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terça-feira, 21 de maio de 2019

Alto Falantes – O upgrade mais subestimado


O melhor upgrade para seu timbre são novos alto falantes


Alto Falantes – O upgrade mais subestimado

A parte do equipamento esquecida pelos guitarristas – Os Alto falantes.

Uma coisa é certa: nós guitarristas estamos sempre ajustando o nosso setup, nossos equipamentos em busca de um timbre cada vez melhor. Algumas vezes melhoramos nossos timbres ao melhorar como tocamos. Outras vezes melhoramos nossos timbres melhorando os nossos equipamentos.
Compramos novos pedais, amplificadores, guitarras e tudo mais.
No entanto existem um poderoso upgrade que passa totalmente despercebido pela maioria de nós:
A troca dos Alto Falantes do seu amplificador.
A troca de falante é considerada por muitos especialistas a maior mudança que você pode fazer no timbre do seu amplificador, no entanto, quando estamos na busca por uma maneira de melhorar o nosso timbre atual, raramente olhamos para esses caras
Por outro lado é fácil de entender o motivo.
Alto Falantes de boa qualidade nunca foram fáceis de encontrar (com um bom preço) no mercado brasileiro e, além disso, os detalhes a serem considerados na hora de escolher um bom falante não são frequentemente conhecidos.
Esses – e outros – fatores contribuem para tornar o upgrade de alto falantes uma alteração menos popular no meio guitarrístico em geral.

Alto Falantes como upgrade de timbre

Como mencionado anteriormente, a troca de falantes é uma das alterações mais efetivas para melhorar (ou simplesmente alterar) o timbre do seu amplificador.
Para que a troca te traga o resultado esperado, você precisa fazer o dever de casa.
Isso significa que antes de por a mão no bolso e comprar o novo alto falante, você precisa determinar alguns fatores, como:
  • Características de timbre (americano clássico, britânico, timbre moderno, etc)
  • Faixa de potência
  • Orçamento
  • Tamanho (em polegadas)
  • Impedância
Com essas respostas, já é possível afunilar as opções e passar a analisar os próximos detalhes que determinam as nuances mais suaves do seu novo falante.

Tipos de Alto Falantes

Quando você já tiver chegado a uma conclusão quanto às características gerais do amplificador, nós podemos começar a olhar para os fatores que determinam os detalhes do timbre de cada falante.

Voicing

Como já mencionei anteriormente, hoje temos no mercado basicamente três características principais de falantes para nossa escolha.
American:
Os falantes do tipo american são usados tradicionalmente nos amplificadores Fender.
Esses falantes tem por característica um timbre limpo acentuado com agudos presentes e graves muito bem pronunciados.
British:
Esses são os falantes que ficaram marcados por serem usados pela Marshall, Vox e Orange.
Normalmente trazem os médios bastante presentes, ajudando a quem gosta de um bom crunch. Além disso traz agudos bem acentuados.
Modern:
Nessa classificação estão os falantes usados por fabricantes como a Mesa.
Esses falantes são capazes de lidar com quantidades grandes de potência sem que percam suas característica ou adicionem qualquer tipo de distorção.
É comum que apresentem uma resposta mais equilibrada entre agudos, graves e médios, fazendo com tenham um timbre bastante claro.

O tipo de imã do alto Falante

Um item muitas vezes negligenciado e que faz uma considerável diferença no som do seu novo falante é o tipo de imã usado na construção do falante.
Alnico:
Assim como no mundo dos captadores, os alto falantes construídos com imãs de Alnico são – geramlmente – considerados superiores em termos de timbre.
Algumas características atribuídas aos falantes de Alnico são:
– Suavidade
– Balanço em graves e agudos
– Dinâmica
Por conter alguns metais relativamente raros em seu composto (cobalto, por exemplo), falantes de Alnico vem se tornando cada vez mais caros.
O que abre caminho para os falantes com imãs…
Cerâmicos:
Os falantes com imãs cerâmicos são os mais populares atualmente.
Esse tipo de falante se tornou especialmente popular a partir da década de 70.
Apesar de o Alnico levar a fama, vários falantes clássicos – vintage – são feitos com imãs Cerâmicos.
O exemplo mais conhecido é o Celestion G12M Greenback que ficou famoso por equipar a grande maioria dos stacks 4×12 da Marshall e é o falante preferido de grandes nomes como Slash, Angus Young dentre outros.
Os falantes com imãs Cerâmicos são mais conhecidos por apresentar as seguintes características:
– Médios acentuados
– Agudos pronunciados
– Graves contidos.

Eficiência

A eficiência de um falante diz respeito à capacidade do falante de transformar cada watt de potência vinda do amplificador em som.
Esse fator simples de ser entendido tem uma implicação direta no timbre.
A eficiência determina o nível de distorção que o falante vai gerar quando trabalhar no extremo.
Sendo assim, se você deseja um falante para usar no extremo, mas não quer que esse falante produza nenhuma distorção, um alto falante com alta eficiência será uma melhor escolha.
Por outro lado se você gostaria de ouvir o falante distorcer um pouco junto do amp, então um falante com eficiência mais baixa vai fazer um melhor trabalho.

Bônus: o material do cone

O material com o qual o cone do alto falante é produzido tem uma influência direta e sutil na resposta de frequência do falante.
No mercado atual temos falantes produzidos dos mais variados tipos de materiais produzindo timbres levementes diferentes para atender aos gostos mais variados.
Segue um vídeo bem interessante, ao qual poder perceber a mudança que o alto falente pode fazer em seu timbre. Pesquise e ache seu som!

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Amplificadores valvulados clássicos - Parte 1

Comentarei sobre alguns dos amplificadores valvulados mais cultuados e utilizados por grandes ícones da guitarra desde os primórdios do Blues e do Rock ‘n’ Roll até hoje em dia. Vamos para os cinco primeiros:


VOX AC 30




    Vox AC30 Handwired Series – Acabamento que mescla o visual tradicional com o dos primeiros        AC30 lançados ainda na década de 50



Sobre a história, os detalhes e o timbre do AC30 nós já falamos em detalhes aqui antes, mas não custa nada dar uma pincelada nesse clássico valvulado.
Quando o AC15 tornou-se extremamente popular no Reino Unido, nem o mais otimista poderia prever o que viria pela frente. O Rock ‘n’ Roll era uma febre e o AC15 era o amplificador de 9 a cada 10 guitarristas da época. No entanto, os clubes ficavam maiores e a necessidade de volume também. Daí a Vox veio solucionar o problema trazendo o irmão mais velho: o AC30.
O AC30 foi a resposta da VOX à popularização do Fender Twin que era, na época, o amplificador que supria as ‘grandes’ necessidades de volume que o AC15 não suportava. Dessa forma a Vox conseguiu manter o timbre matador do seu antecessor em uma versão maior e que aguentava o tranco em ocasiões mais barulhentas. O Vox AC30 se colocou com uma alternativa extremamente versátil em termos de timbre e ganho; não é tão clean quanto os Fender e, no entanto não chega a ser tão saturado quanto os Marshall da época.
Essa versatilidade foi um dos grandes motivos que levou o AC30 a ser adotado por inúmeras bandas da época, entre elas os Beatles, que levaram o visual e o som dos Vox a serem conhecidos por todo o mundo. Por falar em visual, a característica marcante da aparência dos amplificadores Vox também apareceu nessa época e é famoso e totalmente reconhecível até hoje.
O AC30 tem em seu pré formado por ECC83 (12AX7) e o power fica por conta das clássicas EL84.
  • The Beatles
  • Jimmy Page (Se quiser conhecer os detalhes das guitarras usadas pelo mestre Page, 
  • Brian May
  • Ritchie Blackmore

2. Marshall “Plexi” 1959


     Marshall Plexi – Reissue do Marshall 100 watts usado por muitos inclusive por Jimi Hendrix

Depois de algum tempo já fazendo sucesso com o The Who e sempre usando o seu JTM45, Pete Townshend perguntou ao Jim Marshall em pessoa (O que não era tão difícil naquela época) por um amplificador mais alto do que aquele que ele vinha usando. Mas ele não queria algo apenas mais alto, ele queria o dobro de volume. Após algum trabalho e vários protótipos e testes, saiu do forno o que hoje conhecemos como Marshall Plexi, que, na verdade, se trata do Marshall JTM 1959 de 100 Watts.
Pouco tempo após o Pete começar a usar o Plexi, várias outras grandes bandas o adotaram, principalmente pelo impacto visual causado pelo Full Stack encabeçado pelo queria Marshall Plexi. Mas quem realmente tornou esse amplificador famoso e é, até hoje, o seu símbolo foi Jimi Hendrix. A combinação Strato e Marshall Plexi foi imortalizada por ele e acredito que dificilmente mudará de mãos.Esse amplificador foi utilizado largamente pelo Pete Townshend até que ele encontrasse os Hiwatt.
Pouco tempo depois a Marshall passou a oferecer o as caixas para baixo equipadas com Falantes Celestion G12H-30 (Esse H no nome se referia ao ‘Heavy magnet’), mas esses falantes ficaram muito populares entre os guitarristas principalmente por sua capacidade ímpar de lidar com mais potência e de serem muito resistentes.
A essa altura, nomes como Eric Clapton, durante a turnê do Cream e o Jimi Page, nos Yardbirds e posteriormente no Led Zepellin já usavam exaustivamente o novo amplificador da Marshall. Uma das unanimidades sobre esse amplificador é que, sempre que ele era ouvido em um show, era a todo volume. Até hoje nomes como Eric Johnson usam esse amplificador, e, nesses casos, você pode ter uma noção do quanto ele fala alto!
Esse amplificador marca muito bem uma época onde os shows passaram definitivamente às grandes arenas e os Stacks passaram a ser o símbolo desses grandes e apoteóticos shows. Falaremos mais detalhadamente sobre esse clássico em breve!
Veja também alguns caras que usaram essa máquina em suas carreiras:
  • Jimi Hendrix
  • Pete Townsend
  • Eric Clapton
  • Angus Young 

3. Fender Tweed Bassman (1959)

                   Fender Bassman Tweed – Reissue baseado nas edições dos anos 50

Os Bassman da era Tweed da Fender são até hoje altamente cultuados, principalmente quando falamos dos que foram produzidos entre o fim de 1954 e 1959, que foram os Fender Bassman Tweed 4×10. Como a descrição sugere, são amplificadores combo equipados com 4 alto falantes de 10 polegadas ao invés do único falante de 15” como era comum até então. Essa mudança aconteceu principalmente pelo grande uso que os guitarristas já estavam fazendo desse amplificador naquela época.
O Bassman vinha equipado com duas 12AY7 no pré amplificador, duas 6L6G no estágio de potência e duas 5U4GA como retificadoras. Nesse esquema o Bassman entregava 40 watts de puro Rock ‘n’ Roll em 2ohms.Por conta de características do circuito, o Bassman tinha um som um pouco mais comprimido e dinâmico do que a maioria dos valvulados da época.
É sabido que os Bassman da era Tweed tinham um som um pouco mais sujo, comprimido e dinâmico do que os seus sucessores das décadas seguintes.

                                                             Bassman silverface Head


Vale lembrar que o Fender Bassman foi a base para a criação do primeiro Mesa Boogie e também do primeiro Marshall.

Esse amplificador é um dos mais versáteis da Fender e também um onde é possível conseguir mais saturação.

Alguns artistas que usaram o Bassman durante a sua carreira são:
  •  Stevie Ray Vaughan
  •  John Mayer
  •  Buddy Guy
  •  Chris Shiflett – Foo Fighters
  •  Brian Setzer

4. Fender Twin Reverb

’59 Fender Twin Amp Tweed – Apresentando seu acabamento clássico e já bastante usado


Um som definido, alto e muito limpo. Essa poderia ser a definição do Fender Twin Reverb. Esse amplificador teve o seu debut na década de 60 e desde então experimentou uma infinidade de variações (que serão descritas em detalhes em um post específico). Esse é mais um dos amplificadores da Fender que sobreviveu a todas as ‘eras’ da empresa, passando pela fase Tweed, Blonde, Silverface, Blackface, etc.
As primeiras edições do Fender Twin (edição anterior ao Twin Reverb), conhecidas como ‘Wide and Narrow Panel’ entregava apenas 25 watts em dois falantes Jensen de 12 polegadas em formato combo, tendo duas 6L6 no estágio de potência. Na Narrow já foram inseridas algumas mudanças no visual e a introdução das válvulas 5U4 como retificadoras assim como nos Bassman.
              1973 Fender Twin Reverb – Silverface, já apresentando o canal vibrato
O passo seguinte já foi a introdução do que ficou conhecido como Tweed Twin. Essa é, de longe, a era mais famosa dos Twin e onde também, eles tiveram mais mudanças. A circuito foi novamente alterado para que entregasse uma maior potência. A partir dessa fase o Fender Twin Reverb entregava 80 Watts em dois falantes Jensen de 12 polegadas. Para que essa mudança na potência fosse possível, a Fender optou por usar quatro válvulas 5881 no estágio de potência.
A partir de 1963 o Fender Twin passou a ser produzido na versão Blonde como a maioria dos amplificadores da série Pro da Fender na época.
O Twin Reverb também foi fabricado em sua versão Blackface. Nessa fase, além das mudanças óbvias no design para atender às características dos amplificadores da Fender da época, houveram também mudanças no circuito, onde, na parte de potência passou a usar quatro válvulas 6L6GC e no pré amplificador passam a usar seis válvulas, sendo essas quatro 7025 e duas 12AT7. Esse amplificador também apresentava dois canais, um Normal e outro Vibrato.
Entre 1967 e 1981 a Fender produziu a versão Silverface do Twin Reverb, e a partir de 1968 apresentou algumas mudanças, como a adição de um volume master e a mudança da potência para 100 watts.
Abaixo você pode ver alguns caras que usavam o Fender Twin:
  • Buddy Guy
  • Eric Clapton
  • The Rolling Stones
  • Yeah Yeah Yeahs
  • The Beatles  
    ("John Lennon e George Harrison dos Beatles usaram os amplificadores Fender Twin
    durante as gravações de Abbey Road e Let It Be; o grupo também usou Twins durante
    o famoso Rooftop Concert")


    5. Marshall JCM 800

    O primeiro modelo projetado pela Marshall nos anos 80 fez o seu debut em 1981, e ali era um novo clássico que nascia: O JCM 800. Era apenas o secundo modelo da Master Volume Series (MV) que contava com a adição de um volume master, o que proporcionava a possibilidade de ter boas distorções a baixos volumes.
    O novo modelo (JCM 800 2210) apresentava dois canais Lead e Rhythm que podem ser usados via footswitch. Além disso o amplificador já vinha equipado com um Loop de efeitos e reverb de molas.
    Esse amplificador, rapidamente se tornou uma febre dentre as bandas de Hard Rock e de Heavy Metal.
    O seu ganho mais elevado se deve à quantidade maior de estágios de ganho no pré amplificador, já no canal lead o ganho extra era dado por um triodo extra.
    JCM 800 Lead Series Head – Imortalizado por vários rock stars dos anos 80




    Esse amplificador vinha equipado com três válvulas ECC83 (Equivalentes da 12AX7 vendidas no UK) no pré amplificador e duas EL34 no amplificador de potência.
    Alguns guitarristas que usaram e usam o JCM800
    • Slash
    • Tom Morello
    • Zakk Wylde
    • Joe Perry
    • Jeff Beck
    • Malcolm Young
    • Angus Young
    • Billy Corgan
    • Bad Company

    Fontes:
    • The Tube Amp Book – Aspen Pittman
    • Jimi Hendrix Gear: The Guitars, Amps & Effects That Revolutionized Rock ‘n’ Roll – Michael Heatley, Harry Shapiro, Roger Mayer
    • Fender Amplifiers
    • Maquinas de Música (Jorge Lopes)
        

quarta-feira, 9 de maio de 2018

A Fonte de Alimentação - parte I


Seja ela do amplificador, dos pedais, ou até mesmo uma dedicada apenas para os filamentos das válvulas. Ela faz toda a diferença.
Conhecimentos técnicos
Todo músico profissional deve possuir conhecimentos além de sua formação principal, pois algumas outras áreas que não fazem parte de sua formação fazem parte do seu dia-a-dia na música, e um deles é relacionado com a energia que alimenta seus equipamentos.
Para aqueles que buscam um conhecimento mais aprofundado sobre fontes de alimentação, esse tópico é uma excelente fonte de consulta e que pode responder direta e indiretamente algumas questões relacionadas.
 Como funciona o áudio e a fonte de energia
A fonte de alimentação, seja ela um conversor AC para DC (fontes propriamente ditas) ou uma bateria, são referência de potência que qualquer circuito de áudio precisa para fornecer um sinal na saída (empurrar o sinal modulado para a saída).
Todo circuito de áudio que faz algum processamento de sinal, como um pedal de efeito por exemplo, que a partir um sinal de entrada processa o efeito e entrega na sua saída o resultado desejado. Esse processo faz uso de uma fonte de energia. Para isso, no caso do pedal,  ele usa o sinal de áudio para dar o formato e a alimentação para dar potência para esse sinal, (empurrar o sinal é o termo popularmente conhecido).
Resumindo, isso quer dizer que todo circuito de áudio transfere a potência da fonte para a saída, só que no formato do sinal de áudio, seja ele de ganho 1 ou ganho infinito, em outras palavras, independente da potência.
Só para fazer um paralelo, um amplificador de potência na verdade não tem potência nenhuma, a potência vem da fonte. O que um amplificador tem é a capacidade de transferir determinada potência da fonte para a sua saída a partir de um sinal de áudio.
Isso quer dizer que se você tem um amplificador de 100W, você só terá essa potência se sua fonte de alimentação tiver no mínimo 100W. Na prática, a fonte deve ter potência maior, mas se sua fonte fornecer apenas 50W, ao aumentar o volume você vai ter um som muito distorcido na saída e nunca terá 100W pois não tem de onde vir essa energia, a não ser da fonte, e se a fonte não tem esse potencial seu amplificador muito menos.
Fonte de alimentação tem potência?
Sim, as fontes de alimentação fornecem uma tensão em volts até um certo limite de corrente, que é dado em amperes. A potência é o produto dessas duas grandezas corrente(A) x tensão(V) = potência (W).
Exemplo
Se a fonte do seu pedal fornece 9V com até 500mA de corrente, quer dizer que sua fonte tem uma potência máxima de 4,5W, como 500mA=0,5A você tem 9V x 0,5A = 4,5W.
Ao ultrapassar os 500mA a tensão tende a cair, pois a fonte não tem mais potência para fornecer, se você medir e perceber que a corrente subiu mas a tensão diminuiu, e fizer os cálculos, vai ver no resultado que a potência é a mesma. Mas essa condição extrema implica diretamente na qualidade do sinal que a fonte está fornecendo, que passa a ter ondulações e consequentemente ruído no seu áudio.
Fontes
Quanto mais limpa (silenciosa) for uma fonte de alimentação, melhor será a qualidade do sinal de saída. Toda fonte de tensão contínua não pode ter variações do seu nível ao decorrer do tempo, isso quer dizer que ao decorrer do tempo sua tensão não varia, com isso ela apresenta uma reta, caracterizanda como contínua. Ao contrário da tensão alternada que varia no tempo, por isso apresenta um sinal em forma de senóide, que em momentos alternados a tensão é positiva e negativa. Assim como mostra a figura.
Na figura abaixo; A: Tensão alternada B: Tensão contínua
Se uma fonte tiver alguma ondulação no seu sinal, seja ela de baixa ou alta frequência, ela deixa de ser silenciosa, pois isso é considerado ruído. Uma fonte que apresenta essas características de ondulações, quando o sinal de áudio for modulado a partir dela, essas ondulações na tensão vão se somar com o do áudio na saída. No caso de um pedal de guitarra esse ruído será percebido no amplificador.
Ruídos em fontes
O ruído na saída da fonte pode vir diferente origens que podem ser:
Ondulações de ripple, ocasionadas por instabilidades na tensão de saída de uma fonte.
Ruído eletromagnético, provenientes da rede elétrica local ou de componentes internos da fonte.
Ruído de RF, são ruídos de alta frequência do espectro eletromagnético dentro da faixa de rádio, seja AM ou FM. Algumas vezes uma estação de rádio próxima pode ocasionar essa interferência ou mesmo uma fonte chaveada próxima pode gerar portadoras de ondas de rádio que provocam oscilações quando o circuito de áudio entra em ressonância com certas frequências.
A figura A mostra: Tensão contínua com ripple de tensão, ocasionada por excesso de consumo de corrente ou por falha de filtragem. Essa ondulação provoca ruído. B: Tensão contínua ideal, sem ruídos.

Proteção contra sobrecarga e curto-circuito
Esse circuito monitora a corrente de saída da fonte, que ao atingir um limite, desabilita a saída que está nessa condição.
Um curto em um cabo faz com que a energia não chegue aos pedais, mas por outro lado, a corrente dentro da fonte tende a subir bruscamente gerando muito calor. Como na grande maioria das fontes lineares a proteção contra curto-circuito é térmica e não por excesso de corrente diretamente, alguns componentes podem não suportar a corrente instantânea e queimar.
 Proteção de sobre tensão e picos de energia
Transientes de energia acontecem e são muito comuns, mas eles podem danificar um circuito. Esses transientes são picos de tensão que ocorrem na rede, e possuem uma tensão muito maior que a tensão nominal.
Algumas pessoas já tiveram uma experiência de acordar e pela manhã verificar que tal equipamento não está funcionando. Esse equipamento pode ter queimado devido a um pico momentâneo de energia, e isso pode acontecer a qualquer momento e não somente de madrugada.
Na figura abaixo, A: Forma de onda senoidal da rede elétrica em condições normais. B: Picos de tensão momentâneos na rede que podem provocar a queima de equipamentos.

Questões importantes
Vivemos em um mundo moderno e globalizado onde nunca se cuidou tanto da saúde. “Você é aquilo que come” virou o mantra das novas gerações. No sentido oposto, curiosamente o mesmo não se aplica para a tecnologia. Parece que as pessoas estão cada vez mais conformadas com o “Made in China” e acham que todos os produtos eletrônicos desde que funcionando aparentemente bem são a mesma coisa.
Se você se alimenta bem para ter saúde, por qual motivo não irá alimentar bem os preciosos circuitos que possui? Isso vai desde um carregador de celular original até a fonte dos seus pedais.
Vejo com preocupação a negligência dos guitarristas quando o assunto é fonte de alimentação para pedais. Tenho amigos que possuem pedais de 2 mil reais, mas se recusam a gastar mais de 150 reais com uma fonte de qualidade. De nada adianta um pedal de qualidade com os melhores componentes selecionados plugado em uma fonte instável e ruidosa.
Além do fator qualidade, observo o fator quantidade. É preciso pesquisar, buscar um conhecimento mínimo sobre o consumo dos pedais que você utiliza e escolher uma fonte que não só suporte com alguma folga, mas que também esteja preparada para alterações e upgrades de novos pedais ao set.
Se formos olhar com carinho para o pedalboard e somarmos os valores de cada pedalzinho que compramos, temos fácil o valor da nossa melhor guitarra, ou até mais. Então não tem sentido não cuidar bem deles, pois de longe é o tipo de equipamento que os guitarristas mais compram, vendem e trocam. Estou em alguns grupos no Facebook onde a galera publica o pedalboard no início do ano e depois no final do ano com todas as mutações que ocorreram ao longo de 12 meses. O mais curioso? A fonte é sempre a mesma, e muitas vezes o set sai de dois ou três tímidos pedais para layouts complexos com mais de 10.
Por exemplo a fonte OneSpot da VisualSound, com uma capacidade de entrega de corrente de até 1700mA, o que é bastante para uma fonte de pedais.
A fonte é muito legal e funciona bem com poucos pedais, mas testes mostram que a sua saída de tensão estava na casa dos 9.22v, com ou sem pedais ligados nela. Pedais mais sensíveis podem não funcionar bem, ou até mesmo estragar passado algum tempo. Apesar de ter muita corrente disponível, tinha apenas uma saída, o que obrigava o uso de cabos Daisy Chain e com mais de 5 pedais começavam os problemas com ruídos com pedais de alto ganho e instabilidades relacionadas com os circuitos de Bypass eletrônicos dos pedais.
Você pode encontrar fontes funcionam muito bem e de forma silenciosa e que não apresentem problemas de interferências entre os pedais. Algumas contem um regulador de tensão para cada saída,  e aos nossos ouvidos isso não aparenta problema algum. Mas nem todo o problema se esconde no som.
Sendo assim é interessante que meça a tensão de cada saída para verificar a qualidade da mesma. Talvez isso gere surpresas, faça a medição sem pedais, e com o uso do mesmo e verifique a voltagem se cai além dos 9v prometidos.
Temos duas tensões de rede Elétrica no brasil: 127v e 220v.
Por exemplo fontes importadas (comuns no mercado Europeu) com transformador com primários 115v e 230v.
A saída deste transformador entrega 12v, mas quando em 127v, ele entrega 13,25. O que não um problema caso a fonte tenha reguladores, mas o transformador acabava aquecendo bastante por trabalhar muito acima dos 115v e também em uma frequência diferente dos 50Hz para que foi construído. Lembrando que no Brasil a frequência é de 60Hz.
Se ligar em  220v as coisas pioravam bastante, pois ele entrega 11.45, e os reguladores vão apresentar dificuldades em estabilizar a tensão de saída em 9v..
Uma fonte não basta funcionar e manter os pedais sem ruído. Ela precisa ser confiável pois na utilização de longo prazo uma fonte instável pode danificar tudo.
De problemas relacionados com tensão, já basta os que encontra em cada local que leve seu equipamento.
Uma fonte ruim é uma doença silenciosa e que pode ser fatal para todo e qualquer circuito conectado nela.


Fonte: https://guitarrasegambiarras.com

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Fender falsa - Parte 1


Sempre existe um espertinho afim de dar aquela rasteira nos desavisados, e por muitas vezes você acaba sendo enrolado e só percebe anos depois.
Tudo isto pode levar a grandes prejuízos, e no mundo da guitarra tais prejuízos podem não ser apenas monetários.

No nosso dia a dia aqui na oficina vira e mexe aparecem instrumentos que temos que definir se é falso ou não, e pasmem apesar de não parecer existe muita gente tocando com Fender falsa por ai.

Isto acontece por conta das guitarras da Fender, tal qual outras marcas, usarem um processo de construção que facilita tal falsificação.
Além do fato de existirem muitas marcas que constroem replicas das stratos, teles, e contrabaixos quase que idênticos aos originais. E ai fica fácil para o espertinho trocar a logo marca, que pode ser facilmente adquirida por ai e colocar o instrumento a venda.

Só que neste caso não se trata de um instrumento legitimo e sim de uma Fender falsa.

São muitos detalhes a a saber, mas vou dar algumas diretrizes de como você pode identificar se esta comprando uma Fender ou uma Fender falsa.
Tarraxas e pontes

Um dos primeiros pontos a se reparar para pegar uma Fender falsa no flagra é na qualidade e tipo das peças, tarraxas e pontes.

Normalmente instrumentos que não são originais tem qualidade do cromo ou dourado muito inferior em relação ao acabamento usado pelas guitarras originais.

Então se você se deparar com uma guitarra com qualidade de hardware meio duvidosa cuidado você pode estar comprando uma Fender falsa
Tarraxas


Tarraxa moderna original. Logotipo da Fender da parte traseira das tarraxas.


Tarraxas moderna chinesa. Sem logotipos e qualidade do acabamento questionável.


Tarraxa cópia do jogo vintage da Kluxon



Jogo vintage da Kluxon usado em algumas Fender, repare no logotipo da Kluxon atrás da tarraxas
Tarraxas que a Fender usou até a década de 70.





É lógico que apenas o jogo de tarraxas não vai dizer se você esta comprando uma Fender falsa.

Além do mais algumas guitarras especificas da Fender vem de fabrica com jogos de tarraxas de outras marcas, como algumas modelos signature.

Pontes


Ponte American Standard original. Nesta ponte os carrinhos são de aço inox e o parafuso de ajusta de oitavas é fora do centro.





Cópia da ponte American Standard, nesta ponte os carrinhos não são de aço inox e o parafuso de ajuste de oitavas é centralizado.



Na ponte da telecaster original vem escrito Fender.



Na ponte da Fender falsa não vem escrito nada geralmente. Claro que os falsificadores dão jeito para tudo,
mas a qualidade do material e acabamento é pode ajudar a perceber a diferença caso tenha o logo.




Ponte vintage 6 parafusos da Fender.


Na ponte vintage genuína alem dos carrinhos serem dobrados vem escrito Fender em todos carrinhos



Ponte 6 parafusos paralela. Nesta ponte os carrinhos são dobrados e não vem escrito nada neles


A ponte pode te dar um ótimo indicativo se a guitarra é original ou se trata de uma falsificação, mas só isto não basta para definir se você esta comprando uma Fender falsa, existem outras coisas que você deve saber antes de fechar qualquer negócio.

Hoje podemos dizer que a maioria do comercio de guitarra é feito através da internet.

Então se o vender se recusar a mandar detalhes da guitarra em fotos ou mesmo não quiser te mandar o numero de série do instrumento você já pode ficar com o pé atrás.
Detalhes estéticos
Alguns detalhes entregam de cara se você esta sendo feito de bobo, um dele pro exemplo é o espaçamento dos dots, mascadores, da casa 12.

Tampa do Compartimento de Molas

Outra coisa bem simples que pode te dar alguma direção é a tampa do compartimento de molas.

Nas Stratos a tampa do compartimento de molas tem os buracos para parafusos centrais fora de centralização



Já na Fender falsa os parafusos centrais da tampa são bem alinhados.

Mas tome cuidado pois um escudo traseiro é muito fácil de substituir ou mudar os furos de posição.
Procedência

Outro detalhe muito importante são as inscrições de procedência tanto no corpo quanto no braço.

Aqui temos que tomar bastante cuidado pois a própria Fender varia o modo de como isto é feito, dependendo do pais de origem da guitarra. Nas Fender México ele escrevem de um jeito nas Japão de outro e mas American de uma terceira forma.

Braço de uma american tanto no corpo quanto no braço a data de quando o instrumento foi feito é estampada.


Já no braço da MIJ, made in Japan a data é escrita a mão em algumas vezes mas também pode ser estampado


Já nas mexicanas normalmente vem um papel com a assinatura de quem fez o braço, e algumas vezes não vem data.


Fender Japan com data estampada




Já no braço da Fender falsa, ou clone, quase sempre não vem escrito nada no braço ou no corpo.

De novo aqui temos que tomar cuidado, pois mesmo sem oriunda do Japão ou México você vai estar comprando uma Fender, o problema aparece quando estão te dizendo que esta tal Fender é Fender american, então de certa forma você esta comprando uma Fender falsa.



Corpo

Mais um ponto onde você pode usar com parâmetro para tentar definir se o instrumento é realmente o que estão te dizendo.

Aqui novamente é necessário ter cuidado pois o carpo em questão pode sim se tratar de um corpo de Fender, mas não necessariamente uma american.

E dada a semelhança é possível inclusive encontrar corpo de guitarra Squier tentando se passar pelo primo mais rico.


Comparação em corpo de uma Strato MIJ, Made In Japan, e um de uma Strato USA. Repare no rebaixo na região do captador da ponte.


Já as Fender MIM, made in México, normalmente tem o esquema de furação bem diferente. Com opção para single ou humbucker na posição da ponte e braço.



Já este corpo parece com de uma strato, mas não é reparem na “qualidade” das cavidades.


E o que dizer sobre isto então, só pintar colar o logo e ser o feliz dono de uma Fender falsa.
Logotipos

Aqui o assunto fica sério, existe uma infinidade de pessoas que produzem e vendem cópias do logotipo da Fender.

Cansamos de ver por ai a vender, é só saber procurar, e por muitas vezes vimos alguns vendedores usando a seguinte propaganda:

[blockquote source=””]Transforme qualquer guitarra em uma Fender[/blockquote]

Bom sabemos que isto não é verdade. As vezes tais logotipos eram tão toscos que até quem tem menos experiência iria desconfiar.


Logotipos originais

Os logotipos originais da Fender ,quando tem cores como dourado ou prata, estas cores realmente são metalizadas, é dourado mesmo e não um “amarelo” que parece dourado feito na impressora em casa, e o mesmo acontece com a cor mais próxima do prata.


Logo com preenchimento que deveria ser na corpo prata, e não cinza. Logo falso


Este aqui tem a cor amarelinha, falso. Deveria ser dourado. Reparem que tem até numero serial.


Estes aqui também pulam em uma perna só

Mas aqui mais uma vez tudo pode ir por água abaixo, pois existem ótimos profissionais no mercado que conseguem reproduzir tais logotipo com extrema perfeição.

Muitos deles apenas com o intuito de restaurar um instrumento originais que foi danificado na parte do logotipo.
Bom senso, senso comum e referencia do fabricante.

Este aqui vale para qualquer guitarra ou contrabaixo de qualquer marca. Se o instrumento não parece ser o que ele diz que é, já fique com o pé atrás.

Se você não conhece muito sobre um determinado modelo de guitarra, pesquise, vá ao site oficial veja se aquele modelo existe, quais eram as cores produzidas, se tinham algum detalhe muito especifico, para só assim poder tomar alguma decisão de negocio.

Amigos, que tocam e conseguem instrumentos, sempre são uma boa ideia, se você esta na duvida pergunte a um amigo.

Juntando tudo isto, e é claro sempre desconfiando de preços muito abaixo dos de mercado, você consegue se livrar de algumas bombas. Tudo isto também vale para instrumentos usados, que realmente são originais, mas que podem contar com defeitos que você previa.

fonte: http://loudluthieria.com

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Simplifique as coisas...


Hoje o assunto é Simplificar as coisas! Não sei vocês. Mas diante de tantos compromissos que tenho se eu não for prático, objetivo e simples no que eu tenho que fazer estarei lascado! (rs)
Digo isso principalmente em relação a timbres e equipamento de guitarra!
Claro! Nós devemos sempre estar atentos aos equipamentos, aos lançamentos, sempre aprimorando nossas sonoridades! Mas por um outro lado devemos ser simples!
Demorou um bom tempo para que eu desencanasse da complexidade das coisas, não que demorou na verdade. Simplesmente não havia mais tempo hábil para pensar em coisas que estão em segundo ou terceiro plano!

Não sei vocês, as vezes quando me sobra um tempo eu vasculho alguns grupos de guitarristas no facebook ou , para ver como anda a idéia da galera no geral!

Na verdade quando entro em qualquer grupo de facebook ou no zap, parece que eu estou entrando na mais alta classe acadêmica da música! Como as pessoas e"entendem" de guitarra e equipamento nesses grupos, não sei o que estão fazendo presos na internet, tanto "conhecimento" assim deveriam estar nos mais aclamados palcos desse mundo, mas enfim.O pessoal defende com tanta convicção suas opiniões que chegam até a ser mal educados e rudes com a pessoas, o pior é quando o cara não sabe nem o que está falando!

Fico até pensando.... Enquanto essa galera está perdendo tempo comentando e ofendendo os outros em redes sociais, poderiam estar pesquisando fontes mais confiáveis de informações sobre equipamento e timbre!

Eu já fui desses caras que se preocupava com a interação do captador "X" com a madeira "Y" o pedal tal, a ordem "X" dos pedais, agudos, médios, graves, equalizadores de frequência, loop de efeitos. Já estive muito atento a tudo isso, até perceber que isso mudava meu som de maneira irrisória!

Não que eu esteja aqui dizendo que temos que ligar qualquer tipo de equipamento sem nenhum tipo de critério e sair tocando por aí!

Há de ter um balanço entre as necessidades e o bom senso! Eu pesquiso, estudo e invisto .

Eu acho importante o conhecimento e sempre o aprimoramento do mesmo! Mas eu não encano mais com certas coisas que não fazem uma diferença crucial no meu timbre! Me preocupo em investir nos melhores equipos que posso e estar sempre estudando meu instrumento!

Acho que se a gente fica muito atento em certos detalhes que por fim não definem o resultado do seu timbre acabamos por perder outras coisas mais importantes... como a estrutura e o condicionamento geral desse timbre e também a execução das músicas que está acima de toda e qualquer prioridade!

Claro... Se eu tivesse uma equipe de técnicos trabalhando no meu timbre eu pensaria diferente... mas como sou eu que conduzo tudo isso chegou em um momento que eu tive que pensar simples! Embora eu use bastante pedais, rack e amps valvulado.., enfim, tive que achar um meio de pensar simples e entender de certas encanações não são os diferenciais no seu timbre e sim o seu conhecimento, as referências de timbre que você quer chegar, o investimento nos equipamentos e como você organiza tudo isso!

Concluindo, digo novamente: PESQUISE, ESTUDE E INVISTA! Mas dentro das suas necessidades.
Faça algumas  perguntas  a si mesmo (ética): Eu quero? Eu preciso? Eu posso ... Ou será que só quero impressionar o vizinho?


#DeNada

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Regulagem de Delay - Parte I “The Edge”

Regulagem de Delays I – “The Edge”



   Nessa primeira postagem irei explicar como regular o efeito de Delay principalmente para obter o efeito ao estilo “The Edge” do U2.
   Em primeiro lugar, precisamos entender o que é o efeito de “Delay” (em inglês, “atraso”). Delay é quando tocamos uma nota e ela soa logo depois, em “atraso”, dando a impressão de “repetição” das notas”. O Delay é amplamente utilizado para criar “ambiência” e “espaço” no som, substituindo muitas vezes o Reverb. Alguns guitarristas utilizam o Delay para criar a ambiência necessária a música ao invés do Reverb.
   Os segredos para regular corretamente o Delay estão em saber que o Delay pode, e deve, ser regulado de acordo com o andamento (BPM) da música e que suas repetições (atrasos) podem ser reguladas com diversas figuras rítmicas diferentes (semínima, colcheia, tercina de colcheia, semicolcheia, etc) dando diferentes texturas sonoras.



Para os que ainda não tem conhecimento teórico, vou tentar explicar de forma resumida o que são figuras rítmicas. Figuras rítmicas são símbolos usados para representar som ou silêncio. Quando representamos som, dizemos que as figuras rítmicas são de Valores Positivos e quando usadas para representar o silêncio de Valor Negativo. Resumidamente temos as principais figuras rítmicas de Valor Positivo e suas durações:



   Dessa forma podemos dizer que dentro de um compasso 4/4 ,uma Semibreve equivale a 4 tempos, ou seja, tem a duração de 4 tempos. A Mínima 2 tempo, a Semínima 1 tempo, a Colcheia ½ tempo, a Semicolcheia ¼ de tempo e etc. O que temos que ter em mente é a equivalência e proporcionalidade entre a figuras. Assim, se temos um semínima valendo 1 tempo, para tocarmos o mesmo tempo utilizando colcheia precisamos de 2 colcheias, ou seja, na colcheia tocamos 2 notas por tempo.




   O efeito de Delay também pode ser regulado para ter suas repetições ajustadas de acordo com as figuras rítmicas podendo ter repetições em Semínimas, colcheias e etc, ou, 1 repetição por tempo, 2 repetições por tempo, 4 repetições e etc o que gerará diferentes texturas sonoras. Basicamente a maioria dos pedais de Delay (e os efeitos em pedaleiras/racks) tem os seguintes ( e mais importantes na nossa regulagem) parâmetros:
Delay Level, Delay Time, Feed Back, Ping Pong, Tap Tempo, Hold e Reverse, alguns delays não tem todos estes comandos, mas estes são os controles mais comuns de serem encontrados, suas funções são:

Delay Level: Controla o volume do efeito, é comum que o efeito fique mais baixo que o som principal, que é aquele que você esta tocando, mas você pode igualar ou até mesmo fazer com que o efeito seja mais alto que o som tocado na guitarra.

Delay Time: Ele determina o tempo de resposta, geralmente é ajustado em .ms (micro segundos), por exemplo: Você ajusta para 500ms, você toca, o pedal copia os primeiros 500ms de som e o repete 500ms depois da saída do som original.

Feed Back: Controla quantas vezes essa cópia de 500 ms (do exemplo acima) será repetida, quanto maior o feedback, mais repetições você terá, mas isso não quer dizer que novos sons não estarão sendo copiados e repetidos, por isso, deve ser usado com sabedoria para que o som não embole (fique com muitas notas sobrepostas).

Ping Pong: Não é comum vir em todos os delays, criado para delays digitais o efeito ping pong serve para dividir o efeito em stereo (L & R), assim a primeira repetição sairá no lado esquerdo do som e a segunda repetição no lado direito do som, o que dá a sensação de que as repetições estão jogando as repetições de um lado para o outro como uma bolinha de ping pong.

Tap Tempo: Uma das funções mais importantes e que também não é fácil de ser encontrada nos modelos mais modestos, não é um knob na caixa de controle, mas sim umclic switch, em geral, igual ao clic switch de acionamento do pedal ou o próprio clic switch de acionamento, onde você pisa duas ou três vezes no tempo da música e ele altera a configuração do Delay Time, você já vai entender o porque isso é muito importante, continue lendo a matéria.

Hold: Muito legal para quem toca em casa sozinho, pedais que tem a opção Hold Delay em geral são digitais, uma vez que o nível de processamento deve ser bastante elevada para esta função,
Apesar de nem todas as funções serem encontradas em todos os pedais e algumas funções ainda mais raras nem foram explicadas aqui, as funções: Delay

Level, Delay Time e Feedback estão presentes em todos os modelos, pois são essas funções as principais do efeito e sem elas um delay não é um delay, e é com elas que iremos trabalhar para que o uso do delay seja bem mais aproveitável, dinâmico e condizente com a função.
onde você pisa no clic switch e ele começa a gravar o som através de buffer eletrônico, quando clicado novamente ele solta o som bufferizado e você pode improvisar sobre o som, é bem legal para quem quer treinar riffs ou improviso, uma vez que ele grava o tempo de 2 ou 3 acordes, suficiente para se fazer uma gig com você mesmo.

Reverse: Como o próprio nome diz, ele copia o som e o solta de trás para frente, é uma função que demanda extremo bom gosto no uso, do contrário será um desastre para a música, o legal é que você toca um bend e escuta um bend reverso, ou faz uma progressão subindo a escala e o retorno é uma progressão descendo a escala.

Depois de uma abordagem de uma forma genérica, vamos colocar a mão na massa. O primeiro passo é saber em que andamento está a música! Vamos imaginar que nossa música está em 120 Bpms e vamos regular diferentes Delays (os mais usados) para essa música,(Inclusive o efeito “The Edge”)

Para regularmos um Delay com 1 repetição por tempo (semínima) basta pegarmos o valor 60.000 e dividirmos pelo andamento (120), assim teremos o resultado de 500. Agora basta colocar o nosso Delay Time em 500. Pronto, temos um Delay com atraso em 500 m/s ou em semínima. Quando tocarmos, a repetição do Delay baterá certinha em cima do tempo seguinte. Para regularmos a repetição batendo em todos os tempos do compasso é só ajustarmos (aumentar o valor) o Feedback e teremos nosso Delay batendo na cabeça do tempo de todo o compasso.

Se queremos um Delay em Colcheia basta dividirmos o resultado por 2, já que precisamos de 2 colcheias para completarmos um tempo. Assim temos o valor de 250 m/s. Para regularmos em Semicolcheia basta dividirmos o resultado por 4. Teremos 125m/s. Muito bem vamos agora ao efeito “The Edge”! O guitarrista do U2 costuma usar muito regulagens em seus Delays de Semínima, Colcheia pontuada e Tercina de Colcheia. Vamos lá! Para regularmos em semínima já vimos o procedimento. Para regularmos em Colcheia pontuada ( regulagem que eu curto muito) basta pegarmos 250 (resultado para colcheia) e somarmos mais a metade desse valor ( que será 125), assim teremos um Delay em 375 m/s, ou, em Colcheia Pontuada. É importante lembrar que para termos uma regulagem mais próxima à usada pelo guitarrista devemos trabalhar com valores altos de Feedback ( em torno de 50 % ou mais) e Level. Para regularmos em Tercina pegarmos nosso valor base (500) e dividirmos por 3 = 166,66 ou 166, assim temos um Delay batendo 3 vezes a cada tempo.

Eu particularmente prefiro a regulagem em colcheia pontuada, no nosso exemplo, em 375 m/s, com Feedback em torno de 50% e Level em torno de 70% para ambiências do tipo usada na música “Where the streets have no name”. Mas cada caso é um caso e estes parâmetros podem sofrer variações para atingirmos um resultado satisfatório.

Fique atento pois tocar com essas regulagens de Delay requer um pouco de pratica, pois não são regulagens comuns, que ouvimos o tempo todo em qualquer música, por isso é necessário um pouco de treino e estudo com esse tipo de regulagem de Delay. Para regularmos o Delay em outros andamentos (bpm’s) basta fazer o mesmo cálculo. Pegar 60.000 e dividir pelo valor do andamento (bpm) assim acharemos nosso valor em m/s equivalente a uma Semínima.

Então é só repetir os demais cálculos. Para quem tem pedais ou pedaleiras com Tap é mais simples para regular, basta apenas pisar no Tap dentro do BPM da música. Mas esses cálculos são de grande valia principalmente em estúdio quando queremos adicionar o Delay certo para criarmos a ambiência adequada a música. Não podemos esquecer ainda que essas são dicas para chegarmos a uma sonoridade próxima a utilizada pelo guitarrista no efeito de Delay, e não estamos levando em conta os demais equipamentos utilizados, amplificadores e outros efeitos. 

Se você quer um timbre o mais fiel ao usado pelo guitarrista do U2, tenha em mente que vai precisar da maioria dos equipamentos utilizados por ele e, mesmo assim, não soará igual, já que mais de 50% do som de um guitarrista está nas mãos como já disse Eddie Van Halen e não nos equipamentos. Espero que estas dicas possam ajudar na hora de regular seu Delay.


A Study of The Edge’s (U2) Guitar Delay (Equipamentos e outras regulagens)