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sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Criando "Riffs" de Guitarra!


Encare o fato: um bom riff é meio caminho para uma boa música.

Outro fato: criar um bom riff ou até mesmo um excelente riff não é algo complexo. Na verdade, os riffs mais admirados são os mais simples.

Então, você está pronto para entender os componentes de um riff e aprender a manipulá-los como quiser?

Riffs são simples, então vamos manter esse artigo simples também. Riffs são crus. E é isso que faz você sentir o peso de cada nota através dos amplificadores. Ao final do artigo, você deverá entender um pouco mais sobre o porquê dessa fórmula.

Guitarristas bons de riffs nunca foram para faculdade de música. E o engraçado é que encontramos vários exemplos do oposto - guitarristas que estudaram música a fundo, mais que simplesmente não são grandes criadores de riffs. Para constatar isso, basta explorar as extensas obras de John Petrucci e Steve Vai, que, apesar de terem estudado na melhor universidade de música e terem se tornado dois dos melhores guitarristas que o mundo já viu, não são famosos por seus riffs.

Agora vamos para os mestres dos riffs. Os caras. Angus Young e seu irmão Malcom Young do AC/DC (sim, Angus não fez tudo sozinho); Jimmy Page, do Led Zepellin; Tom Morello, do Rage Against The Machine e Audioslave; Kirk Hammett e James Hetfield do Metallica; Dimebag Darrell, do Pantera; Eddie Van Halen; Kurt Cobain, do Nirvana; Zakk Wylde (Ozzy) e outros.

Esses guitarristas podem te ensinar muito mais sobre riffs que qualquer professor de guitarra.

Não existe uma receita para criar riffs de guitarra que os melhores guitarristas usam. Mas há algumas coisas que se você souber, ajudarão bastante:

11 Dicas para Criar Riffs de Guitarra

1 - Domine Power Chords
2 - Prefira a simplicidade
3 - Nunca pense que não existem mais riffs clássicos para serem criados (Angus Young sempre te provará o contrário)
4 - Sempre escute os mestres
5 - Tenha uma boa distorção (os outros pedais de efeito não são tão importantes)
6 - Tenha um bom amplificador
7 - Um riff só se torna completo quando tocado com uma banda
8 - Pegada
9 - Solte sua criatividade. Saia tocando
10 - Copie de alguém
11 - Escolha um ritmo marcante

1 - Domine Power Chords
Nem todos riffs são compostos de power chords. Mas a maioria é, podendo ser também uma combinação de power chords com dedilhados. Um power chord carrega a essência de um acorde e é a alma do rock. Você precisa ter mobilidade com power chords ao longo do braço da guitarra, conseguindo mudar rapidamente de um para o outro. Limitações técnicas geram limitações criativas. Exercite seus power chords e quando você precisar deles, eles surgirão com facilidade.

Basicamente, power chords podem ser tocados de duas formas: normalmente ou abafando as cordas. Essa segunda opção é largamente explorada por guitarristas de metal, punk rock e hardcore. Simplesmente, é uma das melhores formas de adicionar peso e deixar os power chords mais carregados. É o que muitos chamam de "pegada".

2 - Prefira a simplicidade
Quanto mais simples, mais fácil de ficar na cabeça das pessoas. Um riff deve ser cíclico. Isto é, algo que possa ser tocado repetidamente, encaixando o início do riff após seu final e assim por diante. E, quanto mais simples for um riff, mais provavelmente ele será cíclico. Simplicidade quer dizer poucos acordes. Para verificar se seu riff é simples, cantarole-o. Você deve conseguir reproduzi-lo com sua voz.

3 - Nunca pense que não existem mais riffs clássicos para serem criados (Angus Young sempre te provará o contrário).
É normal cair na armadilha de acreditar que "já existem centenas de músicas muito boas, logo não há mais músicas boas para serem criadas". Além de essa crença ser falsa, o oposto é verdadeiro. Pelo que parece, quanto mais músicas são criadas, mais são alimentadas as criatividades de músicos no mundo inteiro.

4 - Sempre escute os mestres
Quanto mais músicas e guitarristas diferentes você conhecer, melhor. Isto lhe ajudará a manter sua mente sempre aberta, além de desenvolver sua "cultura musical". Não há melhor forma de se aprender do que através de exemplos. Aprenda a tocar novos riffs. Isto fará com que você veja o braço da guitarra de diferentes formas.

5 - Tenha uma boa distorção (os outros pedais de efeito não são tão importantes)
Aquilo que você toca depende da sonoridade que você tem em mãos. Um bom pedal de distorção (ou até mesmo a distorção de um bom amplificador) possibilita adicionar peso aos power chords e intensidade as notas dedilhadas. Até mesmo o melhor guitarrista do mundo não conseguirá um bom som se o equipamento não for de qualidade. Existem dezenas de tipos de distorção. É importante conhecê-las bem para saber qual é melhor para o som que você quer tirar.

Vale ressaltar que uma boa distorção é essencial para quem costuma tocar abafando os power chords.

6 - Tenha um bom amplificador
Todo o som da guitarra sai do amplificador. Quanto melhor for o amplificador, melhor será o som. A importância de ter um bom som, é que ele dá inspiração para criar novos riffs, enquanto que sons fracos apenas dão vontade de parar de tocar.

Só quem já tocou num bom amplificador sabe a diferença. Cada nota ganha muito mais presença e força. E quando se trata de criar riffs, isso é ótimo, pois tudo que você precisa é encontrar uma sequência de notas bem marcante. Um amp bom te ajuda a perceber que são necessárias poucas notas para causar a dose certa de impacto. Ou seja, ele te ajuda a manter a simplicidade.

Para entender a importância do amplificador, imagine-se tocando seu riff favorito numa guitarra com o amp desligado. Apesar de o riff ser bom, você só conseguirá perceber (e sentir) isso quando ligar o amp. O mesmo vale para comparar um amp fraco e um amp bom. Com um amp melhor, a sua percepção também fica melhor.

7 - Um riff só se torna completo com uma banda
Escutar um riff sendo tocado apenas pelo guitarrista é algo totalmente diferente de escutar a banda inteira tocando. Portanto, não espere que seus riffs sejam impressionantes quando estiver tocando-os sozinhos. Você só saberá o quão bons eles são quando tocá-los com o resto da banda. E é claro que a banda também influencia bastante a forma como o riff é tocado.

Um dos principais pontos a serem entendidos sobre os riffs é que eles sempre serão uma questão de ritmo. Sendo assim, esse é um daqueles momentos que o guitarrista deve se unir ao baterista. Apesar de os dois instrumentos serem totalmente diferentes, eles devem se tornar um só, um completando o outro.

Dois exemplos de guitarristas incrivelmente sintonizados com seus bateristas são o caso de James Hetfield e Lars Ulrich - os fundadores e principais compositores do Metallica - e Dimebag Darrell e seu irmão Vinnie Paul, do Pantera. Escute no vídeo abaixo a música Regular People que é uma sequência de riffs carregados de peso. Note como a guitarra está "grudada" na bateria.

8 - Pegada
Muitos falam em "pegada". Mas geralmente não se fala muito sobre o que é pegada. As pessoas simplesmente sabem identificar quando um guitarrista tem essa qualidade. Pegada é simplesmente a forma de tocar uma música.

Imagine dois guitarristas tocando a mesma música, com exatamente as mesmas notas e a mesma marcação de tempo. Com certeza, os dois tocarão de formas diferentes. O guitarrista que tem mais pegada é aquele que sabe que não basta tocar certo. É preciso incrementar cada fraseado com pequenos detalhes, talvez quase imperceptíveis para os desatentos, mas que em conjunto transformam a música.

Pegada também pode ser entendida como uma combinação de feeling e técnica. Feeling para saber o que tocar e técnica para saber como tocar.

Um ótimo exemplo de um riff com pegada é o da música Man In The Box, do Alice In Chains. O riff consiste em apenas um power chord, que é tocado de forma assombrosamente simples.


E aqui vai nossa principal dica: para ter pegada, você precisa ter uma forte noção de ritmo. Treine com um metrônomo (marcador de tempo), toque acompanhando uma música. Faça qualquer coisa, mas nunca deixe de prestar atenção na batida e no tempo! É preciso descobrir que a guitarra também é um instrumento de ritmo e que ela pode e deve manipular o tempo da música.

9 - Solte sua criatividade
Isso mesmo. Depois de ler esse artigo, você não irá pegar a guitarra e criará logo de primeira um excelente riff. Soltar sua criatividade significa fazer várias tentativas. Aqui a matemática conta a seu favor. Existem (literalmente) milhões de combinações de notas e ritmos para se experimentar. Não tente acertar. Deixe fluir e você mesmo se impressionará com sua espontaneidade.

10 - Copie de alguém
Isso pode parecer babaquice, mas do ponto de vista teórico, faz bastante sentido. Uma mesma progressão de acordes pode ganhar uma sonoridade inteiramente diferente ao ser tocada com uma velocidade ou ritmo diferente. Por exemplo, os mesmos acordes, tocados na mesma ordem, podem servir tanto para um reggae quanto para um punk rock. Além do mais, cada música que você escuta pode ser considerada parecida com alguma outra música (só que você talvez não saiba qual). Mas isso não significa que ela deixa de ser original, muito menos de qualidade.

Existem várias formas de "copiar" alguém. O ideal é se inspirar numa combinação de acordes (ou power chords) e fazer mudanças, podendo tirar ou acrescentar notas. O resultado final pode ficar totalmente diferente da música original e, em poucos minutos, você terá uma música nova.

11 - Escolha um ritmo marcante
Experimente pegar um riff que você goste de alguma banda e tocá-lo em um ritmo diferente, tentando de propósito estragar a música. Você verá como é fácil fazer isso. Para criar um bom riff, o que você precisa fazer é justamente o contrário. Experimente tocar o riff que você está criando em diferentes ritmos até encontrar aquele se encaixe perfeitamente. Você saberá quando encontrá-lo.

O melhor exercício para desenvolver essa habilidade é bem simples. Escolha um power chord (por exemplo, o de Sol - na 3ª casa da 6ª corda) e invente o máximo de formas possíveis de tocar esse power chord. A sua mão esquerda fica parada. O que muda é apenas a frequência e força com que a sua mão direita toca as cordas.


Atenção: não se deixe confundir pelas dicas acima. A regra mais importante a ser lembrada é "Se soa bem, então é bom".

#Riffs #Riff #Guitarra 

fonte:http://www.guitarcoast.com/2009/10/como-criar-riffs-de-guitarra.html

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Senso Musical


Senso musical, o que será que quero dizer com isso? Pois bem me refiro ao fato de você ao estar tocando, estar improvisando ou até mesmo compondo algo e ter o exato domínio sobre as coisas, ou fechar os os olhos para tudo e apenas deixar fluir.
Chega até ser uma situação curiosa, pois estudamos anos de nossas vidas para absorvermos o máximo de conteúdos e recursos para tudo e chega um momento que parece que a solução é exatamente o contrário!

Já compus música de todo jeito e foi bem legal. Em inúmeras situações, por que a concepção artística de estar criando músicas é tão legal e ampla, que te domina e te tira desse sentido óbvio e

meio a tudo isso você tem seu conhecimento, a sua consciência, algo que te prende na "verdade!". Costumo dizer que uso o conhecimento para limitar minha loucura musical!(rs)
Ou será que eu deveria estar fazendo o contrário?

Eu acredito que tudo é válido na intenção de criar uma boa música, para isso nunca pode haver limitações! O senso é você estar atento à tua o que está rolando o não senso é estar em um plano acima disso e de fato isso não é nada fácil!

Devemos exercitar nossa intuição musical, e ao trabalhar a improvisação, também estudar sem depender muito das escalas, improvisar pensando nas notas, sem usar as escalas, apenas tocar, deixar fluir! Independente do que isso seja!

No começo isso pode até uma sensação divertida e que vai ser fácil, pois se eu consigo improvisar com as escalas, sem elas será muito mais fácil e eu poderei criar inúmeras situações legal. Mera  Inocência de nossa parte!

Faça o teste, muita gente vai improvisar dessa forma e não consegue sair da primeira nota. E é aí que entendemos que conhecimento não é tudo, e se você não souber como conduzi-lo ele pode te limitar muito! Você não pode deixar o conhecimento te dominar, você que tem que ter o domínio sobre as coisas, você conduz!

Muitas vezes perdemos ideias incríveis, por apenas estarmos presos na 'censura do conhecimento!' Entendem o ponto que eu quero ressaltar? Há inúmeros guitarristas (compositores em geral) que criaram coisas incríveis, sem ao menos saber o que estava sendo feito! Não que devemos abandonar tudo, esquecer nossos estudos e dar um rumo no mundo! O estudo é vital! Porém você deve ter o domínio sobre o que está sendo feito. Afinal o compositor é você!

Por isso que essa questão de composição cai em um conceito muito volátil! Tudo depende da intenção do compositor, por isso que acho que regras e fórmulas são coisas muito pequenas diante da grandeza artística da composição.

Gênios.... O que falar sobre eles e quem são eles? Por que consideramos alguém genial... Hendrix, Steve Vai, ou até por que não Kurt Cobain!!! O que seria ser genial??

Por inúmeros fatos eu curto muitos e muitos compositores, desde os mais 'certinhos' até aqueles mais doidos, um exemplo disso o Buckethead, incrível como ele consegue gerar som de tudo! "Não existe laranja podre pra ele!". Como é incrível seu processo de composição e como ele nega e contradiz muita coisa, e isso soa de forma muito boa, as vezes o cara chega exatamente naquele ponto onde só há contradições rítmicas e faz um baita som.... sempre muito bom de se escutar.

Alguns caras eu consigo entender e explicar, no momento chamo de genial aquele cara, o qual eu não consigo entender a lógica de raciocínio e não consigo explicar o por que daquilo!

Sempre fui muito racional ao estudar música, sempre fui daqueles caras, que gosta de visualizar as coisas, logo estudei bastante teoria, não me gabando, mas são poucos os conceitos que hoje em dia me pegam desprevenido sem que eu consiga explicar ou deduzir o que ali está rolando e isso é muito legal e eu de fato gosto desse tipo de coisa, pode ser que daqui há dez anos eu venha a entender a incógnita de hoje, é sempre bom estar se aplicando, estar na inquietação, procurando coisas novas, ampliando seus conhecimentos!

A música é muito ampla, e somos uma mínima parcela (quase não considerável) de tudo isso!

Por fim a música está acima de qualquer conceito, técnica ou habilidade, até mesmo as questões de vaidade que nos faz pensar sempre em algo mais rebuscado, em diversas situações é aquele acorde simples que vai resumir suas ideias.

Acredito que o importante é pensar mais na música e não nas possíveis fórmulas, no fim criamos uma dependência muito grande desses recursos, que são sim importantes mas que, não podem nos dominar, quem faz a música é o músico e não a teoria, essa é um auxílio para isso tudo!

É engraçado o fato de estarmos estudando por anos à fio e depois passar um outro grande tempo estudando para saber o que devemos priorizar em nossas composições, é uma situação engraçada, difícil até de se explicar, mas é muito importante refletirmos um pouco sobre.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Desenvolvendo Melodias




Desenvolvimento Melódico

Uma de nossas principais preocupações deve ser tocar melodicamente. Isso não necessariamente significa tocar bonitinho, mas é preciso haver algum senso de continuidade para suas linhas melódicas, e elas precisam ser interessantes em si mesmas. Você também precisa estar consciente do desenvolvimento rítmico e harmônico de suas improvisações; eu incluo esses conceitos na expressão "desenvolvimento melódico". Isso é difícil ensinar, e é provavelmente o aspecto da improvisação que requer mais criatividade. Qualquer um pode aprender as relações entre acordes e escalas; o que você faz com esse conhecimento é o que determina como sua música vai soar. O livro How To Improvise, de Hal Crook, tem muitas informações sobre o desenvolvimento melódico, especialmente sobre variação rítmica, voltadas para o músico de nível intermediário, enquanto The Lydian Chromatic Concept Of Tonal Organization For Improvisation, de George Russell, e A Chromatic Approach To Jazz Harmony And Melody, de David Liebman,  contêm discussões avançadas e muito técnicas sobre desenvolvimento harmônico.


Intensidade

Você precisa estar consciente do contorno de seu solo. Uma maneira comum de estruturar um solo é baseada no modelo de como se conta uma história. Você começa de maneira simples, vai acrescentando uma série de tensões menores até um clímax, e aí chega a uma frase de desfecho. Isso funciona bem na maioria das situações. No entanto, você pode querer ocasionalmente variar desse formato. Você pode decidir começar com mais força para abrir seu solo, ou pode querer encerrar bem no clímax, e deixar de lado o arremate. 

Pode querer manter todo o solo com um baixo nível de intensidade para passar uma sensação relaxada, embora você nem por isso vá querer entediar seus ouvintes. Pode querer manter o nível de intensidade num ápice controlado. Mais ou menos como um comediante trabalhando num auditório, você pode querer alterar suas estratégias à medida que avalia o clima da plateia. Você deve se esforçar para ter o controle da resposta emocional que sua música gera nos ouvintes.

Há alguns expedientes comuns que podem ser usados para estruturar seu solo. Um dos mais importantes é a repetição. Depois que um solista toca uma frase, ele frequentemente repete ela, ou uma variação dela. Geralmente a frase, ou a variação, é tocada três vezes antes de se passar para alguma outra coisa. A variação pode ser transportar a frase, ou alterar notas importantes dentro dela para conformar a frase a um novo acorde/escala. A variação pode consistir simplesmente de começar a frase num ponto diferente do compasso, como no terceiro tempo em vez do segundo. A frase em si pode ser alterada ritmicamente, tocando-se mais devagar ou mais rápido.

Relacionada à ideia da repetição, está a ideia de pergunta e resposta. Em vez de repetir a frase original, você pode considerar a frase como uma pergunta ou chamado, e continuar com uma resposta. Esta é a analogia musical a perguntar "você foi à loja hoje?", e então responder "sim, eu fui à loja hoje".

Na maioria dos instrumentos, você pode aumentar a intensidade tocando com mais volume, mais alto, e mais rápido; tocar mais suave, mais baixo, e mais lento geralmente reduz a intensidade. Tocar padrões rítmicos simples, como semínimas e colcheias onde o acento cai no tempo, é geralmente menos intenso do que tocar ritmos mais complexos, tais como ritmos sincopados, onde a maioria dos acentos cai fora do tempo. Uma hemíola é um tipo particular de esquema rítmico em que uma métrica é superimposta a outra. Um exemplo disso é o uso de tercinas de semínimas quando se toca num compasso 4/4.

Uma nota longa sustentada consegue também gerar intensidade na maioria dos instrumentos, embora os pianistas talvez precisem usar trinados ou oitavas quebradas ("rolling octaves") para alcançar esse tipo de sustentação. Uma única nota ou frase curta repetida inúmeras vezes consegue produzir uma espécie similar de intensidade. Você precisa usar seu próprio julgamento para decidir o quanto é o bastante.

Construção de Frases

As relações entre acordes e escalas não devem ser vistas como sendo limitadoras ou determinantes de sua escolha de notas. Elas são simplesmente um auxílio, uma maneira de ajudar você a relacionar ideias que possa ter a dedilhados em seu instrumento. Suas ideias não devem, entretanto, ser ditadas pelas escalas. Observe que muito poucos cantores de jazz usam escalas extensivamente; eles geralmente conseguem traduzir uma ideia para suas vozes mais diretamente. Por esse motivo, os instrumentistas devem praticar a improvisação cantando, além de praticar seus instrumentos. Não importa o quanto sua voz possa estar destreinada, ela é mais natural a você do que seu instrumento, por isso você pode chegar à conclusão que consegue desenvolver ideias melhor cantando-as em vez de tocando-as. Os cantores também são geralmente limitados em sua capacidade de cantar ideias harmônicas complexas, entretanto, porque eles não têm dedilhados bem praticados para os quais retornar. A teoria das escalas pode ser de fato uma fonte de ideias; só assegure-se de que ela não é sua única fonte.

Tente tocar linhas melódicas escalares que sejam baseadas principalmente em graus conjuntos, linhas angulares que sejam baseadas principalmente em saltos, bem como linhas que combinem as duas abordagens. Além de se preocupar com a escolha das notas, tente variar o conteúdo rítmico de suas ideias. Improvisadores iniciantes geralmente tocam inconscientemente quase todas as suas frases com somente umas poucas bases rítmicas. Tente tocar linhas que sejam baseadas principalmente em mínimas e semínimas, linhas que sejam baseadas principalmente em colcheias e tercinas, bem como linhas que combinam as duas abordagens.


quarta-feira, 30 de março de 2016

Flow (fluxo)

Fluxo (do inglês: flow) é um estado mental de operação em que a pessoa está totalmente imersa no que está fazendo, caracterizado por um sentimento de total envolvimento e sucesso no processo da atividade
Apesar de todos os componentes abaixo caracterizarem o estado de fluxo (flow), não é necessária a presença de todas estas sensações para experienciar o estado de fluxo:
1.   Objetivos claros (expectativas e regras são discerníveis).
2.   Concentração e foco (um alto grau de concentração em um limitado campo de atenção).
3.   Perda do sentimento de auto-consciência.
4.   Sensação de tempo distorcida.
5.   Feedback direto e imediato (acertos e falhas no decurso da atividade são aparentes, podendo ser corrigidos se preciso).
6.   Equilíbrio entre o nível de habilidade e de desafio (a atividade nunca é demasiadamento simples ou complicada).
7.   A sensação de controle pessoal sobre a situação ou a atividade.
8.   A atividade é em si recompensadora, não exigindo esforço algum.
9.   Quando se encontram em estado de fluxo, as pessoas praticamente "se tornam parte da atividade" que estão praticando e a consciência é focada totalmente na atividade em si.


“Flow” é uma coisa que só quem já experimentou sabe o que é

Trata-se de algo que não se pode ver, apenas sentir. Flow está em todas as atividades, mas é especialmente relevante para aquelas em que não queremos pensar em cada passo que estamos dando. Isso faz toda diferença. Imagine um surfista descendo uma onda de 10 metros a uma velocidade absurda. A onda se transforma a cada milésimo de segundo, tornando-se algo novo a cada instante. A prancha em seus pés treme o tempo todo e seu equilíbrio é desafiado continuamente. Muitas vezes essa experiência da onda gigante dura apenas alguns segundos e mesmo que o surfista pratique por décadas, ele nunca verá a mesma onda duas vezes. Então, como se sair bem numa situação dessas?

E o que isso tem a ver com solos de guitarra?

Comecei esse artigo falando do surfista porque essa é uma situação que todo mundo consegue visualizar e entender como é complexa e rápida. Nesse tipo de experiência, o cérebro também precisa agir de uma forma complexa e rápida. Ele precisa entrar em flow.

Na guitarra e violão, vivemos essa mesma situação, mas com bem menos adrenalina. Assim como o surfista, quando estamos solando, especialmente em solos rápidos, precisamos tomar 10 decisões em 1 segundo. Para começar, o mais óbvio é que o tempo todo estamos fazendo dois movimentos completamente diferentes com cada mão, e eles precisam estar profundamente sincronizados. Precisamos abafar as cordas que não estão sendo tocadas para que elas não gerem ruídos indesejados. Precisamos palhetar cada nota com a força certa, umas mais fortes, outras mais fracas, para gerar aquela sensação de um som natural, que flui como em uma conversa. Agora, os dedos da mão esquerda, que pressionam cada nota no braço da guitarra. Você sabe que, se botamos pouca pressão nos dedos, as notas não soam bem, e se apertamos muito, o movimento fica travado. Mas, finalmente chegamos a melodia. Afinal, música é algo sublime, difícil de explicar. Ela deve produzir efeitos em nosso ser, alterar a forma como nos sentimos. E como fazer isso acontecer enquanto estamos tocando? Numa situação de improviso, onde você está criando um solo ao mesmo tempo em que a música está rolando, a melodia deve ser criada instantaneamente, e ela tem que fazer sentido. Quem escuta não pode nem desconfiar que você está criando algo na hora. Não pode ter erro, nem técnico, nem melódico. Um detalhezinho estraga tudo. Ou... transforma tudo... para algo totalmente inesperado.

Um improviso precisa ter esse elemento de surpresa
Um improviso precisa ter esse elemento de surpresa para a própria pessoa que está tocando, pois é essa capacidade de se deixar surpreender com suas próprias notas que permite você entrar num estado onde as coisas vão acontecendo através de você, como se você virasse um condutor por onde a música flui. O resultado é maravilhoso - um solo que estará gravado para sempre e que você e outras pessoas poderão escutar e sentir prazer.

Tudo que narrei é algo que conseguimos fazer graças a um mecanismo de nossa mente, que nos coloca num estado de alta performance, onde nos sentimos incrivelmente bem no que estamos fazendo. Às vezes, essa sensação dura pouquíssimos segundos e, quando passamos por algo assim, passamos a vida inteira tentando gerar essa sensação novamente. E será que conseguimos?

Esse é o estado de FLOW

Não é uma coisa simples que ocorre. Na verdade, quando entramos em flow, inúmeras mudanças químicas ocorrem dentro de nós. Hormônios e neurotransmissores são produzidos em nosso corpo e nos fazem sentir algo extasiante, como se fosse um chamado para fazer algo maior. Certas áreas do cérebro são inibidas para que as coisas fluam. Em situações onde um décimo de segundo faz diferença, não dá tempo de ficar parando pra pensar "será que estou fazendo a coisa certa?". É necessário entrar num estado de alta confiança, onde você faz as coisas com tanta naturalidade, que é como se elas estivessem em piloto automático. Você não está pensando em cada movimento, você está apenas fazendo. Múltiplos estímulos fluem através de você e, em tempo real, você consegue tocar um solo que nunca existiu.

Agora, o FEELING

E isso nos leva a uma palavra que já conhecemos, o FEELING, que na minha definição é tocar as notas certas, na hora certa, da forma certa. É claro que não existe certo e errado, mas aqui quero dizer que feeling é quando você é capaz de tocar de uma forma que, para quem escuta, soa inexplicavelmente bem. 

FLOW e FEELING são diferentes

Flow é esse estado mental que descrevi acima, que ocorre em diversas atividades, seja música, surfe, vídeo-game, escrever um livro, etc. Feeling é relacionado ao flow. Apesar de não ser necessário entrar em estado de flow para tocar com feeling, quando isso ocorre, quando você junta os dois, o resultado é impressionante. É quando, por exemplo, alguém toca com grande habilidade e, ao mesmo tempo, cria um solo bonito, tão melódico que chega a fazer você sentir um arrepio.

Mas, em certas situações, para solar com feeling, é necessário estar em flow. Simplesmente, não funciona tentar seguir uma linha racional e agir de forma puramente mecânica. Dizem que para ser criativo é necessário deixar seus julgamentos de lado por um momento. Na música isso também é verdade. Imagine que experiência chata seria compor uma música tentando pensar puramente de forma racional, tentando julgar nota por nota e ver se elas estão de acordo com supostas regras que você aprendeu? Eu prefiro encarar as regras como guias, que podemos seguir ou não. E, num estado de flow, essa necessidade intensa que temos de aprovação é temporariamente desligada. Teoricamente, fica mais fácil ser criativo. E fica mais fácil se permitir sentir coisas, entender isso e transmitir para o instrumento.

Como solar com FLOW?

Em situações complexas, precisamos pensar em blocos. Durante um solo, não pensamos em cada pequeno detalhe dos bends e vibratos, apesar de cada um deles ter sua individualidade. Nós simplesmente fazemos do jeito que sentimos que será melhor. Precisamos saber como sentimos cada nuance de um bend ou vibrato e que efeitos eles geram. Para isso, precisamos ter em nossa memória sensorial um arsenal de experiências, isto é, tocar e tocar e observar cada detalhe.

Outro exemplo sobre pensar em blocos são as escalas. Cada escala é um bloco com notas prontas para gerar certa sonoridade. Quando você escolhe usar a escala pentatônica, por exemplo, você sabe como ela vai soar. 

E continuamos indo mais além com os blocos. Para cada escala, temos desenhos diferentes (ou 'shapes'). Então, num solo de rock, por exemplo, primeiro escolhemos certa escala pentatônica, e depois escolhemos determinado desenho dessa escala para uma parte do solo.

Devemos parar por aí?

Ou podemos continuar criando e usando outros blocos? Podemos sim, claro!

Os licks prontos são outro exemplo de blocos, mais avançados, pois já contêm notas que criam frases inteiras e com algum sentido musical. Pode parecer que licks desincentivam a criatividade, mas é justamente o contrário. Um lick que você conhece é como uma palavra nova em seu vocabulário que permite você se expressar melhor. Você, como guitarrista ou violonista que quer melhorar seus improvisos, precisa melhorar seu repertório de ideias e vocabulário de frases. São elas que serão acessadas e modificadas quando você entrar em estado de flow. Afinal, milagres não acontecem. Você colhe o que planta.

Você fica restrito às suas limitações físicas

Outro ponto é que, mesmo em estado de flow, você fica restrito às suas limitações físicas. Se você nunca treinou certa técnica, ou nunca tocou em determinado tempo, mesmo que no estado de flow as coisas fiquem "mais fáceis", você não vai magicamente aprender algo que nunca praticou. É aí que entra o treino do dia-a-dia, para melhorar sua técnica e expandir seus horizontes musicais.

Mas, e como entrar em flow?

Flow não ocorre simplesmente apertando um botão ou girando uma chave. Flow é uma consequência de uma cadeia de acontecimentos. Existem duas vertentes. Uma é quando você se vê numa situação onde você entrou em flow sem esforço, como se algo tivesse acontecido, e você simplesmente flui naquilo que está fazendo. Outra é quando você cria uma cadeia de eventos que vai culminar em um estado de flow planejado. Por exemplo, você pode treinar seus solos todo dia para que no dia da gravação da sua banda você entre nesse estado e consiga tocar de forma perfeita. A repetição e a experiência sensorial vão criar reações instintivas em você e parecerá que seus dedos estão sendo magneticamente atraídos para tocar da melhor forma, como um rio seguindo seu fluxo normal.

Você já escutou o solo de Sweet Child O' Mine do Guns N' Roses? Algumas pessoas acham que ele foi escrito nota por nota. Eu não sei, mas prefiro acreditar que o Slash tocou esse solo de forma natural e que as ideias foram fluindo uma após a outra.


terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Porque algumas improvisações não soam como Música.



    Você já pratica a inúmeras horas, você conhece as posições da escala e os dedilhados como a palma de sua mão, você já consegue a tocar mais rápido do que todos os seus amigos. No entanto, todos os solos que você improvisa (ou escrito) soam meio sem vida, sem se parecer como “música de verdade”. Por quê? Anos atrás, quando eu era um novato, esse problema foi me deixando louco. Como que pode alguns músicos tocarem apenas três notas e conseguirem fazer soar tão musicalmente bem, enquanto que outros simplesmente não conseguem? Sem se importar tanto assim com a quantidade de prática? Eu descobri que há muitas coisas possíveis que podem dar errado durante a tentativa de tocar melodicamente. Eu compilei uma lista de razões mais comuns que o impedem de ver as suas improvisações deslancharem musicalmente falando, com algumas dicas adicionais de como superar tais dificuldades!
Alguns dos pontos que eu irei levantar aqui são de natureza puramente técnica, enquanto que outros pegam o lado puramente emocional das coisas. Um bom solo (como toda a música) é uma expressão de emoções por parte do tocador. A música é uma síntese de técnica e arte, e para ser um bom músico você precisa ter algo para expressar (emoção) e dos meios para expressar (técnica). Vamos começar a partir das questões técnicas e depois gradualmente iremos ver a parte emocional.
 Vou listas 8 Motivos do porque sua improvisação de guitarra não soa como música!
1. Exagero
A primeira razão é provavelmente a mais comum entre os guitarristas (e bateristas também). Tocar muitas notas é uma característica que define “o guitarrista detestável” que muitos músicos não gostam, sem mencionar a insatisfação do público.
É importante compreender que “exagerar” tem um significado relativo. Algumas músicas podem exigir um solo lento, enquanto outras exigem um solo com um monte de notas e execuções rápidas. Nem todos os rápidos guitarristas são automaticamente culpados por exagerar. Um solo ao estilo Shred requer muitas notas, e se a música foi composta de modo que permita a execução de um solo corretamente, então mesmo o solo mais rápido do mundo não pode ser considerado como exagero. É uma questão de contexto e gosto.
A solução aqui é ridiculamente simples: basta tocar menos notas! Treine-se para improvisar sobre uma backing track usando apenas 1-2 notas por compasso. Se a backing track estiver em 4/4, significa uma nota a cada 2-4 batidas. Parece fácil, mas se você tentar isso na prática, você vai descobrir que você tem que resistir à vontade de acelerar. Não desista!
1 – Ao exagerar com notas supérfluas isso faz com que obscurece uma boa linha melódica. Na verdade, algumas pessoas tocam notas demais ao tentar esconder a falta de melodia em seus solos!
2 – Não é muito importante o quão rápido você consegue tocar, mas sim o quanto é a diferença entre a nota mais lenta e a nota mais rápida que você consegue tocar. Se você conseguir dar bastante contraste entre as passagens mais lentas e as mais rápidas, as passagens rápidas parecerão mais rápidas.
3 – Geralmente é uma boa ideia em deixar os seus licks mais rápidos para o final de seu solo / improviso. Se você tocá-los cedo demais corre-se o risco de ficar sem nada para entreter depois.
2. Fraseado
Após adquirir um pé firme no freio e não exagerar, você vai começar a notar que as notas mais lentas podem não soar tão bem por si só. Mas se começar um desejo bem grande em começar a tocar bem rápido para esconder isso, então resista a este desejo. O problema não está no fato de que você está tocando lentamente: o culpado está na sua falta de familiaridade e de treino com notas longas. Sim, você leu corretamente. Muitos de nós gastam muito tempo de prática para poder tocar mais rápido (um esforço que aplaudo), mas quantos de nós realmente praticam UMA boa nota longa?
Se você praticar com apenas uma nota ao seu dispor, em breve você vai descobrir que as regras do jogo são diferentes. Não se trata apenas do que você toca, mas também a forma de como você toca (ou seja, seu fraseado). Os dois problemas mais comuns que os guitarristas encontram nessa questão são:
1 – Bends fora de sintonia
2 – Vibrato ruim (muito rápido, muito estreito, sem ser regular).
Se você praticar aquilo que eu sugerir acima, ou seja, apenas improvisando com poucas notas longas, você irá começar a notar estas questões. Pois, primeiro você precisa notar os defeitos em sua tocabilidade, para depois corrigi-los. Eu não vou expandir muito sobre esse assunto de bends e vibrato, já que é um tema que requer mais espaço e nós já escrevemos algumas coisas sobre esses conteúdos. O que vou dizer aqui é: reserve algum tempo em sua rotina de prática diária para a prática de notas exclusivamente individuais com bends e vibrato. Um bom vibrato é a assinatura de qualquer bom guitarrista.
3. Notas aleatórias sem visar aos acordes
É claro que, o como que você toca é muito importante, mas o que você toca ainda mantém uma certa importância (notas aleatórias não soam a melodia favorita da maioria). Mesmo se estiver tocando na tônica certa com fraseado bom, às vezes sua improvisação não “cola” em tal progressão de acordes em uma determinada música. Isso acontece porque a qualquer momento na música algumas notas são mais “certas” do que outras. A história curta é: as notas “certas” são aquelas que estão incluídas no acorde que está sendo tocado naquele momento (os chamados “tons de acordes”). Se esta última afirmação não está clara para você, eu vou esclarecer isso em um minuto. Enquanto isso, deixe-me declarar um fato importante: em geral, você não se encontra limitado a tocar apenas notas “certas”. Na verdade, você pode tocar, literalmente, tudo o que você quiser, desde que você termine em uma nota “certa” (esta última afirmação tem um monte de exceções, mas é um bom ponto de partida). Este é o significado da frase frequentemente citada :  “Não existem notas erradas, somente resoluções erradas” frase atribuída por vários músicos do Jazz.
Agora, vamos esclarecer esse conceito: acordes são compostos por pelo menos três notas. Vou dar uma dica para quem é principiante. Por exemplo, o acorde C maior é feito pelas notas: C, E, G. Então, se a backing track estiver tocando um acorde de C maior em um determinado momento, eu tenho que terminar o meu fraseado com alguma nota deste acorde, seja C ou  E ou G. Se o acorde mudar, minhas notas “alvo” também mudam. No início isso parece irremediavelmente difícil de gerir já que:
1 – Exige conhecer o acorde que estiver sendo tocado no exato momento;
2 – Lembrar as notas deste acorde;
3 – Encontrá-las no braço da guitarra;
4 – Tocar tudo ao mesmo tempo!
O lado bom disto tudo é que com um bom treino bem estruturado isso tudo fica fácil. Todos os bons guitarristas praticam treinos visando  essas notas de acordes até se tornar algo natural. A chave para entender isso é usar algum guia visual, como por exemplo no diagrama a seguir que mostra as notas dos acordes de Am e C na escala pentatônica em Am.
Caso esteja em um nível mais avançado aconselharia após a analise da função e identificar a escala a ser usada dentro de um centro tonal, separe as informações, por exemplo :
Cm7 – Dórico, pertence ao Centro Tonal de Bb maior
Notas de Acorde ( tétrades ) C Eb G Bb ( T, 3b, 5, 7b )
Notas de Tensão ( 2/9, 4/11. 6/13 )
Nota evitada ( passagem ) : 6 ( devido o atrito com a 7b )
Tente frasear e fazendo repousos na seguinte ordem : T, 3b, 5, 7, 9, 11, 13 (evitada)

É claro que esse tema exigiria uma explicação mais detalhada, mas por enquanto vamos ficar nessa abordagem mais curta para não desvirtuar o artigo.
4. Deixar de tocar com outros músicos
Como eu costumo dizer, a música é um esporte coletivo. Certamente podemos ter bons momentos nos divertindo sozinhos, mas não é nem perto da diversão que você pode ter ao tocar com outras pessoas (ou tocar para outras pessoas, conforme veremos a seguir). Com isto não quero lhe dizer que é preciso tocar somente com outros guitarristas, mas sim que você deve experimentar em tocar também com baixistas, bateristas, cantores, tecladistas, na verdade com qualquer tipo de músico que você encontrar.
Eu sei que muitos de vocês estão pensando agora: “Mas eu ainda não sou bom o suficiente para tocar com outras pessoas / ter uma banda”. Bem, deixe-me ser franco aqui: se você não sair da casca e tocar com outras pessoas, corre-se o risco de nunca se tornar bom o suficiente! Não tem como aprender a nadar sem nunca ter entrado na água. Se quiser ser um bom jogador de futebol terá que ter um senso de coletividade. Você pode não ser o bom suficiente para jogar uma Copa do Mundo, mas certamente encontrará pessoas dispostas a jogar contigo. O mesmo vale para a música.
A coisa muda muito quando se está tocando com outros músicos, a dinâmica de sua tocabilidade muda completamente. Você vai ter que se adaptar ao que as outras pessoas estão fazendo, e interagir com a música para dar a sua própria interpretação à música tocada. Por isso também é legal ter o acompanhamento de algum tutor / professor ou de alguém melhor do que você para tocar regulamente com você.
5. Deixar de ouvir no que os outros estão tocando
Como dito anteriormente, tocar com outros exige atenção sua no que os outros estão tocando, nessas horas tem que ter os ouvidos literalmente abertos para saber o que e como eles estão tocando. Mas como você pode dizer que realmente está prestando atenção no que outro músico está tocando (ou na backing track)?
1. Quando você ficar a maior parte do tempo olhando para o braço da guitarra sem prestar muita atenção nos outros, então você não está prestando atenção o suficiente. Bons músicos olham para cada um dos integrantes o tempo todo.
2. Se você começar a improvisar assim que a backing track / banda começar, você não está ouvindo. Bons músicos deixam alguns compassos passar antes de improvisar para absorver o feeling, o andamento e as mudanças de acordes durante a canção.
3. Se você estiver apenas à espera de “sua vez para começar a tocar”, você não está ouvindo.
Uma boa maneira de aprender a ouvir é através de uma técnica chamada de “to trade fours”. Você vai precisar de um guitarrista para fazer isso. Ao tocar juntos, por 4 compassos, você estará tocando a base e ele estará solando, e depois nos próximos 4 compassos seguintes vocês trocarão de papéis. Sua tarefa é tocar algo em contexto com o que ele acabou de tocar, de preferência fazendo com que parece que exista apenas 1 solista e não 2.
6. Sem praticar com backing tracks
Mesmo querendo, nem sempre é possível tocar com os outros o tempo todo. Todo bom atleta treina com sua equipe, mas também por conta própria, e nós músicos devemos fazer o mesmo. Backing tracks oferecem uma simulação não-interativa de uma banda que pode ajudá-lo a treinar uma quantidade de coisas diferentes. O bom é que pode ser tocado quantas vezes quiser: as backing tracks nunca se cansarão de tocar. Por outro lado, as backing tracks são menos inspiradoras e menos divertidas do que tocar em uma banda de verdade. Por essa razão, backing tracks não substituem pessoas, mas elas ainda podem ser úteis.
Treinar com backing tracks deve ser parte de sua rotina diária, mas você não deve cegamente improvisar sobre ela. Você deve ter em mente uma técnica ou um conceito que pretende implementar no seu jogo, tais como: “Tocar algumas notas com um bom Vibrato” ou “Vamos tentar implementar este lick que eu acabei de aprender”. Pessoalmente, acho as backing tracks incríveis no quesito aprender a tocar as notas “certas”, como explicado acima. O problema é que você deve conhecer a progressão de acordes da backing track de antemão para ser capaz de atingir os tons de acordes. Dentro do nosso site temos várias backing tracks, inclusive, se quiserem colaborar, ajude-nos com sugestões!
7. Não tocar em público
Por mais estranho que possa parecer, este é um dos principais fatores que podem ajudar na improvisação do seu som. Se você está apenas tocando para si mesmo e sem ninguém para se comunicar, então a sua música não vai soar verdadeira. Em outros casos também, se você estiver em uma Jam Session apenas para impressionar outros músicos, a sua música vai soar artificial. Agora tocar para um público já estabelece outra conexão, por mais minúsculo que o público possa parecer, a comunicação é bidirecional, dessa forma fica mais fácil perceber o nível de sua improvisação através da reação do público.
Eu sei que alguns guitarristas (e eu estou entre eles), cujas improvisações ficam levemente chatas quando estamos  sozinhos (por exemplo, ao gravar em um estúdio), mas quando em frente a um público real eles se tornam capazes de oferecer bons solos. Isso é porque eles estão se concentrando na comunicação com o público, em vez de auto centrar  na sua capacidade técnica.
Eu sei que muitos podem estar pensando “Ah mas eu acho que nunca vou ser capaz de pisar em um palco”, então deixe-me especificar que a palavra “público” não significa apenas tocar para apenas 10 mil pessoas pagantes. Duas ou três pessoas como amigos e familiares já contam como público, já é um ponto de partida: mais uma vez, não espere ficar bom o suficiente para praticar isso, pois caso contrário, esse dia pode nunca chegar.
8. Não ter algo para expressar
Esta é uma parte bem pessoal, e fundamental (se não a mais), aqui pode definir entre uma muito boa improvisação de improvisação alucinante. Afinal de constas, esta é a principal razão que nos motiva a aprender a tocar um instrumento musical. Basta parar por um momento e pensar agora na última música que ouviu hoje antes de ler este artigo (ou na música que você está ouvindo agora). Será que essa música tem um significado ou uma emoção subjacente? É claro que tem sim. Qual é o significado dessa música? Tenho certeza que não será difícil para você responder a essa pergunta, pois uma música é uma expressão do que tem dentro de nós.
É essencial nos expressarmos e transmitir alguma emoção ou sentimento enquanto tocamos, coisa meio escassa hoje em dia. Mas tem um porém, é possível PRATICAR emoções? É sim e eu vou dizer como.
Pegue a sua guitarra, e usando apenas três notas, tente expressar a mais profunda tristeza que você puder. Quais notas você está usando? Como você as está tocando? Você tem apenas três notas, então é melhor escolher bem e tocá-las bem! Agora, faça o mesmo mas tentando expressar uma serenidade calma. Em seguida, tente expressar raiva. Em seguida, expressar arrependimento. Alegria. Trepidação. Impaciência. Tédio. Perspicácia. Cansaço. Humor. Divertimento. Todos estes sentimentos utilizando apenas três notas.
Faça uma lista de outras emoções que você deseja expressar. Se você não consegue encontrar uma palavra para tal emoção, descreva uma situação que lhe dá essa emoção (“uma tarde de verão de uma férias tranquila”, “dirigir um carro rápido”, “espera da fila do banco haha “, etc), em seguida, tente expressar usando apenas três notas. Repare que não há apenas um jeito certo de fazer isso, e sim vários caminhos diferentes. Com todas as respostas que você coletar de uma única emoção, você consegue compor um solo.
Palavras Finais

Alguns destes pontos se aplicam à sua situação, já outros nem tanto. Talvez você precise trabalhar mais o lado técnico da coisa (como fraseado, acordes) ou talvez você precise trabalhar mais na sua auto-expressão. Mas o mais importante é encontrar aqui algo útil para você. Absorva o que julgar ser importante e deixe de lado o que julgar não ser necessário. Pare de apenas tocar notas e comece a tocar música!

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Antes de Improvisar. "verticalize" seu pensamento






A improvisação é uma das áreas mais críticas para um guitarrista, por que nessa hora que a gente vê se o cara domina ou não o instrumento, se o cara conhece as técnicas, as tonalidades, as escalas e o principal - a harmonia, que é o ponto chave para uma boa improvisação.

Afinal o que é uma improvisação?

Primeiro de tudo, o que seria improvisar? Em uma definição rápida, é você criar uma melodia sem ter parado para construí-la antes, usando escalas, arpejos, simetrias, combinados com as técnicas de expressão que conhecemos, em outras palavras, fazer o som no “bate e pronto”! gosto de definir como uma composição instantânea, mas isso não é tão fácil quanto parece...

Improvisação deve ser sempre algo a ser estudado, deve te acompanhar em toda sua vida musical, pois não existirá nunca o momento que você vai parar e concluir “Agora eu já sei tudo sobre improvisação”. Isso nunca ocorrerá, pois improvisação é vivência, é experimentação.

O grande segredo: Harmonia

O grande segredo da improvisação é ser coerente com o que a harmonia* proporciona. Não digo com isso que ser coerente é ficar dentro de uma escala. Não existem verdades absolutas, mas ser coerente musicalmente é andar de mãos dadas com a harmonia.
(*Harmonia é a combinação dos acordes numa música e todos os outros sons tocados simultaneamente)

Nós guitarristas, temos a péssima mania de nos concentrarmos muito nas técnicas e nos solos e nos esquecemos da harmonia. Isso é normal, pois a nossa tendência é tentar fazer o que os outros guitarristas fazem. É aí que mora o perigo. Improvisar não é uma coisa que você pode ver, pois a improvisação ocorre na mente do guitarrista e chega diretamente aos seus ouvidos. Aquilo que você consegue de fato ver não tem tanta importância. Se fosse assim, poderíamos julgar a qualidade de um solo assistindo a um vídeo sem som. Isso não faria o menor sentido, não é mesmo? O que importa é o som, não uma técnica específica que ele está usando no momento.

Você deve estar pensando “Mas o som não vem da técnica?”. Sim, claro. Não estamos dizendo que técnica não é importante. É super importante. O que ocorre é que o som que você escuta é a combinação do solo com a música que está no fundo. Não dá pra separar um do outro quando se está ouvindo. Não é algo matemático, como 2 + 2 = 4. Quando o solo encaixa bem com a música, o resultado é muito maior do que a soma das partes!

Às vezes, o guitarrista está querendo fazer um solo mirabolante, mas não fez uma preparação para entender os acordes da harmonia que está sendo tocada. Dessa forma, ele nunca conseguirá dar o melhor de si. Não se iludam! A harmonia é peça fundamental na improvisação. Você precisa ter o conhecimento geral dos acordes e suas funções para que você possa trabalhar tal harmonia da forma mais inteligente possível.

Responda a essa pergunta:

Qual solo vai soar melhor?

a) O solo de um guitarrista que tem uma técnica excelente e faz frases mirabolantes sem se preocupar com os acordes que compõem a música;

ou

b) O solo de um guitarrista que toca um pouco mais devagar e de forma mais simples, mas sempre tentando criar frases que encaixam bem com os acordes.

Se você respondeu opção b, acertou! O guitarrista da opção a pode até tocar melhor, mas se ele for improvisar sobre uma música sem atentar-se para as mudanças dos acordes, seu solo não será nem um pouco interessante! É por isso que guitarristas excelentes às vezes criam músicas chatas, porque nem sempre eles são capazes de “sentir” aquilo que a música está pedindo.

Não estou associando uma técnica excelente a um ignorante harmonicamente falando, temos excelentes exemplos de ótimos guitarristas que combinam técnica, harmonia, improviso e musicalidade de forma exemplar.  Estou me baseando numa grande fatias de músicos que tem um desconhecimento no que se trata de harmonia ou apenas limita-se a um determinado gênero ou estilo que não requer muito da tal.

Encare dessa forma, um bom improviso é uma conversa entre você e a música. Não é um monólogo! A música não está ali só pra enfeitar. A música é a onda, você é o surfista. Surfe de acordo com o que a música permite.

Então, podemos concluir que improvisação envolve tudo isso: é conhecer bem os acordes e suas funções, as escalas e as técnicas, e ter o feeling pra fazer o solo acontecer de forma natural, com bom gosto e principalmente musicalidade.