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quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Alongamento para Músicos



O objetivo de se alongar 

Você deve estar se perguntando – Eu realmente preciso fazer isso? A resposta, claro, é não. Então por que perder seu tempo, por que se alongar?

A única razão está nos benefícios adquiridos com o alongamento. Quem faz esses exercícios da forma correta, e sempre que toca guitarra, obtém melhores resultados, como maior velocidade, força e resistência. Assim, o alongamento é apenas algo a mais, uma vantagem para o guitarrista que quer solar melhor, mais rápido e durante mais tempo.

Flexibilidade

Porque Flexibilidade é importante?


"Flexibilidade aumenta a eficiência e performance física. Uma articulação
flexível tem a capacidade de se mover mais em sua amplitude, e requer menos energia para fazê-lo. Aumentar essa eficiência diminui o risco de dano físico, habilitando diversos tecidos e músculos a atingirem um alcance máximo durante atividades físicas.

Flexibilidade também aumenta o fornecimento de sangue e nutrientes para as estruturas articulares, o que amplia a elasticidade dos tecidos e músculos que envolvem as articulações do corpo. Outro aspecto importante, é que grande flexibilidade permite liberdade de movimento, desacelerando a degeneração das articulações e prolongando a sua vida de treino. Flexibilidade também atrasa a fadiga muscular, e previne e alivia músculos doloridos após se exercitar."
(Trecho extraído do livro Train Tough, de Jason Weber, ABC Books.)

O que não deve ser feito

Existem basicamente duas coisas que não devem ser feitas ao se alongar. Uma delas é um erro muito comum, e pode ser observado em qualquer lugar onde esteja uma pessoa se alongando, como na academia, ou na ciclovia, enquanto ela se balança pra lá e pra cá. O alongamento deve ser feito com lentidão, sem movimentos de vai e vem. Geralmente as pessoas agitam seus braços e pernas para se esticar ainda mais. Evite fazer isso, pois não há nenhum ganho de flexibilidade nesses movimentos, e eles ainda podem ser prejudiciais!

Você também não quer se machucar, logo não force muito seu corpo. Apenas estique um pouco até sentir uma leve tensão. Lembre-se que o nosso objetivo aqui não é encostar o polegar no antebraço, é apenas melhorar a sua 
elasticidade. 

Quanto tempo de alongamento

O alongamento completo dura menos que três minutos. Mais que isso é exagero.

Quando fazer

Ele deve ser feito de preferência logo após você terminar de tocar guitarra. Não é necessário se alongar antes, um rápido aquecimento já é suficiente.

Como fazer

Todo alongamento deve ser feito lentamente, esticando músculos e tendões até um ponto próximo ao seu limite de flexibilidade. Vá puxando até atingir o seu máximo, segure por 15 segundos, e deixe voltar ao normal. É preciso forçar um pouco (do contrário o alongamento é inútil), mas nunca até doer. Para encontrar o ponto certo entre forçar demais e forçar de menos, basta praticar algumas vezes.




Fonte: Por Emiliano Gomide



quinta-feira, 6 de junho de 2019

Aprenda hábitos ao invés de aprender músicas


Aprenda hábitos ao invés de riffs e licks


Todos nós guitarristas estamos interessados em melhorar constantemente e muitas vezes nos enrolamos na hora de determinar como nos desenvolver melhor.
Uma pergunta que tem ficado na minha cabeça com bastante frequência ultimamente é a seguinte:

Quais os principais fatores que se forem desenvolvidos em posso melhorar em pelo menos 60% minha qualidade como guitarrista?
Tentando responder essa pergunta eu me vi em uma situação onde o que eu acreditava ser o caminho para desenvolvimento não estava dando os melhores resultados.
Para sair dessa situação eu tentei à seguinte pergunta:

O que os guitarristas que admiro tem que eu posso usar?
Esse foi o segundo passo da minha pesquisa sobre como melhorar como guitarrista usando algum método diferente do que vinha usando.
Nesse ponto eu passei a analisar os nomes que mais me influenciam como guitarrista (SRV, David Gilmour, Hendrix, Page…).
Analisando a maneira de cada um tocar em dei conta de uma coisa muito interessante:
É evidente que cada um deles tem licks e riffs famosos que nós podemos aprender e nos inspirar neles. No entanto existe algo mais:
Cada um deles tem hábitos específicos que você e eu podemos aprender e incorporar no nosso jeito de tocar.
Tais hábitos vão ajudar a:
– absorver conceitos mais complexos de cada um desses guitarristas mais rapidamente.
– Melhorar a maneira de tocar e a gama de possibilidades para improvisar e compor
– Aumentar as possibilidades na hora de praticar.
– Desenvolver as possibilidades na hora de compor.
Todas essas possibilidades me dão no final um conjunto de ferramentas muito mais eficazes para desenvolver minha qualidade como guitarrista.

Como aprender hábitos
Agora que você já sabe a diferença entre aprender as músicas/licks e aprender os hábitos, você pode se perguntar:
Mas como aprender esses hábitos?
A resposta direta é muito simples:
Você precisa observar.

Quer um exemplo? Vamos observar como Eric Clapton usa o vibrato:


Após aprender esse hábito você vai conseguir o timbre que esse tipo de vibrato proporciona, o hábito do movimento, o desenvolvimento do seu braço e dedos para fazer tal movimento.
A partir daí você tem um novo conjunto de ferramentas para usar nas suas composições e improvisações e pode partir para o próximo hábito.

Como escolher quais hábitos aprender?
Em certos momentos você pode ficar na dúvida sobre como escolher quais hábitos você quer adquirir e adicionar ao seu estilo de tocar.
Isso é totalmente natural.
A maneira que eu tenho usado para facilitar as minhas escolhas é bastante simples e pode te ajudar também.

Os passos são os seguintes:
1 – Escolha um bom guitarrista
2 – No youtube, pesquise por vídeos de shows
3 – Selecione músicas onde esse guitarrista arrebenta
4 – Observe quais as técnicas, trejeitos, manias, licks que ele usa de maneira consistente.
O último passo é o mais crítico desse processo.
Tente observar quais os pontos que esse guitarrista usa com frequência e faz com que você reconheça o jeito de tocar.
Essas características que eles usam com frequência formam os hábitos desse guitarrista.
Escolha uma dessas características, vá ao trabalho e adicione-a ao seu repertório.

Para começar a usar essa abordagem eu fui altamente influenciado pelo conceito e explicação do Tyler do site Music is Win.


Bom estudo!


Fonte: https://maquinasdemusica.com  por Jorge Lopes

sábado, 10 de março de 2018

Dia do Guitarrista


A imagem pode conter: texto

Ser guitarrista, acredito que seja um dos melhores trabalhos do mundo, e uma das melhores diversões também. Você pode tocar guitarra clean com dedilhados, fazer uma base simples de acordes, algo intrincado de jazz, tocar com som levemente distorcido numa onda blues, ou encher de distorção e tocar em drop D. Você pode ser direto, ou rebuscado. Usar mil efeitos, ou plugar direto no amplificador. Ser guitarrista é ficar ”preso” numa cadeira estudando, mas ter a mente e o coração livres para experimentar e sentir, algo que transborda mais ainda no palco, seja o gênero ou estilo que for, ambos podem sentir a mesma sensação de euforia com uma guitarras em mãos, e essa é a beleza! Tocar com os amigos, ou no quarto, sobre seus discos favoritos…seja lá como, poder exercer esse ato, é um dom de Deus, uma benção. E que nunca desonremos isso!

Pra finalizar apenas um conselho aos guitarristas, músicos profissionais e porque não aos que aspiram : Tenha dignidade com seus colegas de profissão, consigo mesmo e com sua arte. Não se sujeite a qualquer coisa pra fazer sucesso. Seja honesto, toque o que sair de seu coração e não o que for mais fácil para alcançar o sucesso rápido e possivelmente descartável. No futuro, mesmo que não alcance a grande mídia ou ganhe rios de dinheiro, você se sentirá orgulhoso de seu legado.

parabéns a todos!

Tiago 1:17 "Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação."

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Regulagem de Delay - Parte I “The Edge”

Regulagem de Delays I – “The Edge”



   Nessa primeira postagem irei explicar como regular o efeito de Delay principalmente para obter o efeito ao estilo “The Edge” do U2.
   Em primeiro lugar, precisamos entender o que é o efeito de “Delay” (em inglês, “atraso”). Delay é quando tocamos uma nota e ela soa logo depois, em “atraso”, dando a impressão de “repetição” das notas”. O Delay é amplamente utilizado para criar “ambiência” e “espaço” no som, substituindo muitas vezes o Reverb. Alguns guitarristas utilizam o Delay para criar a ambiência necessária a música ao invés do Reverb.
   Os segredos para regular corretamente o Delay estão em saber que o Delay pode, e deve, ser regulado de acordo com o andamento (BPM) da música e que suas repetições (atrasos) podem ser reguladas com diversas figuras rítmicas diferentes (semínima, colcheia, tercina de colcheia, semicolcheia, etc) dando diferentes texturas sonoras.



Para os que ainda não tem conhecimento teórico, vou tentar explicar de forma resumida o que são figuras rítmicas. Figuras rítmicas são símbolos usados para representar som ou silêncio. Quando representamos som, dizemos que as figuras rítmicas são de Valores Positivos e quando usadas para representar o silêncio de Valor Negativo. Resumidamente temos as principais figuras rítmicas de Valor Positivo e suas durações:



   Dessa forma podemos dizer que dentro de um compasso 4/4 ,uma Semibreve equivale a 4 tempos, ou seja, tem a duração de 4 tempos. A Mínima 2 tempo, a Semínima 1 tempo, a Colcheia ½ tempo, a Semicolcheia ¼ de tempo e etc. O que temos que ter em mente é a equivalência e proporcionalidade entre a figuras. Assim, se temos um semínima valendo 1 tempo, para tocarmos o mesmo tempo utilizando colcheia precisamos de 2 colcheias, ou seja, na colcheia tocamos 2 notas por tempo.




   O efeito de Delay também pode ser regulado para ter suas repetições ajustadas de acordo com as figuras rítmicas podendo ter repetições em Semínimas, colcheias e etc, ou, 1 repetição por tempo, 2 repetições por tempo, 4 repetições e etc o que gerará diferentes texturas sonoras. Basicamente a maioria dos pedais de Delay (e os efeitos em pedaleiras/racks) tem os seguintes ( e mais importantes na nossa regulagem) parâmetros:
Delay Level, Delay Time, Feed Back, Ping Pong, Tap Tempo, Hold e Reverse, alguns delays não tem todos estes comandos, mas estes são os controles mais comuns de serem encontrados, suas funções são:

Delay Level: Controla o volume do efeito, é comum que o efeito fique mais baixo que o som principal, que é aquele que você esta tocando, mas você pode igualar ou até mesmo fazer com que o efeito seja mais alto que o som tocado na guitarra.

Delay Time: Ele determina o tempo de resposta, geralmente é ajustado em .ms (micro segundos), por exemplo: Você ajusta para 500ms, você toca, o pedal copia os primeiros 500ms de som e o repete 500ms depois da saída do som original.

Feed Back: Controla quantas vezes essa cópia de 500 ms (do exemplo acima) será repetida, quanto maior o feedback, mais repetições você terá, mas isso não quer dizer que novos sons não estarão sendo copiados e repetidos, por isso, deve ser usado com sabedoria para que o som não embole (fique com muitas notas sobrepostas).

Ping Pong: Não é comum vir em todos os delays, criado para delays digitais o efeito ping pong serve para dividir o efeito em stereo (L & R), assim a primeira repetição sairá no lado esquerdo do som e a segunda repetição no lado direito do som, o que dá a sensação de que as repetições estão jogando as repetições de um lado para o outro como uma bolinha de ping pong.

Tap Tempo: Uma das funções mais importantes e que também não é fácil de ser encontrada nos modelos mais modestos, não é um knob na caixa de controle, mas sim umclic switch, em geral, igual ao clic switch de acionamento do pedal ou o próprio clic switch de acionamento, onde você pisa duas ou três vezes no tempo da música e ele altera a configuração do Delay Time, você já vai entender o porque isso é muito importante, continue lendo a matéria.

Hold: Muito legal para quem toca em casa sozinho, pedais que tem a opção Hold Delay em geral são digitais, uma vez que o nível de processamento deve ser bastante elevada para esta função,
Apesar de nem todas as funções serem encontradas em todos os pedais e algumas funções ainda mais raras nem foram explicadas aqui, as funções: Delay

Level, Delay Time e Feedback estão presentes em todos os modelos, pois são essas funções as principais do efeito e sem elas um delay não é um delay, e é com elas que iremos trabalhar para que o uso do delay seja bem mais aproveitável, dinâmico e condizente com a função.
onde você pisa no clic switch e ele começa a gravar o som através de buffer eletrônico, quando clicado novamente ele solta o som bufferizado e você pode improvisar sobre o som, é bem legal para quem quer treinar riffs ou improviso, uma vez que ele grava o tempo de 2 ou 3 acordes, suficiente para se fazer uma gig com você mesmo.

Reverse: Como o próprio nome diz, ele copia o som e o solta de trás para frente, é uma função que demanda extremo bom gosto no uso, do contrário será um desastre para a música, o legal é que você toca um bend e escuta um bend reverso, ou faz uma progressão subindo a escala e o retorno é uma progressão descendo a escala.

Depois de uma abordagem de uma forma genérica, vamos colocar a mão na massa. O primeiro passo é saber em que andamento está a música! Vamos imaginar que nossa música está em 120 Bpms e vamos regular diferentes Delays (os mais usados) para essa música,(Inclusive o efeito “The Edge”)

Para regularmos um Delay com 1 repetição por tempo (semínima) basta pegarmos o valor 60.000 e dividirmos pelo andamento (120), assim teremos o resultado de 500. Agora basta colocar o nosso Delay Time em 500. Pronto, temos um Delay com atraso em 500 m/s ou em semínima. Quando tocarmos, a repetição do Delay baterá certinha em cima do tempo seguinte. Para regularmos a repetição batendo em todos os tempos do compasso é só ajustarmos (aumentar o valor) o Feedback e teremos nosso Delay batendo na cabeça do tempo de todo o compasso.

Se queremos um Delay em Colcheia basta dividirmos o resultado por 2, já que precisamos de 2 colcheias para completarmos um tempo. Assim temos o valor de 250 m/s. Para regularmos em Semicolcheia basta dividirmos o resultado por 4. Teremos 125m/s. Muito bem vamos agora ao efeito “The Edge”! O guitarrista do U2 costuma usar muito regulagens em seus Delays de Semínima, Colcheia pontuada e Tercina de Colcheia. Vamos lá! Para regularmos em semínima já vimos o procedimento. Para regularmos em Colcheia pontuada ( regulagem que eu curto muito) basta pegarmos 250 (resultado para colcheia) e somarmos mais a metade desse valor ( que será 125), assim teremos um Delay em 375 m/s, ou, em Colcheia Pontuada. É importante lembrar que para termos uma regulagem mais próxima à usada pelo guitarrista devemos trabalhar com valores altos de Feedback ( em torno de 50 % ou mais) e Level. Para regularmos em Tercina pegarmos nosso valor base (500) e dividirmos por 3 = 166,66 ou 166, assim temos um Delay batendo 3 vezes a cada tempo.

Eu particularmente prefiro a regulagem em colcheia pontuada, no nosso exemplo, em 375 m/s, com Feedback em torno de 50% e Level em torno de 70% para ambiências do tipo usada na música “Where the streets have no name”. Mas cada caso é um caso e estes parâmetros podem sofrer variações para atingirmos um resultado satisfatório.

Fique atento pois tocar com essas regulagens de Delay requer um pouco de pratica, pois não são regulagens comuns, que ouvimos o tempo todo em qualquer música, por isso é necessário um pouco de treino e estudo com esse tipo de regulagem de Delay. Para regularmos o Delay em outros andamentos (bpm’s) basta fazer o mesmo cálculo. Pegar 60.000 e dividir pelo valor do andamento (bpm) assim acharemos nosso valor em m/s equivalente a uma Semínima.

Então é só repetir os demais cálculos. Para quem tem pedais ou pedaleiras com Tap é mais simples para regular, basta apenas pisar no Tap dentro do BPM da música. Mas esses cálculos são de grande valia principalmente em estúdio quando queremos adicionar o Delay certo para criarmos a ambiência adequada a música. Não podemos esquecer ainda que essas são dicas para chegarmos a uma sonoridade próxima a utilizada pelo guitarrista no efeito de Delay, e não estamos levando em conta os demais equipamentos utilizados, amplificadores e outros efeitos. 

Se você quer um timbre o mais fiel ao usado pelo guitarrista do U2, tenha em mente que vai precisar da maioria dos equipamentos utilizados por ele e, mesmo assim, não soará igual, já que mais de 50% do som de um guitarrista está nas mãos como já disse Eddie Van Halen e não nos equipamentos. Espero que estas dicas possam ajudar na hora de regular seu Delay.


A Study of The Edge’s (U2) Guitar Delay (Equipamentos e outras regulagens)


sexta-feira, 22 de abril de 2016

E ai, uso amplificador ou não ?


INTRODUÇÃO
Nos últimos anos, como profissional que visita várias igrejas e casas de eventos em geral, senti uma verdadeira invasão do conceito de que os cubos e baterias acústicas são os grandes vilões dos grupos musicais. Assim, vários grupos, optando pelo “bem maior” da plateia, resolveram abolir o uso. “Vamos ligar tudo na mesa”, disseram animados, o que realmente trouxe várias vantagens para os operadores de áudio. A principal delas é a diminuição das fontes sonoras que não são controláveis pelo “cara do som”. Assim, a mixagem fica muito mais flexível, diminuindo a famosa “guerra de volumes” que tanto discutimos no meio.
Antes, com os cubos individuais, o operador poderia até cortar nos PAs o sinal de determinado instrumento, mas ainda haveria no ambiente o áudio gerado pelo amplificador, que, muitas vezes, ainda é demais para a mixagem pretendida.
Agora, depois de cortados e empilhados todos os cubos na “salinha do som”, o operador de áudio sente-se todo poderoso, podendo fazer o que bem entender em cada mixagem. Se for instalada uma bateria eletrônica então, nem se fala…
O operador, que até então só era responsável pelas vozes, e quem sabe pelo teclado e violão, parte para a missão de mixar uma banda completa. Os que reclamavam do alto volume das programações elogiam, mas depois de algum tempo de percepção musical, começam novos problemas:
  • “Essa bateria eletrônica é horrível, hein?!”;
  • “Não dá pra aumentar o violão?”;
  • “Cadê os grave do baixo?” (com erro de português e tudo);
  • ou então a clássica: “O som da minha pedaleira fica muito melhor no cubo”.
Pois é… E agora? Antes de cortar, sem dó nem piedade, os cubos do palco, você se perguntou se o sistema de sonorização tem capacidade de atender a banda toda “em linha”? O volume que antes era gerado com o auxílio de vários amplificadores e instrumentos acústicos, você terá que fazer só com esse “PAzinho”! Você se preocupou em ver se suas caixas têm resposta de frequência compatível com o timbre gerado por um contra-baixo ou uma bateria eletrônica? Ou então, indo um pouco mais longe no técniquês, se perguntou se há recursos de processamento mínimos para que você faça uma mixagem com qualidade, sem virar essa salada que virou?
Por essas e outras, já me peguei em diversas ocasiões sugerindo a utilização de cubos, mesmo onde, a princípio, parece uma péssima escolha. Quer um exemplo? Os cubos são uma ótima alternativa para quem está com o sistema de sonorização em construção. Ou seja, ainda não há recursos técnicos suficientes para fazer uma mixagem com qualidade nos PAs, e nem para uma distribuição homogênea de retornos para todos os músicos. Às vezes, a mesa de som temporária não tem nem canais suficientes para ligar todos componentes da banda.Também é importante citar os casos em que o equipamento de som simples e descomplicado não é algo temporário,  e sim uma decisão de aquisição. Uma igreja sem operador de áudio, por exemplo.
Às vezes, é melhor uma mixagem sem controle pelo operador, com mais volume do que o ideal e um pouco embolada; do que uma mixagem sob controle do operador, mas com péssimas condições de retorno para os músicos, trabalhando com o sistema em níveis de saturação e gerando um resultado totalmente embolado para o público.
Agora, para se obter um resultado satisfatório com a utilização de diversos cubos no palco, é necessário utilizá-los corretamente.
DICAS PRÁTICAS
1. QUAL CUBO USAR?
Para começar, um que seja adequado ao seu instrumento. Um cubo de contra-baixo, por exemplo, é desenvolvido com componentes que respondem de maneira ideal ao timbre gerado do instrumento. Isso vai desde o(s) alto-falante(s), a amplificação, o projeto da caixa (litragem interna, dutos de ar, etc), e até os recursos personalizáveis pelo usuário, como o tipo de equalização e outros recursos comutáveis.
Para uso ao vivo (há exceções para esse raciocínio! Estou dizendo isso embasado na grande maioria dos produtos disponíveis no mercado  brasileiro), sugiro amplificadores com potência mínima de 50w. Não pela potência em si, mas porque os amplificadores com potência menor a essa costumam ser destinados a estudo, ou seja, são bem baratos, e limitados quanto à sonoridade e recursos. Os produtos de 50w ou mais já tendem para uso profissional, e já possuem melhores componentes.
2. COMO POSICIONAR NO PALCO?
Os cubos projetam seu som para frente, ou seja, o músico deve estar posicionado à frente do amplificador. Se o cubo é a única fonte sonora do instrumento no ambiente, é importante que esteja posicionado de frente para a plateia, mas ainda sim de frente para o músico, para que não deixe de desempenhar seu papel de retorno. Conforme a ilustração:
ilustracao cubo 1
Agora, se o cubo está sendo utilizado apenas como retorno, a posição recomendada é de lado em relação ao palco, mas ainda de frente para o músico. Assim, o músico terá a melhor audição possível, e interferirá muito menos no som gerado pelos PAs. Conforme a ilustração:
ilustracao cubo 2
Procure manter os alto-falantes direcionados para  seus ouvidos. Deixar o cubo no chão, olhando para suas pernas, fará com que você necessite de mais volume para ouvir bem, e ainda fará com que você ouça o som de forma indireta, ou seja, já influenciado pelas reflexões acústicas do local. É mais volume no ambiente, e som mais embolado nos seus ouvidos. Alguns cubos possuem um corte inclinado na parte de trás, para que possam ficar no chão, e ao mesmo tempo, voltados para o músico. Caso não tenha esse recurso, coloque seu cubo em um suporte próprio, ou no mínimo, em cima de uma cadeira.
É importante comentar a importância de manter certa distância entre o músico e o cubo. As frequências mais graves possuem comprimentos de onda grandes, sendo que algumas frequências podem chegar facilmente aos 3 metros! Ou seja, para ouvir claramente tais frequências a uma distância muito curta, o músico terá que disparar muito mais volume do que se estivesse na distância adequada. E o público, ou até mesmo os outros músicos no palco, ouvirão o som do instrumento em volume muito maior que o próprio músico, uma vez que estão mais distantes, e ouvem as ondas após completarem os ciclos completos. Entenda que aí começamos a mergulhar em conceitos um pouco mais profundos, que necessitariam de uma explicação mais técnica para que fossem compreendidos. Como não é o objetivo desse artigo, resumo esse tópico com uma dica: mantenha distância de pelo menos 1 metro do cubo. Se o palco permitir, fique entre 1 e 3 metros para uma audição ideal.
A utilização dos cubos em distância superior a 3 metros não é necessariamente errada, mas só é coerente no caso de grandes palcos, onde o volume dos mesmos não precisa ser tão dosado, como nos pequenos locais que são o foco deste artigo.
3. QUANTO VOLUME UTILIZAR?
Se estiver utilizando o cubo apenas como retorno, a resposta é bem simples: utilize o mínimo que precisar. O cubo servirá para que você ouça seu instrumento com qualidade e definição, além de preencher o palco com o som de seu instrumento. Evite incomodar os  “vizinhos”.
Agora, se estiver utilizando o cubo como única fonte do instrumento no ambiente, é importantíssimo que haja interação entre o músico e o operador de áudio. A princípio, utilize no volume mínimo para retorno. Atendendo às recomendações deste artigo, você perceberá que dá para ouvir bem com pouco volume disparado! A partir daí, busque a referência de como está a audição do instrumento para o público. Às vezes será necessário aumentar ou abaixar um pouco. Localize o meio termo entre volume satisfatório de retorno e equilíbrio com o resto da banda.
4. CASOS PARTICULARES
  • Contra-baixo: Sem dúvida, a maioria dos sistemas de sonorização de pequeno porte não tem recursos para reproduzir o som de um contra-baixo com qualidade. Por isso, vejo aí um ótimo candidato para utilização no cubo. E, mesmo que o sistema de PA seja bem projetado, capaz de reproduzir com qualidade o instrumento para a plateia, ainda sobra o problema da monitoração. Nem sempre temos um monitor de chão ou fone de ouvido que dê uma referência de qualidade do instrumento para o músico.
  • Guitarra: Aqui temos uma discussão e tanto! Os amplificadores de guitarra, em especial seus alto-falantes, são projetados de maneira a atender exclusivamente esse instrumento, o que acaba produzindo respostas sonoras bem particulares. Podemos também destacar características típicas de cada fabricante. Alguns guitarristas localizam em determinada marca um timbre mais adequado àquilo que espera de sua guitarra. Por isso, vários guitarristas fazem questão da utilização dos cubos.Para solucionar esse problema, vários fabricantes de pedais e pedaleiras incluíram em seus produtos os “simuladores de amplificador”, ou seja, recurso capaz de simular a presença de determinado cubo, simulando também o resultado sonoro produzido por ele. É óbvio que aí temos MARCAS e marcas, PRODUTOS e produtos. Simuladores de qualidade realmente conseguem produzir tais características sonoras com bastante precisão. A utilização ou não desses recursos é uma discussão que tange ao gosto pessoal de cada músico, mas é óbvio que, com equipamentos de qualidade, fica mais fácil “tirar” som de qualidade, seja no cubo ou no sistema de PA.
PONTO DE VISTA FINANCEIRO
Como tudo no áudio, o mercado nos oferece produtos baratos e produtos caros.
Se você está vendo nos cubos uma solução definitiva para seu sistema de sonorização, procure por produtos de qualidade, que trabalhem com certa folga de potência, e que atendam às expectativas sonoras do(s) músico(s).
Se você está vendo nos cubos uma solução temporária, enquanto o sistema de sonorização não é montado de forma ideal, pense bem se vale a pena gastar dinheiro com isso… O que seria investido em “cubo pra todo mundo” não daria uma boa agilizada na aquisição dos equipamentos que estão faltando?
Por mais que pareça impossível em curto prazo, tenha em mente e nas mãos o projeto do sistema de som perfeito para você. Procure investir nos equipamentos que farão parte de forma definitiva no “som ideal” de vocês. Evite desperdiçar dinheiro em equipamentos temporários ou quebra-galhos, e dê preferência para antecipar aquisições do projeto ideal.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Não podemos taxar o uso de cubos como prejudicial à qualidade do áudio, nem muito menos tomar como exigência boba por parte do músico. É um recurso que pode sim trazer benefícios, mas deve ser utilizado observando regras, para que se tenha o melhor desempenho possível, e sem se esquecer do contexto onde se está inserido. Nem sempre som mais alto é som melhor.
Fica claro também, em especial para os operadores de áudio, que trabalhar sem os cubos normalmente é melhor (para guitarristas e baixistas não), mas para isso, o sistema de sonorização precisa ser capaz de reproduzir com qualidade a mixagem de toda a banda, tanto para o público, quanto para o sistema de retornos.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Aspectos do Estudo Musical


Se já estudou um instrumento musical antes, pode ser que se tenha focado na leitura da música, tocar o instrumento e aprendido um pouco de teoria musical, como escalas musicais. Talvez até tenha aprendido teoria musical na escola. A maioria das pessoas param no lado físico de tocar um instrumento e não avançam daí. O lado técnico é importante, mas a música não é apenas um ato físico, é também mental. Você está a representar uma emoção. Apenas aprendendo o lado físico você estará a perder talvez a parte mais importante. Você pode tocar o instrumento, mas sabe porque está a tocar o que está a tocar, ou está apenas a mover os seus dedos? Você sabe o sentimento que está a transmitir enquanto toca? Conhece múltiplas formas de representar a mesma ideia?
O culpa não é do aluno. O problema está no professor por colocar toda a ênfase no lado técnico da música. Estudantes iniciantes, intermédios e avançados não conseguem ver tudo o que têm de dominar. É responsabilidade do professor ajudá-los corretamente. Neste artigo, vamos olhar para todos os aspetos da música que tem de estudar para alcançar a mestria musical.
O lado técnico
Uma parte que as pessoas estão familiarizadas mas surpreendentemente continuam a negligenciar. Ken Tamplib, um professor de canto diz:
“O seu lado técnico como músico pode ser comparado a um artista e o número de cores que tem para trabalhar. Quantas mais cores o artista tem para trabalhar, maior variedade e maior expressão consegue alcançar. Se apenas tiver três cores, só pode pintar dessa forma. Podemos comparar um músico e o seu nível técnico desta forma. Quanto maior o nível técnico, maior a sua habilidade para expressar o que deseja na música. Quanto menor a técnica, mais limitada será a sua arte.”

A técnica é um aspeto de uma importância vital quando se toca – muitos focam-se apenas na capacidade de tocar. Muitos outros ignoram a parte técnica pensando que apenas os músicos de música clássica, metal ou jazz precisam de desenvolver. Isto é quase um crime.
A técnica refere-se a como controlamos o nosso instrumento. Se você sente-se sobrecarregado pelo ato de tocar o instrumento, nunca estará apto para se focar em realmente fazer música. A técnica pode ser agrupada em várias categorias. Aqui vou apenas mostrar as básicas.
  1. Melodia / Solo.
  2. Harmonia.
  3. Nuances frásicas.
  4. Transições.
Treino de ouvido
A próxima peça do puzzle musical é o treino de ouvido. Se você tem um fraco reconhecimento auditivo e não consegue escutar o que se passa numa música, você está em sarilhos. Como músico, os seus ouvidos são uma das suas ferramentas vitais. Se a técnica é a quantidade de cores para pintar, o treino auditivo são como os seus olhos e a capacidade de ver o mundo. O treino de ouvido é a capacidade de compreender, interpretar e representar a música.
Ter um bom ouvido irá permitir que se expresse através da sua própria música de uma forma mais detalhada, assim como um artista utiliza pincéis de diferentes tamanhos para detalhar a sua pintura. O treino auditivo é essencial para quem quer compor a sua própria música. Um bom ouvido permite-o desfrutar da música de uma forma mais profunda. Esta é uma capacidade que muitos músicos falham em desenvolver, tornando quase impossível atingir a mestria musical.
Génios da música como Mozart, tinham um reconhecimento auditivo simplesmente brutal provavelmente porque ouviam a música de forma ativa, ou seja, tomando máxima atenção a todos os elementos da música. Uma área do treino auditivo que os músicos muitas vezes falham a desenvolver é a capacidade de reconhecer emoção. Se tocar uma nota específica em cima de um acorde, consegue sentir a emoção que está a ser produzida? Consegue sentir a emoção que um acorde está a transmitir? Provavelmente não, se se o fizer, estará apto de representar e criar qualquer emoção que deseje em qualquer circunstancia. O treino auditivo pode ser dividido em várias categorias:
  1. Melodia / Harmonia
    1. Intervalos
    2. Acordes
    3. Escalas
    4. Frases
  2. Ritmo
  3. Reconhecimento de emoção
    1. Notas
    2. Acordes
    3. Escalas
Visualização
Outra capacidade subestimada pelos músicos é a visualização. Muitos instrumentos podem ignorar este ponto porque a visualização aplica-se apenas a instrumentos aptos a criar harmonias como a guitarra, violão, piano, órgão, etc. Mantendo a analogia do músico, a sua visualização poderia ser considerado o tamanho da sua lona. A visualização é a capacidade de saber onde estão as notas, acordes e escalas no seu instrumento.
Sabendo isto você terá a habilidade de representar a mesma ideia de várias formas. Quando mais apto estiver para ver as notas, acordes e escalas pelo seu instrumento mais opções terá para expressar uma ideia em diferentes posições do seu instrumento.
Teoria musical
Visto por alguns como algo restritivo e visto como regras por outros. Vamos ser diretos. A teoria musical é algo que não pode ser negligenciado. A teoria musical é um conjunto de regras? Não. É restritiva? Apenas se a tratar como um conjunto de regras. Você precisa de teoria musical? Não, mas pode ser uma magnifica ferramenta e poupar um enorme tempo de tentativa e erro. A teoria musical foi criada por uma quantidade de pessoas que estudaram Bach, Mozart, Beethoven e outros mestres musicais e notaram os padrões nas suas músicas.
Então saber teoria musical pode ajudá-lo a praticar e a criar o seu próprio estilo encontrando o que gosta e o que não gosta. Se ficar bloqueado enquanto compões uma peça musical, pode utilizar a teoria musical para o ajudar a entender para onde quer ir.
A teoria musical é um conjunto de diretrizes úteis e será muito mais fácil quebrar essas diretrizes se souber o que elas são e quais os seus propósitos. Os princípios da teoria musical são padrão e a maioria das pessoas que a ignora acabam por compor algo que encaixa na teoria de qualquer forma. Então a questão é, porque quereria reinventar a roda? Aprenda teoria para criar o seu próprio estilo. A teoria musical pode ser dividida em:
  1. Estudos Melódicos.
  2. Estudos Harmónicos.
  3. Estudos Rítmicos.
  4. Análise de músicas.
  5. Leitura musical

É difícil para os iniciantes, intermédios e até alguns músicos avançados ver tudo claramente. Se precisa de ajuda específica em alguma destas áreas e não sabe por onde começar, um bom professor pode ajudá-lo com certeza.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Flow (fluxo)

Fluxo (do inglês: flow) é um estado mental de operação em que a pessoa está totalmente imersa no que está fazendo, caracterizado por um sentimento de total envolvimento e sucesso no processo da atividade
Apesar de todos os componentes abaixo caracterizarem o estado de fluxo (flow), não é necessária a presença de todas estas sensações para experienciar o estado de fluxo:
1.   Objetivos claros (expectativas e regras são discerníveis).
2.   Concentração e foco (um alto grau de concentração em um limitado campo de atenção).
3.   Perda do sentimento de auto-consciência.
4.   Sensação de tempo distorcida.
5.   Feedback direto e imediato (acertos e falhas no decurso da atividade são aparentes, podendo ser corrigidos se preciso).
6.   Equilíbrio entre o nível de habilidade e de desafio (a atividade nunca é demasiadamento simples ou complicada).
7.   A sensação de controle pessoal sobre a situação ou a atividade.
8.   A atividade é em si recompensadora, não exigindo esforço algum.
9.   Quando se encontram em estado de fluxo, as pessoas praticamente "se tornam parte da atividade" que estão praticando e a consciência é focada totalmente na atividade em si.


“Flow” é uma coisa que só quem já experimentou sabe o que é

Trata-se de algo que não se pode ver, apenas sentir. Flow está em todas as atividades, mas é especialmente relevante para aquelas em que não queremos pensar em cada passo que estamos dando. Isso faz toda diferença. Imagine um surfista descendo uma onda de 10 metros a uma velocidade absurda. A onda se transforma a cada milésimo de segundo, tornando-se algo novo a cada instante. A prancha em seus pés treme o tempo todo e seu equilíbrio é desafiado continuamente. Muitas vezes essa experiência da onda gigante dura apenas alguns segundos e mesmo que o surfista pratique por décadas, ele nunca verá a mesma onda duas vezes. Então, como se sair bem numa situação dessas?

E o que isso tem a ver com solos de guitarra?

Comecei esse artigo falando do surfista porque essa é uma situação que todo mundo consegue visualizar e entender como é complexa e rápida. Nesse tipo de experiência, o cérebro também precisa agir de uma forma complexa e rápida. Ele precisa entrar em flow.

Na guitarra e violão, vivemos essa mesma situação, mas com bem menos adrenalina. Assim como o surfista, quando estamos solando, especialmente em solos rápidos, precisamos tomar 10 decisões em 1 segundo. Para começar, o mais óbvio é que o tempo todo estamos fazendo dois movimentos completamente diferentes com cada mão, e eles precisam estar profundamente sincronizados. Precisamos abafar as cordas que não estão sendo tocadas para que elas não gerem ruídos indesejados. Precisamos palhetar cada nota com a força certa, umas mais fortes, outras mais fracas, para gerar aquela sensação de um som natural, que flui como em uma conversa. Agora, os dedos da mão esquerda, que pressionam cada nota no braço da guitarra. Você sabe que, se botamos pouca pressão nos dedos, as notas não soam bem, e se apertamos muito, o movimento fica travado. Mas, finalmente chegamos a melodia. Afinal, música é algo sublime, difícil de explicar. Ela deve produzir efeitos em nosso ser, alterar a forma como nos sentimos. E como fazer isso acontecer enquanto estamos tocando? Numa situação de improviso, onde você está criando um solo ao mesmo tempo em que a música está rolando, a melodia deve ser criada instantaneamente, e ela tem que fazer sentido. Quem escuta não pode nem desconfiar que você está criando algo na hora. Não pode ter erro, nem técnico, nem melódico. Um detalhezinho estraga tudo. Ou... transforma tudo... para algo totalmente inesperado.

Um improviso precisa ter esse elemento de surpresa
Um improviso precisa ter esse elemento de surpresa para a própria pessoa que está tocando, pois é essa capacidade de se deixar surpreender com suas próprias notas que permite você entrar num estado onde as coisas vão acontecendo através de você, como se você virasse um condutor por onde a música flui. O resultado é maravilhoso - um solo que estará gravado para sempre e que você e outras pessoas poderão escutar e sentir prazer.

Tudo que narrei é algo que conseguimos fazer graças a um mecanismo de nossa mente, que nos coloca num estado de alta performance, onde nos sentimos incrivelmente bem no que estamos fazendo. Às vezes, essa sensação dura pouquíssimos segundos e, quando passamos por algo assim, passamos a vida inteira tentando gerar essa sensação novamente. E será que conseguimos?

Esse é o estado de FLOW

Não é uma coisa simples que ocorre. Na verdade, quando entramos em flow, inúmeras mudanças químicas ocorrem dentro de nós. Hormônios e neurotransmissores são produzidos em nosso corpo e nos fazem sentir algo extasiante, como se fosse um chamado para fazer algo maior. Certas áreas do cérebro são inibidas para que as coisas fluam. Em situações onde um décimo de segundo faz diferença, não dá tempo de ficar parando pra pensar "será que estou fazendo a coisa certa?". É necessário entrar num estado de alta confiança, onde você faz as coisas com tanta naturalidade, que é como se elas estivessem em piloto automático. Você não está pensando em cada movimento, você está apenas fazendo. Múltiplos estímulos fluem através de você e, em tempo real, você consegue tocar um solo que nunca existiu.

Agora, o FEELING

E isso nos leva a uma palavra que já conhecemos, o FEELING, que na minha definição é tocar as notas certas, na hora certa, da forma certa. É claro que não existe certo e errado, mas aqui quero dizer que feeling é quando você é capaz de tocar de uma forma que, para quem escuta, soa inexplicavelmente bem. 

FLOW e FEELING são diferentes

Flow é esse estado mental que descrevi acima, que ocorre em diversas atividades, seja música, surfe, vídeo-game, escrever um livro, etc. Feeling é relacionado ao flow. Apesar de não ser necessário entrar em estado de flow para tocar com feeling, quando isso ocorre, quando você junta os dois, o resultado é impressionante. É quando, por exemplo, alguém toca com grande habilidade e, ao mesmo tempo, cria um solo bonito, tão melódico que chega a fazer você sentir um arrepio.

Mas, em certas situações, para solar com feeling, é necessário estar em flow. Simplesmente, não funciona tentar seguir uma linha racional e agir de forma puramente mecânica. Dizem que para ser criativo é necessário deixar seus julgamentos de lado por um momento. Na música isso também é verdade. Imagine que experiência chata seria compor uma música tentando pensar puramente de forma racional, tentando julgar nota por nota e ver se elas estão de acordo com supostas regras que você aprendeu? Eu prefiro encarar as regras como guias, que podemos seguir ou não. E, num estado de flow, essa necessidade intensa que temos de aprovação é temporariamente desligada. Teoricamente, fica mais fácil ser criativo. E fica mais fácil se permitir sentir coisas, entender isso e transmitir para o instrumento.

Como solar com FLOW?

Em situações complexas, precisamos pensar em blocos. Durante um solo, não pensamos em cada pequeno detalhe dos bends e vibratos, apesar de cada um deles ter sua individualidade. Nós simplesmente fazemos do jeito que sentimos que será melhor. Precisamos saber como sentimos cada nuance de um bend ou vibrato e que efeitos eles geram. Para isso, precisamos ter em nossa memória sensorial um arsenal de experiências, isto é, tocar e tocar e observar cada detalhe.

Outro exemplo sobre pensar em blocos são as escalas. Cada escala é um bloco com notas prontas para gerar certa sonoridade. Quando você escolhe usar a escala pentatônica, por exemplo, você sabe como ela vai soar. 

E continuamos indo mais além com os blocos. Para cada escala, temos desenhos diferentes (ou 'shapes'). Então, num solo de rock, por exemplo, primeiro escolhemos certa escala pentatônica, e depois escolhemos determinado desenho dessa escala para uma parte do solo.

Devemos parar por aí?

Ou podemos continuar criando e usando outros blocos? Podemos sim, claro!

Os licks prontos são outro exemplo de blocos, mais avançados, pois já contêm notas que criam frases inteiras e com algum sentido musical. Pode parecer que licks desincentivam a criatividade, mas é justamente o contrário. Um lick que você conhece é como uma palavra nova em seu vocabulário que permite você se expressar melhor. Você, como guitarrista ou violonista que quer melhorar seus improvisos, precisa melhorar seu repertório de ideias e vocabulário de frases. São elas que serão acessadas e modificadas quando você entrar em estado de flow. Afinal, milagres não acontecem. Você colhe o que planta.

Você fica restrito às suas limitações físicas

Outro ponto é que, mesmo em estado de flow, você fica restrito às suas limitações físicas. Se você nunca treinou certa técnica, ou nunca tocou em determinado tempo, mesmo que no estado de flow as coisas fiquem "mais fáceis", você não vai magicamente aprender algo que nunca praticou. É aí que entra o treino do dia-a-dia, para melhorar sua técnica e expandir seus horizontes musicais.

Mas, e como entrar em flow?

Flow não ocorre simplesmente apertando um botão ou girando uma chave. Flow é uma consequência de uma cadeia de acontecimentos. Existem duas vertentes. Uma é quando você se vê numa situação onde você entrou em flow sem esforço, como se algo tivesse acontecido, e você simplesmente flui naquilo que está fazendo. Outra é quando você cria uma cadeia de eventos que vai culminar em um estado de flow planejado. Por exemplo, você pode treinar seus solos todo dia para que no dia da gravação da sua banda você entre nesse estado e consiga tocar de forma perfeita. A repetição e a experiência sensorial vão criar reações instintivas em você e parecerá que seus dedos estão sendo magneticamente atraídos para tocar da melhor forma, como um rio seguindo seu fluxo normal.

Você já escutou o solo de Sweet Child O' Mine do Guns N' Roses? Algumas pessoas acham que ele foi escrito nota por nota. Eu não sei, mas prefiro acreditar que o Slash tocou esse solo de forma natural e que as ideias foram fluindo uma após a outra.