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sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Criando "Riffs" de Guitarra!


Encare o fato: um bom riff é meio caminho para uma boa música.

Outro fato: criar um bom riff ou até mesmo um excelente riff não é algo complexo. Na verdade, os riffs mais admirados são os mais simples.

Então, você está pronto para entender os componentes de um riff e aprender a manipulá-los como quiser?

Riffs são simples, então vamos manter esse artigo simples também. Riffs são crus. E é isso que faz você sentir o peso de cada nota através dos amplificadores. Ao final do artigo, você deverá entender um pouco mais sobre o porquê dessa fórmula.

Guitarristas bons de riffs nunca foram para faculdade de música. E o engraçado é que encontramos vários exemplos do oposto - guitarristas que estudaram música a fundo, mais que simplesmente não são grandes criadores de riffs. Para constatar isso, basta explorar as extensas obras de John Petrucci e Steve Vai, que, apesar de terem estudado na melhor universidade de música e terem se tornado dois dos melhores guitarristas que o mundo já viu, não são famosos por seus riffs.

Agora vamos para os mestres dos riffs. Os caras. Angus Young e seu irmão Malcom Young do AC/DC (sim, Angus não fez tudo sozinho); Jimmy Page, do Led Zepellin; Tom Morello, do Rage Against The Machine e Audioslave; Kirk Hammett e James Hetfield do Metallica; Dimebag Darrell, do Pantera; Eddie Van Halen; Kurt Cobain, do Nirvana; Zakk Wylde (Ozzy) e outros.

Esses guitarristas podem te ensinar muito mais sobre riffs que qualquer professor de guitarra.

Não existe uma receita para criar riffs de guitarra que os melhores guitarristas usam. Mas há algumas coisas que se você souber, ajudarão bastante:

11 Dicas para Criar Riffs de Guitarra

1 - Domine Power Chords
2 - Prefira a simplicidade
3 - Nunca pense que não existem mais riffs clássicos para serem criados (Angus Young sempre te provará o contrário)
4 - Sempre escute os mestres
5 - Tenha uma boa distorção (os outros pedais de efeito não são tão importantes)
6 - Tenha um bom amplificador
7 - Um riff só se torna completo quando tocado com uma banda
8 - Pegada
9 - Solte sua criatividade. Saia tocando
10 - Copie de alguém
11 - Escolha um ritmo marcante

1 - Domine Power Chords
Nem todos riffs são compostos de power chords. Mas a maioria é, podendo ser também uma combinação de power chords com dedilhados. Um power chord carrega a essência de um acorde e é a alma do rock. Você precisa ter mobilidade com power chords ao longo do braço da guitarra, conseguindo mudar rapidamente de um para o outro. Limitações técnicas geram limitações criativas. Exercite seus power chords e quando você precisar deles, eles surgirão com facilidade.

Basicamente, power chords podem ser tocados de duas formas: normalmente ou abafando as cordas. Essa segunda opção é largamente explorada por guitarristas de metal, punk rock e hardcore. Simplesmente, é uma das melhores formas de adicionar peso e deixar os power chords mais carregados. É o que muitos chamam de "pegada".

2 - Prefira a simplicidade
Quanto mais simples, mais fácil de ficar na cabeça das pessoas. Um riff deve ser cíclico. Isto é, algo que possa ser tocado repetidamente, encaixando o início do riff após seu final e assim por diante. E, quanto mais simples for um riff, mais provavelmente ele será cíclico. Simplicidade quer dizer poucos acordes. Para verificar se seu riff é simples, cantarole-o. Você deve conseguir reproduzi-lo com sua voz.

3 - Nunca pense que não existem mais riffs clássicos para serem criados (Angus Young sempre te provará o contrário).
É normal cair na armadilha de acreditar que "já existem centenas de músicas muito boas, logo não há mais músicas boas para serem criadas". Além de essa crença ser falsa, o oposto é verdadeiro. Pelo que parece, quanto mais músicas são criadas, mais são alimentadas as criatividades de músicos no mundo inteiro.

4 - Sempre escute os mestres
Quanto mais músicas e guitarristas diferentes você conhecer, melhor. Isto lhe ajudará a manter sua mente sempre aberta, além de desenvolver sua "cultura musical". Não há melhor forma de se aprender do que através de exemplos. Aprenda a tocar novos riffs. Isto fará com que você veja o braço da guitarra de diferentes formas.

5 - Tenha uma boa distorção (os outros pedais de efeito não são tão importantes)
Aquilo que você toca depende da sonoridade que você tem em mãos. Um bom pedal de distorção (ou até mesmo a distorção de um bom amplificador) possibilita adicionar peso aos power chords e intensidade as notas dedilhadas. Até mesmo o melhor guitarrista do mundo não conseguirá um bom som se o equipamento não for de qualidade. Existem dezenas de tipos de distorção. É importante conhecê-las bem para saber qual é melhor para o som que você quer tirar.

Vale ressaltar que uma boa distorção é essencial para quem costuma tocar abafando os power chords.

6 - Tenha um bom amplificador
Todo o som da guitarra sai do amplificador. Quanto melhor for o amplificador, melhor será o som. A importância de ter um bom som, é que ele dá inspiração para criar novos riffs, enquanto que sons fracos apenas dão vontade de parar de tocar.

Só quem já tocou num bom amplificador sabe a diferença. Cada nota ganha muito mais presença e força. E quando se trata de criar riffs, isso é ótimo, pois tudo que você precisa é encontrar uma sequência de notas bem marcante. Um amp bom te ajuda a perceber que são necessárias poucas notas para causar a dose certa de impacto. Ou seja, ele te ajuda a manter a simplicidade.

Para entender a importância do amplificador, imagine-se tocando seu riff favorito numa guitarra com o amp desligado. Apesar de o riff ser bom, você só conseguirá perceber (e sentir) isso quando ligar o amp. O mesmo vale para comparar um amp fraco e um amp bom. Com um amp melhor, a sua percepção também fica melhor.

7 - Um riff só se torna completo com uma banda
Escutar um riff sendo tocado apenas pelo guitarrista é algo totalmente diferente de escutar a banda inteira tocando. Portanto, não espere que seus riffs sejam impressionantes quando estiver tocando-os sozinhos. Você só saberá o quão bons eles são quando tocá-los com o resto da banda. E é claro que a banda também influencia bastante a forma como o riff é tocado.

Um dos principais pontos a serem entendidos sobre os riffs é que eles sempre serão uma questão de ritmo. Sendo assim, esse é um daqueles momentos que o guitarrista deve se unir ao baterista. Apesar de os dois instrumentos serem totalmente diferentes, eles devem se tornar um só, um completando o outro.

Dois exemplos de guitarristas incrivelmente sintonizados com seus bateristas são o caso de James Hetfield e Lars Ulrich - os fundadores e principais compositores do Metallica - e Dimebag Darrell e seu irmão Vinnie Paul, do Pantera. Escute no vídeo abaixo a música Regular People que é uma sequência de riffs carregados de peso. Note como a guitarra está "grudada" na bateria.

8 - Pegada
Muitos falam em "pegada". Mas geralmente não se fala muito sobre o que é pegada. As pessoas simplesmente sabem identificar quando um guitarrista tem essa qualidade. Pegada é simplesmente a forma de tocar uma música.

Imagine dois guitarristas tocando a mesma música, com exatamente as mesmas notas e a mesma marcação de tempo. Com certeza, os dois tocarão de formas diferentes. O guitarrista que tem mais pegada é aquele que sabe que não basta tocar certo. É preciso incrementar cada fraseado com pequenos detalhes, talvez quase imperceptíveis para os desatentos, mas que em conjunto transformam a música.

Pegada também pode ser entendida como uma combinação de feeling e técnica. Feeling para saber o que tocar e técnica para saber como tocar.

Um ótimo exemplo de um riff com pegada é o da música Man In The Box, do Alice In Chains. O riff consiste em apenas um power chord, que é tocado de forma assombrosamente simples.


E aqui vai nossa principal dica: para ter pegada, você precisa ter uma forte noção de ritmo. Treine com um metrônomo (marcador de tempo), toque acompanhando uma música. Faça qualquer coisa, mas nunca deixe de prestar atenção na batida e no tempo! É preciso descobrir que a guitarra também é um instrumento de ritmo e que ela pode e deve manipular o tempo da música.

9 - Solte sua criatividade
Isso mesmo. Depois de ler esse artigo, você não irá pegar a guitarra e criará logo de primeira um excelente riff. Soltar sua criatividade significa fazer várias tentativas. Aqui a matemática conta a seu favor. Existem (literalmente) milhões de combinações de notas e ritmos para se experimentar. Não tente acertar. Deixe fluir e você mesmo se impressionará com sua espontaneidade.

10 - Copie de alguém
Isso pode parecer babaquice, mas do ponto de vista teórico, faz bastante sentido. Uma mesma progressão de acordes pode ganhar uma sonoridade inteiramente diferente ao ser tocada com uma velocidade ou ritmo diferente. Por exemplo, os mesmos acordes, tocados na mesma ordem, podem servir tanto para um reggae quanto para um punk rock. Além do mais, cada música que você escuta pode ser considerada parecida com alguma outra música (só que você talvez não saiba qual). Mas isso não significa que ela deixa de ser original, muito menos de qualidade.

Existem várias formas de "copiar" alguém. O ideal é se inspirar numa combinação de acordes (ou power chords) e fazer mudanças, podendo tirar ou acrescentar notas. O resultado final pode ficar totalmente diferente da música original e, em poucos minutos, você terá uma música nova.

11 - Escolha um ritmo marcante
Experimente pegar um riff que você goste de alguma banda e tocá-lo em um ritmo diferente, tentando de propósito estragar a música. Você verá como é fácil fazer isso. Para criar um bom riff, o que você precisa fazer é justamente o contrário. Experimente tocar o riff que você está criando em diferentes ritmos até encontrar aquele se encaixe perfeitamente. Você saberá quando encontrá-lo.

O melhor exercício para desenvolver essa habilidade é bem simples. Escolha um power chord (por exemplo, o de Sol - na 3ª casa da 6ª corda) e invente o máximo de formas possíveis de tocar esse power chord. A sua mão esquerda fica parada. O que muda é apenas a frequência e força com que a sua mão direita toca as cordas.


Atenção: não se deixe confundir pelas dicas acima. A regra mais importante a ser lembrada é "Se soa bem, então é bom".

#Riffs #Riff #Guitarra 

fonte:http://www.guitarcoast.com/2009/10/como-criar-riffs-de-guitarra.html

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Senso Musical


Senso musical, o que será que quero dizer com isso? Pois bem me refiro ao fato de você ao estar tocando, estar improvisando ou até mesmo compondo algo e ter o exato domínio sobre as coisas, ou fechar os os olhos para tudo e apenas deixar fluir.
Chega até ser uma situação curiosa, pois estudamos anos de nossas vidas para absorvermos o máximo de conteúdos e recursos para tudo e chega um momento que parece que a solução é exatamente o contrário!

Já compus música de todo jeito e foi bem legal. Em inúmeras situações, por que a concepção artística de estar criando músicas é tão legal e ampla, que te domina e te tira desse sentido óbvio e

meio a tudo isso você tem seu conhecimento, a sua consciência, algo que te prende na "verdade!". Costumo dizer que uso o conhecimento para limitar minha loucura musical!(rs)
Ou será que eu deveria estar fazendo o contrário?

Eu acredito que tudo é válido na intenção de criar uma boa música, para isso nunca pode haver limitações! O senso é você estar atento à tua o que está rolando o não senso é estar em um plano acima disso e de fato isso não é nada fácil!

Devemos exercitar nossa intuição musical, e ao trabalhar a improvisação, também estudar sem depender muito das escalas, improvisar pensando nas notas, sem usar as escalas, apenas tocar, deixar fluir! Independente do que isso seja!

No começo isso pode até uma sensação divertida e que vai ser fácil, pois se eu consigo improvisar com as escalas, sem elas será muito mais fácil e eu poderei criar inúmeras situações legal. Mera  Inocência de nossa parte!

Faça o teste, muita gente vai improvisar dessa forma e não consegue sair da primeira nota. E é aí que entendemos que conhecimento não é tudo, e se você não souber como conduzi-lo ele pode te limitar muito! Você não pode deixar o conhecimento te dominar, você que tem que ter o domínio sobre as coisas, você conduz!

Muitas vezes perdemos ideias incríveis, por apenas estarmos presos na 'censura do conhecimento!' Entendem o ponto que eu quero ressaltar? Há inúmeros guitarristas (compositores em geral) que criaram coisas incríveis, sem ao menos saber o que estava sendo feito! Não que devemos abandonar tudo, esquecer nossos estudos e dar um rumo no mundo! O estudo é vital! Porém você deve ter o domínio sobre o que está sendo feito. Afinal o compositor é você!

Por isso que essa questão de composição cai em um conceito muito volátil! Tudo depende da intenção do compositor, por isso que acho que regras e fórmulas são coisas muito pequenas diante da grandeza artística da composição.

Gênios.... O que falar sobre eles e quem são eles? Por que consideramos alguém genial... Hendrix, Steve Vai, ou até por que não Kurt Cobain!!! O que seria ser genial??

Por inúmeros fatos eu curto muitos e muitos compositores, desde os mais 'certinhos' até aqueles mais doidos, um exemplo disso o Buckethead, incrível como ele consegue gerar som de tudo! "Não existe laranja podre pra ele!". Como é incrível seu processo de composição e como ele nega e contradiz muita coisa, e isso soa de forma muito boa, as vezes o cara chega exatamente naquele ponto onde só há contradições rítmicas e faz um baita som.... sempre muito bom de se escutar.

Alguns caras eu consigo entender e explicar, no momento chamo de genial aquele cara, o qual eu não consigo entender a lógica de raciocínio e não consigo explicar o por que daquilo!

Sempre fui muito racional ao estudar música, sempre fui daqueles caras, que gosta de visualizar as coisas, logo estudei bastante teoria, não me gabando, mas são poucos os conceitos que hoje em dia me pegam desprevenido sem que eu consiga explicar ou deduzir o que ali está rolando e isso é muito legal e eu de fato gosto desse tipo de coisa, pode ser que daqui há dez anos eu venha a entender a incógnita de hoje, é sempre bom estar se aplicando, estar na inquietação, procurando coisas novas, ampliando seus conhecimentos!

A música é muito ampla, e somos uma mínima parcela (quase não considerável) de tudo isso!

Por fim a música está acima de qualquer conceito, técnica ou habilidade, até mesmo as questões de vaidade que nos faz pensar sempre em algo mais rebuscado, em diversas situações é aquele acorde simples que vai resumir suas ideias.

Acredito que o importante é pensar mais na música e não nas possíveis fórmulas, no fim criamos uma dependência muito grande desses recursos, que são sim importantes mas que, não podem nos dominar, quem faz a música é o músico e não a teoria, essa é um auxílio para isso tudo!

É engraçado o fato de estarmos estudando por anos à fio e depois passar um outro grande tempo estudando para saber o que devemos priorizar em nossas composições, é uma situação engraçada, difícil até de se explicar, mas é muito importante refletirmos um pouco sobre.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Dicas para começar a Compor


Pergunte a compositores de onde suas ideias vêm e eles e veja como eles tateiam para achar as palavras certas ou imagens para explicar o inexplicável: canções aparecem do nada, como um raio num dia de sol. Elas estão no ar, passam pela gente várias vezes por dia e estão disponíveis para quem as estiver ouvindo. Elas nascem de erros interessantes e de acidentes de sorte e, é claro, de dores pessoais e experiências ruins. Elas são como peixes no fundo de águas escuras, que às vezes mordem a isca e outras não. A inspiração é uma coisa misteriosa e muitas vezes compositores nem querem adentrar nesse mistério —eles temem que, se entenderem o que acontece, não vão mais conseguir fazer isso.
A inspiração pode ser impossível de definir, controlar ou prever, mas isso não quer dizer que a gente tem de ficar de papo para o ar esperando ela. Há muitos jeitos de ficar mais receptivo à inspiração e reconhecê-la mais rápido quando ela chegar. Muitos compositores compartilharam seus truques para vencer o bloqueio criativo e escrever boas músicas. Aqui vão cinco ideias interessantes:
É uma coisa muito inconsciente. É como se um trechinho de canção aparecesse em você o tempo todo. É como se fosse um poço, onde você mergulha seu balde. Quando você é compositor, como eu, você tem de trabalhar firme no seu ofício—se você ouvir algo, quer descobrir como fazer algo parecido. Mas as músicas em si, eu não sei bem de onde elas vêm e como me ocorreram. Elas são presentes, e seu trabalho é recebê-los e passá-los para a frente.
—Greg Brown

1. Balbucie.

Se você já escreveu uma melodia antes da letra, é bem capaz que tenha cantado usando frases sem sentido, ou só sons que se encaixem no ritmo. Geralmente você precisa se livrar desses “tapa-buracos” e fazer uma letra “de verdade” (a gente é muito grato por Paul McCartney ter bolado a letra de “Yesterday”, que compôs inicialmente usando “scrambled eggs”, ou ovos mexidos, como letra), mas preste bastante atenção nas suas criações espontâneas. Às vezes elas podem te indicar uma direção interessante a seguir ou, além disso, essas palavras têm um som bom e que combinam com a música —foi por causa disso que você as cantou quando estava compondo. Ligue o gravador e deixe as palavras fluirem, sem filtro ou edição. Você pode rever esse material depois, procurando algo de bom para usar, ou só jogar tudo fora.
O processo para mim é geralmente me sentar, começar a tocar, colocar minha voz dentro da melodia e deixar o gravador funcionando durante todo esse tempo, porque eu geralmente entro num transe quando estou no que chamo de terra da melodia Eu não sei exatamente o que estou fazendo. Canto letras sem sentido e as palavras começam a se formar. Depois, quando estou terminando a canção, eu posso voltar a ouvir essa gravação de trabalho e, em 90% das vezes, os sons de vogais já começam a mostrar quais serão as letras que estarão ali dali a um mês ou dois. Eu realmente acredito nesse caldo de inconsciente, em que tudo é formado, e que tem mais inteligência do que meu cérebro de ervilha pode conceber.
—Beth Nielsen Chapman
Eu muitas vezes me sinto mais realizado quando começo a compôr e não sei exatamente o que estou fazendo. Eu só tenho uma melodia em que acredito o suficiente para murmurar tocando no meu som e vou ouvindo até que começam a aparecer as letras para a melodia que eu quero musicar. No caminho você começa a ter ideias. A coisa se resuma a transformar lixo em coisas bonitas. Criar beleza a partir do nada. Uma coisa bem Zen.
—Chris Whitley

2. Erre.

Muitos compositores que tocam violão ficaram viciados em usar afinações esquisitas, porque um novo tom vai distanciá-los daquilo que eles sabem tocar e criar um ambiente para acidentes estranhos e interessantes. Esse é só um exemplo de como erros podem gerar ótimas ideias e por que é bom cultivá-los.
Se você só trabalhar com aquilo que conhece, você não crescerá. É só através do erro que a descoberta é feita e, para descobrir, você tem de criar algum tipo de situação em que um elemento aleatório, uma atração estranha, para usar um termo da física. Quanto mais eu puder me surpreender, mais eu continuarei fazendo música e brincar com as notas é um jeito de continuar com essa peregrinação. Você está sempre puxando o tapete debaixo de si mesmo e assim não periga ficar preso a uma fórmula.
—Joni Mitchell
Eu uso teclado, que não sei tocar até hoje, como um jeito de tirar a minha familiaridade com o meio musical. Todos nós estamos tentando fazer isso de um jeito ou de outro, se libertar dos padrões que seus dedos se acostumaram a sentir. É assim que você cria algo que pode ter uma qualidade única. Coisas boas acontecem, se você se jogar no precipício uma vez ou outra.
—John Sebastian

3. Colecione nomes

Muitos compositores mantêm um arquivo com possíveis nomes de músicas. O Woody Guthrie era um colecionador ávido. Seu manuscrito “How to Make Up a Ballad-song” (“como fazer uma balada”, que está no arquivo Woody Guthrie Archives) descreve como ele gastava horas pensando nos nomes das canções e tinha milhares deles “guardados como selos”. John Fogerty manteve um caderno de nomes durante toda sua carreira e me contou sobre ele.
Eu tenho um caderninho de plástico e que eu carrego comigo para cima e para baixo. A primeira coisa que escrevi nele foi “Proud Mary.” Eu não tinha ideia do que isso significava, mas, depois dessa vez, sempre que tinha uma ideia, anotava no caderninho. O que descobri foi que, se eu tivesse um nome que soasse bom, eu podia tentar escrever uma música que se encaixasse nele. Foi assim que “Bad Moon Rising” aconteceu. Eu tinha escrito isso no caderninho e, algum tempo depois, brincando com acordes e uma historinha, eu vi essa frase e pensei. “Yeah—é sobre isso que é essa música” e ela foi nessa direção.
—John Fogerty
Um bom nome pode te dar uma vantagem na escrita—pode sugerir uma emoção, uma atitude, um suíngue, um personagem e muito mais. Uma ideia de título pode pintar na sua cabeça ou você pode ver ou ovir ela em algum lugar. Minhas próprias músicas “Stop, Drop, and Roll,” (pare, deite e role) e “The Day After Yesterday,” (o dia depois de ontem) “My Life Doesn’t Rhyme,” (minha vida não rima) e “Enough About You (What About Me)” (chega de você [e quanto a mim?]) todas começaram com essas frases pintando em conversas. Com um nome, seu trabalho de composição vai se tratar mais de jogar luz sobre uma ideia do que sobre criar algo do zero.
Eu gosto quando tenho um título. Daí eu já sei, isso é o que é. Falando no geral, essas músicas tendem a ser mais comerciais, na falta de uma palavra melhor para definir. Você sabe, o Vince Gill e eu escrevemos “It’s Hard to Kiss the Lips at Night That Chew Your Ass Out All Day Long” (é difícil beijar à noite os lábios que mastigam sua bunda de dia). Bom, isso era um título velho de canção, uma piada. Eu sou grato aos títulos que me ocorrem porque essas músicas são mais fáceis de escrever.
—Rodney Crowell

4. Faça arranjos e rearranje.

Se o silêncio está ensurdecedor e você estiver de saco cheio de olhar para uma folha em branco, tente trabalhar com materiais que já existam. Escreve letras para sua melodia predileta ou tente encaixar algumas letras ou poesia que já tenha num ritmo. Ou simplesmente pegue sua canção predileta e a mude um pouco; foi assim que Alynda Lee Segarra, da Hurray for the Riff Raff, começou, assim como muitos outros músicos.
Quando eu estava viajando e conheci o [violinista] Yosi Perlstein, que hoje toca comigo, a gente tocava juntos velhas canções folk, tipo “Worried Man Blues” e mudaríamos as letras um pouquinho porque achávamos que as músicas não deviam ser só sobre homens—podiam ser sobre mulheres também. Ele gostava de trocar uma palavra ou outra, só para tornar mais universal. Essa realidade então me ocorreu. Eu só compunha música há pouco tempo, devia ter uns dezoito anos, e adorei a ideia de pegar música folk e mudá-la para continuar o diálogo, renovar e tornar o som algo para a minha geração.
Às vezes eu faço isso [retrabalho uma canção antiga] só porque estou com a criatividade bloqueada e preciso começar de algum lugar.
—Alynda Lee Segarra
Se você espera usar sua adaptação comercialmente e não quer se envolver com questões de licenciamento, atenha-se às músicas de domínimo público. Mas, mesmo assim, reescrever um hit pop pode ser um exercício ótimo, e vale para aprender. O processo de adaptação te obriga a sair de sua zona de conforto e resolver problemas criativamente. Eis como Duncan Sheik descreve como usou poesia nas músicas do seu disco Phantom Moon.
Eu geralmente escrevo a música primeiro e as letras depois, quando elas vêm até mim. Então foi um ajuste mudar isso, mas quando eu me acostumei, passou a ser muito natural. Na verdade, eu gostei muito, porque a letra vira um quebra-cabeças bem interessante, como pegar a estrutura de um texto e trabalhá-lo como estrutura musical, fazendo uma canção inteira. A cada vez que eu fazia isso, era uma aventurazinha.
—Duncan Sheik
Se você tiver problemas para deixar de usar uma versão do material que está usando como fonte (vamos dizer, tentar escrever novas letras para “Man of Constant Sorrow”, mas não consegui tirar a voz do cantor Ralph Stanley da cabeça), tente acelerar o ritmo, ou diminuí-lo, levá-lo para outro acorde ou ainda usar um instrumento diferente —qualquer coisa que vá fazer o que é familiar ficar estranho e novo.

5. Use um template.

Outro jeito de começar a escrever música do zero é pegar a estrutura de uma música que já exista e a preencha com sua letra e sua canção. Em termo de letra, por exemplo, a música que já existe pode te ajudar a saber quantas linhas uma música deve ter, o número de sílabas em cada uma dessas linhas e onde as rimas devem estar.
Teve uma vez que, bem tarde da noite, eu estava sentado numa van em algum lugar da Espanha. .Eu de repente tive uma ideia ótima de letra e fiquei pensando, ai caramba, o que eu faço agora, peço para pararem o carro? E era uma letra muito boa, algo que eu queria escrever há muito tempo. Então peguei meu bloquinho e caneta e, no escuro, comecei a escrever a música usando um template de outra música que já existia. Peguei “Desolation Row”, do Bob Dylan, e escrevi minha música em cima das notas de “Desolation Row.” E, quando voltei para a Inglaterra, peguei meu violão e escrevi uma melodia nova, que não parecia em nada com “Desolation Row” mas tinha minha pegada.
—Billy Bragg
Você pode achar vários templates para usar nas suas criações em músicas que já existem. O David Wax (da David Wax Museum) escreveu muitas músicas trabalhando com as estruturas e as cadências de canções folclóricas mexicanas.
O que eu fiz muitas vezes é pegar uma canção tradicional e tentar decifrar o refrão, como a estrutura se repete. Quanto às letras, também é muito interessante ter uma estrutura. Qualquer estrutura nova pode ser uma ferramenta valiosa. Isso pode te inspirar a escrever de um jeito que você não teria feito.
—David Wax
Bom trabalho...

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Desenvolvendo Melodias




Desenvolvimento Melódico

Uma de nossas principais preocupações deve ser tocar melodicamente. Isso não necessariamente significa tocar bonitinho, mas é preciso haver algum senso de continuidade para suas linhas melódicas, e elas precisam ser interessantes em si mesmas. Você também precisa estar consciente do desenvolvimento rítmico e harmônico de suas improvisações; eu incluo esses conceitos na expressão "desenvolvimento melódico". Isso é difícil ensinar, e é provavelmente o aspecto da improvisação que requer mais criatividade. Qualquer um pode aprender as relações entre acordes e escalas; o que você faz com esse conhecimento é o que determina como sua música vai soar. O livro How To Improvise, de Hal Crook, tem muitas informações sobre o desenvolvimento melódico, especialmente sobre variação rítmica, voltadas para o músico de nível intermediário, enquanto The Lydian Chromatic Concept Of Tonal Organization For Improvisation, de George Russell, e A Chromatic Approach To Jazz Harmony And Melody, de David Liebman,  contêm discussões avançadas e muito técnicas sobre desenvolvimento harmônico.


Intensidade

Você precisa estar consciente do contorno de seu solo. Uma maneira comum de estruturar um solo é baseada no modelo de como se conta uma história. Você começa de maneira simples, vai acrescentando uma série de tensões menores até um clímax, e aí chega a uma frase de desfecho. Isso funciona bem na maioria das situações. No entanto, você pode querer ocasionalmente variar desse formato. Você pode decidir começar com mais força para abrir seu solo, ou pode querer encerrar bem no clímax, e deixar de lado o arremate. 

Pode querer manter todo o solo com um baixo nível de intensidade para passar uma sensação relaxada, embora você nem por isso vá querer entediar seus ouvintes. Pode querer manter o nível de intensidade num ápice controlado. Mais ou menos como um comediante trabalhando num auditório, você pode querer alterar suas estratégias à medida que avalia o clima da plateia. Você deve se esforçar para ter o controle da resposta emocional que sua música gera nos ouvintes.

Há alguns expedientes comuns que podem ser usados para estruturar seu solo. Um dos mais importantes é a repetição. Depois que um solista toca uma frase, ele frequentemente repete ela, ou uma variação dela. Geralmente a frase, ou a variação, é tocada três vezes antes de se passar para alguma outra coisa. A variação pode ser transportar a frase, ou alterar notas importantes dentro dela para conformar a frase a um novo acorde/escala. A variação pode consistir simplesmente de começar a frase num ponto diferente do compasso, como no terceiro tempo em vez do segundo. A frase em si pode ser alterada ritmicamente, tocando-se mais devagar ou mais rápido.

Relacionada à ideia da repetição, está a ideia de pergunta e resposta. Em vez de repetir a frase original, você pode considerar a frase como uma pergunta ou chamado, e continuar com uma resposta. Esta é a analogia musical a perguntar "você foi à loja hoje?", e então responder "sim, eu fui à loja hoje".

Na maioria dos instrumentos, você pode aumentar a intensidade tocando com mais volume, mais alto, e mais rápido; tocar mais suave, mais baixo, e mais lento geralmente reduz a intensidade. Tocar padrões rítmicos simples, como semínimas e colcheias onde o acento cai no tempo, é geralmente menos intenso do que tocar ritmos mais complexos, tais como ritmos sincopados, onde a maioria dos acentos cai fora do tempo. Uma hemíola é um tipo particular de esquema rítmico em que uma métrica é superimposta a outra. Um exemplo disso é o uso de tercinas de semínimas quando se toca num compasso 4/4.

Uma nota longa sustentada consegue também gerar intensidade na maioria dos instrumentos, embora os pianistas talvez precisem usar trinados ou oitavas quebradas ("rolling octaves") para alcançar esse tipo de sustentação. Uma única nota ou frase curta repetida inúmeras vezes consegue produzir uma espécie similar de intensidade. Você precisa usar seu próprio julgamento para decidir o quanto é o bastante.

Construção de Frases

As relações entre acordes e escalas não devem ser vistas como sendo limitadoras ou determinantes de sua escolha de notas. Elas são simplesmente um auxílio, uma maneira de ajudar você a relacionar ideias que possa ter a dedilhados em seu instrumento. Suas ideias não devem, entretanto, ser ditadas pelas escalas. Observe que muito poucos cantores de jazz usam escalas extensivamente; eles geralmente conseguem traduzir uma ideia para suas vozes mais diretamente. Por esse motivo, os instrumentistas devem praticar a improvisação cantando, além de praticar seus instrumentos. Não importa o quanto sua voz possa estar destreinada, ela é mais natural a você do que seu instrumento, por isso você pode chegar à conclusão que consegue desenvolver ideias melhor cantando-as em vez de tocando-as. Os cantores também são geralmente limitados em sua capacidade de cantar ideias harmônicas complexas, entretanto, porque eles não têm dedilhados bem praticados para os quais retornar. A teoria das escalas pode ser de fato uma fonte de ideias; só assegure-se de que ela não é sua única fonte.

Tente tocar linhas melódicas escalares que sejam baseadas principalmente em graus conjuntos, linhas angulares que sejam baseadas principalmente em saltos, bem como linhas que combinem as duas abordagens. Além de se preocupar com a escolha das notas, tente variar o conteúdo rítmico de suas ideias. Improvisadores iniciantes geralmente tocam inconscientemente quase todas as suas frases com somente umas poucas bases rítmicas. Tente tocar linhas que sejam baseadas principalmente em mínimas e semínimas, linhas que sejam baseadas principalmente em colcheias e tercinas, bem como linhas que combinam as duas abordagens.


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Um papo sobre "Composição"


Composição musical pode ser uma coisa muito recompensadora. A sensação que dá ao ouvir alguém cantarolar ou tocar uma música sua é sem igual. Entretanto, o lado ruim disso é que pode ser desencorajador se suas músicas não ganham a atenção que você acha que elas merecem, ou quando sua carreira não cresce do jeito que você gostaria. Esse tipo de empecilho pode ser desestimulante para sua criatividade, mas há algumas coisas que você pode fazer para manter o ensejo e transformar essa negatividade em progresso.
Não leve para o lado pessoal
Às vezes uma música que você amava de paixão não faz tanto barulho quanto você achou que faria. Talvez ela seja sobre algum grande momento da sua vida, uma conexão muito forte que sentiu com alguém ou um relacionamento. Para você, essa música significa muito, mas algumas outras pessoas podem não se identificar com ela, e tudo bem.
O segredo é não se apegar demais. Não considere uma ofensa pessoal se as pessoas não gostaram da sua música. Não é porque elas desgostam de você ou porque a música é ruim. Na maioria das vezes, é só porque elas não sentiram a emoção que você tenta descrever na sua música – e não existe uma conexão.
Em vez disso, trate esse acontecimento como um aprendizado e use-o como uma oportunidade para melhorar suas técnicas de composição. Pense em como você conseguiria passar essa mesma emoção de uma maneira que as pessoas conseguissem sentir. Se você nunca perdeu mãe ou pai, não conseguirá se condoer com uma música sobre esse tema. Mas a perda é algo que todos já sentiram, então se você tornar a música um pouco mais genérica, talvez consiga entrar em contato com uma audiência mais ampla.
Dito isso, não se sinta obrigado a mudar suas canções para ganhar mais fãs ou mais atenção. Composição deve ser sempre algo pessoal. Mas lembre-se sempre que toda música é uma conversa. Você transmite seus pensamentos e emoções e sua plateia os coloca num contexto pessoal, da sua própria vida.
Estipule metas para si mesmo
Composição é um processo inerentemente criativo e o resultado disso é que tendemos esperar a inspiração para escrever e levar nossa carreira adiante. A inspiração aleatória tem um grande papel na composição, sim, mas você deveria tentar estabelecer algum tipo de estrutura, e metas são um ótimo jeito de continuar progredindo.
Tente estabelecer uma meta de quantas canções você vai compor por semana. Alguns músicos se desafiaram a escrever uma música por dia por uma semana, enquanto outros vão separar uma hora por dia para escrever, estejam eles inspirados ou não. Colocar-se nesse tipo de horário é bom para derrubar o mito da falta de inspiração. Depois de um tempo, você será capaz de acessar sua inspiração a qualquer momento.
Você também deveria estabelecer metas para a sua carreira. Tente ter uma ideia de onde você quer que sua composição te leve. Você quer escrever para outros artistas e passar a maior parte da sua carreira nos bastidores? Ou quer tocar suas músicas direto para seus fãs? Ou você quer manter a composição como um hobby pessoal?
Dependendo de onde você se ver no futuro, há passos que você pode tomar para se aproximar mais dessa meta. Se você quer escrever para outras pessoas, pratique fazer músicas de diferentes assuntos em gêneros diversos. Mas afinal se você quer estar no palco, deveria estar procurando músicos com quem se apresentar.
É claro que há muitos outros jeitos de aprimorar sua habilidade de composição, descubra e aprimore os seus.


domingo, 23 de agosto de 2015

Criatividade Musical

Dizem que a fronteira entre a loucura e a genialidade é muito estreita. Ou seja, explore as idéias mais malucas e talvez você descubra algo novo, algo genial.

Quem só quer chegar aonde os outros já chegaram não vai muito longe. Portanto, não tente soar sempre como um guitarrista que você gosta, existem coisas que só você pode fazer.

Mas afinal, o que é criatividade? Vamos procurar uma definição simples que possa nos servir para alguma coisa. Criatividade é a habilidade de encontrar uma nova solução para um problema. Quer dizer então que, para ser criativo, é preciso ter um problema? Sim. Mas não pense em um problema como algo ruim, algo negativo que precisa ser evitado. Existe um outro significado para problema. Uma forma inteligente, madura e positiva de se ver um problema.

O que precisamos fazer para enxergar um problema como algo positivo? Bom, primeiro precisamos ter em mente que para todo problema existe, pelo menos, uma solução. Depois, precisamos entender que toda evolução é construída a partir de um problema, seja ela uma evolução da natureza, da sociedade ou do homem. Isto é, quando um problema é resolvido, uma evolução ocorre. Assim funcionam as coisas no nosso universo.

Aqui, o erro é algo bom. Não só aqui, mas em todo processo criativo. Por isso, não tenha medo de errar, você irá errar muito mais do que imagina. A consciência da probabilidade de errar lhe trará confiança para se superar. O erro é necessário.

Tentar e errar fazem parte da criatividade e um dos pontos básicos para ampliarmos nosso potencial criativo é justamente reconsiderar nosso medo de errar, talvez transformando a palavra em "testar".

"bora" fazer barulho pensante !