com dois guitarristas tocando de slide enquanto um violão ou ukelele mantém a base com acordes.

Ouça a clássica Blue Hawaii sendo tocada numa guitarra havaiana (hawaiian steel guitar) cuja principal diferença para a guitarra normal é a maior distância entre as cordas e o braço.
 Para encontrar mais vídeos de música e guitarra havaina, busque no YouTube pelas palavras-chave "hawaiian steel guitar" e "hawaiian lap steel guitar".

8 - Com Distorção vs. Sem Distorção

Uma coisa ótima para quem gosta de usar slide, é que eles são agradáveis tanto com sons limpos quanto com distorcidos.

Além da distorção, efeitos como Delay e Reverb também são muito bem vindos. Eles proporcionam sons psicodélicos e viajantes que guitarristas como David Gilmour, do Pink Floyd, adoram explorar.

Slide de Vidro vs. Slide de Metal

Os dois principais* tipos de slide são o de vidro e o de metal. Os dois são baratos, então pode ser interessante comprar os dois para ver qual você gosta mais. Os dois deslizam da mesma forma sobre as cordas, mas os timbres são diferentes. Geralmente, usa-se mais o slide de vidro (do tipo Pyrex) para tocar guitarra e o slide de metal para tocar violões com cordas de aço. Mas não há nenhuma regra. O slide de vidro tem um timbre mais suave. O de metal fornece sons mais estridentes e pode gerar um pouco mais de ruído.

Se você tem medo que o slide de vidro quebre facilmente, não se preocupe. Ele é mais resistente do que parece, pois não é exatamente o mesmo tipo de vidro de um copo, por exemplo.

A vantagem do slide de metal é que ele dá maior sustain. A desvantagem é que ele pode enferrujar por dentro com o tempo.

* Existem também slides de plástico e de porcelana, mas quase ninguém usa. O de porcelana é pouco comercializado e o de plástico não é recomendável.



Como treinar

Com um slide na mão você pode tirar os sons mais loucos da guitarra. Mas até chegar lá você precisa dominar a técnica. Para treinar, faça exercícios simples. Treine em uma corda de cada vez.

Exercício: Escolha uma corda, comece no primeiro traste e tente fazer a nota soar nítida, sempre usando o vibrato. Em seguida, deslize até o segundo traste e execute outro vibrato em torno dele. Vá fazendo isso até chegar no último traste. Após terminar essa corda, faça o mesmo nas outras. Isso é preciso, porque cada corda requer um sensibilidade diferente com o slide.

Depois de aprender a executar o vibrato com slide e conseguir fazer cada nota soar com perfeição, chegou a hora de treinar algo mais avançado (e interessante). Tocar slide muitas vezes requer alta precisão. E é isso que você treinará agora.

Exercício: Toque uma nota com o slide e deslize-o até uma outra nota que esteja bem longe do ponto de partida. O objetivo é treinar sua mira, para que, quando você estiver solando, não precise se preocupar com acertar as notas certas, mesmo em velocidades elevadas. Repita o exercício com diferentes combinações de notas e em cada uma das 6 cordas.


Guitarristas que usam slide, que vale apena pesquisar:

Alan Wilson - da banda Canned Heat
Ben Harper
Blind Willie Johnson - música Dark Was The Night
Bonnie Raitt
Chris Whitley
David Gilmour - do Pink Floyd
Debashish Bhattacharya
Derek Trucks
Duane Allman - escute a música Statesboro Blues!
Elmore James
George Harrison
Jerry Douglas
Joe Bonamassa
Joe Walsh
John Buttler
Johnny Winters
Leo Kottke
Mick Taylor
Mississipi Fred McDowell
Sonny Landreth
Muddy Waters - música Still a Fool
Robert Johnson
Robert Randolph
Ry Cooder
Son House
The Campbell Brothers
Warren Haynes
Watermelon Slim