segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Ação das Cordas versus Sustain




Muita gente ao levar o instrumento para regulagem em um Luthier geralmente diz o seguinte:
- "Abaixe as cordas o máximo possível!"
Mas o que poucos sabem é que quanto mais próximas as cordas, menor o "sustain".

Como assim?
Imaginemos uma corda solta, isoladamente. Quando a corda é ferida, ela exibe uma vibração natural na frequência da nota correspondente a ela e em uma amplitude equivalente à força que gerou a vibração, isto é, à força da “palhetada”. Via de regra, quanto maior essa força, maior a amplitude de vibração.


Imaginemos uma corda solta, isoladamente. Quando a corda é ferida, ela exibe uma vibração natural na frequência da nota correspondente a ela e em uma amplitude equivalente à força que gerou a vibração, isto é, à força da “palhetada”. Via de regra, quanto maior essa força, maior a amplitude de vibração.


Em um braço de um instrumento com as cordas normalmente instaladas a uma altura confortável, porém não tão baixa, teremos a seguinte situação quando a corda é ferida: o ângulo entre a corda e o braço do instrumento é suficiente para manter separada a corda vibrante do próximo traste.





Nesta situação, a corda vibra naturalmente sem colidir fisicamente com nenhum obstáculo, e para de vibrar apenas pela atenuação natural da vibração.

Porém, em instrumentos com ação de cordas baixa temos uma situação onde, mesmo com trastes perfeitamente alinhados, o angulo formado entre a corda e o braço é muito pequeno, não sendo suficiente para evitar o contato da corda vibrante com o traste seguinte. Como consequência, as cordas batem nos trastes seguintes à nota pela sua vibração natural:





Este “trastejamento natural” acaba por gerar às vezes, um som indesejável (“pec pec”) e reduz o tempo de vibração das cordas, mais conhecido como sustain.


Desta forma, em um instrumento convencional, quando as cordas encontram-se muito próximas dos trastes, deve-se arcar com o ônus da redução do sustain do instrumento e com um ruído indesejável, mesmo que os trastes estejam perfeitamente alinhados. Por isso, normalmente, os músicos que gostam de cordas bem baixas, utilizam efeitos de distorção, compressores, drive, etc, que acabam por aumentar artificialmente o sustain do instrumento. Aqui cabe muito bem a frase de um de meus mestres de Luthieria: 
"Não existe instrumento de cordas baixas que não "trasteje" quando desplugado"


Dúvidas Comuns

Eu gosto de cordas baixas! Como melhoro o sustain e reduzo o som resultante da colisão com os trastes?

Como eu disse anteriormente, a amplitude de vibração depende de alguns fatores como:


1 – a força que é aplicada sobre as cordas – quanto mais “leve” a mão do guitarrista, menor a amplitude de vibração e, consequentemente, menor a probabilidade de a corda colidir com os trastes.

2 – a espessura das cordas – encordoamentos mais grossos são mais resistentes e, portanto, vibram em menor amplitude quanto tocados pelo mesmo guitarrista.


3 – o material do qual são feitas as cordas – Há uma grande variedade de marcas de encordoamentos, sendo que cada uma apresenta uma liga metálica diferente, ou um tratamento anti-corrosão diferente. Desta forma, cada marca e modelo de encordoamento terá uma resistência diferente dos demais. Encordoamentos mais “duros” exibirão o maior sustain em instrumentos com cordas baixas.


De uma forma resumida, o músico deve escolher entre o maior sustain, com cordas não tão baixas, e o maior conforto e velocidade, com cordas bem baixas, mas é claro, é possível dosar ambos para chegar na melhor conformação possível para cada músico.


Dica para regulagem

Como já comentei no inicio do post a ação de cordas mais requisitada é a mais baixa possível. Mas é importante salientar que 3 pontos principais determinarão o quanto será possível diminuir a ação das cordas:

1- A pegada do músico: Quanto mais baixas as cordas, mais leve deverá ser a pegada do músico. Palhetadas agressivas obrigam o aumento da ação das cordas.

2- O raio da escala do instrumento ajuda a determinar essa ação de cordas. Se o raio for menor que 12 polegadas, será difícil conseguir cordas baixas, pois os bends, principalmente a partir da casa 12, certamente trastejarão.
3- Calibre de cordas: O calibre determina a tensão. Quanto maior essa tensão, menos espaço a corda precisará para vibrar, permitindo diminuir a ação.
A combinação destes 3 itens determinará a ação de cordas perfeita para o músico, seja ele guitarrista, baixista ou violonista.
Medir a ação de cordas é uma questão de referência. Uma das maneiras e averiguar a distância entre as bases das cordas e o topo do traste 12.
Algumas medidas para simples referência:
Les Paul - Entre 1,00mm e 1,5mm
Strato - Entre 1,2mm e 1,6mm
Tele - Entre 1,4mm e 2,mm
Ibanez e cia - Entre 0,8mm e 1,3m
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