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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Pedais de Loop


Muitos guitarristas se sentem extremamente limitados com o fato de terem apenas duas mãos e uma única guitarra para eles tocarem durante uma apresentação.
É claro que ter uma banda ao seu lado alivia um pouco esse fardo, entretanto os outros componentes do grupo não estão dentro da cabeça do guitarrista para fazer exatamente  aquilo que ele está pensando. Felizmente, todo o guitarrista pode ter um revolucionário efeito ao seu lado. O pedal loop é um efeito essencial que permitirá que você expresse seus próprios timbres da maneira que você imaginou.
Mas, o que é um efeito de loop? O pedal de loop é um dispositivo que armazena um determinado som de guitarra, escolhido pelo guitarrista, e o emite repetidas vezes em um tempo já programado.

O que procurar quando você for comprar um pedal de Loop?
Muito parecido com qualquer pedal, os de loop têm sua própria série de fatores a serem observados na hora da compra. Nós sabemos que cada um dos nossos lindos leitores tem suas preferências pessoais, mas existem uma determinada série de critérios devem ser observadas antes de você comprar um pedal de loop.
Em primeiro lugar, o som gravado precisa ser autêntico e orgânico. Qualquer tipo de renderização ou interferência sonora devem ser rapidamente retirada das opções, nenhum pedal que possui esses defeitos deve estar em qualquer pedalboard.
Depois de retirar todos os pedais "defeituosos" da lista, você deve fazer algumas perguntas; eu preciso de mais? Você está satisfeito com apenas a função básica do loop, ou você está procurando por mais funções para o mesmo? Por exemplo, uma função de Tap Temple é algo que diversos guitarristas procuram. Existem pedais que também possuem funções como Reverse e várias outras. Antes de comprar o seu pedal de loop, você deve se perguntar se você realmente precisa de todas essas funções.

O número de pedais faz muita diferença?
Uma grande diferença! Mais pedais significa mais controle. Há uma variedade de funções que mudam, é muito mais conveniente ter pelo menos dois switches para usar. Os fabricantes estão bem cientes disso, e é por isso que os modelos caros utilizam pelo menos três pedais.
Mas como isso funciona? Bem, você ainda tem todas as funções em modelos de single-switch, mas você terá que aprender como tocar com todas essas novas funções. Por exemplo, para iniciar a gravação, você precisará apenas tocar no botão uma vez; Para parar a gravação, você precisa tocar duas vezes e, para apagar o loop gravado, você precisa pressionar o botão para baixo.

Você deve olhar para a extensão do loop?
A extensão  do loop pode parecer um grande negócio, mas na verdade não é. Grande parte dos pedais oferece mais tempo de gravação do que você realmente precisa. A maioria dos guitarristas dificilmente precisará de mais de um minuto de tempo de gravação para estabelecer a faixa do loop.

Você deve se preocupar com o armazenamento?
Muitos pedais de loop não possuem armazenamento interno, isso faz com que os loops se descartem assim que o pedal é desligado. Mas se você quiser armazenar os loops que você fez, você vai querer ter um pedal com armazenamento interno. Alguns produtos têm uma certa quantidade de espaço embutido, enquanto os modelos mais avançados possuem uma opção para inserir um cartão SDHC externo e armazenar os loops lá.

Qual a diferença entre um loop Mono e um loop stereo?
Quando se trata de saída, as estéreo permitem que você execute o pedal através de uma plataforma estéreo ou através de amplificadores separados. No que diz respeito às entradas estéreo, ter duas entradas permitem que você realize experimentos muito legais. Por exemplo, você pode conectar um microfone à sua segunda entrada e usá-lo para adicionar vários instrumentos de percussão ao seu loop. Você também pode adicionar vocais ou praticamente qualquer coisa que possa ser gravada através de um microfone.

Você realmente precisa de efeitos no pedal de loop?
Bem, na verdade não. Não que não haja chance de que você goste desse material, mas a maioria desses efeitos é descartável. O que queremos fazer com efeitos de loop são coisas como o recurso "1/2 Velocidade", ou a opção "Lo-Fi Filter", ou "Reverse".
Por exemplo, o botão "Reverse" leva o loop que você gravou e o reproduz para trás, o que pode parecer legal, mas a prática mostrou que a maioria dos guitarristas usa esse recurso algumas vezes quando compram o pedal porque é divertido, mas logo que eles se acostumam com o dispositivo, eles nunca mais tocam nesse botão novamente.

Qual a melhor forma de usar o Loop?
Uma pergunta frequente entre os músicos é: "Posso usar um pedal de loop no estúdio?" Bem, tecnicamente, você pode, mas é meio inútil. A principal razão do looper é permitir que você crie uma seção de ritmo de apoio para melódicas enquanto toca sozinho. No ambiente de estúdio, é bastante simples gravar tantas linhas de apoio quanto quiser, mas isso se torna uma história inteiramente diferente durante os shows.
Portanto, a melhor maneira de usar esses pedais é durante os shows ou enquanto você faz seu próprio trabalho. Muitos artistas de rua dependem muito dos loops para obter o resultado desejado, então tenha isso em mente quando você for comprar seu!

Algum músico famoso usa o pedal de Loop?
Sim, é claro! Por exemplo, o Sr. Ed Sheeran é conhecido pelos seus loops da marca Boss. Outros notáveis estão nessa lista, Robert Fripp de King Crimson, The Edge do U2, Brian May, Mal Webb, Reggie Watts, Gavin Castleton e muitos, muitos outros.

Quanto dinheiro eu devo gastar para comprar um pedal de Loop?
A resposta a esta pergunta depende muito de quanto você planeja usar o looper durante a sua performance. Quanto mais você utilizar esse efeito, mais você deve gastar para tê-lo. Entretanto se você for um iniciante, não compre um loop muito caro pois você não saberá utilizar muitas funcionalidades que o pedal oferece.

É preciso ter outros acessórios junto com o Loop?
Na verdade, os loopers operam como pedais padrão e exigem quase nenhum investimento adicional. Obviamente, você precisará de um adaptador de energia ou de baterias de 9V para alimentá-las - e elas geralmente não estão incluídas com o pedal - além de um par de cabos para conectar o dispositivo com sua guitarra e amplificador. Se você passar do número de dois ou três pedais em sua coleção, recomendo que você compre um pedalboard, mas esse é outro assunto.

Segue abaixo algumas sugestões de pedais de Loop:

Boss RC-3 Loop Station Pedal

A Boss é uma das maiores marcas de pedais de toda a história, é claro que a marca não ficaria de fora de uma lista com os melhores pedais de Loop. Seu pedal de loop RC-3 oferece gravação estéreo, ele também tem uma série de funções avançadas, como uma opção de ritmo e um recurso de tempo.
Esse é um pedal que suprirá todas as necessidades de qualquer guitarrista. Se você está buscando uma ótima qualidade de áudio, mas sem os recursos avançados e com um preço mais acessível, esse pedal é definitivamente uma ótima opção.


Nux Loop Core


Surpreendentemente acessível, o Nux Loop Core oferece muitas das qualidades sonoras do Boss RC-3, mas possui um preço significativamente menor. Ele oferece até 6 horas de gravação mono e estéreo, multi-camadas de efeito e rápidas mudanças de tempos!
Um contra do Nux é o seu som de bateria, que soa muito artificial. Mas, mesmo com esse ponto negativo, o Nux ainda vale a pena devido ao seu baixo preço.


TC Electronic Guitar Ditto

Se você está procurando por um pedal de Loop conciso, preciso, básico e muito efetivo, o Ditto da TC Electronic é a sua melhor opção. Ele oferece 5 minutos de loop com incontáveis efeitos, esse pedal possui um design minimalista, oferecendo apenas um knob em todo o seu chassi.
Não pense que esse único knob limita a ação do Ditto, muito pelo contrário, esse atributo torna esse pedal perfeito para os guitarristas que não gostam de lidar com incontáveis alterações de efeito, o Ditto vai direto ao ponto.

Rowin Music Looper


Este é outra opção simples e altamente acessível, o Rowin Music Looper tem todos os recursos básicos de um pedal de loop resumidos em um dispositivo mono que possui apenas um botão e um interruptor on/off. Esse pequenino oferece 10 minutos de loop com diversos efeitos editáveis.
O Rowin ainda é capaz de importar e exportar músicas para o seu computador. O design é classudo, o som é sólido e o preço é acessível… o que mais um guitarrista precisa?


Electro Harmonix 720 Stereo Looper

O Electro Harmonix é uma mistura perfeita de funcionalidades avançadas e facilidade de uso. Esse pedal oferece uma ótima função tradicional de loop, e ainda possui diversas funcionalidades novas como o botão Reverse e a opção ½.
Mas a jóia da coroa desse pedal é a sua fácil usabilidade. Ele está lotado de diferentes funcionalidades, mas todas essas funções tem um fácil acesso, apenas um ou dois clicks do guitarrista.


Digitech JMEXTV JamMan Express XT



O jamMan Express é um ótimo pedal para os guitarristas que estão procurando por um efeito cru de loop. O pedal possui 10 minutos de gravação stereo, este é um verdadeiro pedal de derivação com uma taxa de amostragem de 24-bit 44.1kHz.
A Digitech possui uma fama de produzir pedais com um chassi de plástico, o JamMan é uma exceção para essa regra. Ele possui um corpo de metal, que dá para o pedal uma durabilidade muito melhor.


Vox VLL1

A Vox fez, com o VLL1, um produto que combina o Loop com diversos efeitos clássicos do mundo das guitarras. Ele possui desde efeitos famosos como delay e distorção, até os mais alternativos como chorus e phaser.
Quando se trata de uma qualidade, não podemos dar muitos louvores, mas podemos dizer que o VLL1 tem um ataque sonoro aceitável. Esse não é um pedal que o MJ recomendaria para iniciantes no mundo das guitarras, já que ele é um pouco mais complicado de ser manipulado.


Moozikpro Guitar Loop Pedal


Se você é daqueles que gosta de poupar ao máximo o espaço de seu pedalboard, o Moozikpro é uma opção perfeita. Com um tamanho e um peso super compacto, este pedal oferece todas as capacidades sonoras da maioria dos pedais listados acima.
Apesar do tamanho pequeno, o item é durável e confiável, e até vem com um acabamento bonito de roxo a cinza. Nos controles, encontramos um único knob e um interruptor clássico on/off.


Digitech Jam Man Stereo Looper Delay Pedal


Aclamado como o melhor looper da Digitech, o Jam Man Stereo embala um conjunto de quatro pedais pesados. O dispositivo pode armazenar mais de 35 minutos de som estéreo ou estender esse banco de dados para 16 horas através de cartão SDHC.
Uma vasta gama de interruptores e botões adicionais também foi incluída no pedal, ele é perfeito para todos que gostam de efeitos mais complexos.


Boss RC-300 Loop Station

Poucos pedais de loop são capazes de vencer o poderoso RC-300 Loop Station da Boss! Carregado com três faixas estéreos, este equipamento permite que você crie realmente uma banda de apoio. Ele possui um pedal grande que permite que o guitarrista controle os efeitos em tempo real, ele também permite que o usuário grave 3 horas de suas performances.




fonte:https://musicjungle.com.br/blog/pedais-e-efeitos/os-10-melhores-pedais-de-loop


quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Simuladores de Amplificadores e Pedais - Breve história e Plugins - Parte I




Antes de entrar no assunto, um breve histórico da simulação analógica e digital de amplificadores de guitarra:


O Rockman X100 (criado pelo Tom Scholz, guitarrista do Boston e engenheiro eletrônico, por volta dos anos 80), foi o primeiro "simulador" de amps/timbres e o mais legal é que podíamos usar fones de ouvido e gravar direto na mesa!. Pra quem quiser ouvi-lo, aqui tem alguns mp3: Rockman X100 





Em 1989, o Sansamp Classic, da Tech 21, foi ainda mais além na simulação analógica. Com pequenas chaves para ajustes, ele simulava desde Fender a Mesa Boogie. "Sans" em francês: "Sem": Sansamp: "Sem amp". Plugava direto na mesa de gravação ou ao vivo, fantástico.




Em 1997, surgiu o primeiro simulador digital, o POD, da Line 6. Na época, poder gravar as demos sem amp, microfones, com o Sansamp, já era fantástico, mas girar um botão do POD e trocar de amp/gabinete/microfone.




Com a evolução digital, os simuladores foram ficando cada vez melhores. Assim que lançaram primeiros para PC (plugins VST), como o Amplitube, Guitar Rig entre outros.

Toda essa intro foi pra dizer que, desde os anos 80, acompanho bem de perto a evolução dos simuladores de amp, sejam eles digitais ou analógicos.

Entretanto, desde o primeiro POD, eu percebi também as limitações desses processadores. A principal delas era a resposta quase linear do timbre à dinâmica, ou seja, palhetada fraca ou forte, pouca diferença no timbre. Isso não ocorre nos amps reais, principalmente os valvulados, onde cada dinâmica, cada palhetada, tem uma "cor" diferente, um som diferente. É sutil mas perceptível.
Essa deficiência tornava a simulação às vezes monótona e cansativa.

Falei no tempo passado, porque, com o lançamento do Amplitube 3 (e suas variantes: Amplitube Fender, Hendrix, etc.), essa barreira finalmente foi quebrada. As simulações do Amplitube 3 e principalmente do Amplitube Fender me deixaram boquiaberto, como não ficava há mais de 10 ou 15 anos. Absolutamente fantásticas!

As nuances dinâmicas estão presentes e cada vez melhores na maioria das simulações mais recentes. Até a versão 2 do Amplitube, o seu principal concorrente, Guitar Rig, era superior. Mas na versão 3 eles arrasaram. A 3.5 é ainda melhor e me parece que daqui pra frente, não tem limites, saiu a versão 4, e a tecnologia não tem limites e não dá pra saber  onde a coisa vai parar
( amplitube )


Segue alguns vídeos :

Excelente a idéia da IK Multimedia, criadora do Amplitube, de vender os amps (e gabinetes, efeitos, etc.) isoladamente. O Tiny Terror custa cerca de 18 dólares e seu gabinete, menos de 5...
Visite a Custom Shop da IK e dê uma checada no que tem disponível por lá:
Custom ShopAmplitube



      O Soldano, o Fender Princeton e Blues Jr., o Orange AD30... Incríveis!
As duas tecnologias exclusivas de simulação que colocaram a IK Multimedia (de origem italiana) na frente dos outros chamam-se: "DSM" - Dynamic Saturation Modeling e VRM - Volumetric Response Modeling. É por isso que a gente sente de fato o amp respondendo à nossa dinâmica.

E só agora percebi que ainda não cheguei no objetivo principal do post: usar o Amplitube para escolher seu TIPO de amp!
A maioria dos valvulados atuais, inclusive os nacionais, são baseados nos amps clássicos, portanto, podemos usar as ótimas simulações do Amplitube para definir qual amp, caixa, pedal (nunca tocou com um Tube Screamer? Lá tem um igualzinho) fica mais legal com a nossa guitarra ou com o nosso estilo.

Vale apena conferir ikmultimedia

Claro que temos a questão do computador, interface de áudio, monitor, etc. Não é o meu objetivo chegar até esse ponto, mas basta um computador legal, uma interface dedicada de áudio (USB, Firewire, PCI) e um bom par de fones de ouvido ou caixas de som, para a coisa acontecer.

Mas sempre lembrando que digital não é analógico, um simulador, sempre vai ser um simulador.

Boa diversão! :)


quarta-feira, 26 de agosto de 2015

True Bypass ou Bypass eletrônico?


True Bypass ou Bypass eletrônico?
Por muito tempo acompanhei ferrenhas discussões de guitarristas, técnicos, construtores ou apenas admiradores do assunto e, na maioria das vezes, pude ver o True Bypass ser idolatrado quando comparado aos outros tipos de Bypass. Mas antes de mais nada, vamos a um pouquinho de história:

Os primeiros tipos de Bypass para efeitos que apareceram eram usados nos efeitos que já vinham nos amplificadores, como Reverb e tremolo. Esses tipos de bypass eram usados basicamente para “parar” o funcionamento da parte do circuito responsável pelo efeito. Por exemplo, no caso do reverb, a chave usualmente aterrava a entrada ou a saída do tanque de reverb.

Ibanez Tube Screamer - Buffered Bypass

Tube Screamer – Apesar de ser um dos mais famosos e usados pedais do mundo, é muito comum encontrarmos guitarristas que requisitam modificações nos seus TS para deixá-lo True Bypass, será se vale a pena?
Quando os pedais se tornaram largamente populares, a partir da metade da década de sessenta, o esquema usado para desligar os efeitos era bastante parecido com aqueles usados nos bons e velhos amplificadores, no entanto, a maioria dos pedais daquela época (Vide os Wah’s fabricados na década de setenta) tinham uma impedância de entrada muito baixa, o que, somada a também baixa impedância dos captadores das guitarras é responsável pela considerável perda de sinal (tone sucking) que alguns desses pedais causam. E para que houvesse a resolução desses problemas o mundo se dividiu em dois tipos principais de Bypass: O Bypass com Buffer e o True Bypass. Vamos falar um pouco das vantagens, desvantagens e usos recomendados para cada um desses tipos de Bypass.

( Nesse site tem alguns esquemas : www.geofex.com )

Bypass com Buffer:

Esse tipo de Bypass surgiu a partir da necessidade de termos impedâncias maiores para que a perda de sinal fosse minimizada o máximo possível. Aliada à alta impedância da entrada, temos também uma baixa impedância na saída permitindo que o sinal saia sem nenhuma perda. Por esse motivo o bypass com Buffer é extremamente versátil e silencioso, sendo possível o uso com os mais variados tipos de efeitos. Não é à toa que empresas como Boss, Ibanez, Line 6 optaram por esse tipo de Bypass.
Overdrive Boss SD-1
Overdrive Boss SD-1 – Pedais da Boss utilizam largamente chaveamento eletrônico
Esse tipo de Bypass é feito a partir de um chaveamento eletrônico, normalmente usando-se fets. Normalmente isso causaria uma perda considerável de sinal comparando-se a saída a entrada. Dessa forma entra em cena o Buffer, que é responsável por, de certa forma, recuperar o sinal perdido durante o chaveamento. Por causa disso os pedais com chaveamento usando Buffer funcionam muito bem em grandes cadeias de pedais.
Nesse tipo de circuito a possibilidade de termos POP ou algum outro som estranho durante o chaveamento é quase nula, no entanto, quando não está sendo alimentado o sinal não irá passar pelo pedal de jeito nenhum, ou seja: Muito cuidado com as fontes com mal contato quando estiver usando um desses.
A mesma estrutura de Buffer usada nos pedais, pode ser montada separadamente para ‘recuperar’ e dar uma reestruturada no sinal de uma cadeia longa de pedais, onde, independente do chaveamento usado, provavelmente acontecerão perdas de sinal.
True Bypass:
Ao longo dos anos, o True Bypass se tornou o tipo de chaveamento mais buscado, propagandeado, falado e idolatrado entre os guitarristas em geral. Nesse contexto, os construtores de pedais aproveitaram para colocar esse tipo de chaveamento em um altar e sempre vincular os seus produtos a tal característica. Obviamente, ele não seria tão bem falado se não tivesse boas características e é sobre ela que vamos falar agora:
Dunlop Fuzz Face
Dunlop Fuzz Face – Um dos mais famosos pedais de Fuzz da história foi um dos maiores responsáveis pela criação do True Bypass
O circuito que é construído com chaveamento True Bypass tem a grande vantagem de, quando o efeito está desligado, o sinal não percorrer a placa do circuito. Dessa forma a única possibilidade de perda de sinal quando os efeitos estão desligados são os fios que ligam as entradas e saídas dos pedais, os cabos que interligam tais pedais e os cabos para ligá-los ao amplificador e ligar a guitarra aos pedais. Como funciona:
O True Bypass funciona basicamente a partir de uma chave que, quando acionada, direciona a entrada e saída do pedal para a placa, de maneira que o efeito seja totalmente conectado às entradas e saídas e seja alimentado. Quando você pisa na chave e desliga o pedal, as duas pontas, entrada e saída, apontarão uma para a outra, fazendo uma ligação direta e, além disso, aterra o efeito na placa de maneira que o mesmo não fique consumindo energia da sua bateria ou fonte.
A desconexão total do pedal, apontando a entrada diretamente para a saída sem que a saída fique conectada ao pedal e ainda ‘desligando’ a placa impede que haja alguma interferência ou algum “vazamento” de sinal (conhecido como bleeding de sinal).
Quando comparamos os dois tipos de chaveamento nós chegamos a muitas vantagens e desvantagens. Muitos acreditam que o fato de, nos pedais com chaveamento eletrônico e buffer, pelo fato de o sinal passar pela placa o som pode ser “colorido”. Isso é totalmente razoável. Um sistema de chaveamento que não for corretamente projetado e testado pode interferir muito no som do seu pedal. Podemos confirmar isso testando pedais de algumas marcas muito populares e de preços bem baixos que prometem pedais com mesmas características de vários famosos. Além do projeto, isso pode ser devido ao fato de algumas marcas teimarem em usar componentes de qualidade muito duvidosa, mas isso já é assunto para um tópico no futuro próximo.
No entanto, nem tudo são flores. Nos pedais que usam True Bypass, nós podemos nos deparar com um problema um pouco mais complicado para identificarmos o motivo. Como falamos anteriormente, nos efeitos que usam chaveamento True Bypass, quando o pedal está desligado o sinal vai direto da entrada para a saída. No entanto, ele não vai direto via mágica, ele é conduzido por algum tipo de condutor (claro!) normalmente um fio e passa pelos conectores. Quando temos uma grande cadeia de pedais, temos necessariamente alguns metros desses fios que, como devemos imaginar, geram por si só alguma perda de sinal (perda de sinal em cabos), somados aos vários metros de cabo que usamos para conectarmos aos pedais e conectá-los ao amplificador, nós teremos uma quantidade bastante considerável de condutor que, por não ser perfeito ou ideal, geram perda.
Isso gera uma questão interessante. Supondo que você tenha uma grande cadeia de pedais e todos são True Bypass, além disso você usa cabos de tamanho relativamente grande para fazer as conexões. Isso tudo somado a uma guitarra que tem captadores com baixa saída e alta impedância, será possível notar uma perda considerável de volume e uma ainda maior nos agudos. Nesse momento você vai lá, equaliza todo o seu amplificador e compensa o volume até achar um timbre e volume que estão próximos do que você procura, mas a questão é: Quando você ativar um dos pedais, ele irá, na maioria dos casos agir como um buffer e irá “corrigir” o sinal da guitarra e das saídas dos outros pedais. Dessa forma você fica a mercê da ativação dos outros pedais que podem, o tempo todo alterar a sua configuração e timbre e volume.
Pedal de Buffer fabricado pela Lovepedal
Line Driver – Lovepedal Buffer
Você deve estar se perguntando: Então quer dizer que o True Bypass não é um bom negócio?! – Não é bem assim, no True Bypass de fato você não alterará o seu som com o pedal desligado, mas devemos considerar que isso se mantém verdade quando você considera apenas um pedal separadamente. Quando usando uma grande cadeia de pedais True Bypass pode ser uma ótima idéia usar um buffer de sinal no final da cadeia ou, em casos de sets gigantes, colocar um no meio da cadeia e outro no final.