terça-feira, 17 de novembro de 2015
Pecados de um Músico
Preguiça: Esse é o pecado mais comum entre os alunos. Começam extremamente empolgados, mas nunca treinam a matéria ensinada, e não percebem que o seu desenvolvimento está diretamente relacionado com a sua disciplina constante. Não adianta nada você aprender uma determinada matéria em uma aula e ficar a semana inteira sem treinar.
Ira: Outro pecado muito comum é o aluno, depois de um mês ou 2, ficar com raiva por não sentir uma evolução e justamente no momento que iria ter algum resultado simplesmente desiste. Pra se aprender a tocar é necessário paciência e meus amigos, põe paciência nisso.
Gula: Outro erro comum é o aluno treinar um dia da semana durante 2 horas sem parar e ficar o resto da semana sem encostar no instrumento. O crescimento vem com um pouco por dia, ou seja, 30 minutos todo dia é melhor que treinar uma vez por semana durante 2 horas.
Inveja: Outro pecado comum é você começar a treinar sem parar pra impressionar os amigos que tocam. A competição pode até soar como um incentivo, mas dá abertura a rivalidade. Tome cuidado pois se você não priorizar a qualidade de sua música você será apenas "mais um" que segue por esse caminho errado, Tocar pra impressionar os outros mas a sua música mesmo é de péssima qualidade. Tocar também é ouvir e querendo ou não, ninguém engana a sim mesmo.
Vaidade: No nosso mundo de imagens muitos se preocupam antes com a roupa que vai vestir do que propriamente com o som que irá tocar. Música é acima de tudo som. Não adianta ter o instrumento mais bonito, o instrumento mais caro, vestir as roupas que o seu ídolo usa. Nada disso é música. Pra se aprender música você precisa estudar só isso.
Avareza : Aprender é acima de tudo dividir o conhecimento. Aqueles que não querem dividir o que aprenderam simplesmente vão estacionar e não irão evoluir. Não cometa esse pecado tão burro, você aprende muito mais quando está disposto a compartilhar o que sabe e portanto vai ter como retorno informações que nem imaginava existirem.
Orgulho : Esse pecado é muito comum pois o ego de um artista é sempre muito grande. Esse erro te leva a caminhos obscuros como o de acreditar que você já sabe tudo e que todos os outros meros mortais são ignorantes. A única coisa que vai acontecer é que ninguém vai querer tocar com você.
Saiba que quanto mais estudamos, apenas descobrimos o tamanho de nossa "ignorância".
Então colabore consigo mesmo e seu próximo que colhera bons frutos.
Finalizo com uma frase de Ludwig van Beethoven : "O gênio é composto por 2% de talento e de 98% de perseverante aplicação".
Pense nisso.
quinta-feira, 12 de novembro de 2015
Antes de Improvisar. "verticalize" seu pensamento
A improvisação é uma das áreas mais críticas para um guitarrista, por que nessa hora que a gente vê se o cara domina ou não o instrumento, se o cara conhece as técnicas, as tonalidades, as escalas e o principal - a harmonia, que é o ponto chave para uma boa improvisação.
Afinal o que é uma improvisação?
Primeiro de tudo, o que seria improvisar? Em uma definição rápida, é você criar uma melodia sem ter parado para construí-la antes, usando escalas, arpejos, simetrias, combinados com as técnicas de expressão que conhecemos, em outras palavras, fazer o som no “bate e pronto”! gosto de definir como uma composição instantânea, mas isso não é tão fácil quanto parece...
Improvisação deve ser sempre algo a ser estudado, deve te acompanhar em toda sua vida musical, pois não existirá nunca o momento que você vai parar e concluir “Agora eu já sei tudo sobre improvisação”. Isso nunca ocorrerá, pois improvisação é vivência, é experimentação.
O grande segredo: Harmonia
O grande segredo da improvisação é ser coerente com o que a harmonia* proporciona. Não digo com isso que ser coerente é ficar dentro de uma escala. Não existem verdades absolutas, mas ser coerente musicalmente é andar de mãos dadas com a harmonia.
(*Harmonia é a combinação dos acordes numa música e todos os outros sons tocados simultaneamente)
Nós guitarristas, temos a péssima mania de nos concentrarmos muito nas técnicas e nos solos e nos esquecemos da harmonia. Isso é normal, pois a nossa tendência é tentar fazer o que os outros guitarristas fazem. É aí que mora o perigo. Improvisar não é uma coisa que você pode ver, pois a improvisação ocorre na mente do guitarrista e chega diretamente aos seus ouvidos. Aquilo que você consegue de fato ver não tem tanta importância. Se fosse assim, poderíamos julgar a qualidade de um solo assistindo a um vídeo sem som. Isso não faria o menor sentido, não é mesmo? O que importa é o som, não uma técnica específica que ele está usando no momento.
Você deve estar pensando “Mas o som não vem da técnica?”. Sim, claro. Não estamos dizendo que técnica não é importante. É super importante. O que ocorre é que o som que você escuta é a combinação do solo com a música que está no fundo. Não dá pra separar um do outro quando se está ouvindo. Não é algo matemático, como 2 + 2 = 4. Quando o solo encaixa bem com a música, o resultado é muito maior do que a soma das partes!
Às vezes, o guitarrista está querendo fazer um solo mirabolante, mas não fez uma preparação para entender os acordes da harmonia que está sendo tocada. Dessa forma, ele nunca conseguirá dar o melhor de si. Não se iludam! A harmonia é peça fundamental na improvisação. Você precisa ter o conhecimento geral dos acordes e suas funções para que você possa trabalhar tal harmonia da forma mais inteligente possível.
Responda a essa pergunta:
Qual solo vai soar melhor?
a) O solo de um guitarrista que tem uma técnica excelente e faz frases mirabolantes sem se preocupar com os acordes que compõem a música;
ou
b) O solo de um guitarrista que toca um pouco mais devagar e de forma mais simples, mas sempre tentando criar frases que encaixam bem com os acordes.
Se você respondeu opção b, acertou! O guitarrista da opção a pode até tocar melhor, mas se ele for improvisar sobre uma música sem atentar-se para as mudanças dos acordes, seu solo não será nem um pouco interessante! É por isso que guitarristas excelentes às vezes criam músicas chatas, porque nem sempre eles são capazes de “sentir” aquilo que a música está pedindo.
Não estou associando uma técnica excelente a um ignorante harmonicamente falando, temos excelentes exemplos de ótimos guitarristas que combinam técnica, harmonia, improviso e musicalidade de forma exemplar. Estou me baseando numa grande fatias de músicos que tem um desconhecimento no que se trata de harmonia ou apenas limita-se a um determinado gênero ou estilo que não requer muito da tal.
Encare dessa forma, um bom improviso é uma conversa entre você e a música. Não é um monólogo! A música não está ali só pra enfeitar. A música é a onda, você é o surfista. Surfe de acordo com o que a música permite.
Então, podemos concluir que improvisação envolve tudo isso: é conhecer bem os acordes e suas funções, as escalas e as técnicas, e ter o feeling pra fazer o solo acontecer de forma natural, com bom gosto e principalmente musicalidade.
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
Noções Básicas sobre Potenciômetros
POTENCIÔMETRO DE VOLUME
O componente elétrico chamado Potenciômetro tem a função de controlar o nível de sinal enviado pelo captador, ou seja, a não ser que exista ali um pré-ativo, o volume não esta no potenciômetro, ele apenas controle o que esta sendo enviado para ele, é como se fosse uma “torneira” é evidente que todo o circuito por onde passa o sinal, gera alguma perda, por esse motivo é importante sempre atentar para os valores corretos para cada tipo de captador, via de regra para valor e tipo, temos para captadores single coil(bobina simples) 250k, e para captadores humbucking (bobina dupla) 500k, os captadores ativos da Seymour Duncan usam potenciômetros de 100K, já os EMGs 25K, existem telecasters antigas que usavam 1Mk.
O componente elétrico chamado Potenciômetro tem a função de controlar o nível de sinal enviado pelo captador, ou seja, a não ser que exista ali um pré-ativo, o volume não esta no potenciômetro, ele apenas controle o que esta sendo enviado para ele, é como se fosse uma “torneira” é evidente que todo o circuito por onde passa o sinal, gera alguma perda, por esse motivo é importante sempre atentar para os valores corretos para cada tipo de captador, via de regra para valor e tipo, temos para captadores single coil(bobina simples) 250k, e para captadores humbucking (bobina dupla) 500k, os captadores ativos da Seymour Duncan usam potenciômetros de 100K, já os EMGs 25K, existem telecasters antigas que usavam 1Mk.
Já para os tipos de potenciômetros para instrumentos são dois o A(logaritimo), e o B(Linear),as diferenças são: o tipo A tem sua variação em saltos, já o B é gradativo, não é uma regra depende do gosto mas geralmente em guitarras são mais comuns o A e em contra-baixos B
POTENCIÔMETRO DE TOM (Tone)
Este potenciômetro serve para ajustar as freqüências Grave e Agudas, mas na realidade o que ele faz e cortar as freqüências “altas” (agudos) através de um sistema de filtragem feita por outro componente elétrico chamado “Capacitor”, em resumo este sistema “tira” os agudos naturais do captador, e também existe ali uma perda de sinal, alguns músicos preferem não ter esse recurso em seu instrumento, a Fender pensando nisso lançou um potenciômetro chamado “NO-Louder”, onde o potenciômetro no final do seu curso desvia o sinal que passaria por ele enviando diretamente para o Jack, um recurso muito interessante, já que não se perde a opção de usar o filtro caso queira.
Este potenciômetro serve para ajustar as freqüências Grave e Agudas, mas na realidade o que ele faz e cortar as freqüências “altas” (agudos) através de um sistema de filtragem feita por outro componente elétrico chamado “Capacitor”, em resumo este sistema “tira” os agudos naturais do captador, e também existe ali uma perda de sinal, alguns músicos preferem não ter esse recurso em seu instrumento, a Fender pensando nisso lançou um potenciômetro chamado “NO-Louder”, onde o potenciômetro no final do seu curso desvia o sinal que passaria por ele enviando diretamente para o Jack, um recurso muito interessante, já que não se perde a opção de usar o filtro caso queira.
LIGAÇÕES
Olhando o potenciômetro de cima (como sugere o esquema), podemos observar 3 terminais expostos, o da direita conectado à carcaça metálica do potenciômetro, este é o negativo comumente chamado de “terra”, o terminal central é out, que é enviado a ponta do Jack que chamamos de HOT, já o terminal da esquerda é o IN, o sinal do captador (positivo) é conectado ali, deste mesmo terminal podemos enviar o sinal para o potenciômetro de tone, olhando de cima o potenciômetro detone virado com seus terminais de frente para o “pot” de volume, o terminal da esquerda é o in, o out é o terminal central onde esta conectado o capacitor, uma ponta do capacitor fica conectada ao terminal outra soldada à carcaça (terra) do potenciômetro, e o terminal da direita fica livre. Todas as carcaças precisão estar conectadas entre si junto ao negativo do Jack e também o negativo do captador soldado às carcaças,isso é chamado de aterramento, eu particularmente gosto de fazer o aterramento da seguinte forma, faço a blindagem de todas as cavidades com tinta condutiva, ou folhas de cobre, depois para não correr o risco de ter “loop” de terra, soldo todas as pontas a um conector e este preso na blindagem da cavidade, existem inúmeros tipos de ligações, mas basicamente sabendo isso, sabe-se tudo.
Olhando o potenciômetro de cima (como sugere o esquema), podemos observar 3 terminais expostos, o da direita conectado à carcaça metálica do potenciômetro, este é o negativo comumente chamado de “terra”, o terminal central é out, que é enviado a ponta do Jack que chamamos de HOT, já o terminal da esquerda é o IN, o sinal do captador (positivo) é conectado ali, deste mesmo terminal podemos enviar o sinal para o potenciômetro de tone, olhando de cima o potenciômetro detone virado com seus terminais de frente para o “pot” de volume, o terminal da esquerda é o in, o out é o terminal central onde esta conectado o capacitor, uma ponta do capacitor fica conectada ao terminal outra soldada à carcaça (terra) do potenciômetro, e o terminal da direita fica livre. Todas as carcaças precisão estar conectadas entre si junto ao negativo do Jack e também o negativo do captador soldado às carcaças,isso é chamado de aterramento, eu particularmente gosto de fazer o aterramento da seguinte forma, faço a blindagem de todas as cavidades com tinta condutiva, ou folhas de cobre, depois para não correr o risco de ter “loop” de terra, soldo todas as pontas a um conector e este preso na blindagem da cavidade, existem inúmeros tipos de ligações, mas basicamente sabendo isso, sabe-se tudo.
CHIADO
A estrutura interna de um potenciômetro, consiste em uma “sapata” correndo em uma pista de carbono no formato de U, é isto que faz aumentar ou diminuir o valor resistivo do potenciômetro, quando esta pista esta suja gera o famoso chiado, facilmente resolvido com uma boa limpeza, que consiste em abrir o potenciômetro e lavar com álcool isopropílico, não é recomendado o uso de nenhum tipo de Spray limpa contato ou WD, porque eles apenas empurram a sujeira, em pouco tempo o ruído volta, quando a limpeza não resolve o problema é hora de trocar o potenciômetro, pois a pista de carbono já esta gasta, é necessário fazer uma revisão elétrica periodicamente para evitar estas transtornos, já que a umidade agrava ainda mais o problema.
A estrutura interna de um potenciômetro, consiste em uma “sapata” correndo em uma pista de carbono no formato de U, é isto que faz aumentar ou diminuir o valor resistivo do potenciômetro, quando esta pista esta suja gera o famoso chiado, facilmente resolvido com uma boa limpeza, que consiste em abrir o potenciômetro e lavar com álcool isopropílico, não é recomendado o uso de nenhum tipo de Spray limpa contato ou WD, porque eles apenas empurram a sujeira, em pouco tempo o ruído volta, quando a limpeza não resolve o problema é hora de trocar o potenciômetro, pois a pista de carbono já esta gasta, é necessário fazer uma revisão elétrica periodicamente para evitar estas transtornos, já que a umidade agrava ainda mais o problema.
TONE SEM EFEITO
Por um motivo qualquer a haste do capacitor pode ter se soltado do terminal, ou pode ter havido “solda fria” em algum ponto, ou até mesmo valor do capacitor insuficiente, mais adiante veremos as diferenças dos valores de capacitores.
Por um motivo qualquer a haste do capacitor pode ter se soltado do terminal, ou pode ter havido “solda fria” em algum ponto, ou até mesmo valor do capacitor insuficiente, mais adiante veremos as diferenças dos valores de capacitores.
SENSAÇÃO DE PERDA DE VOLUME NA TROCA DOS “POT”
Escolher o valor do potenciômetro diferente do indicado, afeta o resultado final do timbre e ganho de cada captador, pode acontecer de eles ficarem desequilibrados, quando os potenciômetros estão desgastados, há um aumento no valor resistivo do mesmo, com o aumento a sensação de mais ganho torna-se natural, evidentemente na troca, a sensação de perca será inevitável, já que a referencia sonora em nosso cérebro é sempre a mais recente.
Escolher o valor do potenciômetro diferente do indicado, afeta o resultado final do timbre e ganho de cada captador, pode acontecer de eles ficarem desequilibrados, quando os potenciômetros estão desgastados, há um aumento no valor resistivo do mesmo, com o aumento a sensação de mais ganho torna-se natural, evidentemente na troca, a sensação de perca será inevitável, já que a referencia sonora em nosso cérebro é sempre a mais recente.
CAPACITOR
Como já foi falado a função do capacitor é de filtrar os agudos enviados pelo captador, existe entre os profissionais da área uma grande divergência sobre os tipos de capacitores influenciarem ou não no timbre do instrumento, porém é claro que por mínima que seja a diferença ela existe, alguns percebem outros não.
Como já foi falado a função do capacitor é de filtrar os agudos enviados pelo captador, existe entre os profissionais da área uma grande divergência sobre os tipos de capacitores influenciarem ou não no timbre do instrumento, porém é claro que por mínima que seja a diferença ela existe, alguns percebem outros não.
Na teoria o potenciômetro no 10, não existe filtragem, ou seja , todo o agudo é enviado ao amplificador, já no 0 temos a filtragem máxima, ou seja, 100% dos agudos filtrados (não enviados) apesar de todos terem basicamente a mesma função os tipos de capacitores são:
-Ceramico
-Poliéster
-Polipropileno
-oléo
-Ceramico
-Poliéster
-Polipropileno
-oléo
Os "Orange Drop" 715p são de polipropileno, os 225p são de Poliéster. Os famosos "Bumble Bees" das Gibson vintage, são PIO (papel em óleo/á óleo). A maioria das guitarras chinesas tem capacitores de Poliéster (geralmente verdes ou azuis) e várias Gibson atuais usam capacitores Cerâmicos. As Fender geralmente têm capacitores de poliéster ou às vezes cerâmicos.
Com exceção de alguns PIO feitos exclusivamente para guitarras ( A Gibson lançou uma reedição dos Bumble Bee)
Com exceção de alguns PIO feitos exclusivamente para guitarras ( A Gibson lançou uma reedição dos Bumble Bee)
O tipo de material e o valor (capacitância) é que vão caracterizar um capacitor e a maneira como ele atua sobre o timbre. Os "PIO" são conhecidos por serem suaves e "musicais". Já os de poliéster costumam atuar de forma mais rápida sobre os agudos,ou sejam eles realmente "fecham" o timbre.
Os valores são importantes. A medida de valor usada é "Farad - ou Faraday" . O Farad é uma unidade alta para aplicações gerais, então sub-múltiplos torna-se necessario.
Geralmente a escala é "Microfaraday/ uF" mas podemos usar como regra: 0.022uF = 220nF = 220.000pF (ou 220K, eventualmente)
Os valores são importantes. A medida de valor usada é "Farad - ou Faraday" . O Farad é uma unidade alta para aplicações gerais, então sub-múltiplos torna-se necessario.
Geralmente a escala é "Microfaraday/ uF" mas podemos usar como regra: 0.022uF = 220nF = 220.000pF (ou 220K, eventualmente)
Captadores single coil por serem naturalmente mais agudo, geralmente usam capacitores de .047 uF (ponto zero 47 microFarads" ou somente "zero 47"),as Fenders usavam esse valor porém ultimamente ela padronizou em .022uF, pode ser porque o gosto geral está mais para o agudo. Eu opto por .047 ou .033 para strato e .047 para Teles. Nos anos 50, o valor comum eran mais alto: .100
Humbuckers, por caracteristica com menos agudos, usam capacitores de menor valor, portanto, que filtram menos agudos. A Gibson costuma usar .022uF em ambos ou .022 no captador da ponte e .015 no captador do braço, às vezes .010. Cerâmicos em instrumentos de linha e capacitores a óleo (bumblebee)em custom shops .
Humbuckers, por caracteristica com menos agudos, usam capacitores de menor valor, portanto, que filtram menos agudos. A Gibson costuma usar .022uF em ambos ou .022 no captador da ponte e .015 no captador do braço, às vezes .010. Cerâmicos em instrumentos de linha e capacitores a óleo (bumblebee)em custom shops .
quarta-feira, 28 de outubro de 2015
Origem dos Ruídos e Blindagem
A blindagem é praticamente uma unanimidade nos fóruns de lutheria na internet.
Com ela, tudo ficou fácil, pois qualquer problema com ruídos no instrumento é prontamente solucionado com um bom revestimento de material condutivo na cavidade de parte elétrica.
E a explicação é muito simples (e bonita de se ler): a blindagem gera uma gaiola de Faraday no instrumento, evitando interferências externas e, por consequência, qualquer tipo de ruído.

Achei estranha e fascinante a facilidade com que a blindagem resolve todos esses problemas, mas algumas perguntas não saíam da minha cabeça:
1- Qual a origem dos ruídos do instrumento?
2- Por que o instrumento sofre interferências de ruídos externos?
3- Como a blindagem funciona?
4- O que é e como funciona uma gaiola de Faraday?
Essas perguntas me levaram a uma outra, que julguei mais importante: O que é e como funciona um captador?
Mas, diante de tantas perguntas, uma coisa é certa: a blindagem apresenta resultados positivos, porém apenas sob certas condições. O problema é que, quem decide fazer uma blindagem no instrumento, normalmente atira no que vê e acerta o que não vê.
Vamos começar a entender o problema, dando respostas às perguntas acima:
1- Qual a origem dos ruídos do instrumento?
Normalmente, ruído no instrumento tem 4 causas principais: baixa qualidade do captador, problemas no aterramento do circuito elétrico do instrumento, problemas no aterramento do circuito elétrico do equipamento utilizado e problemas no aterramento do circuito elétrico do próprio imóvel.
Existe uma quinta causa, que é o caso dos single coils. Muitos fazem blindagem certos de que o ruído dos single será eliminado. Isso jamais acontecerá.
O hum gerado por esses captadores é proveniente da própria concepção: bobinas simples geram ruídos. Com ou sem blindagem. A única maneira encontrada para eliminar o ruído do single coil foi eliminar o próprio captador. Em 1956, Seth Lover descobriu que uma segunda bobina cancelava o ruído de um captador de bobina simples. Foi assim que surgiu o humbucker. Acreditar que uma simples blindagem elimina ruídos de single coil significa cuspir em todo o trabalho pesquisado e desenvolvido por Seth Lover.

2- Por que o instrumento sofre interferências de ruídos externos?
Os ruídos externos (quem nunca ouviu falar de amplificadores que transmitem jogos de futebol?) acontecem da mesma maneira para qualquer equipamento exposto a uma grande interferência. Por exemplo: ligue uma televisão e um liquidificador ao mesmo tempo.
Se houver chuviscos na televisão, é muito provável que qualquer outro equipamento de áudio ou imagem também tenha sido afetado. Nesse caso, também é muito provável que o problema esteja no circuito elétrico do imóvel, como fios de baixa qualidade ou aterramento ineficiente. Em outras palavras, na grande maioria das vezes, problemas com ruídos significam problemas com aterramento. E não vai adiantar blindar a televisão.
3- Como a blindagem funciona?
A versão popular é que a blindagem gera uma gaiola de Faraday no instrumento. Essa gaiola funciona como um isolante de interferências externas, impedindo que qualquer ruído entre no circuito da guitarra. Mas na verdade, a blindagem funciona como um mega aterramento no instrumento, pois a camada de material condutivo que reveste a cavidade da parte elétrica e dos captadores propicia um escoamento gigante dos negativos dos captadores para o negativo do jack e para o terra da ponte.
A fórmula mágica é a seguinte: quanto mais os negativos dos captadores conseguirem “sair” da guitarra (através do negativo do jack e do terra da ponte), melhor. A única coisa que a blindagem faz é facilitar esse tráfego de negativos pelo instrumento.
4- O que é e como funciona uma gaiola de Faraday?

“Gaiola de Faraday é a designação pela qual se tornou conhecida uma experiência efectuada por Michael Faraday, em 1836, para demonstrar que uma superfície condutora electrificada possui um campo eléctrico nulo no seu interior. Isso acontece porque as cargas se distribuem de forma homogénea na parte mais externa da superfície condutora, deixando de haver manifestação de fenómenos eléctricos no seu interior.”
Uma definição rápida é dada no site:
http://quartzodeplasma.wordpress.com/2012/10/30/blindagem-eletrostatica/
http://quartzodeplasma.wordpress.com/2012/10/30/blindagem-eletrostatica/
“A gaiola de Faraday é um invólucro metálico que impede a entrada ou a saída de um campo eletromagnético.”
Assista ao vídeo, no link abaixo, e preste bastante atenção na demonstração de um experimento sobre a gaiola de Faraday:
Dois pontos importantes devem ser observados:
1- Para que a gaiola surta efeito, é imprescindível que o objeto emissor ou receptor de ondas eletromagnéticas esteja realmente localizado no interior da gaiola. Apenas dessa maneira, ele estará isolado do meio externo.
No caso da guitarra, o objeto emissor de ondas eletromagnéticas é o captador e ele não está dentro da gaiola de Faraday, já que a blindagem fica abaixo do captador.

2- Se a gaiola de Faraday funcionasse, seria neutralizada imediatamente com o contado das mãos nas cordas ou na ponte do instrumento. Todo o isolamento gerado pela gaiola de Faraday seria rompido e o nosso próprio corpo seria o novo condutor de todo tipo de interferências para os componententes elétricos da guitarra.
Se repararnos no vídeo apresentado, veremos que o celular fica completamente incomunicável apenas enquanto o professor não encosta nele. A partir do momento em que o professor toca no aparelho, ele passa a funcionar normalmente, ou seja, passa a receber os sinais eletromagnéticos, mesmo estando dentro da gaiola. Isso acontece porque, ao ser tocado com as mãos do professor, o próprio se torna uma antena para o celular, recebendo as ondas eletromagnéticas e repassando para o aparelho. No caso do instrumento, ao encostar nas cordas, o músico anularia a função da gaiola de Faraday, pois ele seria a antena que receberia as ondas eletromagnéticas e as enviaria fisicamente (através do contato com as partes metálicas, dos fios e das soldas) para o interior do instrumento.
Mais um ponto importante: a gaiola de Faraday só funciona com emissores ou receptores de ondas eletromagnéticas. Os potenciômetros não são nem uma coisa, nem outra. A blindagem na cavidade da parte elétrica não vai “limpar” o sinal para que ele seja passado adiante. A blindagem não limpa sinais. Ela anula sinais.
Mas, se não existe gaiola de Faraday no instrumeto, por que a blindagem funciona?
Para responder essa pergunta, precisamos entender o que é e como funciona um captador.
O captador é, antes de qualquer coisa, um dispositivo gerador de eletricidade com corrente alternada.
De uma maneira superficial, é formado por uma bobina e imãs que podem estar na parte interna ou logo abaixo da bobina.
É gerador de corrente alternada porque os pulsos elétricos, gerados na mesma velocidade de vibração da corda, ora caminham para uma direção (uma das 2 pontas do fio da bobina), ora caminham para a direção oposta (a outra ponta do fio).
O fio que é designado positivo é conectado ao terminal positivo do jack e o fio negativo é conectado ao terminal negativo do jack.
Porém, o amplificador não faz um aterramento pleno do negativo do captador, sendo necessária a adição de um fio que leva esse negativo para a ponte do instrumento. Quando encostamos nas cordas, todos os ruídos cessam. Isso acontece porque nós somos o verdadeiro terra do instrumento. Ao encostar nas cordas, todo excesso de negativos existente no circuito elétrico saltam para as nossas mãos.
Quando são usados fios de baixa qualidade, os negativos não são completamente transportados para o aterramento da ponte e sobram no circuito elétrico, gerando os indesejáveis ruídos.
A blindagem funciona como uma espécie de piscinão, impedindo que haja acúmulo de negativos no circuito do instrumento.
Quando nos preocupamos em planejar a parte elétrica e utilizar fios de alta condutividade e estanho de alta qualidade, os negativos dos captadores são transportados corretamente para a ponte e para o jack do instrumento, transformando qualquer blindagem em redundância.

A blindagem acontece por que, ao invés de ser refeita toda a parte elétrica com componentes adequados, o indivíduo reveste todas as cavidades do instrumento com material condutivo, imaginando estar criando a gaiola de Faraday, quando, na verdade, está intensificando o sistema de aterramento do instrumento, só que da maneira errada.
Para terminar este texto, deixo uma última pergunta, para reflexão:
Por que uma guitarra custa alguns milhares de reais, utiliza acessórios caríssimos e tecnologias que nem imaginamos, mas não possui uma simples blindagem?
Gibsob Les Paul Standard
Gibson Les Paul Studio
Gibson Thunderbird Nikki Sixx
Fender reedição 56Imagine os ruídos externos como uma "chuva". Na chuva, até um guarda-chuva pequeno é melhor do que nada...
Tenho teles e stratos e as teles sempre foram menos ruidosas que as stratos. Isso é devido à estrutura metálica da ponte, que isola parcialmente o captador dali e à capa metálica do captador do braço. Há redução de ruído - fato observado há mais de 50 anos - e obviamente a blindagem nem de longe é uma gaiola fechada.
Temos que nos lembrar que captadores geram um sinal baixíssimo, que ao ser amplificado, carrega consigo os ruídos próprios e captados. Quando blindamos uma guitarra, eliminamos uma porcentagem dos ruídos externos captados e as notas soam mais limpas, principalmente no sustain, pois a nota gerada pela corda tem um decaimento, mas os ruídos não. E isso me leva ao próximo item:
Quanto ao mito da blindagem alterando o timbre:
Já falei aqui que a presença de metal nas proximidades de um captador gera um fenômeno físico conhecido como indutância, que por sua vez degrada o sinal captado das cordas, principalmente as frequências mais altas. A blindagem acrescenta uma (muito) pequena indutância e portanto uma (muito) pequena degradação dos agudos. Porém, ao reduzir os ruídos, ela revela harmônicos até então camuflados, aumentando a percepção de "clareza" do timbre.
Portanto, o resultado final de qualquer blindagem com um mínimo de eficiência é sempre positivo em relação ao timbre.
PS2:
O principio do aterramento é importante e deve ser bem compreendido: o aterramento (e não só nas guitarras) visa descarregar o potencial elétrico acumulado nas partes de metal - isso evita que o nosso corpo receba uma (des)carga elétrica/choque (que pode ser desde imperceptível até, muito raramente, mortal) e que essa energia induza ruído/"sujeira" no sinal elétrico gerado pelo captador devido à vibração das cordas. Todas as partes metálicas da guitarra (inclusive a blindagem se existir) devem estar em contato entre si. Por exemplo, as tarraxas com as cordas, essas com a ponte, a ponte, através de um fio condutor, geralmente até a carcaça do potenciômetro de volume (quase todos os pontos de drenagem de aterramento fluem para o pot de volume) e daí finalmente (também através de um fio condutor) para o jack de saída, que joga tudo no condutor terra do cabo.
A eletricidade está em toda parte :)
segunda-feira, 19 de outubro de 2015
Vai comprar uma Fender ? saiba qual realmente vale a pena
Segue uma revisão aqui alguns fatos sobre a qualidade das guitarras Fender que, como sabemos, sempre flutuou ao longo dos anos a partir de 1968-70. É de consenso geral que a qualidade caiu muito entre 1972 e 1984, mas há vários períodos pós 1984 que não são muito dignos.
Seguem as dicas de guitarras que "parecem mas não são":
1 - FENDER MADE IN JAPAN:
O primeiro mito que tem que cair é o de que as Fender Made In Japan (MIJ) são excelentes. Até 1984, no máximo 85, tudo bem. Daí em diante, apenas as séries especiais (que não vinham para o Brasil) são boas. Mais de 90% das Fender MIJ e CIJ (Crafted In Japan) têm corpo de basswood e captadores bem genéricos. Novamente, pra evitar outra leva de perguntas, não dá pra saber se o corpo é basswood ou alder exceto retirando a tinta. Mas pela lógica e fatos, aposte no basswood.
Em tempo: "Made In Japan": totalmente feita no Japão. "Crafted In Japan": feita em outro local (China, Coreia, etc.) e finalizada no Japão.
2 - FENDER USA 1983:
Estão entre as piores americanas de todos os tempos, principalmente as stratos com o tremolo freeflyte:
Stratocaster Fender de 1983
3 - FENDER USA (modelo standard, entre 1993-1998 aproximadamente):
Cavidade dos captadores do tipo piscinão (universal), captadores ruins. Fraca seleção de madeiras.
Corpo de uma stratocaster Fender de 1997
4 - FENDER SOUTHERN CROSS:
Entre 1993 e 1995, a Giannini fabricou, sob licença da própria Fender, cerca de 5.000 guitarras e baixos aqui no Brasil. A série recebeu o nome de "Southern Cross". Corpo de cedro, braço de marfim e hardware americano. O próprio Carlos Assale admite que as Southern Cross eram inferiores às americanas. Não dá pra ter um som clássico de strato ou tele com corpo de cedro e ponto final.
Stratocaster Fender Southern Cross
5 - FENDER "AMERICAN TRADITIONAL" (1999-2001):
Essa série, produzida nos EUA (mas com peças mexicanas) entre 1999 e 2001 é a mais perigosa, principalmente em relação às stratos. A Fender não confirma (e nem nega), mas a maioria dos corpos era de Poplar. Captadores cerâmicos, hardware no limite da qualidade. Não era uma série de todo ruim, mas também não era boa e aqui no Brasil uma strato american traditional é facilmente confundida com uma american standard. Se for comprar, o preço deve ser pelo menos 30-50% mais barato que uma american standard de 2001 em diante. Atenção para o decalque "American Traditional" posicionado onde normalmente está o "Original Contour Body":
Stratocaster Fender American Traditional.
6 - FENDER "CALIFORNIA":
A série "California", produzida apenas em 1997 e 1998 pode ser identificada pelo mesmo princípio da American Traditional: decalque "California Series" onde deveria estar o "Original Contour Body". O número de série obrigatoriamente contém o prefixo "AMXN" (American/Mexican/1990s) na parte posterior do headstock. Basicamente eram guitarras feitas nos EUA mas pintadas no México. O corpo tinha duas ou três peças de alder e o resto era quase no padrão de uma American Standard (criado em 1986, a Fender não utilizou - geralmente - o termo "American Standard" entre 2001 e 2007, apenas o "American"). Boas guitarras. A série California é a única desse post cuja má reputação é desmerecida e nem deveria estar na lista :)
7 - FENDER STANDARD MIM:
Toda a série "standard" feita no México é inferior. Madeiras, hardware, tudo de qualidade inferior quando comparada a qualquer série americana. Algumas séries mexicanas são muito boas, como as "Classic", Tele Baja, etc. Idem para as séries "Modern Player" feitas no oriente, geralmente Coréia.
Evitem perguntas sobre as MIM ou Squier, por favor. Somente a série standard é inferior (não necessariamente ruim, ok?)
PS: Obviamente refiro-me de forma genérica aos modelos citados. Há MIM standards muito boas e conheço gente que não vende sua Southern Cross por nada. Esse post é para dar uma orientação geral pra quem está querendo comprar uma Fender usada e não tem muito conhecimento técnico.
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