Mostrando postagens com marcador Timbre. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Timbre. Mostrar todas as postagens

sábado, 29 de junho de 2019

Suas Cordas e seu Timbre

Como as cordas que você usam afetam seu timbre

Você sabe o quanto suas cordas definem seu timbre?

Ultimamente eu tenho abordado com frequência os diversos fatores que influenciam de uma maneira ou de outra o seu timbre final e hoje não vai ser diferente. Vou falar do quanto as cordas influenciam o seu timbre final.
Muitos guitarristas passam anos usando os mesmos tipos (e marcas) de cordas sem se dar ao trabalho de testar outras variedades.
Espero que depois desse post você deixe de fazer parte desse grupo e teste uma variedade maior.
Hoje eu vou falar um pouco sobre como usar e escolher diferentes calibres, como o comprimento da escala afeta o conforto, diferentes tipos de enrolamentos (construção) de cordas, etc.

O estilo que você toca

Antes de começarmos a olhar os tipos de cordas, você precisa analisar um fator crucial:
O estilo musical que você toca – e como você o toca.
O lance é o seguinte; um guitarrista numa banda de metal normalmente toca de maneira bastante diferente de um guitarrista de blues.
Diferente em termos de timbre, setup, tipo de guitarra, pegada etc.
Sendo assim, o primeiro passo para escolher um bom encordoamento é analisar o seu estilo. Vamos usar os mesmos exemplos:
Toca blues? Provavelmente curte um som mais encorpado e firme apesar de não priorizar a velocidade de digitação.
Toca metal? A velocidade da digitação é crucial! Aqui o timbre já não precisa ser necessariamente encorpado.

Comprimento da escala e calibre das cordas

Um fator muito pouco falado quando falamos de tipo de corda é sobre como o comprimento da escala da sua guitarra influencia o seu conforto e timbre.
Um exemplo:
Instale um encordoamento 0.10 em uma Gibson 335 e o mesmo encordoamento em uma Fender Stratocaster.
Ao testar, você vai perceber que o encordoamento fica mais firme ao toque e um pouco mais ‘duro’ na Fender Strato do que na Gibson 335.
O motivo é muito simples: A Stratocaster tem uma escala mais longa do que a 335.
Por esse simples motivo é muito comum ver guitarristas usando calibres mais grossos (0.11, por exemplo) em guitarras como a 335 ou mesmo Les Paul’s enquanto usam calibres mais leves (exemplo; 0.10) em guitarras como a Stratocaster.

Calibre das cordas

Agora chegamos a um dos fatores cruciais na escolha das cordas:
O calibre do encordoamento.
Quando falo do calibre das cordas me refiro à espessura das mesmas.
A maioria das guitarras vendidas em lojas no Brasil vem de fábrica com encordoamento 0.9 (esse número se refere à espessura da corda mais fina)
Apesar de iniciarmos tocando normalmente em encordoamentos 0.9, o mundo é muito mais vasto do que isso.
Encordoamentos de maior espessura oferecem uma variedade diferente de qualidades que devem ser levadas em conta, como:
– Som mais definido
– Maior presença de graves
– Mais firmeza nas cordas
– Agudos mais definidos
– Timbre menos embolado, etc
No entanto, aumentar a espessura traz pontos negativos que devem ser levados em conta também, sendo o principal deles o fato de que requer mais força na mão esquerda para tocar confortavelmente.
Sendo assim, mudar de um encordoamento 0.9 para um 0.11 pode trazer sérios desafios para você fazer aquele bend de 1 tom.
Outro ponto importante:
Mudanças no calibre do seu encordoamento provavelmente irá requerer um ajuste do tensor da sua guitarra. Sendo assim, um papo com aquele seu amigo Luthier é muito bem vindo nessa hora para evitar qualquer dano de longo prazo na sua guitarra.

Tipo de construção das cordas

Chegamos a um último critério e outro que muitas vezes é esquecido pelos guitarristas.
O tipo de construção das cordas.
Hoje no mercado existem três tipos comuns de construção; Roundwound (enrolamento arredondado), Halfwound (meio a meio) e o Flatwound (enrolamento reto). Vou falar um pouco sobre os dois mais populares; o Roundwound e o Flatwound.
Roundwound:
O enrolamento roundwound é de longe o mais comum e muito provavelmente é que está instalado hoje na sua guitarra.
As características são mais sustain e ataque além de um timbre brilhante característico em estilos populares como Rock, Pop e blues.
Por outro lado esse tipo de enrolamento produz maior desgaste da escala e trastes além de ser mais agressivo aos dedos do guitarrista.
Flatwound:
Ao contrário do Roundwound o flatwound já não é mais tão popular hoje em dia.
Esse era o principal tipo de encordoamento disponível até meados da década de 60 e é extremamente usado por guitarristas (e baixistas) de jazz na atualidade.
O principal motivo é o timbre característico das Flatwound: Esse tipo de construção entrega um som bastante aveludado, com poucos harmônicos e um foco grande na nota principal.
Adicionalmente esse tipo de construção tende a produzir cordas mais duráveis.
No entanto as cordas flatwound não estão restritas ao Jazz e ao baixo. Um bom exemplo de guitarristas que usaram quase que exclusivamente as Flatwounds são George Harrison e John Lennon durante o tempo de Beatles.
Quer sacar o timbre das Flatwound? Da uma ouvida em Day Triper, I want you (she’s so heavy), LA Woman (The doors), dentre outras.
E ai, já testou algum outro tipo ou calibre de cordas? Vai testar? 
Fonte: https://maquinasdemusica.com/ - por Jorge Lopes

sábado, 22 de setembro de 2018

A Estética do Timbre - Parte 1




A estética do timbre: Vou listar alguns pontos que julgo importante no timbre convencional.
        
 Peso: não confundir peso com quantidade de distorção, são características diferentes. Peso se refere ao espaço ocupado pelo instrumento dentro da música e seu leque dinâmico. Está relacionado com a riqueza das frequências sonoras que emite e a quantidade de informação que exala. É força e certeza, corpo, e por isso o peso também está ligado a execução.  Um timbre com peso é aquele que facilmente cresce e que tem suas frequências bem definidas. Uma estrutura grave nítida, médios sem exageiros e agudos brilhantes sem serem estridentes demais, com uma boa quantidade de harmônicos.
          
Definição: O conceito é simples, um timbre bem definido é aquele que possibilita escutar a guitarra e seus detalhes claramente. Para isso deve-se procurar não competir com as frequências de atuação dos outros instrumentos. Uma guitarra com grave demais confunde o baixo, com médio demais consome o arranjo da banda e com agudo demais sobrecarrega a música entrando em conflito com os harmônicos dos pratos e caixa. Por sua vez a falta de grave reduz a agressividade da guitarra, os poucos médios levam a guitarra pra trás da banda e a ausência de agudos abafa e embola a execução.  Para dosar a quantidade certa de equalização deve-se levar em conta a interação com os demais instrumentos e usá-los no complemento do timbre.
          
Distorção: essa funciona como uma compressão ao sinal da guitarra, então com excesso de distorção temos a perda da dinâmica e a perda da definição articulatória. De forma geral tentamos compensar falta de sustain com exageiros na distorção pra facilitar a tocabilidade e acabamos com o timbre. Para afinações graves é comum a perda da sensação de saturação que pode ser compensada com a abertura dos médios agudos sem aumento do drive. Em gravação recomendo sempre usar a guitarra com menos distorção pois a compressão na mixagem tem a tendência de adicionar saturação podendo comprometer o resultado final.

Ambiência: Pode ser conseguida de inúmeras formas, seja com efeitos (reverb, delay) ou com o posicionamento do microfone (gravações e ao vivo com microfonação). É aconselhável ser compatível com a quantidade de ambiência dos demais instrumentos para evitar contrastes em excesso. Um exemplo: imagine uma mixagem extremamente seca seguida de um solo carregado de reverb. Como nosso ouvido é relativo e se adapta as condições impostas, ele sentirá demais a ambiência do solo por ter se adequado a referência anterior. Mesmo que, ao escutar o solo sozinho ele não pareça estar carregado, quando inserido no contexto vai gerar desconforto. Microfonações distantes também possibilitam a entrada de ruídos externos dificultando a boa mixagem da música, seja em estúdio ou ao vivo.
         

Sustain: É a quantidade de harmônicos geradas pelo timbre, é a duração da nota após a execução. Pouco sustain quer dizer que o som some rapidamente após a articulação da nota, dificultando a execução. Vários fatores influenciam no sustain como:
  • Quantidade de distorção – Com o aumento da distorção temos o aumento do sustain, mas deve-se evitar usar isso como fonte única de correção pois o drive em excesso reduz a definição e suja demais o som.
  • Tipo de efeitos (reverb, delay, compressor) – O reverb e o delay mantém a nota soando após sua execução promovendo a sensação de sustain. O compressor aproxima a diferença de pico (volume) entre o ataque, o sustain e o decay da nota, também criando a sensação de maior duração do som.
  • O tipo de frequência sonora do timbre – Timbres com pouco corpo grave e excesso em médios agudos e agudos tem a tendência de preencher de forma carente o ambiente, sendo estridentes e gerando muita microfonia.  Esse som é áspero e cristalino demais nas imperfeições de execução prejudicando demais a tocabilidade. Por sua vez o excesso de grave cria um sustain indesejável decorrente da ressonância com o ambiente e com os outros instrumentos.
  • Acústica do local – esse sem dúvida é um dos fatores mais importantes para a qualidade do sustain. Ambientes com projetos acústicos deficientes geram muitas ondas estacionárias que anulam ou reforçam frequências dos instrumentos, mudando completamente a qualidade tonal. Ambientes abertos facilitam a fuga do som promovendo drasticamente a redução do sustain, que deverá ser compensado artificialmente através de efeitos.
  • Qualidade do equipamento – Um equipamento bem regulado, com componentes de qualidade bem ajustados evitam a perda de sustain: Madeiras mais densas, braço e trastes regulados, parte elétrica de qualidade com componentes novos, cabos blindados com metais nobres, amplificadores de qualidade e eletricidade bem fornecida são alguns dos fatores que contribuem para um resultado satisfatório. Lembre “que a corda arrebenta no ponto mais fraco”, então qualquer componente carente compromete todo o resultado.
  • Volume – Com o aumento do volume há um aumento do sustain (feedback), mas volume em excesso traz mais problemas que solução, como microfonias e hum – ressonâncias graves.
Estética: afinal a soma de todos esses fatores deve representar o tipo de idealização do guitarrista. O timbre final é aquele que, além de bem definido e construído, de fácil execução, faz jus ao esperado.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

A IMPEDÂNCIA e seus amigos



Por que alguns guitarristas usam a combinação head e caixa ao invés de Combo?

Existem muitas razões. A primeira é potência. A maioria dos amps de alta potência
só saem na versão head. A segunda é flexibilidade. O músico pode escolher entre
uma grande variedade de caixas que variam também o número e tamanho dos falantes.
Seu amp terá uma certa performance com uma 4×12, mas você também poderá usá-lo
com uma 1×12 compacta em outras situações.

Lembre-se que seu head e caixa precisam estar conectados da forma correta.


O mais importante a ser considerado é a resistência elétrica, ou impedância de
cada parte. Ela é medida em ohms e representada pelo símbolo grego ? (ômega).

Pra entender melhor as razões para as regras de conexão dos falantes,
precisamos entender um pouco de eletrônica. Pra ficar mais fácil de entender,
vamos relacioná-la a algo que já estamos acostumados e vamos tomar como exemplo
uma mangueira. Pegue a mangueira (sem o esguicho) e abra a torneira. Logo, a
água deve começar a sair da ponta da mangueira. Esse fluxo de água através da
mangueira é parecida com a corrente elétrica, que normalmente é descrita como
o fluxo de elétrons através do cabo e é medida em amperes.

Agora coloque o dedão na ponta da mangueira e tente parar o fluxo de água. A pressão
que você sente é parecida com a Tensão. Ela é a força da eletricidade que empurra os
elétrons através do cabo. Perceba que se você conseguir parar o fluxo de água (nenhuma
corrente), a pressão ainda continuará. É assim num amplificador sem falantes.


A tensão está presente, mas não há o fluxo da corrente.

Finalmente mexa um pouco o seu dedão pra que um pouquinho de água saia. Mudando a
posição do seu dedo, você consegue controlar a quantidade de água que sai da mangueira.
Ele está restringindo a corrente de água. Num circuito elétrico, “coisas” que impedem
ou controlam o fluxo de corrente tem impedância. Numa mangueira, usamos o esguicho
pra restringir o fluxo. Num circuito elétrico, a “coisa” que usa energia elétrica
e tem impedância é chamada de carga (falantes, load box, dummy load).

O que são ohms?
Ohm é a unidade de medida de impedância, que é a propriedade de um falante de
restringir o fluxo de corrente através dele. Normalmente falantes tem impedâncias
de 4, 8 ou 16 ohms.

Por quê ohms são importantes?
Se você conectar seu amplificador ao falante com impedância errada, corre o risco de
danificar o amp. Em valvulados, uma impedância muito alta (ou o falante desconectado)
pode danificar as válvulas ou o transformador de saída.
Conectar só uma caixa ou um falante num combo é mais fácil, pois a maioria dos heads
tem chaves seletoras de impedância, então é só casar a impedância do amplificador com a
da caixa ou falante. Mas o esquema fica um pouquinho mais complexo quando você tem
mais de uma caixa e precisa considerar outros fatores.

Sempre use um speaker cable, que é diferente de um cabo de guitarra comum.

Primeira regra: Não ligue o amplificador sem o falante ou caixa conectada.
Ignorar essa primeira regra pode danificar o seu amplificador, então preste bastante
atenção.
Existem alguns equipamentos que substituem o falante, como load boxes e dummy loads.
A não ser que você esteja usando um deles, lembre-se sempre de verificar se seu falante
ou sua caixa está ligada no amp.
Segunda regra: Certifique-se que a impedância do amplificador é a mesma da caixa ou
falante(s).
Um amplificador com a impedância errada pode ainda soar normalmente, mas pode estar
causando danos ao transformador, resistores e válvulas.

Em situações que você tem uma caixa com 16 ohms e saídas de 4 e 8 ohms, você pode
usar o amp setado em 8 ohms, com a caixa com 16 ohms, mas o amp nunca deve estar
setado com uma impedância maior que a da caixa.
Amplificadores podem ter duas saídas para caixas, com ligação em série ou paralelo.
Paralelo: Duas caixas de 8 ohms plugadas em um amp = carga de 4 ohms.
Em paralelo você divide a impedância total pelo número de caixas (ou falantes numa caixa).
Então se você tem duas caixas de 16 ohms conectadas ao amp, terá um total de 8 ohms.
Deu pra sacar?
Série: Uma caixa de 8 mais outra caixa de 8 ohms= 16 ohms.
Em série, você soma a impedância das caixas, ou seja, duas caixas com 4 ohms serão
vistas pelo amp com 8 ohms.


O resto é com você! Agora que você já sabe como ligar as caixas ao seu amplificador,
você pode deixar seu som com a sua cara. Usar um amp de 10W numa 4×12 pode ser incrível.
Ou usar seu monstro de 100W com uma caixa mais compacta caso não tenha muito
espaço também é adorável. As combinações são muitas. Encontre a sua!
Fontes:
http://www.prestonelectronics.com/audio/Impedance.htm
http://www.justinguitar.com/en/GG-011-SpeakerCabinets.php
http://www.georgesmusic.com/speaker-cabinets-the-world-of-ohms.html

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Loops de efeito em amplificadores

PRÉ E POWER, AS CHAVES PARA ENTENDER O “LOOP DE EFEITOS
Antes de tentarmos entender melhor o Loop de Efeitos, é importante você saber exatamente o que é o pré amp e o power.
O Pré-Amp – O estágio da “timbragem”
A função do pré-amp é aumentar a amplitude (o volume mesmo) de um sinal de áudio, preparando um sinal eletrônico que sai da guitarra para uma posterior amplificação ou processamento.
Cada pré-amp tem uma sonoridade característica, um timbre, e nesse sentido você vai encontrar várias diferenças entre cada um deles: limpos x distorcidos, vintage x modernos, vocação mais grave x vocação mais agudo… e por aí vai!
As funções principais de um pré-amp (além de aumentar a amplitude do sinal) são: distorcer (em alguns casos), equalizar e timbrar o sinal vindo da guitarra.
O Power – O estágio da “pancada”
O power transforma o sinal ainda fraco do pré-amp em um sinal forte o suficiente para gerar som no alto-falante. Ou seja, o power é o estágio de potência do amplificador, e quanto mais potente maior será o volume que o amp pode gerar.
O power também pode distorcer e timbrar, mas em geral faz isso com menos intensidade do que o pré-amp. Uma curiosidade: as distorções do pré e do power tem características diferentes. Os guitarristas que curtem uma pegada mais vintage costumam gostar mais da distorção gerada pelo power, enquanto quem curte uma pegada mais moderna costuma optar por uma distorção vinda do pré.
ENTRE PRÉ E POWER, O LOOP DE EFEITOS
Quando falamos de pedais de guitarra, eles podem ser utilizados em dois estágios diferentes: antes do pré ou entre o pré e o power. Mas para usar o pedal entre o pré e o power, o seu amplificador tem, necessariamente, que possuir um loop de efeitos. E essa, por sinal, é a função do loop: permitir aplicar efeitos depois do pré e antes do power.
Porque isso é tão importante? Ao conectar o pedal no loop de efeitos (depois do pré), o efeito é aplicado em um sinal já timbrado, distorcido e equalizado. Alguns efeitos só ficam bons se forem utilizados assim, e alguns outros efeitos soam diferentes se forem utilizados direto no input ou no loop de efeitos (vamos falar deles mais pra frente).
O importante é que o loop de efeitos te dá possibilidades!
TIPOS DE LOOP DE EFEITOS
O loop de efeitos de um amp pode ser completamente diferente do loop de efeitos de outro, e é importante entender quais as principais características que criam essas diferenças. Vamos lá!?
Loop de Efeitos Em Série x Paralelo
  • Loop de Efeitos Em série: Nesse tipo de loop, o sinal é integralmente processado pelos efeitos conectados ao loop (se houver efeitos conectados ao loop) antes de voltar ao power. Isso ocorre porque o pré-amplificador é totalmente desconectado do power quando há algum efeito conectado ao loop.
  • Loop de Efeitos em Paralelo: Aqui o sinal é dividido: parte segue para a fase de potência e outra é processada pelos efeitos conectados ao loop. Resultado disso é mais versatilidade – já que a divisão do sinal pode trabalhar como um controle de mix.
Loop de Efeitos Ativos x Passivos
  • Loop de Efeitos Ativo: Sem perda de sinal. Esse loop também é chamado de buffered ou buferizado (porque contém um buffer). O loop ativo casa bem a impedância de saída do pré com a impedância de entrada do pedal.
    Outro ponto interessante é que o loop ativo também recupera as perdas sofridas pelo sinal ao passar por um circuito externo.
  • Loop de Efeitos Passivo: Pode ocasionar perda de sinal, principalmente nas frequências mais agudas (acontece mais se forem ligados muitos pedais no loop). Podem ser problemáticos porque alguns pedais devolvem um nível de sinal muito abaixo da saída do pré, e acabam atenuando demais a saída do amp.
    Esse tipo não “regenera” o sinal da guitarra, fazendo somente o casamento de impedâncias.
DICAS PRÁTICAS SOBRE O LOOP DE EFEITOS
Agora vamos ao que realmente interessa: como esse conhecimento pode ser útil na prática! Quais pedais usar no input? Quais usar no loop? Quais os tipos de loop? Vamos responder todas essas perguntas.
Loop de efeitos como saída de linha
O loop de efeitos pode ser utilizado como alternativa para saída de linha (ligando-se o SEND na entrada da interface de áudio ou na mesa de som).
ATENÇÃO: mesmo que seja utilizado dessa forma, a maioria dos amplificadores valvulados precisa que na sua saída seja ligado um alto-falante ou uma dummy load.
Loop de efeitos para usar pré de um amp e power de outro
O loop de efeitos permite que o pré-amp seja utilizado com outros powers (no caso de se desejar mais potência, por exemplo) ou que o power seja utilizado com outros prés (no caso de se buscar um timbre diferente).
Para fazer isso, basta conectar o SEND do amp que você quer utilizar o pré no RETURN do amp que você quer utilizar o power.
ATENÇÃO: o mesmo dito acima se aplica aqui. Vou até repetir para não ter erro: mesmo que seja utilizado apenas o pré do amp, a maioria dos amplificadores valvulados precisa que na sua saída seja ligado um alto-falante ou uma dummy load.
Pedais no loop x Pedais no input - Quais pedais devem ser conectados no loop? E quais devem ser conectados no input?
  • Pedais que devem ser conectados no Loop de Efeitos – Principalmente quando falamos de timbre distorcidos, alguns pedais funcionam melhor depois das distorções.
    Pra dar alguns exemplos: os pedais de 
    delay e reverb quando colocados antes de um amplificador de alto ganho acabam embolando muito o som. Por isso, delay e reverb sempre devem ser ligados no loop.
    Já alguns efeitos produzem características 
    diferentes se forem utilizados no loop ou no input. É o caso de: chorus, phaser, flanger e boost. O boost, por exemplo, quando é utilizado em um amp que já esteja com timbre distorcido, gera um aumento da distorção se for utilizado no input e um aumento de volume se for utilizado no loop.

  • Pedais que devem ser conectados no Input – Como dito acima, alguns pedais 
    podem ser ligados tanto no input quanto no loop, com resultados diferentes. São eles: 
    chorus, phaser, flanger e boost.
    Existem ainda alguns pedais que devem ser ligados no input: 
    distortion, overdrive, fuzz, compressor, wah wah, afinador e noise gate.


sexta-feira, 22 de abril de 2016

E ai, uso amplificador ou não ?


INTRODUÇÃO
Nos últimos anos, como profissional que visita várias igrejas e casas de eventos em geral, senti uma verdadeira invasão do conceito de que os cubos e baterias acústicas são os grandes vilões dos grupos musicais. Assim, vários grupos, optando pelo “bem maior” da plateia, resolveram abolir o uso. “Vamos ligar tudo na mesa”, disseram animados, o que realmente trouxe várias vantagens para os operadores de áudio. A principal delas é a diminuição das fontes sonoras que não são controláveis pelo “cara do som”. Assim, a mixagem fica muito mais flexível, diminuindo a famosa “guerra de volumes” que tanto discutimos no meio.
Antes, com os cubos individuais, o operador poderia até cortar nos PAs o sinal de determinado instrumento, mas ainda haveria no ambiente o áudio gerado pelo amplificador, que, muitas vezes, ainda é demais para a mixagem pretendida.
Agora, depois de cortados e empilhados todos os cubos na “salinha do som”, o operador de áudio sente-se todo poderoso, podendo fazer o que bem entender em cada mixagem. Se for instalada uma bateria eletrônica então, nem se fala…
O operador, que até então só era responsável pelas vozes, e quem sabe pelo teclado e violão, parte para a missão de mixar uma banda completa. Os que reclamavam do alto volume das programações elogiam, mas depois de algum tempo de percepção musical, começam novos problemas:
  • “Essa bateria eletrônica é horrível, hein?!”;
  • “Não dá pra aumentar o violão?”;
  • “Cadê os grave do baixo?” (com erro de português e tudo);
  • ou então a clássica: “O som da minha pedaleira fica muito melhor no cubo”.
Pois é… E agora? Antes de cortar, sem dó nem piedade, os cubos do palco, você se perguntou se o sistema de sonorização tem capacidade de atender a banda toda “em linha”? O volume que antes era gerado com o auxílio de vários amplificadores e instrumentos acústicos, você terá que fazer só com esse “PAzinho”! Você se preocupou em ver se suas caixas têm resposta de frequência compatível com o timbre gerado por um contra-baixo ou uma bateria eletrônica? Ou então, indo um pouco mais longe no técniquês, se perguntou se há recursos de processamento mínimos para que você faça uma mixagem com qualidade, sem virar essa salada que virou?
Por essas e outras, já me peguei em diversas ocasiões sugerindo a utilização de cubos, mesmo onde, a princípio, parece uma péssima escolha. Quer um exemplo? Os cubos são uma ótima alternativa para quem está com o sistema de sonorização em construção. Ou seja, ainda não há recursos técnicos suficientes para fazer uma mixagem com qualidade nos PAs, e nem para uma distribuição homogênea de retornos para todos os músicos. Às vezes, a mesa de som temporária não tem nem canais suficientes para ligar todos componentes da banda.Também é importante citar os casos em que o equipamento de som simples e descomplicado não é algo temporário,  e sim uma decisão de aquisição. Uma igreja sem operador de áudio, por exemplo.
Às vezes, é melhor uma mixagem sem controle pelo operador, com mais volume do que o ideal e um pouco embolada; do que uma mixagem sob controle do operador, mas com péssimas condições de retorno para os músicos, trabalhando com o sistema em níveis de saturação e gerando um resultado totalmente embolado para o público.
Agora, para se obter um resultado satisfatório com a utilização de diversos cubos no palco, é necessário utilizá-los corretamente.
DICAS PRÁTICAS
1. QUAL CUBO USAR?
Para começar, um que seja adequado ao seu instrumento. Um cubo de contra-baixo, por exemplo, é desenvolvido com componentes que respondem de maneira ideal ao timbre gerado do instrumento. Isso vai desde o(s) alto-falante(s), a amplificação, o projeto da caixa (litragem interna, dutos de ar, etc), e até os recursos personalizáveis pelo usuário, como o tipo de equalização e outros recursos comutáveis.
Para uso ao vivo (há exceções para esse raciocínio! Estou dizendo isso embasado na grande maioria dos produtos disponíveis no mercado  brasileiro), sugiro amplificadores com potência mínima de 50w. Não pela potência em si, mas porque os amplificadores com potência menor a essa costumam ser destinados a estudo, ou seja, são bem baratos, e limitados quanto à sonoridade e recursos. Os produtos de 50w ou mais já tendem para uso profissional, e já possuem melhores componentes.
2. COMO POSICIONAR NO PALCO?
Os cubos projetam seu som para frente, ou seja, o músico deve estar posicionado à frente do amplificador. Se o cubo é a única fonte sonora do instrumento no ambiente, é importante que esteja posicionado de frente para a plateia, mas ainda sim de frente para o músico, para que não deixe de desempenhar seu papel de retorno. Conforme a ilustração:
ilustracao cubo 1
Agora, se o cubo está sendo utilizado apenas como retorno, a posição recomendada é de lado em relação ao palco, mas ainda de frente para o músico. Assim, o músico terá a melhor audição possível, e interferirá muito menos no som gerado pelos PAs. Conforme a ilustração:
ilustracao cubo 2
Procure manter os alto-falantes direcionados para  seus ouvidos. Deixar o cubo no chão, olhando para suas pernas, fará com que você necessite de mais volume para ouvir bem, e ainda fará com que você ouça o som de forma indireta, ou seja, já influenciado pelas reflexões acústicas do local. É mais volume no ambiente, e som mais embolado nos seus ouvidos. Alguns cubos possuem um corte inclinado na parte de trás, para que possam ficar no chão, e ao mesmo tempo, voltados para o músico. Caso não tenha esse recurso, coloque seu cubo em um suporte próprio, ou no mínimo, em cima de uma cadeira.
É importante comentar a importância de manter certa distância entre o músico e o cubo. As frequências mais graves possuem comprimentos de onda grandes, sendo que algumas frequências podem chegar facilmente aos 3 metros! Ou seja, para ouvir claramente tais frequências a uma distância muito curta, o músico terá que disparar muito mais volume do que se estivesse na distância adequada. E o público, ou até mesmo os outros músicos no palco, ouvirão o som do instrumento em volume muito maior que o próprio músico, uma vez que estão mais distantes, e ouvem as ondas após completarem os ciclos completos. Entenda que aí começamos a mergulhar em conceitos um pouco mais profundos, que necessitariam de uma explicação mais técnica para que fossem compreendidos. Como não é o objetivo desse artigo, resumo esse tópico com uma dica: mantenha distância de pelo menos 1 metro do cubo. Se o palco permitir, fique entre 1 e 3 metros para uma audição ideal.
A utilização dos cubos em distância superior a 3 metros não é necessariamente errada, mas só é coerente no caso de grandes palcos, onde o volume dos mesmos não precisa ser tão dosado, como nos pequenos locais que são o foco deste artigo.
3. QUANTO VOLUME UTILIZAR?
Se estiver utilizando o cubo apenas como retorno, a resposta é bem simples: utilize o mínimo que precisar. O cubo servirá para que você ouça seu instrumento com qualidade e definição, além de preencher o palco com o som de seu instrumento. Evite incomodar os  “vizinhos”.
Agora, se estiver utilizando o cubo como única fonte do instrumento no ambiente, é importantíssimo que haja interação entre o músico e o operador de áudio. A princípio, utilize no volume mínimo para retorno. Atendendo às recomendações deste artigo, você perceberá que dá para ouvir bem com pouco volume disparado! A partir daí, busque a referência de como está a audição do instrumento para o público. Às vezes será necessário aumentar ou abaixar um pouco. Localize o meio termo entre volume satisfatório de retorno e equilíbrio com o resto da banda.
4. CASOS PARTICULARES
  • Contra-baixo: Sem dúvida, a maioria dos sistemas de sonorização de pequeno porte não tem recursos para reproduzir o som de um contra-baixo com qualidade. Por isso, vejo aí um ótimo candidato para utilização no cubo. E, mesmo que o sistema de PA seja bem projetado, capaz de reproduzir com qualidade o instrumento para a plateia, ainda sobra o problema da monitoração. Nem sempre temos um monitor de chão ou fone de ouvido que dê uma referência de qualidade do instrumento para o músico.
  • Guitarra: Aqui temos uma discussão e tanto! Os amplificadores de guitarra, em especial seus alto-falantes, são projetados de maneira a atender exclusivamente esse instrumento, o que acaba produzindo respostas sonoras bem particulares. Podemos também destacar características típicas de cada fabricante. Alguns guitarristas localizam em determinada marca um timbre mais adequado àquilo que espera de sua guitarra. Por isso, vários guitarristas fazem questão da utilização dos cubos.Para solucionar esse problema, vários fabricantes de pedais e pedaleiras incluíram em seus produtos os “simuladores de amplificador”, ou seja, recurso capaz de simular a presença de determinado cubo, simulando também o resultado sonoro produzido por ele. É óbvio que aí temos MARCAS e marcas, PRODUTOS e produtos. Simuladores de qualidade realmente conseguem produzir tais características sonoras com bastante precisão. A utilização ou não desses recursos é uma discussão que tange ao gosto pessoal de cada músico, mas é óbvio que, com equipamentos de qualidade, fica mais fácil “tirar” som de qualidade, seja no cubo ou no sistema de PA.
PONTO DE VISTA FINANCEIRO
Como tudo no áudio, o mercado nos oferece produtos baratos e produtos caros.
Se você está vendo nos cubos uma solução definitiva para seu sistema de sonorização, procure por produtos de qualidade, que trabalhem com certa folga de potência, e que atendam às expectativas sonoras do(s) músico(s).
Se você está vendo nos cubos uma solução temporária, enquanto o sistema de sonorização não é montado de forma ideal, pense bem se vale a pena gastar dinheiro com isso… O que seria investido em “cubo pra todo mundo” não daria uma boa agilizada na aquisição dos equipamentos que estão faltando?
Por mais que pareça impossível em curto prazo, tenha em mente e nas mãos o projeto do sistema de som perfeito para você. Procure investir nos equipamentos que farão parte de forma definitiva no “som ideal” de vocês. Evite desperdiçar dinheiro em equipamentos temporários ou quebra-galhos, e dê preferência para antecipar aquisições do projeto ideal.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Não podemos taxar o uso de cubos como prejudicial à qualidade do áudio, nem muito menos tomar como exigência boba por parte do músico. É um recurso que pode sim trazer benefícios, mas deve ser utilizado observando regras, para que se tenha o melhor desempenho possível, e sem se esquecer do contexto onde se está inserido. Nem sempre som mais alto é som melhor.
Fica claro também, em especial para os operadores de áudio, que trabalhar sem os cubos normalmente é melhor (para guitarristas e baixistas não), mas para isso, o sistema de sonorização precisa ser capaz de reproduzir com qualidade a mixagem de toda a banda, tanto para o público, quanto para o sistema de retornos.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Distorções : A história





A Distorção

A distorção que todos adoramos foi criada por acaso, utilizando amplificadores em volume máximo, fazendo com que o amplificador entrasse em operação crítica e trabalhasse em regime de não linearidade, o que fazia com que o amplificador modificasse o sinal da guitarra, de tal forma, que parecia com que fosse um outro instrumento.

Outro modo com que também se atingia a distorção, era quando amplificadores ou suas válvulas eram danificadas, ou até mesmo danificando o cone do amplificador com furos ou com alfinetes propositadamente para se conseguir o efeito.

Durante a gravação da música "Rocket 88" (Considerada a primeira canção Rock 'n' Roll da história), Ike Turner e o guitarrista Willie Kizart usaram um amplificador danificado,
resultando provavelmente na primeira gravação da guitarra distorcida.
Durante uma apresentação da banda Johnny Burnette Trio, uma válvula do amplificador caiu, fazendo com que o som de sua guitarra ficasse distorcido.

Quando viu as críticas comentando sobre seu "novo som", Burnette resolveu recriar o efeito em estúdio.

Outro bom exemplo foi quando o guitarrista Link Wray acidentalmente deslocou uma válvula do amplificador criando um som sujo e ruidoso, e acabou criando o hábito de fazer isso para utilizar esse efeito "sujo" em seus solos. Observando esse feito, Leo Fender desenvolveu uma nova série de amplificadores valvulados que criaria o efeito Overdrive.

Já no começo dos anos '60, os pedais FuzzBox foram popularizados por guitarristas como Jimi Hendrix e George Harrison.





Pedal Gibson Maestro Fuzz-Tone FZ, um dos primeiros pedais FuzzBox a serem comercializados (1963)
Gibson Maestro - Fuzz-Tone


Como funciona a Distorção ?

O modo mais simples de se conseguir distorção, é simplesmente fazer com que o amplificador "sobrecarregue", fazendo com que o amplificador toque acima de sua capacidade e não consiga "aturar" o som natural de sua guitarra.
Quando um amplificador tenta reproduzir mais do que seu limite, o amplificador "corta" parte da frequência sonora, criando então um som distorcido, este efeito se chama clipping.
Para conseguir este efeito basta você abaixar os tons graves e agudos de seu amplificador, e aumentar os médios, isso faz com que o amplificador emita um som que o amplificador geralmente não consegue lidar, criando um efeito distorcido, parecido com o overdrive.

Outro modo de conseguir distorção, é danificando o cone dos amplificadores, ou as válvulas, de amplificadores valvulados.

Hoje ninguém mais utiliza os métodos antigos de distorção, que hoje podem ser conhecidos como "Véi, meu amplificador tá quebrado!".

Atualmente contamos com milhares de pedais e amplificadores capazes de reproduzir o efeito ( entrarei em detalhes em futuras postagens )

Mas como isso ocorre ?

Como o próprio nome diz, a distorção altera o sinal da guitarra (frequência sonora), fazendo com que o som saia "distorcido".
O efeito é realizado comprimindo os picos da frequência sonora da guitarra, o que isso quer dizer?






Reparem na imagem acima, a primeira frequência é a frequência original do som de sua guitarra, a segunda, é uma frequência "clipada" de modo suave, ou seja, comprimindo os picos da frequência para dentro de seus "limites" (A linha pontilhada). E o terceiro exemplo, comprimi o sinal de forma "forçada", fazendo com que os picos formem "paredes" ao alcançar as linhas pontilhadas, deixando então o sinal com uma forma quadrada.

E obviamente, uma frequência sonora, quando alterada, muda também o timbre e a sonoridade do instrumento, neste caso, criando um efeito de distorção.

Hoje o efeito de distorção é utilizado somente com pedais e amplificadores que já possuem o efeito, e não é preciso danificar nenhuma peça do amplificador para se conseguir distorção.
O efeito de distorção hoje, é produzido simplesmente com o uso de transistores, amplificadores operacionais, ou outras peças eletrônicas que são capazes de "clipar" a frequência sonora que seu instrumento produz antes deste chegar ao seu amplificador, transformando totalmente o som de sua guitarra.

Vale lembrar que toda alteração da frequência sonora é considerada uma distorção, mesmo que esta alteração você conheça como Flanger ou Wah-wah, por exemplo.


quarta-feira, 14 de outubro de 2015

De onde vem seu timbre ?



Bom, meus amigos... Parem e pensem! Quantas mil coisas nós guitarristas temos que pensar e abordar na hora de um show, um vídeo, um ensaio ou uma gravação? Muitas coisas! Tais como o que falar, quantos takes gravar, qual equipamento priorizar, repertório, como tocar, com quem tocar, etc... Mas, espere. Será que não estamos esquecendo de nada?

Não? Não mesmo?? Pense bem... Sim, estamos esquecendo do TIMBRE!

Comecei a escrever dessa forma para exemplificar uma realidade que vivemos! Muita gente não pensa diretamente no timbre... E, quando pensa, acaba não pensando da forma correta. É preciso saber como aproveitar melhor o seu som!

De onde vem o timbre? Das suas mãos!

Primeiro, de onde vem o timbre? Logicamente, de suas mãos! Suas características físicas vão determinar certas coisas, como leveza, sutileza e polidez do seu toque. Isso determina o quão “orgânico” e expressivo pode ser sua forma de tocar! Timbre é uma coisa extremamente importante, é sua marca registrada e isso sai de você!

Se observarmos bem, o timbre é afetado diretamente por vários micro-detalhes que estão em suas mãos:

- A forma como você abafa as cordas (tanto com a esquerda quanto com a direita);
- Como você faz seus vibratos e bends;
- Como você puxa um harmônico artificial;
- A força e o ângulo da sua palhetada;
- Onde exatamente sua palheta toca as cordas (mais perto da ponte ou próximo ao braço);
- Como você combina ligados com palhetada, e outros detalhes.

Claro que os equipamentos ajudam, mas tudo começa com o refinar de seu toque e o uso de suas técnicas.

Podemos ver esse fato através de um grande guitarrista: Sr. Satriani! Autoridade musical... referência em boa musicalidade, técnica e timbre! O Satch se consagrou usando o amplificador Peavey 5150, originalmente elaborado por Eddie Van Halen, e depois passou a usar o Peavey JSX, e, recentemente, o Marshall JTM. Ou seja ele usou vários modelos de amps durante sua carreira, porém sempre tirou um som característico, um timbre familiar conhecido por seu admiradores. Bastam duas notas para você saber quem está tocando, independentemente do equipamento!

Agora, por que bastam duas notas?? Por causa do amp dele? Por causa de suas guitarras? Meus caros... não sejamos inocentes... Quantas mil pessoas usam Peavey, Marshall e Ibanez... são marcas extremamente fortes e de amplitude mundial... Se fosse dessa forma, todos teriam esse timbre! Então... é o toque! São movimentos e técnicas que a própria experiência lhe trazem!

Me lembro da primeira vez que me toquei para essa questão de timbres. Exatamente uma década atrás, quando assisti a uma apresentação do guitarrista Heitor Mazzotti em Piracicaba, cansado de ouvir caras tocando muito igual durante anos, fui ver esse maluco fazer um show tocando temas instrumentais e composições próprias. Aquilo foi impactante, pois havia timbre... havia personalidade musical... e o amp do cara era um Mesa Boogie e a guitarra uma Ibanez! Um equipamento padrão para guitarristas de metal!

Foi um show que eu sai com a cabeça embaralhada... Sem saber ao certo se eu realmente tocava guitarra, ou dublava! Saí meio derrotado, mas pronto para tentar vencer! Eu tinha acabado de ouvir um guitarrista com um timbre e uma musicalidade muito própria! Agora, por que isso? Porque ele tem uma técnica impressionante... Não só isso, mas porque ele tem timbre, originalidade, e identidade! E esse é o segredo dos grandes guitarristas.

Equipamentos e timbre

Mas aí, qual a real função de nossos equipamentos? Por que então investimos tanto se o som realmente não está só nos equipamentos? Vejamos.

Seu equipamento é um meio para seu timbre fluir bem. Imagine um grande piloto de Fórmula 1, como Ayrton Senna, que foi um gênio, um ídolo na sua profissão. Um grande piloto possui um carro extremamente potente! Mas, se ele é bom mesmo, por que não pilota um carro comum? É simples. Será que um carro qualquer trás a estabilidade necessária em uma curva, e consegue ter o torque necessário em uma reta? Então, é isso! O carro é uma ferramenta para ele executar da melhor forma suas habilidades de guiar.

Voltando ao mundo da guitarra, nossos equipamentos são ferramentas que usamos para conduzir da melhor maneira nossa tocabilidade. O timbre vem de nós, e o equipamento é um meio de conduzir isso.

Sempre tive a oportunidade de tocar em vários amps, e digo a vocês, quando ligo minhas guitarras em um Mesa Boogie, um Marshall ou um Peavey, sinto uma diferença muito grande na sonoridade do meu timbre. Vejo que os amps caracterizam muito o timbre! Caracterizam, mas não definem! Com a guitarra é a mesma coisa. Mas, quando plugamos guitarras diferentes no mesmo amp, percebemos que a diferença entre elas é mais sutil.

Timbre e pedais de efeito

Sobre pedais... Ouço muitos enganos sobre isso. Pedais não timbram! Eles apenas cumprem uma função e, por isso, são chamados de pedais de efeito. Eles agregam pouquíssimo no seu timbre. Às vezes, o pessoal se engana nesse ponto, achando que um pedal ou pedaleira vai lhe trazer o timbre desejado... Não, ele agrega um determinado efeito, apenas isso! Tudo continua soando através do seu amplificador e guitarra, somados a sua maneira de tocar!

Uma dica de timbre em gravações

Já que o timbre não está nos pedais, seja o mais simples possível numa gravação. Uma boa guitarra, um bom amplificador e um bom cabo, assim você garante mais sinal no seu som. Efeitos podem ser adicionados através de plug-in's depois na hora da edição.

As dúvidas mais frequentes

Agora, vou aproveitar certas dúvidas clássicas que sempre surgem para continuar a escrever esse artigo. É legal fazer dessa forma para nos concentrar nas principais dúvidas do pessoal!

É possível extrair um bom timbre de equipamentos mais baratos?

Não vou dizer que é algo impossível, mas um equipamento de baixa qualidade compromete seu timbre. A construção e componentes de determinado equipamento podem te prejudicar na qualidade do som que acaba interferindo na maneira que seu timbre é trabalhado!

Quero comprar certo equipamento (guitarra, amplificador ou pedal), pesquisei e assisti a muito reviews. Estou seguro do produto que vou comprar?

Muita atenção nesse ponto! Lembre-se que o review que você está assistindo trás um determinado músico extraindo as sonoridades de um equipamento de acordo com suas próprias características musicais! Pode ser que, ao adquirir o equipamento, você sinta certas diferenças nos timbres.

Guitarrista bom tira som de “qualquer” coisa?

A princípio, sim! Mas, com certeza, um cara que toca bem terá escolhas mais seletas e pensará mais na qualidade daquilo que sai de seus falantes.

Timbre é algo que trás muitas dúvidas e velhos mitos que hoje em dia já não fazem mais sentido. Muitas coisas mudaram, novas coisas foram agregadas, mas ainda temos um fator determinante no timbre: o próprio guitarrista. É dessa forma que muitos guitarristas se tornaram ícones, por trazer uma forma totalmente particular na hora de tocar.

Nunca vi ninguém ser reconhecido por conseguir timbrar igual o Steve Vai! Mas sempre vi caras serem enaltecidos por possuir uma musicalidade própria e é disso que temos que correr atrás! Esse é o tal segredo!

Lembre-se: tudo parte da gente, equipamentos e afins são artefatos que com o tempo vamos descobrindo para melhorar a condição de nossos timbres.



Fonte:http://www.guitarcoast.com