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quinta-feira, 23 de junho de 2022

GIBSON LES PAUL: História e Evolução




A Gibson Les Paul, sem dúvida a guitarra mais emblemática do fabricante mais tradicional, tanto nas versões Standard como Custom, sua evolução e transformação, seus tempos ou épocas de ouro e preto, e muito mais. 


A história da Gibson Les Paul, aparência, evolução e transformação. 

A história da Gibson Les Paul, a primeira guitarra de corpo sólido da mais tradicional empresa de guitarras, começa no início dos anos 1950, quando a empresa era liderada por ninguém menos que Ted McCarty, em sua época de ouro.

A Gibson Les Paul nasceu como resposta de McCarty à crescente popularidade e sucesso de sua inimiga, a Fender Broadcaster, que mais tarde, após passar por um breve período sem nome ou “Nocaster”, seria definitivamente chamada de Telecaster.

Ted McCarty era um engenheiro com experiência e visão comercial, não hesitou nem por um segundo em perceber que o sólido nicho de negócios de guitarras que a Fender começava a explorar era um mercado com grande potencial. Assim, a Gibson decidiu competir, projetando sua própria guitarra de corpo sólido e contratando a Les Paul para dar seu nome e ser a imagem de seu novo modelo de guitarra elétrica. 

Les Paul já havia tentado persuadir Gibson a fazer uma guitarra de corpo sólido anos antes, antes mesmo de a Fender Esquire aparecer em 1950. Ele havia trazido “O Tronco" - “The Log”, mas a empresa havia rejeitado o músico e sua proposta dizendo que era um cabo de vassoura com cordas e captadores de guitarra. Assim, é que se diz que Les Paul disse aos diretores da Gibson: “- Se vocês não fizerem algo, a Fender dominará o mundo”.

 


Gibson Les Paul Goldtop, a primeira guitarra

 

A primeira versão da Gibson Les Paul: 1952

 

A primeira guitarra Les Paul lançada pela Gibson foi a Gibson Goldtop, que foi lançada em 1952, dois anos após o lançamento da primeira guitarra Fender.


 

As principais características eram as mesmas de hoje, mas não todas. A Gibson Les Paul teve uma evolução ao longo de seus primeiros 7 anos de vida. Corpo e braço em mogno com tampo arqueado em maple no corpo e escala em rosewood. O braço colado tem 22 trastes com encadernação e inlays madrepérola trapézios. Também tinha um tensor ou alma ajustável. 

Os controles são independentes de volume e tom para cada captador e um seletor de três posições. No entanto, a primeira versão tinha algumas características diferentes do modelo final da Gibson Les Paul.

 



 

A Gibson Les Paul '52 original veio com captadores P90, chamados de Soapbar por sua estética de sabonete. Esses captadores são single coil que Gibson já havia inventado em 1946.

O tradicional arremate longo e ponte eram semelhantes aos usados pela marca no resto dos modelos de guitarra, como a guitarra Gibson L5. Les Paul imediatamente sugeriu substituir o tradicional trapézio de Gibson colocando uma barra de aço sólido “enrolado”. Ted McCarty disse que esta foi a única contribuição técnica do guitarrista.

 

As primeiras mudanças na evolução da Gibson Les Paul: 1953 – 1954 

 

Durante 1953, o arremate longo é substituído pela ponte embrulhada que o próprio Ted McCarty projetou. Assim, este ano você poderá encontrar guitarras com ambas as pontes. A estética da guitarra será mantida por alguns anos. 

No ano seguinte, em 1954, chega outra mudança, a inclinação do mastro também é modificada em relação ao primeiro modelo lançado no mercado. Assim, o mastro leva a inclinação de 17º, que será final hoje. Ainda montando captadores Soapbar P-90 (single coil) e continuando com o acabamento Goldtop.

 



As últimas e definitivas alterações da 

Gibson Les Paul: 1955 - 1958 

Em 1954, Ted McCarty inventa a ponte Tune-o-Matic, que é incorporada à nova Gibson Les Paul Custom. Mas é apenas em 1955 que o Tune-o-Matic é adicionado à Gibson Les Paul Goldtop.


Esta ponte vem com selas ajustáveis que permitem uma melhor calibragem da guitarra, melhorando assim a afinação. Inicialmente, o arremate foi pensado para estar acima do arremate como no Wrappover, mas finalmente ele é usado colocando as cordas na parte de trás e fazendo-as ir diretamente para a ponte.

Em 1957, como resultado do objetivo de reduzir o ruído -“hum”- dos captadores, um engenheiro da Gibson, Seth Lover, projetou os captadores de bobina dupla conhecidos como “Humbuckers”. Os primeiros captadores humbucker são conhecidos como PAF ou P.A.F., pois tinham um adesivo com a sigla ” Patent Applied For" – “Patente solicitada para” - devido ao processo de registro de patente da Gibson.


Assim, em 1957 a Les Paul leva as especificações técnicas definitivas que mantém até hoje. No entanto, no ano seguinte, em 1958, o acabamento foi alterado para o cherry sunburst pelo qual o violão é mais conhecido.

 

 

Gibson Les Paul Custom: a versão deluxe 

Em 1954, Ted McCarty procura uma alternativa ao acabamento Goldtop. Nesse sentido, Ted disse em uma entrevista: “Adicionamos a Les Paul Custom apenas para ter outra. Você tem todos os tipos de guitarristas que gostam disso e daquilo. A Chevrolet tem muitos modelos, a Ford tem muitos modelos.”

 



Assim, é lançado este modelo preto, com ferragens douradas e captadores P90 pretos. Além disso, tem uma borda dupla no corpo -em ambos os lados- na parte superior e na parte de trás do corpo e também no pescoço e na caixa de pinos. Além disso, a encadernação ou borda da lâmina e do corpo possui um detalhe de listras pretas e brancas intercaladas. Os embutidos são do tipo bloco, ou seja, embutidos em bloco ou retangulares.

As diferenças técnicas da Les Paul Custom com a Standard ou Goldtop é que ela tem um corpo de mogno de peça única, sem tampo de maple no topo. A escala é de ébano em vez de pau-rosa. Assim, o agudo que é dado em uma Les Paul Standard ou Goldtop pelo tampo em maple do corpo, e em uma Custom por sua escala em ébano. Além disso a Custom foi a primeira Les Paul com ponte Tune-on-Matic. Diferente da Goldtop que só adotou no ano seguinte, 1955.

 

A “beleza negra”


Beleza negra ou “Black Beauty” é o apelido da Gibson Les Paul Custom. A combinação preto e dourado é a combinação ideal para dar status e altura a algo, por isso essa combinação foi escolhida. Além disso, havia uma boa razão para optar por uma cor sólida, conforme explicado por Ted McCarty:

“E havia uma boa razão para isso. Estávamos tendo cada vez mais problemas para obter mogno liso de Honduras muito bem. Então se você tinha um mogno com alguns arranhões, era usado para fazer alfândega. Eles foram preparados elegantemente combinging border e outras coisas, e vendidos a um preço mais alto.”

 Assim, o mogno com imperfeições cosméticas foi usado para a Les Paul Custom que foi pintada com uma cor preta sólida.

 

A Les Paul Custom e os PAFs: 1957

 


Em 1957, como a Gibson Les Paul Goldtop, a Custom adota captadores PAF. Assim, fica definido o modelo final da Les Paul Custom. A menos que consideremos a substituição do ébano por richlite por volta de 2012, que se deu por problemas de fornecimento de madeira de qualidade em quantidade suficiente. Richlite é um material sintético que imita a estética do ébano.

 

Gibson Les Paul Standard: 

1958 - 1960: A transformação definitiva

 


Em 1958 a Gibson Les Paul Standard foi lançada com o clássico e tradicional acabamento cherry sunburst pelo qual o modelo é mais conhecido. Esta é a guitarra Gibson Les Paul, é a maior referência de todas, a expressão máxima da evolução do modelo. Essas guitarras são chamadas de “Burst” por causa de seu acabamento.

As diferenças nas especificações do violão desses três anos são sutis; por exemplo, o perfil do braço é mais espesso em 1958 e mais fino em 1960; em 1958 os topos de maple eram mais lisos e os de '59 os mais flamejados. No entanto, as guitarras Gibson Les Paul 1959 são consideradas o “Santo Graal” do modelo. Assim, o ano de 1959 é considerado o melhor ano da Gibson Les Paul.

 

 

Descontinuação da Gibson Les Paul 

Em 1960, o peso da Gibson Les Paul era excessivo e seu formato tradicional era visto como antiquado e caro. Em comparação com outros mercados existentes, como Stratocaster, Jazzmaster, Flying V, Explorer, entre outros, a Les Paul havia perdido popularidade. Assim, a Les Paul é substituída pela que foi introduzida como sua sucessora, a Gibson SG. 

A SG foi lançada inicialmente com o nome de Gibson Les Paul, e posteriormente com a quebra do contrato com a Les Paul levaria o nome de SG da Solid Guitar. Seria apenas em 1968 que a construção da Gibson Les Paul seria retomada. 


Vídeo de demonstração de várias Les Pauls vintage em um Fender Bassman 1959

 




quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Qual a diferença entre guitarra e violão?





Parece uma pergunta boba, mas já vi respostas absurdas. Mas enfim, existe alguma diferença entre guitarra e violão? Se eu aprender violão, posso tocar guitarra depois? Tocar guitarra é diferente de tocar violão?
Vamos entender um pouco mais sobre a semelhança e a diferença entre guitarra e violão.

Nome e surgimento da guitarra

Dos dois instrumentos, o violão nasceu primeiro. O violão nasceu bem antes e seus “avós” vieram de instrumentos antigos, como o alaúde, a lira, cítara, etc. Observe o nome “cítara”, original da palavra chitarra, que em português tornou-se guitarra.
Voltando para os dias de hoje – aqui no Brasil o nome é diferente, mas em outros países, como Estados Unidos e Espanha por exemplo, é tudo guitarra.
Guitarra (Br) = Guitarra elétrica (outros países)
Violão (Br) = Guitarra acústica (outros países)
Em países assim, eles fazem a diferença entre guitarra e violão citando se um é elétrico ou acústico (sem eletricidade).
Então, antes da criação da guitarra elétrica,

Guitarra elétrica


apenas tínhamos a guitarra acústica (violão)…

Guitarra acústica

A guitarra elétrica foi criada a partir de uma necessidade de se amplificar o som do violão, quando no início do século XX (século passado) o crescente número de ouvintes que prestigiava apresentações musicais precisava de maior volume para curtir performances em casas noturnas e grandes salões. Além disso, as bandas de música da época possuíam em sua formação instrumentos com grande poder de volume. Não era possível competir com o volume de um trompete por exemplo… Não é verdade? então fatalmente o volume (do coitado) do violonista sumia no palco…

Foi ai que os fabricantes (vamos deixar os detalhes pra outro tópico) de violão ou guitarra acústica pensaram: Como faremos para o instrumento ficar com maior volume?
Inicialmente, os fabricantes tentaram apenas colocar formas de captar um violão normal e amplificar o som. Surgiu um problema: o corpo do violão é oco internamente e, quando adicionado maior volume ao som, isso causa um efeito chamado feedback que gera a microfonia, um apito ensurdecedor (você já deve ter ouvido isso em shows ao vivo).
Então pensaram numa solução: “ao invés de corpo oco, vamos deixar ele inteiriço”. Daí surgiu o corpo sólido.
Após vários testes, a melhor configuração que chegaram é o modelo que temos hoje: um “violão” de corpo sólido, com captadores e cordas de aço – que chamamos aqui no Brasil apenas de guitarra.
No Brasil, tivemos desbravadores na busca por violões com maior volume. Isso ao mesmo tempo que buscavam por essa invenção lá fora.
Podemos citar a dupla Dodô e Osmar criadores do trio elétrico e da guitarra baiana. Eles foram desbravadores aqui no Brasil nesse assunto.

A diferença entre guitarra e violão quanto a tocar o instrumento

O violão é o antecessor mais próximo da guitarra e é, consequentemente, mais velho em termos de história. Possui características próprias e várias técnicas que foram se desenvolvendo através dos violonistas durante a história e antes da criação da guitarra.
Antes da guitarra, o violão já possuía um vasto repertório e uma tradição técnica tanto popular quanto erudita.
Quando o violão se eletrificou e houve a criação da guitarra, outras possibilidades de se tocar surgiram devido às novas características desse novo instrumento.
Nasceram novas formas de se executar esse “violão” eletrificado. Novas técnicas foram se desenvolvendo por causa das características próprias da guitarra.
Algumas técnicas passaram a ser utilizadas apenas no violão, outras técnicas passaram a se desenvolver apenas na guitarra.
E é nessa altura do caminho que o violão se separa da guitarra: as bases estruturais em termos de construção do equipamento e tocabilidade são as mesmas, mas chega um ponto que cada um segue sua própria estrada. Estrada essa que cada instrumento construiu ao longo de sua própria história de existência.
Nessa altura em que os instrumentos se separam é que esta a diferença entre guitarra e violão.
"A guitarra e o violão possuem uma estrada comum mas precisam se separar em uma determinada altura do caminho para que cada um siga seu próprio rumo…"
Então, quando o iniciante começa a aprender violão, ele pode usar o que aprendeu na guitarra, e vice-versa. Mas chegará um momento no qual ele deverá se aprofundar no estudo de um ou de outro para desenvolver técnicas específicas de determinado instrumento.

Existe diferença entre guitarra e violão para começar a estudar?

VOCÊ NÃO PRECISA COMEÇAR PELO VIOLÃO PARA DEPOIS PASSAR PARA A GUITARRA.
Não existe essa necessidade. O iniciante pode começar direto na guitarra.
Uma pessoa que está começando a aprender, tanto guitarra quanto violão, vai poder tocar os dois. Poderá intercambiar seu aprendizado nos dois instrumentos. Você pode “estranhar” um pouco quando, por exemplo, esta acostumado com a guitarra e pega um violão. Isso pode ocorrer devido às diferenças anatômicas de cada instrumento: tamanho do braço do instrumento, espessura de cordas, número de trastes, etc. Mas, basicamente, os dois possuem a mesma estrutura. É como você dirigir carros diferentes: você estranha no começo, porque está acostumado com o seu, mas sabe dirigir. É só se adaptar.
Obviamente, observando o que foi dito acima: chega um ponto na estrada que para desenvolvermos certas habilidades técnicas, precisamos nos focar em apenas um instrumento. Existem técnicas que são especificamente usadas para a guitarra e outras específicas para violão. Muitas dessas técnicas soaram melhor se tocadas em seu instrumento de origem.
Então, se você tem o desejo de aprender guitarra e tinha dúvidas se precisava começar pelo violão: comece logo pela guitarra!
Ou, se você gostaria de aprender violão, não há nenhum problema de passar para a guitarra no futuro se quiser.

Qual escolher?

Muitas pessoas já são fãs de algum artista ou músico em específico e não possuem dúvidas a respeito do que querem. Outros possuem dúvida sobre qual deles começar. Se é o seu caso, você deve se questionar porque gostaria de tocar o tal instrumento.
OBJETIVO – essa é a pergunta que você deve se fazer: Qual meu objetivo no futuro? Como quero me ver daqui a um tempo: tocando guitarra ou tocando violão?
Guitarra – Se você gostaria de fazer parte de uma banda, por exemplo, o mais indicado é a guitarra. Muitas pessoas não querem tocar em bandas, mas quando ouvem o som de uma guitarra ou vêem um guitarrista tocando se arrepiam. Ai, meu amigo: guitarra na certa…
Violão – Se você só quer tocar como lazer, tocar e cantar com amigos, numa rodinha ou num churrasco e tal, o violão é a indicação. Essa forma de tocar se encaixa no violão popular
Muitos começam pelo violão por ser mais barato e mais fácil: não precisa de amplificador e outros acessórios.
Então, pelo custo, acessibilidade e até desinformação, grande número de pessoas começa pelo violão. O que pode ser feito também, sem nenhum problema. Nada te impede de começar com violão e depois passar para guitarra. Mas nada te impede de começar logo pela guitarra também.
Mas tenha em mente o seguinte: como já disse, "vai chegar um ponto no qual você vai ter que optar entre um ou outro para melhor se desenvolver."


terça-feira, 6 de outubro de 2015

NUT - tipo de materiais



Hoje em dia, nos principais fóruns na internet, tanto nacionais como estrangeiros, existe um amplo debate de opiniões sobre vários assuntos que dizem respeito ao bom funcionamento de um instrumento musical de cordas, principalmente guitarras e baixos. Com o intuito de colaborar na formação de sua própria opinião sobre alguns deles, nesse primeiro post da série “Mitos e Verdades” vou abordar o tema “NUT” baseado em minha própria experiência lidando com essas pequenas peças na busca do meu timbre ideal. Concordando ou não com a minha opinião, leia todo o post para saber como embasei tecnicamente os meus comentários. 

O “NUT”, também chamado de “pestana”, é responsável pelo ponto de apoio das cordas que “chegam” nas tarraxas passando sobre a escala do instrumento, partindo da ponte. É uma parte do instrumento de corda, pequeno e muitas vezes desprezado componente que pode modificar consideravelmente o desempenho do instrumento. Um NUT mal instalado ou adaptado de maneira incorreta pode gerar conseqüências desastrosas tais como: desafinações constantes, quebras de cordas, instabilidade e impossibilidade de regulagem das oitavas, sem contarmos o trastejamento por irregularidades proporcionadas por alteração da altura das cordas em relação à escala.

Os NUTS mais conhecidos e encontrados no mercado são:

NUT de Osso Bovino: Também conhecido como “bone”, foi o material mais utilizado historicamente nos instrumentos de corda. É um material com dureza considerável e seu desgaste é pequeno. Normalmente prendem um pouco as cordas e geram alguns estalos ao afinar, devendo ser lubrificados constantemente para melhor funcionamento. Esta lubrificação nunca foi bem difundida e será abordada mais adiante.
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NUT de plástico: É encontrado na maioria das guitarras de custo baixo vendidas no mercado e geralmente pode ser comprado facilmente para reposição em lojas de instrumentos musicais sendo considerados como peças de reposição. Para que possam desempenhar sua função com mais eficiência, darei também algumas dicas mais a frente. Continue sua leitura.
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NUT de Grafite: Alguns fabricantes observaram que "guitar techs" de guitarristas experientes usavam pó de grafite “in natura” ou oriundo de lápis ou lapiseiras no leito das cordas nos NUTS para melhor deslizamento. Por que não fabricar um NUT todo desse material? Pronto, estava inventado um NUT onde seu material principal era o Grafite. Com o passar dos anos esta peça foi ganhando muitos seguidores. Sua característica principal é diminuir consideravelmente o atrito das vibrações das cordas nos NUTS, mantendo a afinação do instrumento por mais tempo principalmente com músicos que exageram nos “Trêmulos e Bends”.
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NUT de Latão (Liga de Cobre e Zinco): Para aqueles que gostam de acompanhar determinados Guitar Heros, vale a pena lembrar que o guitarrista Yngwie Malmsteen tem este tipo de nut instalado em muitas de suas guitarras. A questão é que apresenta pouco atrito com as cordas e uma mudança no timbre de forma “metalizada”. Vale a pena lembrar que determinadas mudanças no timbre deve ser observado com a corda solta e certamente com o “ouvido referencia”, portanto muito individual e subjetivo, sem comprovação técnica eficaz.
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NUT de Corian: É um material híbrido feito de osso, caroços e plástico, com aspecto visual de um osso branco, boa densidade e dureza. Também tem sido utilizado para saddles de violão com captadores de contato do tipo Piezo apresentando boa resposta do contato magnético segundo os fabricantes. 


















NUT de Micarta: É um material sintético do “bone”, ou seja, osso sintético com um visual “fosco e amarelado” parecido com o Marfim (presas de elefantes). É um material bem maleável ao lixamento e ótimo para fabricar saddles para captadores tipo piezos.  É muito utilizado, juntamente com o material anterior (Corian), pela empresa de violões Martin Guitars e outras conceituadas marcas de violões.
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NUT de Marfin: Fabricado a partir da presa de elefantes,  nem preciso dizer que é um material proibido mundialmente na fabricação de quaisquer itens, exceto de uso religioso na Índia e Tailândia. Portanto, é extremamente caro, e tem características técnicas semelhantes ao osso.
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NUT de Madrepérola: Material natural de extrema densidade e visual muito bonito, são provenientes das conchas e usados para confecções de NUT´s de Banjos e Bandolins. Por ai se imagina o preço (!)

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Roller NUT: merecem uma citação à parte, sendo classificados como sub categoria dos NUT´s de Latão. Foi criado para de resolver alguns problemas que existiam com os NUT´s comuns, como diminuir o atrito e manter a afinação. Um dos primeiros protótipos lançados no mercado foi através da empresa Wilkinson na década de 70 e um guitarrista muito conhecido foi um dos pioneiros a utilizar e difundir o produto: Jeff Beck
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A criação realmente resolveu o problema de muitos guitarristas que passaram a ter mais estabilidade na afinação e o uso tranquilo da alavanca sem desafinar o instrumento rapidamente. O problema é que os Roller Nuts não suportavam grandes calibres de corda e normalmente paravam no 0.010. Outro fator negativo foi que com a pressão das cordas e o tempo de uso, faziam com que o eixo das roldanas se deformasse fazendo com que elas não girassem mais tão livres quanto antes, aumentando o atrito com as cordas.

A Fender, que já estava estabelecida no mercado na área de acessórios para guitarras, lançou em 1993 o seu próprio “NUT turbinado” que recebeu o nome Fender LSR Roller Nut. Com uma construção maciça em metal, a peça internamente agrega esferas de aço que “seguram” a corda e rodam dentro do compartimento quando a guitarra é tocada ou afinada. Essa peça, além de ser menor e mais bonita, resolveu o problema de calibres maiores, suportando cordas de 0.008 a 0.056. O problema do desgaste também foi resolvido. O desgaste é praticamente zero, uma vez que as esferas duram anos em um rolamento normal de uma máquina que faz milhares de giros por minuto. Basta pensar que para elas girarem tudo isso em uma guitarra seria preciso anos tocando ininterruptamente para começar a ter problemas com desgaste.
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Agora que você já conhece ou relembrou os principais tipos de matérias primas de NUT´s mais encontrados nos instrumentos musicais até hoje, vamos aprofundar um pouco mais o nosso tema.
Minha experiência nunca me deixou preocupar apenas com o NUT em sí, pois ele é uma das partes integrantes para o bom funcionamento de um instrumento de cordas. Não adianta ter um NUT de ótima qualidade, “caro”, “lubrificado constantemente”, “timbre maravilhoso” (como dizem, totalmente ajustado ao tamanho das cordas, bem colado, etc) trabalhando em conjunto com tarraxas que não conseguem “segurar” a afinação, abaixadores de cordas (string retainer) ruins e pontes com trêmulos de baixa qualidade. Devemos considerar até mesmo a maneira como que o músico toca seu instrumento, exagerando nas “alavancadas” ou nos “bends”.

Para chegar a conclusão que realmente o NUT “desestabiliza” sua guitarra, a análise deve ser ampla, considerando o instrumento como um todo, e, em muitas vezes, a ajuda de um bom luthier ou um guitartech é fundamental para evitar gastar dinheiro desnecessariamente em peças que não irão resolver definitivamente o problema.

Atribuir ao NUT a mudança do timbre da guitarra, como tenho visto em alguns videos no YouTube, seria arriscar demais na minha opinião. Aliás, como já mencionei anteriormente, nem me preocupo muito com isso. Posso afirmar que já percebi uma mudança muito discreta, quando instalei rastilho de metal em um violão ao invés de osso ou plástico, aparentemente ocorrendo uma “metalização” do som. Assim tenho minhas dúvidas quando ouço alguém dizendo que há diferenças na troca do NUT, uma vez que para essa peça supostamente influenciar “audívelmente”, deveríamos considerar apenas as cordas soltas sendo tocadas, ou como alguns dizem traste zero, já que para os outros casos, o timbre sairá dos trastes que você tocar.

Assim, a característica mais importante a ser considerada no NUT é a sua capacidade de não “prender” a corda, comprometendo a afinação e o livre deslizamento durante as vibrações das notas. Dessa forma, o ajuste de altura é importantíssimo para uma boa regulagem das cordas e melhorar a tocabilidade. Devemos considerar o “leito das cordas”, ou seja, uma corda com calibre maior deslizando em um NUT com seu leito não adaptado para este calibre da corda proporcionará mais atrito.
Na figura abaixo está demonstrado o que chamamos de “traste zero”. Trata-se de uma das maneiras de diminuir o atrito das cordas junto ao NUT. Isto só funciona se a região (berço) do NUT onde as cordas passam estiver maior que o diâmetro das cordas.
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A outra maneira de usar o “traste zero” é transformar o nut apenas como guia das cordas em direção às tarraxas.
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Outra tentativa em diminuir o atrito ocasionado pelas cordas é o uso de pó de Grafite, que pode ser encontrado em lojas de ferragens ou passando um lápis ou lapiseira no leito das cordas no NUT. Devemos tomar cuidado para não exageramos e deixar suja a escala como na figura abaixo. Percebam que o NUT é de osso, com berços adequados ao tamanho das cordas e lubrificado com Grafite.
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Ao invés do pó de Grafite, o uso de óleos lubrificantes tanto no NUT quanto nos sadlles da ponte, estão ficando cada vez mais comuns. Muitos guitartechs estrangeiros utilizam seringas já carregadas com esses lubrificantes, como nas figuras abaixo. Note que somente uma gota é utilizada por berço, com a corda fora do NUT. 
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Mas de nada adiantará a lubrificação dos berços se não fizermos o ajuste correto considerando o diâmetro das cordas. Como vimos, esse ajuste é importantíssimo para que a corda movimente-se com menos ou nenhum atrito. Veja na figura abaixo uma das situações ideais:
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Você pode me perguntar se um leigo poderia fazer tais ajustes no NUT das suas guitarras. Eu respondo que SIM, se você conseguiu identificar que o NUT é o único responsável por alterações do seu instrumento e se sentir seguro para realizar este trabalho. Mas lembre-se que deve estar preparado para o que possa surgir como conseqüência e se ainda assim estiver inseguro, procure um luthier da sua confiança para fazer o ajuste. Ah, sente-se seguro para seguir adiante? Então fique tranqüilo e leia algumas dicas bem simples para se sair bem dessa tarefa. Vocêe vai precisar de uma pequena lima redonda, encontrada nas lojas de ferragens, para fazer esse ajuste.
O primeiro passo é adequar o diâmetro da corda ao diâmetro do respectivo leito no NUT. Se as alturas das cordas estão corretas, procure não limar em excesso, aprofundando demais o leito. Se fizer isso, essa corda poderá apresentar trastejamento. Neste ponto acredito que um musico inseguro ou inexperiente terá muita dificuldade na determinação do limite e relembro que nesse caso um luthier ou um guitartech serão necessários para o ajuste.
Para quem não pode contar com eles, minha dica é ajustar os berços com muito cuidado. Existem limas próprias (importadas) para este serviço, inclusive no diâmetro das cordas. No meu caso usarei uma lima diamantada comum apenas para a largura e não profundidade.
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Após adequarmos o tamanho do leito para a corda no NUT, passaremos para a parte da lubrificação, que qualquer um conseguirá fazer. Devemos lubrificar para diminuir o atrito, certo? As maneiras mais simples e mais acessíveis além de adaptadas que conheço são:

1. Grafite:
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2. Óleo lubrificante (extrato de limão utilizado na limpeza das escalas):
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3. Óleo de lubrificação de válvulas de instrumentos de sopro:
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Pronto, com o NUT ajustado e as cordas trabalhando livremente, você já tem base para emitir sobre própria opinião sobre qual NUT é o mais apropriado para seu estilo de tocar e para o seu instrumento musical.
Concluindo, quero dizer que para “fatos não há argumentos”. Se por acaso surgir uma oportunidade para você opinar sobre as alterações das frequências ligadas ao material que o NUT é feito, considere que deverão ser adaptados, em uma mesma guitarra, todos os tipos dessa peça e, com o som de uma corda solta, verificar se há alterações de frequências através de um analisador de espectro de áudio, sem espaço para achismos. O ouvido humano é muito complexo e algumas alterações que possam ser percebidas por uma pessoa, podem não ser para outra. E com esses conhecimentos, você se torna um consumidor mais preparado e não vai cair em qualquer “historinha”.

Como regra geral, acredito que uma guitarra, que tenha boas tarraxas, ponte, cordas e o NUT bem ajustado e lubrificado, associado a uma boa regulagem lhe trará ótimos resultados.


Fonte: http://blog.santoangelo.com.br/

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Qual a Madeira de seu instrumento ?





Maple, Spruce, Poplar… se você entende um pouco de instrumentos musicais já deve ter se deparado com esses nomes. Mas se você não conhece todos eles, vamos dar um explanada.

Antes de mais nada, é importante dizer que a madeira utilizada na fabricação de um instrumento é responsável por grande parte das suas características sonoras(como o timbre e o sustain) e claro, pelas características estéticas. É interessante notar que a madeira tem funções diferentes, dependendo da área em que será utilizada (tampo, laterais, braço, escala, fundo).

Vale lembrar que as principais madeiras usadas não representam todos os aspectos tonais do instrumento. Design, perícia do fabricante ou do luthier e qualidade de cada peça da madeira utilizada também são fatores importantes. Dito isso, já podemos falar um pouco sobre cada tipo de madeira.



Esta madeira norte-americana, de baixa densidade, é a mais utilizada hoje em dia para a fabricação do tampo, e o Sitka é a espécie mais comum. Sua alta rigidez, combinada com características macias e leves, faz com que soe naturalmente com uma alta velocidade de som.
Mesmo sendo tocado com força, essa madeira consegue soar com clareza, o que faz do Sitka uma excelente escolha para músicos cujo estilo exige uma resposta dinâmica ampla e um tom mais robusto. Por outro lado, a falta de uma tonalidade mais complexa faz com que Sitka soe um pouco fino aos leves toques, mas claro que tudo depende do desenho do instrumento e das demais madeiras envolvidas.



O Ovangkol é uma madeira original da África Ocidental. Normalmente, sua coloração vai do amarelo-marrom a marrom-escuro e possui listras que vão do cinza ao quase preto. A diversidade de Ovangkol e padrão de grão assemelham ao jacarandá da Índia oriental. Ele também compartilha algumas características com tons rosa, mas ostenta o “brilho” vivo encontrada em madeiras de média densidade, tais como o mogno, nogueira e koa.
Apesar de ser largamente utilizado em luthierias, o Ovangkol é uma madeira bastante exótica. Ela concebe timbres mais cheios e envolventes, corrigindo um pouco o déficit dos “médios” de outros violões Folk.



A Koa é uma madeira original do Hawaii, que parece estar em extinção, e por isso é mais cara e difícil de encontrar. Essa madeira, de média densidade, é muito usada em tampos, fundos e laterais de instrumentos acústicos. Tem desenho exótico, mas discreto, com uma coloração variando do rosa alaranjado até o marrom avermelhado.
É uma espécie de prima rica (em todos os sentidos) do mogno. Ela tem sido cada vez mais usada pelo pessoalfingerstile (cordas de aço) por causa da boa definição sem ser seco demais.



A Ash é uma madeira dura, porosa e de densidade média, mas muito bonita e com um som brilhante. Existem o Light Ash ou Swamp Ash, que é mais leve e tem um som menos encorpado, sendo que as fábricas preferem essa madeira ao Ash convencional, para que o instrumento não cause dor de coluna nos músicos.
Um instrumento com corpo feito em Ash é certamente mais pesado do que um em Alder, característica que favorece os médios e agudos. Esta madeira foi usada nas primeiras stratos e nas teles.



A Poplar é uma madeira fibrosa, densa, mas bastante leve e extraordinariamente ressonante. Quando usada em instrumentos de corpos sólidos, como em uma guitarra, possui um som muito nítido. Conhecida como tulipeiro, yellow poplar ou tulip wood, é uma madeira boa para quem gosta de um som mais limpo.





A Alder (ou amieiro, em português) possui um timbre caracteristicamente mais agudo, alta velocidade de propagação do som e bom sustain. Ela é uma madeira de baixa densidade muito utilizada na construção de corpos de guitarras sólidas, e tem como característica sonora um som mais aveludado com grave bastante profundo. Muitos músicos não gostam da sua aparência estética, mas concordam que ela favorece os médios e agudos. Muito versátil, a Alder fica boa com todos tipos de captadores.



O Basswood é uma madeira de baixa densidade, muito leve, estável e de timbre médio, muito utilizado na construção de corpos e braços de guitarras e contrabaixos, principalmente pelas suas excelentes respostas aos tons graves. Ela tem ataque moderado, umsustain incrível e resolução sonora perfeita; ótima para rock em volumes elevadíssimos, ajudando a não perder a resolução mesmo em altos volumes.
É uma madeira de fácil reflorestamento, que resulta em um bom custo-benefício. Não é ruim, como muitos pensam ser: o problema é que existe muito compensado de Basswood confundindo os menos entendidos.



O Cedro é uma madeira de média a baixa densidade, de fácil manuseio e bom sustain. Ela é muito estável, com timbre mais grave e aveludado. Utilizada na construção de corpos e braços de guitarra e baixo, reforço interno de violão, fundo e faixa de violão ou tampo, esta madeira é esteticamente bastante similar ao mogno, porém sua velocidade de propagação sonora é superior.





Madeira de altíssima densidade, muito sustain e alta reflexibilidade. O ébano tem um timbre agudo e muito estável, é a madeira mais cobiçada para escalas de instrumentos devido a sua dureza e alta resistência a empenamentos.
Sempre foi a favorita para a confecção das escalas de instrumentos musicais devido à sua grande dureza e resistência ao desgaste mecânico. Sua coloração negra e exótica cria um contraste muito bonito com o prateado dos trastes. Tem variedades originárias da África Continental, Madagascar e Índia. Atualmente, trata-se de uma madeira muito rara, quase beirando a extinção. Por ser de alta densidade e cara, é utilizada apenas nas escalas de instrumentos “top de linha” ou feitos por luthiers.



O jacarandá (também conhecido como rosewood) é a madeira preferida por luthiers do mundo todo para laterais, escalas e fundo, e em casos raros para o corpo de guitarras e baixos. Madeira de alta densidade, com muito sustain e um timbre grave e estalado, o Jacarandá é sem dúvida a mais cobiçada em instrumentos musicais.
Dentre os jacarandás, o mais apreciado é o baiano (nacional), graças à beleza incomparável e de grande variedade de colorido e figura. Geralmente avermelhada com listras negras, às vezes marrom escura ou quase preta. Suas reservas estão praticamente extintas, mas ele ainda pode ser encontrado nas regiões de Mata Atlântica brasileira. Sua exploração comercial está banida há vários anos.



Esta madeira tem cor clara e muito brilho natural. Sua sonoridade é diferente dos Jacarandás, pois não é tão profunda e não tem tanta sustentação, mas possui grande projeção e muito equilíbrio entre as frequências agudas, médias e graves. Estável e resistente, é originária das florestas de clima temperado da Europa e da América do Norte.
O maple é uma madeira muito utilizada na fabricação de fundos e faixas dos instrumentos da família do violino e das guitarras archtop acústicas, tampos de violão, braços e corpos de guitarra, devido ao desenho dos veios da madeira. Em alguns casos é possível encontrar escalas feitas com essa madeira, embora não seja a melhor escolha, por ser relativamente porosa, macia e clara. Portanto, se não for envernizada, a escala poderá sujar rapidamente.



Encontrado no Paraguai, Uruguai e Argentina, o marfim é uma madeira de grande beleza e relativamente fácil de ser encontrada nas madeireiras do Brasil, devido à sua popularidade como material de acabamento de interiores de residências e móveis. Sua densidade é boa e similar a dos Jacarandás, apresentando diversos tipos de figuras e podendo ser reta ou ondulada como o maple.
Os instrumentos feitos com esta madeira têm um bom som, porém com um pouco menos de sustentação que os de Jacarandá. Com um timbre agudo e grande resistência mecânica, ele é muito utilizado na fabricação de braços de guitarra e baixos e filetes decorativos. Tem boa estabilidade quando bem seca e quarteada, com uma coloração dourada clara e um brilho muito bonito.



Madeira de alta densidade, com muito sustain, média estabilidade, timbre grave e encorpado, além de uma grande resistência mecânica. O mogno, também conhecido como Mahogany, é muito utilizado na fabricação de corpos e braços de guitarras e baixos, fundo e faixa de violões.

Existe uma variedade bem grande de mogno, com texturas e influências diferentes. Mas de forma geral, para o tampo, ele tem um forte punchy produzindo bons sustenidos e uma velocidade de som relativamente lenta. Para o fundo e nas laterais, o mogno tem uma velocidade relativamente alta de som, tendendo a enfatizar os graves e agudos.

O mogno brasileiro é uma madeira de comercialização proibida em face do perigo de extinção, por isso é também uma das madeiras mais nobres e caras para a lutheria.



O marupá é uma madeira de média densidade, com bom sustain e boa estabilidade, além de um timbre agudo e boa resistência mecânica. É muito utilizada na fabricação de tampos, corpos de guitarra e baixos e em reforços internos de violões, o que garante um instrumento leve. Assim como o mogno, o marupá é uma madeira com baixa velocidade de propagação do som.

Encontrada na região norte do Brasil, é vulgarmente conhecida como caixeta, por ser utilizada também na fabricação de caixas de feiras. Esta madeira tem a textura e as características físicas muito parecidas com a do cedro rosa, diferindo apenas no cheiro e na cor. Seu cheiro é bastante neutro e a cor é um branco amarelado que cria um contraste bonito com madeiras mais claras como o mogno e o cedro. Geralmente os instrumentos fabricados com ela são pintados pelo fato de a madeira não ser bonita.

É uma madeira geralmente utilizada no Brasil para palitos de picolé e fósforo, cabos de vassoura, brinquedos e caixas de frutas. Todo mundo conhece o Marupá :). "Caxeta" ou "Caixeta" é um nome genérico dado a várias espécies similares, entre elas o Marupá. ( saber disso decepciona muita gente, mas vamos deixar isso pra um post mais técnico).



O pau-brasil possui um sustain constante, ataque moderado com uma boa massa sonora final. Também conhecido como pau-pernambuco, palo brasil ou pernambuco wood, é originário da na Mata Atlântica, mais precisamente no litoral da região nordeste e sudeste brasileira. Como é uma madeira rara, virtualmente extinta na natureza, seu preço e uso são proibitivos.

É uma madeira adequada apenas para a confecção de arcos de violino, viola, violoncelo e contrabaixo. Eventualmente pode ser também utilizada para a confecção de escalas, fundo e lateral de violão e para percussão, essa madeira é melhor para palhetadas e não tão boa para o dedilhado.