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quinta-feira, 18 de julho de 2019

6 inventores que não eram músicos, mas mudaram a história da música!


Muitos instrumentos musicas que nós vemos por aí tem um nome estampado em sua madeira. É só pensarmos um pouco que vários nomes já surgem, entre eles estão Taylor, Fender, PRS, Gibson, Gretsch e outros. Nós sabemos que Bob Taylor e Paul Reed Smith tocavam guitarra, também existem evidências que Orville Gibson era um músico renomado, que tocava guitarra de canhoto, nos anos 1890. Mas tocar algo não é uma regra para todos os empreendedores que tem seus nomes estampados em alguns instrumentos.

Na verdade, alguns dos maiores inovadores da indústria dos instrumentos musicais estavam longe de serem músicos. Levados pelo amor, artesãos e engenheiros vestiram a roupa de Luthier e conseguiram entregar aquilo que nós precisávamos.

Este artigo explora a história de seis dessas pessoas que estavam longe de ter alguma inclinação musical, mas que mesmo assim causaram um grande impacto na indústria de instrumentos.


C.F. Martin Sr.


Por seis gerações os membros da família Martin estão administrando a Martin Guitars Company, a empresa possui em seu catálogo alguns dos melhores violões do mundo. Esse legado começou com Christian Frederick Martin Sr nascido em 1796 ele continuou o trabalho de uma longa linhagem de marceneiros.

Influenciado por seu pai Christian começou a ficar fascinado pela construção de violões na sua adolescência. Na Alemanha, o violino e violoncelos eram os instrumentos mais populares da época, sendo assim o garoto de 15 anos teve que mudar para Viena para aprender a construir violões com um dos melhores Luthiers da época, Johann Stauffer.

Depois de muito tempo Martin mudou-se para os Estados Unidos pois achava que na América poderia vender mais instrumentos. Em 1833, na cidade de Nova York ele abre sua primeira loja de violões. Cinco anos depois ele compra um terreno em Nazareth, Pensilvania e constrói a primeira fábrica da Martin Guitarra Factory.

Quando perguntaram para Dick Boak, Diretor do Museu de Arquivos da Martin e Companhia, sobre as habilidades musicais de Martin ele respondeu; “Eu suspeito que C.F. Martin Sr sabia como um violão funcionava, conseguia tocar alguns acordes básicos e sabia afinar um instrumento, o que é mais do que o necessário para qualquer Luthier”.

Dick Boak também relata que era Ottilia, a esposa de Martin, tinha todo o talento musical da família. Ela era um excelente musicista, que sabia tocar violão e harpa.


Laurens Hammond



O homem que construiu o mundialmente famoso piano Hammond nunca tocou um instrumento, mas Laurens Hammond balanceava a sua falta de habilidade musical com seus conhecimentos em engenharia, já que ele é tido como um dos maiores engenheiros dos século 20.

Hammond tinha apenas 16 anos quando ele recebeu sua primeira patente em 1911 para um design melhorado de um barômetro. Depois de se formar na Cornell University em mecânica e engenharia, ele iria trabalhar projetando algumas peças para a marinha.

O menino encontrou seu primeiro sucesso quando inventou um motor elétrico para relógio melhorado, essa invenção deu início a Hammond Clock Company em 1928. Mas no meio de 1930, ele precisava de uma nova invenção para que essa empresa não entrasse em falência.

A imaginação de Hammond, junto com seu amor pelos órgãos de igreja e sua necessidade para encontrar um novo propósito para o seu motor de relógio eletrônico se alinharam perfeitamente quando ele finalmente inventou seu órgão elétrico.

Mas Hammond não conseguia tocar o instrumento, foi então que ele rodeou por diversos empregados que tinham um alto nível de conhecimento musical, esses que o ajudam muito a revisar a sua invenção. O primeiro órgão elétrico foi construído em 1935 e vendido para o lendário compositor de Jazz, George Gershwin.


Fred Gretsch jr.



O Homem que liderou a Gretsch Company por 47 anos em que a empresa teve diversos avanços em inovação e tecnologia não tinha nenhuma aptidão para a música.

Fred Gretsch tinha apenas 15 anos quando herdou uma pequena loja de música que pertencia à sua família no Brooklyn. Seu pai, Friedrich, tinha começado esse negócio em 1883 mas morreu inesperadamente durante uma visita a sua família na Alemanha.

O jovem e ambicioso conseguiu com sucesso crescer o negócio da família abrindo 10 novas lojas no ano de 1916. Em 1920 a Gretsch Company iria se tornar a maior produtora de instrumentos musicais em todos os Estados Unidos.

Sempre procurando formas de melhorar e inovar, Fred Gretsch desenvolveu uma revolucionária caixa de bateria. Essa invenção logo se tornou o padrão para toda a bateria e é utilizada até os dias de hoje.

Enquanto Fred estava liderando o negócio de instrumentos da família ele acabou se envolvendo com bancos. Em 1930, Gretsch foi nomeado Vice Presidente do Lincoln Savings Bank do Brooklyn, e depois de 47 anos como a cabeça da Gretsch Company, Fred se aposenta e deixa seu filho Fred Jr em seu lugar. Seu filho iria levar a empresa a sua era de ouro durante os anos 1950 e 1960.


Bob Moog



Quando criança, Bob Moog era forçado a ter aulas de piano pela sua mãe, uma professora desse instrumento. Mas ele sempre gostou mais das ferramentas do seu pai do que das aulas da mãe, e por muitas vezes ia até o porão consertar coisas ao invés de ir às aulas. O menino passou inúmeras horas com seu pai construindo rádios, amplificadores e até mesmo órgãos.

A vida de Moog iria mudar quando ele conheceu o Teremim, o primeiro instrumento musical electrónico. Ele ficou obcecado pelo aparelho e começou um pequeno negócio vendendo teremins e alguns aparelhos para o instrumento. Algum tempo depois ele se formou em engenharia elétrica e física.

Depois de se tornar amigo de Herb Deutsch, um famoso tocador de Teremim da época, ele construiu um sintetizador. A invenção de Moog foi conectar um teclado ao instrumento, inovação essa que mudou a indústria do áudio em 1964.

A segunda contribuição Moog vem no ano de 1971 com o lançamento do revolucionário Minimoog Model D. Um portátil que tinha 44 teclas e vinha com uma interface cheia de Knobs, o que ia completamente contra o que se estava fazendo na época.

Esse compacto e amigável instrumento foi um grande sucesso nos anos 1970 e 1980. Muitos músicos famosos utilizaram a invenção, entre eles Keith Emerson, Rick Wakeman, Steve Wonder e muitos outros.

Ele sempre dizia; “Músicos sempre vem com coisas que eu não poderia imaginar. Eu sou um engenheiro, e me considero um produtor e os músicos são os meus clientes, eles são aquilo que eu produzo”.


Joseph Rogers

O fundador por trás da Roger Drums não era nem um músico e muito menos um baterista. Ele fez o seu nome na indústria fazendo uma pele de pêlo de bezerro que possuía uma ótima qualidade.

Joseph Rogers aprendeu essa técnica na sua cidade natal, Dublin na Irlanda. Ele emigrou para os Estados Unidos em 1840 e abriu sua primeira loja de tecidos para instrumentos nove anos depois. Ele oferecia diversas peles em seu estabelecimento, essas que eram muito superiores às dos seus concorrentes, que não tinham a mesma durabilidade.

A fama dos produtos de Rogers se espalhou rapidamente, fazendo com que ele fosse o maior fornecedor de pele de bateria para o Union Army durante a guerra civil americana.

O filho de Rogers chamado Cleveland iria começar a produzir baterias no ano de 1930. Os instrumentos produzidos pela marca vieram a ser realmente notados depois dos anos 1953, quando a empresa foi vendida para uma grande companhia do ramo da música.

Leo Fender



Muitos já sabem que Clarence Leo Fender não conseguia tocar nem um pouco de suas maravilhosas guitarras elétricas. Mas poucas sabem que ele teve aulas de piano e saxofone, o que não era de muita ajuda, já que fender não tinha muita habilidade com os instrumentos.

Quando Fender tinha 14 anos começou a ficar fascinado pelas peças de rádio que seu tio desmontava. O rádio ainda era uma invenção muito nova nos anos 1920, e a alta qualidade de som ainda espantava muitos adolescentes. O menino aprendeu tudo que podia sobre as peças do equipamento e logo começou a consertar alguns rádios por diversão.

Fender se formou em contabilidade na faculdade em 1930 e seguiu essa carreira por quase uma década. Felizmente para o mundo da música, ele foi demitido diversas vezes durante a grande depressão e, muito frustrado, decidiu perseguir a sua paixão de adolescência, foi assim que começou a reparar amplificadores.

Pedindo um empréstimo de 600 dólares ele começou sua modesta Fender Radio Service em 1938 na cidade de Fullerton, Califórnia. Com um contato diário com os aparelhos elétricos dos amplificadores, Fender começou a estudar e a construir o seu próprio produto.

Leo viu que o verdadeiro negócio estava no instrumento que era amplificado, e não no amplificador. Foi então que ele inventou a guitarra Fender Havaí, mas esse instrumento ainda não era o ideal para Fender, que não parou de estudar novas possibilidades a fim de construir uma guitarra elétrica.

Na primavera de 1950 Fender mostrou ao mundo a Esquire, a primeira guitarra elétrica de corpo sólido comercialmente vendaval e produzida em grande escala do mundo. A Telecaster e Stratocaster logo seriam introduzidas ao Hall da fama de Fender. Era questão de tempo para que a revolucionária invenção de Leo Fender conquistasse os corações e mudasse a história dos instrumentos musicais e da cultura pop.

Mesmo não sendo músico, Leo Fender foi incluído no Hall da Fama do Rock em 1992. Quando os Rolling Stones foram lançados em 1989, Keith Richards honrou Fender dizendo; “Muito obrigado a Leo Fender, que fez instrumentos para nós podermos tocar”.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Qual a diferença entre guitarra e violão?





Parece uma pergunta boba, mas já vi respostas absurdas. Mas enfim, existe alguma diferença entre guitarra e violão? Se eu aprender violão, posso tocar guitarra depois? Tocar guitarra é diferente de tocar violão?
Vamos entender um pouco mais sobre a semelhança e a diferença entre guitarra e violão.

Nome e surgimento da guitarra

Dos dois instrumentos, o violão nasceu primeiro. O violão nasceu bem antes e seus “avós” vieram de instrumentos antigos, como o alaúde, a lira, cítara, etc. Observe o nome “cítara”, original da palavra chitarra, que em português tornou-se guitarra.
Voltando para os dias de hoje – aqui no Brasil o nome é diferente, mas em outros países, como Estados Unidos e Espanha por exemplo, é tudo guitarra.
Guitarra (Br) = Guitarra elétrica (outros países)
Violão (Br) = Guitarra acústica (outros países)
Em países assim, eles fazem a diferença entre guitarra e violão citando se um é elétrico ou acústico (sem eletricidade).
Então, antes da criação da guitarra elétrica,

Guitarra elétrica


apenas tínhamos a guitarra acústica (violão)…

Guitarra acústica

A guitarra elétrica foi criada a partir de uma necessidade de se amplificar o som do violão, quando no início do século XX (século passado) o crescente número de ouvintes que prestigiava apresentações musicais precisava de maior volume para curtir performances em casas noturnas e grandes salões. Além disso, as bandas de música da época possuíam em sua formação instrumentos com grande poder de volume. Não era possível competir com o volume de um trompete por exemplo… Não é verdade? então fatalmente o volume (do coitado) do violonista sumia no palco…

Foi ai que os fabricantes (vamos deixar os detalhes pra outro tópico) de violão ou guitarra acústica pensaram: Como faremos para o instrumento ficar com maior volume?
Inicialmente, os fabricantes tentaram apenas colocar formas de captar um violão normal e amplificar o som. Surgiu um problema: o corpo do violão é oco internamente e, quando adicionado maior volume ao som, isso causa um efeito chamado feedback que gera a microfonia, um apito ensurdecedor (você já deve ter ouvido isso em shows ao vivo).
Então pensaram numa solução: “ao invés de corpo oco, vamos deixar ele inteiriço”. Daí surgiu o corpo sólido.
Após vários testes, a melhor configuração que chegaram é o modelo que temos hoje: um “violão” de corpo sólido, com captadores e cordas de aço – que chamamos aqui no Brasil apenas de guitarra.
No Brasil, tivemos desbravadores na busca por violões com maior volume. Isso ao mesmo tempo que buscavam por essa invenção lá fora.
Podemos citar a dupla Dodô e Osmar criadores do trio elétrico e da guitarra baiana. Eles foram desbravadores aqui no Brasil nesse assunto.

A diferença entre guitarra e violão quanto a tocar o instrumento

O violão é o antecessor mais próximo da guitarra e é, consequentemente, mais velho em termos de história. Possui características próprias e várias técnicas que foram se desenvolvendo através dos violonistas durante a história e antes da criação da guitarra.
Antes da guitarra, o violão já possuía um vasto repertório e uma tradição técnica tanto popular quanto erudita.
Quando o violão se eletrificou e houve a criação da guitarra, outras possibilidades de se tocar surgiram devido às novas características desse novo instrumento.
Nasceram novas formas de se executar esse “violão” eletrificado. Novas técnicas foram se desenvolvendo por causa das características próprias da guitarra.
Algumas técnicas passaram a ser utilizadas apenas no violão, outras técnicas passaram a se desenvolver apenas na guitarra.
E é nessa altura do caminho que o violão se separa da guitarra: as bases estruturais em termos de construção do equipamento e tocabilidade são as mesmas, mas chega um ponto que cada um segue sua própria estrada. Estrada essa que cada instrumento construiu ao longo de sua própria história de existência.
Nessa altura em que os instrumentos se separam é que esta a diferença entre guitarra e violão.
"A guitarra e o violão possuem uma estrada comum mas precisam se separar em uma determinada altura do caminho para que cada um siga seu próprio rumo…"
Então, quando o iniciante começa a aprender violão, ele pode usar o que aprendeu na guitarra, e vice-versa. Mas chegará um momento no qual ele deverá se aprofundar no estudo de um ou de outro para desenvolver técnicas específicas de determinado instrumento.

Existe diferença entre guitarra e violão para começar a estudar?

VOCÊ NÃO PRECISA COMEÇAR PELO VIOLÃO PARA DEPOIS PASSAR PARA A GUITARRA.
Não existe essa necessidade. O iniciante pode começar direto na guitarra.
Uma pessoa que está começando a aprender, tanto guitarra quanto violão, vai poder tocar os dois. Poderá intercambiar seu aprendizado nos dois instrumentos. Você pode “estranhar” um pouco quando, por exemplo, esta acostumado com a guitarra e pega um violão. Isso pode ocorrer devido às diferenças anatômicas de cada instrumento: tamanho do braço do instrumento, espessura de cordas, número de trastes, etc. Mas, basicamente, os dois possuem a mesma estrutura. É como você dirigir carros diferentes: você estranha no começo, porque está acostumado com o seu, mas sabe dirigir. É só se adaptar.
Obviamente, observando o que foi dito acima: chega um ponto na estrada que para desenvolvermos certas habilidades técnicas, precisamos nos focar em apenas um instrumento. Existem técnicas que são especificamente usadas para a guitarra e outras específicas para violão. Muitas dessas técnicas soaram melhor se tocadas em seu instrumento de origem.
Então, se você tem o desejo de aprender guitarra e tinha dúvidas se precisava começar pelo violão: comece logo pela guitarra!
Ou, se você gostaria de aprender violão, não há nenhum problema de passar para a guitarra no futuro se quiser.

Qual escolher?

Muitas pessoas já são fãs de algum artista ou músico em específico e não possuem dúvidas a respeito do que querem. Outros possuem dúvida sobre qual deles começar. Se é o seu caso, você deve se questionar porque gostaria de tocar o tal instrumento.
OBJETIVO – essa é a pergunta que você deve se fazer: Qual meu objetivo no futuro? Como quero me ver daqui a um tempo: tocando guitarra ou tocando violão?
Guitarra – Se você gostaria de fazer parte de uma banda, por exemplo, o mais indicado é a guitarra. Muitas pessoas não querem tocar em bandas, mas quando ouvem o som de uma guitarra ou vêem um guitarrista tocando se arrepiam. Ai, meu amigo: guitarra na certa…
Violão – Se você só quer tocar como lazer, tocar e cantar com amigos, numa rodinha ou num churrasco e tal, o violão é a indicação. Essa forma de tocar se encaixa no violão popular
Muitos começam pelo violão por ser mais barato e mais fácil: não precisa de amplificador e outros acessórios.
Então, pelo custo, acessibilidade e até desinformação, grande número de pessoas começa pelo violão. O que pode ser feito também, sem nenhum problema. Nada te impede de começar com violão e depois passar para guitarra. Mas nada te impede de começar logo pela guitarra também.
Mas tenha em mente o seguinte: como já disse, "vai chegar um ponto no qual você vai ter que optar entre um ou outro para melhor se desenvolver."


segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Vai comprar uma Fender ? saiba qual realmente vale a pena



Segue uma  revisão aqui alguns fatos sobre a qualidade das guitarras Fender que, como sabemos, sempre flutuou ao longo dos anos a partir de 1968-70. É de consenso geral que a qualidade caiu muito entre 1972 e 1984, mas há vários períodos pós 1984 que não são muito dignos.
Seguem as dicas de guitarras que "parecem mas não são":


1 - FENDER MADE IN JAPAN:
O primeiro mito que tem que cair é o de que as Fender Made In Japan (MIJ) são excelentes. Até 1984, no máximo 85, tudo bem. Daí em diante, apenas as séries especiais (que não vinham para o Brasil) são boas. Mais de 90% das Fender MIJ e CIJ (Crafted In Japan) têm corpo de basswood e captadores bem genéricos. Novamente, pra evitar outra leva de perguntas, não dá pra saber se o corpo é basswood ou alder exceto retirando a tinta. Mas pela lógica e fatos, aposte no basswood.

Em tempo: "Made In Japan": totalmente feita no Japão. "Crafted In Japan": feita em outro local (China, Coreia, etc.) e finalizada no Japão.



2 - FENDER USA 1983:
Estão entre as piores americanas de todos os tempos, principalmente as stratos com o tremolo freeflyte:
 Stratocaster Fender de 1983






3 - FENDER USA (modelo standard, entre 1993-1998 aproximadamente):
Cavidade dos captadores do tipo piscinão (universal), captadores ruins. Fraca seleção de madeiras.

Corpo de uma stratocaster Fender de 1997




4 - FENDER SOUTHERN CROSS:
Entre 1993 e 1995, a Giannini fabricou, sob licença da própria Fender, cerca de 5.000 guitarras e baixos aqui no Brasil. A série recebeu o nome de "Southern Cross". Corpo de cedro, braço de marfim e hardware americano. O próprio Carlos Assale admite que as Southern Cross eram inferiores às americanas. Não dá pra ter um som clássico de strato ou tele com corpo de cedro e ponto final.
Stratocaster Fender Southern Cross




5 - FENDER "AMERICAN TRADITIONAL" (1999-2001):
Essa série, produzida nos EUA (mas com peças mexicanas) entre 1999 e 2001 é a mais perigosa, principalmente em relação às stratos. A Fender não confirma (e nem nega), mas a maioria dos corpos era de Poplar. Captadores cerâmicos, hardware no limite da qualidade. Não era uma série de todo ruim, mas também não era boa e aqui no Brasil uma strato american traditional é facilmente confundida com uma american standard. Se for comprar, o preço deve ser pelo menos 30-50% mais barato que uma american standard de 2001 em diante. Atenção para o decalque "American Traditional" posicionado onde normalmente está o "Original Contour Body":

Stratocaster Fender American Traditional.




 6 - FENDER "CALIFORNIA":
A série "California", produzida apenas em 1997 e 1998 pode ser identificada pelo mesmo princípio da American Traditional: decalque "California Series" onde deveria estar o "Original Contour Body". O número de série obrigatoriamente contém o prefixo "AMXN" (American/Mexican/1990s) na parte posterior do headstock. Basicamente eram guitarras feitas nos EUA mas pintadas no México. O corpo tinha duas ou três peças de alder e o resto era quase no padrão de uma American Standard (criado em 1986, a Fender não utilizou - geralmente - o termo "American Standard" entre 2001 e 2007, apenas o "American"). Boas guitarras. A série California é a única desse post cuja má reputação é desmerecida e nem deveria estar na lista :)





7 - FENDER STANDARD MIM:
Toda a série "standard" feita no México é inferior. Madeiras, hardware, tudo de qualidade inferior quando comparada a qualquer série americana. Algumas séries mexicanas são muito boas, como as "Classic", Tele Baja, etc. Idem para as séries "Modern Player" feitas no oriente, geralmente Coréia.
Evitem perguntas sobre as MIM ou Squier, por favor. Somente a série standard é inferior (não necessariamente ruim, ok?)


PS: Obviamente refiro-me de forma genérica aos modelos citados. Há MIM standards muito boas e conheço gente que não vende sua Southern Cross por nada. Esse post é para dar uma orientação geral pra quem está querendo comprar uma Fender usada e não tem muito conhecimento técnico.

fonte: http://guitarra99.blogspot.com/

domingo, 23 de agosto de 2015

Então você é Endorsee ? Vamos explicar esse assunto



Então você é Endosee ?

Gostaria de falar sobre a relação entre empresas de equipamentos musicais e músicos. É uma relação sempre delicada e polêmica. E infelizmente alguns músicos, a fim de fazer bonito pra "fãs", ficam pagando mico, ou rebaixando sua carreira profissional a troco de "ibope".
Vamos desmistificar o assunto :

ENTENDENDO O PAPEL DE CADA UM :
Primeiramente, é importante entender como funciona essa relação, qual o seu papel nisso, qual o papel da empresa e a melhor forma de estabelecer uma parceria respeitosa e vantajosa para ambas as partes. Veja abaixo os principais conceitos:

Endorsee: Músico que recebe o apoio de empresas, seja com equipamento ou ajuda financeira
Endorser: Empresa que apoia os artistas, seja com seus equipamentos ou financeiramente.
Endorsement: Relação estipulada entre músicos e empresas.

POR QUE PATROCÍNIOS ESTÃO EM ALTA
Atualmente, essas relações andam frenéticas. Se compararmos com décadas anteriores, vamos ver que, hoje, temos um número bem maior de empresas e um número maior ainda de guitarristas profissionais buscando concretizar suas carreiras.
Qual o porquê desse fenômeno? De uma forma, a Internet acelerou a comunicação e a relação entre as pessoas. O que acontece no outro lado do mundo, no mesmo minuto, já estamos sabendo. A maneira de um músico obter informações, se profissionalizar e divulgar seu trabalho hoje em dia está mais fácil.
Para as novas empresas, conseguir contatos, materiais e conhecimento necessário para se instalar no ramo musical também está mais fácil. Então, é natural que as coisas realmente se aglomerem nesse nosso novo mundo cibernético. Além disso, apesar de contar com uma grande propagação, a Internet não envolve grandes custos.
Essa redefinição do mercado nos deixou um pouco perdidos quanto ao real papel do artista e da empresa. Falo isso porque, analisando o mercado atual, dá vontade de rir, pois está uma grande piada. Ninguém sabe qual seu verdadeiro papel. As relações andam obscuras, e isso não pode acontecer. Se a empresa e os músicos são profissionais, o mínimo a ser exigido é saber o seu papel!

EVITE ERROS
O mercado atual está contaminado por um conceito errado de patrocínios e parcerias. Os músicos estão direcionando suas carreiras exclusivamente para a intenção de acumular patrocínios - uma tremenda falta de profissionalismo! É sonhar pequeno. O cara está invertendo os conceitos e se queimando profissionalmente.
Muita gente está tentando pular etapas importantes na formação de um artista. O sujeito se tranca no quarto, grava vídeos para o YouTube e faz seu nome através das redes sociais. Aí, começam os workshops e tudo mais. O problema é que ele não passou por certos estágios fundamentais para se tornar um músico formador de opinião. Consequentemente, é comum ver nos workshops que o cara não tem material nenhum, não conhece os equipamentos que está usando e não sabe nem se comunicar devidamente. Ou seja, nem deveria estar lá fazendo esse papel.
Hoje em dia, todo mundo tem patrocínio e parece que o caminho está mais curto. Porém, antes de ser reconhecido é preciso ser competente.

UMA CARREIRA MUSICAL É MUITO MAIS QUE UM PATROCÍNIO.
Esta é minha principal crítica na relação de endorsement. O pessoal quer loucamente pertencer ao elenco de uma empresa, faz disso sua maior ambição, e esquece que uma carreira musical é muito mais do que isso. É uma pena que tanta gente comete esse pecado por uma grande falta de conhecimento de mercado e coragem de fazer um trabalho a favor da boa arte.
Não condeno os acordos de endorsement entre empresas e artistas, de maneira alguma. Mas isso não deve ser feito de maneira banalizada como está sendo feito.

UMA CAMINHO SEM ATALHOS
Acho que você já entendeu seu papel nessa relação de artistas e empresas. Agora, vamos entender aquilo que você realmente deve fazer.
Você é músico. Você toca e grava! Dê suas aulas, faça seus shows e workshops. Se você é um profissional com ambição e quer ser reconhecido, essa é sua função. Quer ter boas parcerias com as marcas para viabilizar seus projetos? Ótimo! Mas, primeiro, grave seu trabalho. “Ah, mas é um processo tão longo e caro”. Sim, realmente é. Por isso que muita gente está escolhendo os caminhos mais fáceis. Porém, é aqui que se diferenciam os profissionais.
Se posicionar bem no mercado envolve não só ter um espaço maior, e render uma grana maior, mas também ter mais responsabilidade e profissionalismo. Está achando que a coisa é fácil? Engano seu! Não se iluda nessa intenção de patrocínios e afins! Deixe as coisas acontecerem naturalmente. Se seu trabalho realmente for diferenciado e tiver boa qualidade, as empresas irão te procurar. Não se deve forçar uma situação.

NÍVEIS DE ENDORSEMENT (estrutura básica)
Conheça os diferentes níveis de endorsement antes de estabelecer relações com uma empresa, para você não ficar perdido dentro do elenco deles sem saber ao certo qual é a sua.
Endorsement (Nível C): As empresas disponibilizam para os artistas descontos para adquirirem seus produtos.
Endorsement (Nível B): As empresas cedem os equipamentos para os músicos.
Endorsement (Nível A): Além das empresas disponibilizaram de maneira gratuita os equipamentos, o artista ainda ganha uma quantia financeira.

ENTENDA AS EMPRESAS
O mais comum é o nível C, onde estão os artistas conhecidos regionalmente. Para as empresas, isso é fundamental, pois é uma maneira de consolidar seu nome, vender seus produtos e contar com um feedback do público de determinadas regiões.
Os níveis A e B estão destinados aos artistas que tem uma abrangência nacional e internacional, porque aí a marca vai usar a imagem e a credibilidade que esse artista transmite.
O artista precisa conhecer bem a empresa e o produto que está usando. Geralmente, a proposta de endorsement surge para um músico que já usa há um bom tempo uma marca, pois, nesse caso, ele sabe informar melhor ao público sobre os equipamentos. Para a empresa, é uma relação mais segura.

O QUE VOCÊ PODE OFERECER ?
Lanço no ar a seguinte pergunta: por que uma certa empresa deveria investir em você? Qual sua importância para a marca dela? Sua imagem passa credibilidade para um público? Se sim, é um bom começo. Caso contrário, melhor repensar as coisas.
Um ponto errado por parte dos artistas é mendigar patrocínios por falta de equipamento. Dá vontade de chorar, mudar de profissão, mudar de país, mudar de galáxia, ou qualquer coisa do tipo, pois é isso que está ocorrendo. Muitos ditos “profissionais” contatam as marcas para conseguir um endorsement porque não possuem equipamentos. É deplorável!
Imagina se você é um dentista e não tem o equipamento necessário para trabalhar. O paciente está de boca aberta no seu consultório esperando um atendimento e você não tem o maquinário! O que você vai fazer? Vai ligar para um colega de profissão pedindo emprestado e, enquanto isso, você fica contando piada para o seu paciente? Não dá.
As empresas não estão aqui para fazer caridade. Elas não querem saber o que você precisa. Eles só querem saber se você é ou não o cara que vai potencializar o trabalho deles. Nessa vida, o máximo que você vai ganhar é um pedaço de bolo de chocolate da vovó! Do resto, é arregaçar as mangas, trincar os dentes e cair pra porrada!
Não adianta chegar nas empresas com um vídeozinho furreca, fazendo cara de coitadinho, porque ninguém vai te ajudar! Você tem que estar pronto. Eles não querem esperar seu talento florescer. As empresas não tem tempo para isso, nem condições. Imagine se a Santo Angelo for ajudar todo mundo que fica pedindo cabo, corda e palheta por aí. Não existiria mais Santo Angelo, pois eles iriam falir! Assim é o mercado.

O QUE DEFINE O SUCESSO NESSA ÁREA ?
O que vai definir seu ponto de alcance com as marcas através do seu produto é a maneira que você conduz sua carreira, e não só seu talento. Vemos ótimos artistas tocando por aí sem muito reconhecimento e, por outro lado, artistas nem tão bons, mas com grande visibilidade. Tudo depende de como você vai guiar sua carreira. Para isso, um bom planejamento de marketing ajuda.
Não restrinja sua carreira a relações comerciais. Mantenha sua mente focada naquilo que pode te acrescentar como um bom artista. Tenha claro o seu posicionamento. Isso irá refletir lá na frente na sua consolidação profissional.