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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

UM RESUMO SOBRE A HISTÓRIA DA HARMONIA



A harmonia é uma das principais características da música ocidental, e pode ser definida como a combinação de diferentes sons para produzir uma sonoridade agradável e coerente. Embora a harmonia tenha sido desenvolvida ao longo de séculos, suas raízes podem ser rastreadas até a Antiguidade.
Na Grécia antiga, a música era vista como uma arte divina, e a teoria musical era estudada pelos filósofos, como Pitágoras, que acreditava que a música era governada por leis matemáticas. Eles desenvolveram um sistema de notas musicais baseado em proporções matemáticas, chamado de sistema pitagórico, que é considerado uma das primeiras tentativas de se criar uma harmonia.
Durante a Idade Média, a música foi usada principalmente na liturgia religiosa, e a harmonia era vista como uma forma de aprimorar a música sacra. As primeiras notações musicais eram simples, e os músicos eram encorajados a improvisar harmonias para acompanhar os cantos.
Foi na Renascença, porém, que a harmonia começou a ser desenvolvida de forma mais sistemática. Os compositores da época, como Palestrina e Josquin des Prez, usavam a polifonia (a combinação de diferentes vozes) para criar uma harmonia rica e complexa. Eles usavam acordes e cadências, que são combinações específicas de notas que ajudam a criar uma sensação de tensão e resolução.
Durante o Barroco, a harmonia continuou a ser refinada, e os compositores começaram a explorar novas possibilidades harmônicas. Bach, por exemplo, é conhecido por sua habilidade em criar harmonias complexas e intrincadas. Ele usava acordes e progressões harmônicas complexas para criar uma sonoridade rica e polifônica.
No século XIX, a harmonia continuou a evoluir, e novas teorias musicais foram desenvolvidas. Uma das mais importantes foi a teoria dos acordes, desenvolvida por Rameau, que explicava como os acordes eram construídos e como funcionavam dentro de uma progressão harmônica. A teoria dos acordes teve uma influência significativa no desenvolvimento da música clássica ocidental, e é ainda usada pelos músicos e compositores hoje em dia.
No século XX, a harmonia continuou a se desenvolver, e novos estilos musicais foram criados, como o jazz e o rock. No jazz, a harmonia é caracterizada por progressões de acordes complexas e improvisação, enquanto no rock, a harmonia é muitas vezes baseada em acordes simples e repetitivos.
Em resumo, a harmonia na música ocidental tem uma longa e rica história, que começou na Grécia antiga e continuou a evoluir ao longo dos séculos. Os compositores da Renascença e do Barroco foram especialmente importantes no desenvolvimento da harmonia, que se tornou uma parte fundamental da música clássica ocidental. Hoje em dia, a harmonia é ainda uma das principais características da música, e é estudada e usada por músicos e compositores de todos os gêneros musicais.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Antes de Improvisar. "verticalize" seu pensamento






A improvisação é uma das áreas mais críticas para um guitarrista, por que nessa hora que a gente vê se o cara domina ou não o instrumento, se o cara conhece as técnicas, as tonalidades, as escalas e o principal - a harmonia, que é o ponto chave para uma boa improvisação.

Afinal o que é uma improvisação?

Primeiro de tudo, o que seria improvisar? Em uma definição rápida, é você criar uma melodia sem ter parado para construí-la antes, usando escalas, arpejos, simetrias, combinados com as técnicas de expressão que conhecemos, em outras palavras, fazer o som no “bate e pronto”! gosto de definir como uma composição instantânea, mas isso não é tão fácil quanto parece...

Improvisação deve ser sempre algo a ser estudado, deve te acompanhar em toda sua vida musical, pois não existirá nunca o momento que você vai parar e concluir “Agora eu já sei tudo sobre improvisação”. Isso nunca ocorrerá, pois improvisação é vivência, é experimentação.

O grande segredo: Harmonia

O grande segredo da improvisação é ser coerente com o que a harmonia* proporciona. Não digo com isso que ser coerente é ficar dentro de uma escala. Não existem verdades absolutas, mas ser coerente musicalmente é andar de mãos dadas com a harmonia.
(*Harmonia é a combinação dos acordes numa música e todos os outros sons tocados simultaneamente)

Nós guitarristas, temos a péssima mania de nos concentrarmos muito nas técnicas e nos solos e nos esquecemos da harmonia. Isso é normal, pois a nossa tendência é tentar fazer o que os outros guitarristas fazem. É aí que mora o perigo. Improvisar não é uma coisa que você pode ver, pois a improvisação ocorre na mente do guitarrista e chega diretamente aos seus ouvidos. Aquilo que você consegue de fato ver não tem tanta importância. Se fosse assim, poderíamos julgar a qualidade de um solo assistindo a um vídeo sem som. Isso não faria o menor sentido, não é mesmo? O que importa é o som, não uma técnica específica que ele está usando no momento.

Você deve estar pensando “Mas o som não vem da técnica?”. Sim, claro. Não estamos dizendo que técnica não é importante. É super importante. O que ocorre é que o som que você escuta é a combinação do solo com a música que está no fundo. Não dá pra separar um do outro quando se está ouvindo. Não é algo matemático, como 2 + 2 = 4. Quando o solo encaixa bem com a música, o resultado é muito maior do que a soma das partes!

Às vezes, o guitarrista está querendo fazer um solo mirabolante, mas não fez uma preparação para entender os acordes da harmonia que está sendo tocada. Dessa forma, ele nunca conseguirá dar o melhor de si. Não se iludam! A harmonia é peça fundamental na improvisação. Você precisa ter o conhecimento geral dos acordes e suas funções para que você possa trabalhar tal harmonia da forma mais inteligente possível.

Responda a essa pergunta:

Qual solo vai soar melhor?

a) O solo de um guitarrista que tem uma técnica excelente e faz frases mirabolantes sem se preocupar com os acordes que compõem a música;

ou

b) O solo de um guitarrista que toca um pouco mais devagar e de forma mais simples, mas sempre tentando criar frases que encaixam bem com os acordes.

Se você respondeu opção b, acertou! O guitarrista da opção a pode até tocar melhor, mas se ele for improvisar sobre uma música sem atentar-se para as mudanças dos acordes, seu solo não será nem um pouco interessante! É por isso que guitarristas excelentes às vezes criam músicas chatas, porque nem sempre eles são capazes de “sentir” aquilo que a música está pedindo.

Não estou associando uma técnica excelente a um ignorante harmonicamente falando, temos excelentes exemplos de ótimos guitarristas que combinam técnica, harmonia, improviso e musicalidade de forma exemplar.  Estou me baseando numa grande fatias de músicos que tem um desconhecimento no que se trata de harmonia ou apenas limita-se a um determinado gênero ou estilo que não requer muito da tal.

Encare dessa forma, um bom improviso é uma conversa entre você e a música. Não é um monólogo! A música não está ali só pra enfeitar. A música é a onda, você é o surfista. Surfe de acordo com o que a música permite.

Então, podemos concluir que improvisação envolve tudo isso: é conhecer bem os acordes e suas funções, as escalas e as técnicas, e ter o feeling pra fazer o solo acontecer de forma natural, com bom gosto e principalmente musicalidade.