terça-feira, 21 de novembro de 2017

TRITONO: A história não contada - PARTE I



Já indo direto ao assunto, seria o "Trítono" o intervalo musical do Diabo?

Uma dos maiores mitos no ensino da música está relacionado ao intervalo de quarta aumentada (ou quinta diminuta), um intervalo de três tons chamado "trítono" (o intervalo correspondente entre dó e fá sustenido, por exemplo). Este intervalo tem uma proporção de 45:32 e, justamente por isso, é percebido pelo ouvido como uma dissonância. Além disso, foi chamado de "diabolus in musica". E aí é que começa a desinformação.

O diabo é aquele que divide (dia-bolus; o oposto seria sim-bolus, união). Como o trítono é o intervalo que divide a oitava em duas partes idênticas, e ainda é uma dissonância, acabou ganhando essa denominação imagética, uma representação puramente simbólica e filosófica.

Pois o discurso infundado e desinformante que vigora por aí carrega vários equívocos, preconceitos, imprecisões e até mesmo mentiras, as quais serão desvendadas agora. Resta saber se tal desinformação foi plantada conscientemente ou foi apenas uma anedota que ganhou ares de verdade.

A primeira é que "o intervalo de quarta aumentada recebeu o nome de 'diabolus in musica' na Idade Média.

Há sérias divergências entre os autores sobre quando esse nome surgiu. As referências à expressão "diabolus in musica" datam do início do século 18, com Fux, Telemann, entre outros compositores e teóricos. Denis Arnold, no New Oxford Companion to Musics, sugere que o apelido foi aplicado por Guido D'Arezzo, no período medieval. O Dicionário Grove de Música afirma que foi no Renascimento e Grout e Palisca, no História da Música Ocidental, sequer associam o monge beneditino à famosa expressão "mi contra fa est diabolus in musica". De fato, não encontramos referência a essa frase no próprio tratado musical de Guido D'Arezzo, o "Micrologus". O "A Performer's Guide To Renaissance Music", de Kite-Powell, afirma que a frase é uma citação latina e não lhe atribui autoria. Portanto, não é impossível que esse apelido tenha realmente sido cunhado por teóricos medievais, mas está longe de ser uma certeza.

Outra mentira é que o trítono foi proibido pela Igreja durante a Idade Média. O fato é que não há nenhum registro que prove que executar o intervalo de trítono era proibido.
Nas 165 páginas da ata do Concílio de Trento (1545-1563), no qual encontramos reflexões sobre toda a prática religiosa até antão, há apenas um parágrafo bastante genérico que orienta, de maneira subjetiva, a evitar-se as práticas musicais que possam atrapalhar o culto, referindo-se mais em relação à polifonia com dezenas de vozes, que impedia a boa compreensão do texto, do que com questões técnicas e teóricas. Aí também não há absolutamente nada contra o trítono.

"Bandiscano, poi, dalle chiese quelle musiche in cui, con l’organo o col canto, si esegue qualche cosa di meno casto e di impuro; e similmente tutti i modi secolari di comportarsi, i colloqui vani e, quindi, profani, il camminare, il fare strepito, lo schiamazzare, affinché la casa di Dio sembri, e possa chiamarsi davvero, casa di preghiera."

A verdade é que esse intervalo não era executado de maneira regular, pois não havia o costume, o hábito, o uso que foi adquirido com o advento do acorde e, mais tarde, do sistema tonal. A Idade Média musical é caracterizada pela monofonia (apenas uma linha melódica), tal como toda a tradição do cantochão, e por ser o primórdio da polifonia, uma música bastante simples harmonicamente, como os organuns, as salmodias e os discantus.

Ainda assim, existem inúmeros exemplos de trítonos melódicos mesmo em cantos gregorianos (música sacra ritualística!). A grande compositora Hildegard von Bingen (1098-1179), que além de compositora era monja beneditina, mística, teóloga, compositora, pregadora, naturalista, médica, poetisa, dramaturga e escritora e correspondia-se regularmente com reis e papas (malditos medievais machistas!) e os mestres da ars antiqua Leonin e Perotin também escreveram trítonos. Na música de Perotin, muitas vezes o trítono era usado e considerado uma consonância imperfeita, espécie de quinta anômala.
É evidente que o uso do trítono era comedido e as dissonâncias eram tratadas com extrema parcimônia até mesmo na polifonia mais complexa da ars nova, até porque a harmonia vai se tornando mais complexa gradualmente e, com o advento do tonalismo, o trítono então é definitivamente incorporado ao sistema, dentro de sua estrutura acórdica mais essencial: o acorde maior com sétima menor, posteriormente chamado de "dominante".

A pior mentira de todas é a que afirma que "milhares de compositores foram jogados nas fogueiras da Inquisição por tocarem o intervalo de trítono". É inacreditável que muitos professores afirmem isso sem sequer corarem (eu mesmo já o fiz, pois havia aprendido assim).

Mais uma vez, não há nenhum registro histórico de compositor que fora condenado à morte pela Inquisição por tocar um trítono, nem nos livros de História da Música nem nos estudos históricos sobre a Inquisição na Idade Média, como no ótimo "A Inquisição", de Michael Baigent. Os compositores da tradição gregoriana, Hildengard, Perotin, Leonan, nenhum compositor ou instrumentista morreu na fogueira. Isso é vergonhosamente falso, é uma afirmação tão boboca e fantasiosa que chega a ser ridícula. Se durante séculos o trítono foi usado com parcimônia (mas foi usado!), não foi por causa de uma proibição autoritária da Igreja Católica, muito menos sob a cruel punição do coitado do compositor ser lançado à fogueira, mas simplesmente porque não era um elemento estético e técnico efetivamente incorporado ao sistema da época.

Por fim, há um grande equívoco em considerar o trítono um ataque à tradição. O trítono é a própria tradição! Ele é a base da tensão da dominante com sétima, a força motriz do movimento harmônico da tonalidade. 

"O trítono é a pimenta (tempero) de Deus para a música."

Se algum músico medieval lançasse mão apenas de trítonos, ele não seria condenado à fogueira, apenas cairia em descrédito, não seria ouvido, passaria fome e ficaria com a pecha de mau músico. Já na modernidade, vemos alguns compositores usando o trítono indiscriminadamente, alegando que com isso estão "revolucionando" a música, o que faz com que sua música seja ardida e não saborosa, e ninguém a escute, mas ainda assim, estes compositores são tratados como gênios inquestionáveis.
Eu mesmo já ouvi de professores essa história de que se o sujeito tocasse um trítono ele iria para a fogueira, mas compreendi na hora o seu caráter anedótico e não levei a sério. Acontece que, pesquisando na internet, pude constatar a quantidade de publicações que afirmam isso como fato histórico certo e verdadeiro (sem nunca citarem fontes, claro). Os links abaixo exemplificam esse verdadeiro desastre pedagógico do ensino musical brasileiro:
etc, etc, etc...

Já na Wikipedia em inglês (e em outros sites estrangeiros) a história está bem explicada:
http://en.wikipedia.org/wiki/Tritone

Um artigo em perfeita consonância com a tese de que o trítono não era proibido na Idade Média coisa nenhuma é este, de Margo Schulter, no qual ele desvenda o uso do trítono da Idade Média à Renascença, sem dúvida o melhor artigo sobre o assunto: http://www.medieval.org/emfaq/harmony/tritone.html

Ou seja, esse disparate se tornou verdade apenas nas publicações diletantes do Brasil (e em algumas aulas superiores de harmonia ministradas por professores anti-cristãos), por conta de um certo preconceito disseminado contra a Idade Média. O curioso é que esse mito do trítono é usado tanto por militantes pregam contra o rock'n roll, por exemplo. Por isso a desmistificação dessa história é tão urgente. Pelo bem do ensino musical brasileiro, pelo bem da Verdade e pelo bem dos jovens estudantes de música.

Seguindo essa linha de pensamento, você já ouviu essa história: o músico Robert Johnson vendeu sua alma para o demônio. Em troca, ganhou talento e sucesso. A negociação ocorreu em uma encruzilhada no interior do Mississipi – até hoje, garantem crentes e céticos, cruzamentos são um ótimo lugar para fazer comércio com o coisa ruim.
Bem, se o pai do blues fez mesmo a transação arriscada, não adiantou muita coisa. Ele foi um artista itinerante, que andava de cidade em cidade tocando em esquinas, espeluncas e clubes decadentes nos sábados à noite. Pouco foi valorizado como artista em vida, e morreu em 1938, aos 27 anos – segundo a versão mais aceita, após um gole de uísque envenenado por um dono de boteco, que morria de ciúmes de sua esposa e achava que ela tinha um caso com o músico.

O mito de Johnson nasceu, na verdade, em outra encruzilhada, da cultura americana com a cultura alemã: é o mito de Fausto. Na mesma época em que o músico negro – pobre e filho ilegítimo – fundava um dos gêneros mais importantes da música popular dos EUA, o autor alemão Thomas Mann começava a idealizar sua obra-prima: o romance Doutor Fausto, história de um compositor que (adivinha só!) vende a alma para o tinhoso em troca da máxima realização artística.

Ambos são versões, uma erudita e uma popular, da história de um alquimista que viveu na Alemanha no século 15. Dá para passar mais um tempão falando de todas as encarnações do mito fáustico – como o 100% brasileiro Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa – mas não será tão legal quanto explicar o demônio na música do ponto de vista matemático: será que há mesmo algo de demoníaco no blues (ou em qualquer outro tipo de música)?
Um lenda urbana popular entre músicos diz que há, e dá uma explicação 100% matemática para isso. Corre por aí a história de que um determinado intervalo musical, chamado trítono, é o próprio som do inferno, tão dissonante que não podia (por um decreto assinado pelo Papa em pessoa!) aparecer nas partituras de música sacra durante a Idade Média.
Um intervalo musical é, em bom português, uma combinação de duas notas diferentes. Você pode testar vários deles mesmo se não souber tocar nenhum instrumento: vá a um piano de estação de metrô, escolha duas teclas aleatórias (não muito distantes entre si) e toque ambas ao mesmo tempo. Algumas dessas combinações vão soar super bem. Outras, nem tanto.  

O trítono é o intervalo que você ouve na abertura da música Black Sabbath – que está no álbum Black Sabbath, da banda Black Sabbath. Quem achar o metal em questão heavy demais também pode ouvir o trítono no comecinho de Purple Haze, de Jimi Hendrix. Ou na abertura dos Simpsons (ouça as notas mais graves do piano no segundo 0:16). O bichinho aparece até em Garota de Ipanema – mas aí ele dá as caras em uma substituição de acordes que não é tão óbvia, então vamos passar batido.
São todas músicas muito diferentes entre si – e com exceção da do Black Sabbath, nenhuma soa particularmente demoníaca. Isso acontece porque, na música, não existem intervalos do céu e do inferno, só intervalos mais consonantes e intervalos mais dissonantes. Os primeiros são simpáticos e bonitinhos. Os segundos são tensos, criam desequilíbrio. Um usa camisa polo e tênis Lacoste, o outro é repleto de tatuagens. E ambos são úteis em qualquer música.

O trítono, no caso, é um líder punk anarquista. E isso é mesmo culpa da matemática. Acontece o seguinte: você sabe se um intervalo é rebelde ou não olhando as frequências das duas notas que o compõe. Dá para fazer um trítono, por exemplo, com um dó (C) e um fá sustenido (F#). O dó tem 261,6 Hz. O fá sustenido, 369,9 Hz.


Agora é só dividir o maior pelo menor e você chegará a aproximadamente…



Que, você aprendeu na escola, são os primeiro dígitos de um número infinito chamado…


Ou seja: a relação entre as duas frequências é um número tão quebrado que sequer tem fim – um irracional, semelhante ao Pi (π). 
Agora faça a mesma coisa com um intervalo que é consonante, como dó (C) e sol (G), que tem 391.9 Hz. A divisão vai dar um inocente 1,5 (3/2). Um número comportado, com finitude. Uma fração bom moço (por dissonante que soe a discordância de gênero aqui).


Isso é uma regra: quanto mais louco o resultado da divisão, mais o intervalo machuca os nossos ouvidos. Agora vamos fazer um exercício mais maluco ainda: transferir as proporções acima para uma referência visual. No caso, dimensões de folhas de papel.

A folha do trítono parece familiar? Não é coincidência. Acontece que a relação entre as frequências que formam esse tipo de som é exatamente a mesma que rola entre os lados de uma folha de papel A4.
O que deixa no ar uma pergunta: porque esse intervalo, que na forma sonora é tão incômodo, assumiu o formato de uma folha de papel e tomou conta do mundo? A explicação é simples: ele pode ser dividido no meio, e o resultado serão duas folhas menores, mas de proporções idênticas à original. A ilustração abaixo explica bem:


O trítono é o único intervalo capaz de dividir uma oitava (a famosa sequência ‘dó, ré, mi etc.”) em duas partes exatamente iguais do ponto de vista matemático.



E ele também pode ser dividido ao meio mais uma vez: dois trítonos sobrepostos formam um acorde chamado diminuto. Por incrível que pareça, essa dupla não tem o som do apocalipse: dá para perceber direitinho quando um fá sustenido diminuto aparece em What a Wonderful World. Preste atenção em 1:31, momento exato em que ele aparece. Ele nada mais é que uma transição, que empurra a canção para outro acorde, mais estável.


O blues tem uma característica curiosa: todos os seus acordes têm sétimas menores, o que significa, na língua dos leigos, que todos eles carregam um trítono. É isso que dá ao estilo parte de sua angústia característica – nada mais adequado para expressar a dor dos escravos americanos no século 19. Não havia nada de demônio em Robert Johnson, portanto: ele só transformou em música a história de gerações de trabalho forçado.
Outros estilos de música popular, é claro, também têm acordes com um trítono. A diferença é que eles não aparecem o tempo todo.
Quanto à igreja como já comentei, bem, não há registro histórico de que ela realmente tenha proibido essa combinação. De fato, o músico Adam Neely tirou do fundo do baú uma canção de mosteiro do auge do feudalismo em que o dito cujo dá as caras sem medo de ser feliz.
Segundo ele, um dos primeiros registros do termo latino diabolus in musicaaparece só no século 18, pelas mãos do teórico Johann Fux. Ele não se referia ao trítono – na verdade, desaconselhava arranjadores a colocarem duas vozes cantando notas muito próximas entre si (no caso, mi e fá). A razão não era religiosa, apenas prática: além da combinação ser desagradável aos ouvidos em certas situações musicais, também é muito difícil acertar o tom de sua própria nota quando outros membros de um coral estão cantando notas muito próximas.

De fato, o trítono (assim como a segunda menor formada por mi e fá) é um intervalo incômodo de cantar e tem potencial para desafinar, então é mesmo bem provável que ele não tenha sido recomendado por especialistas ao longo da história da música – tudo se resume a um problema técnico, sem participação do tinhoso. Pode tocar Tritono à vontade: você não vai para o inferno (rs)



Colossenses 1:16 "pois nEle foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por Ele e para Ele."

Romanos 1:36 "Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém."

Tiago 1:17 "Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação."



Ps: Continuarei o assunto, relacionando o tal a Escala Pentatônica.



#Tritono

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Qual a diferença entre guitarra e violão?





Parece uma pergunta boba, mas já vi respostas absurdas. Mas enfim, existe alguma diferença entre guitarra e violão? Se eu aprender violão, posso tocar guitarra depois? Tocar guitarra é diferente de tocar violão?
Vamos entender um pouco mais sobre a semelhança e a diferença entre guitarra e violão.

Nome e surgimento da guitarra

Dos dois instrumentos, o violão nasceu primeiro. O violão nasceu bem antes e seus “avós” vieram de instrumentos antigos, como o alaúde, a lira, cítara, etc. Observe o nome “cítara”, original da palavra chitarra, que em português tornou-se guitarra.
Voltando para os dias de hoje – aqui no Brasil o nome é diferente, mas em outros países, como Estados Unidos e Espanha por exemplo, é tudo guitarra.
Guitarra (Br) = Guitarra elétrica (outros países)
Violão (Br) = Guitarra acústica (outros países)
Em países assim, eles fazem a diferença entre guitarra e violão citando se um é elétrico ou acústico (sem eletricidade).
Então, antes da criação da guitarra elétrica,

Guitarra elétrica


apenas tínhamos a guitarra acústica (violão)…

Guitarra acústica

guitarra elétrica foi criada a partir de uma necessidade de se amplificar o som do violão, quando no início do século XX (século passado) o crescente número de ouvintes que prestigiava apresentações musicais precisava de maior volume para curtir performances em casas noturnas e grandes salões. Além disso, as bandas de música da época possuíam em sua formação instrumentos com grande poder de volume. Não era possível competir com o volume de um trompete por exemplo… Não é verdade? então fatalmente o volume (do coitado) do violonista sumia no palco…

Foi ai que os fabricantes (vamos deixar os detalhes pra outro tópico) de violão ou guitarra acústica pensaram: Como faremos para o instrumento ficar com maior volume?
Inicialmente, os fabricantes tentaram apenas colocar formas de captar um violão normal e amplificar o som. Surgiu um problema: o corpo do violão é oco internamente e, quando adicionado maior volume ao som, isso causa um efeito chamado feedback que gera a microfonia, um apito ensurdecedor (você já deve ter ouvido isso em shows ao vivo).
Então pensaram numa solução: “ao invés de corpo oco, vamos deixar ele inteiriço”. Daí surgiu o corpo sólido.
Após vários testes, a melhor configuração que chegaram é o modelo que temos hoje: um “violão” de corpo sólido, com captadores e cordas de aço – que chamamos aqui no Brasil apenas de guitarra.
No Brasil, tivemos desbravadores na busca por violões com maior volume. Isso ao mesmo tempo que buscavam por essa invenção lá fora.
Podemos citar a dupla Dodô e Osmar criadores do trio elétrico e da guitarra baiana. Eles foram desbravadores aqui no Brasil nesse assunto.

A diferença entre guitarra e violão quanto a tocar o instrumento

O violão é o antecessor mais próximo da guitarra e é, consequentemente, mais velho em termos de história. Possui características próprias e várias técnicas que foram se desenvolvendo através dos violonistas durante a história e antes da criação da guitarra.
Antes da guitarra, o violão já possuía um vasto repertório e uma tradição técnica tanto popular quanto erudita.
Quando o violão se eletrificou e houve a criação da guitarra, outras possibilidades de se tocar surgiram devido às novas características desse novo instrumento.
Nasceram novas formas de se executar esse “violão” eletrificado. Novas técnicas foram se desenvolvendo por causa das características próprias da guitarra.
Algumas técnicas passaram a ser utilizadas apenas no violão, outras técnicas passaram a se desenvolver apenas na guitarra.
E é nessa altura do caminho que o violão se separa da guitarra: as bases estruturais em termos de construção do equipamento e tocabilidade são as mesmas, mas chega um ponto que cada um segue sua própria estrada. Estrada essa que cada instrumento construiu ao longo de sua própria história de existência.
Nessa altura em que os instrumentos se separam é que esta a diferença entre guitarra e violão.
"A guitarra e o violão possuem uma estrada comum mas precisam se separar em uma determinada altura do caminho para que cada um siga seu próprio rumo…"
Então, quando o iniciante começa a aprender violão, ele pode usar o que aprendeu na guitarra, e vice-versa. Mas chegará um momento no qual ele deverá se aprofundar no estudo de um ou de outro para desenvolver técnicas específicas de determinado instrumento.

Existe diferença entre guitarra e violão para começar a estudar?

VOCÊ NÃO PRECISA COMEÇAR PELO VIOLÃO PARA DEPOIS PASSAR PARA A GUITARRA.
Não existe essa necessidade. O iniciante pode começar direto na guitarra.
Uma pessoa que está começando a aprender, tanto guitarra quanto violão, vai poder tocar os dois. Poderá intercambiar seu aprendizado nos dois instrumentos. Você pode “estranhar” um pouco quando, por exemplo, esta acostumado com a guitarra e pega um violão. Isso pode ocorrer devido às diferenças anatômicas de cada instrumento: tamanho do braço do instrumento, espessura de cordas, número de trastes, etc. Mas, basicamente, os dois possuem a mesma estrutura. É como você dirigir carros diferentes: você estranha no começo, porque está acostumado com o seu, mas sabe dirigir. É só se adaptar.
Obviamente, observando o que foi dito acima: chega um ponto na estrada que para desenvolvermos certas habilidades técnicas, precisamos nos focar em apenas um instrumento. Existem técnicas que são especificamente usadas para a guitarra e outras específicas para violão. Muitas dessas técnicas soaram melhor se tocadas em seu instrumento de origem.
Então, se você tem o desejo de aprender guitarra e tinha dúvidas se precisava começar pelo violão: comece logo pela guitarra!
Ou, se você gostaria de aprender violão, não há nenhum problema de passar para a guitarra no futuro se quiser.

Qual escolher?

Muitas pessoas já são fãs de algum artista ou músico em específico e não possuem dúvidas a respeito do que querem. Outros possuem dúvida sobre qual deles começar. Se é o seu caso, você deve se questionar porque gostaria de tocar o tal instrumento.
OBJETIVO – essa é a pergunta que você deve se fazer: Qual meu objetivo no futuro? Como quero me ver daqui a um tempo: tocando guitarra ou tocando violão?
Guitarra – Se você gostaria de fazer parte de uma banda, por exemplo, o mais indicado é a guitarra. Muitas pessoas não querem tocar em bandas, mas quando ouvem o som de uma guitarra ou vêem um guitarrista tocando se arrepiam. Ai, meu amigo: guitarra na certa…
Violão – Se você só quer tocar como lazer, tocar e cantar com amigos, numa rodinha ou num churrasco e tal, o violão é a indicação. Essa forma de tocar se encaixa no violão popular
Muitos começam pelo violão por ser mais barato e mais fácil: não precisa de amplificador e outros acessórios.
Então, pelo custo, acessibilidade e até desinformação, grande número de pessoas começa pelo violão. O que pode ser feito também, sem nenhum problema. Nada te impede de começar com violão e depois passar para guitarra. Mas nada te impede de começar logo pela guitarra também.
Mas tenha em mente o seguinte: como já disse, "vai chegar um ponto no qual você vai ter que optar entre um ou outro para melhor se desenvolver."


quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Antes de perguntar a um músico se ele toca de graça. Pergunte-se:



Antes de perguntar a um músico se ele toca de graça. Pergunte-se:
a) Com que dinheiro ele estudou ou estuda?
b) Com que dinheiro ele comprou e compra seus instrumentos e equipamentos?
c) Com dinheiro ele faz a manutenção dos seus instrumentos e equipamentos?
e) Com que dinheiro será que ele paga suas contas?
f ) Ser músico não é profissão?
Para quem não sabe a profissão de músico é regulamentada pelas portarias 3.346 e 3.347 do Ministério do Trabalho.
Ser músico não é simplesmente brincar de ser feliz,é levar felicidade aos outros, é imortalizar momentos. O músico é alguém que abençoado por Deus pela graça comum. é ter uma outra realidade, ter uma percepção de coisas que nem todos percebem.
Valorize os músicos que você conhece e, se não conhece, passe a conhecê-los. Garanto, a maioria deles são gente fina e trabalham e estudam bastante, muito mais do que imagina.
O homem que trabalha somente por dinheiro e não tem prazer naquilo que faz, pode se considerar um escravo remunerado, e desse mal nós músicos estamos livres.
Alguém pode me perguntar:
- Mas então você cobra pra tocar na igreja?
- Não, pois pra mim ali é um momento de gratidão a Deus, pelo que recebi de GRAÇA! Só cobro trabalhos profissionais.
Tiago 1:17"Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há oscilação como se vê nas nuvens inconstantes."
"Sou músico sim, graças a DEUS!"

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Música, um desafio de vida...



Escolhemos a música, ou ela nos escolhe? Até que ponto o dom natural nos conduz inevitavelmente para uma vida musical? 

Questionamentos e figuras de linguagem à parte, quem ama música de verdade e quer tê-la presente em sua vida não apenas no fone de ouvido, mas também nas cordas, teclas, peles e outras texturas sonoras, sabe que o envolvimento tem que ser profundo. A união perfeita se faz com talento natural e muita dedicação.

Alguém um dia disse : “Faça sempre o que você gosta; se der dinheiro, melhor. Se não der, você se realizará mesmo assim”. Essa pessoa em questão tinha deixado um promissor curso de Engenharia Elétrica para ir morar em Paris, buscando o sonho de se realizar na fotografia. E se tornou um ótimo profissional.

Se Deus quiser você num determinado lugar, fique tranquilo que você vai parar lá. Mas sabemos que Ele pode usar pessoas em qualquer profissão, inclusive com a música.

Mas a música tem um desafio diferente: a chama da arte, a sensibilidade, a criação.

Viver de música até uns tempos atrás causava certa apreensão. Até Paulinho da Viola descreveu isso num samba: “Tinha eu 14 anos de idade quando meu pai me chamou / perguntou-me se eu queria estudar filosofia, medicina ou engenharia / tinha eu que ser doutor / mas a minha aspiração era ter um violão para me tornar sambista / ele, então, me aconselhou: sambista não tem valor nessa terra de doutor / e, seu doutor, o meu pai tinha razão”.

Mas, se algum dia isso me preocupou, hoje nem tanto. E poucos estão por aí, esperando que o sucesso artístico bata à porta e fique “tudo azul”, como num passe de mágica. A maioria descobriu que dá pra ser feliz vivendo de música de uma forma profissional, ou semi-profissional, sem ter necessariamente que ser um “astro do showbiz”.

Há músicos que se dedicam a áreas específicas, como a erudita – com participação em orquestras, corais, grupos especializados em casamentos ou outras solenidades, etc – e à área educacional, podendo dar aulas particulares, em escolas de música ou mesmo na educação formal, já que muitas escolas têm incluído essa manifestação artística na grade curricular. Na verdade, uma lei sancionada em agosto de 2008 obriga as escolas públicas e privadas a oferecer aulas de música na educação infantil e fundamental, mas sem a necessidade de conteúdo exclusivo, ou seja, pode estar dentro das aulas de arte. O que importa é que existe um campo de trabalho imenso e um desafio para a “inclusão musical” país adentro.

E, é claro, temos um grande espaço para atuação nas comunidades cristãs que têm na música um dos pontos centrais de seu culto. Há casos de igrejas que mantêm ministros de música contratados, tornando-se, portanto, uma atividade profissional. E a responsabilidade é grande. Estamos falando dos rumos que a música cristã pode tomar, dependendo da visão do líder de cada comunidade. Isso significa que podemos ter um louvor rico, com conteúdo bem embasado nos aspectos bíblico, literário e musical, ou uma música que não acrescenta, não toca ninguém, não cumpre seu papel. De que lado você está?

Fazer música é uma missão maravilhosa. Principalmente quando nasce de forma tão espontânea – um verdadeiro presente de Deus para a humanidade. Mas, a Bíblia também é clara quanto ao compromisso que temos de desenvolver o talento, lapidar o diamante. O Salmo 33.3 diz: “Tangei com arte e com júbilo”. Isso significa que música é alma, espírito, coração, mas é também transpiração, dedicação. Arte envolve estudo, pesquisa, aquisição de novos conhecimentos. “Quem fica parado é poste”, já dizia José Simão, colunista da Folha de S. Paulo.

É muito comum vermos nas equipes de música das igrejas pessoas com muito talento, mas que se contentam com isso. Não buscam aprimoramento. Ficam limitadas a ouvir gravações ou assistir apresentações dos grupos que admiram e, assim, não vão além. Uma pena! Existe uma diversidade musical tão impressionante e bela que só pode mesmo vir de Deus. Despertar pessoas para essa realidade é também um desafio para quem acredita que a música o está convidando para um namoro firme. E aí, vai encarar?

#DeNada
#ViverdeMusica
#Musica

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Senso Musical


Senso musical, o que será que quero dizer com isso? Pois bem me refiro ao fato de você ao estar tocando, estar improvisando ou até mesmo compondo algo e ter o exato domínio sobre as coisas, ou fechar os os olhos para tudo e apenas deixar fluir.
Chega até ser uma situação curiosa, pois estudamos anos de nossas vidas para absorvermos o máximo de conteúdos e recursos para tudo e chega um momento que parece que a solução é exatamente o contrário!

Já compus música de todo jeito e foi bem legal. Em inúmeras situações, por que a concepção artística de estar criando músicas é tão legal e ampla, que te domina e te tira desse sentido óbvio e

meio a tudo isso você tem seu conhecimento, a sua consciência, algo que te prende na "verdade!". Costumo dizer que uso o conhecimento para limitar minha loucura musical!(rs)
Ou será que eu deveria estar fazendo o contrário?

Eu acredito que tudo é válido na intenção de criar uma boa música, para isso nunca pode haver limitações! O senso é você estar atento à tua o que está rolando o não senso é estar em um plano acima disso e de fato isso não é nada fácil!

Devemos exercitar nossa intuição musical, e ao trabalhar a improvisação, também estudar sem depender muito das escalas, improvisar pensando nas notas, sem usar as escalas, apenas tocar, deixar fluir! Independente do que isso seja!

No começo isso pode até uma sensação divertida e que vai ser fácil, pois se eu consigo improvisar com as escalas, sem elas será muito mais fácil e eu poderei criar inúmeras situações legal. Mera  Inocência de nossa parte!

Faça o teste, muita gente vai improvisar dessa forma e não consegue sair da primeira nota. E é aí que entendemos que conhecimento não é tudo, e se você não souber como conduzi-lo ele pode te limitar muito! Você não pode deixar o conhecimento te dominar, você que tem que ter o domínio sobre as coisas, você conduz!

Muitas vezes perdemos ideias incríveis, por apenas estarmos presos na 'censura do conhecimento!' Entendem o ponto que eu quero ressaltar? Há inúmeros guitarristas (compositores em geral) que criaram coisas incríveis, sem ao menos saber o que estava sendo feito! Não que devemos abandonar tudo, esquecer nossos estudos e dar um rumo no mundo! O estudo é vital! Porém você deve ter o domínio sobre o que está sendo feito. Afinal o compositor é você!

Por isso que essa questão de composição cai em um conceito muito volátil! Tudo depende da intenção do compositor, por isso que acho que regras e fórmulas são coisas muito pequenas diante da grandeza artística da composição.

Gênios.... O que falar sobre eles e quem são eles? Por que consideramos alguém genial... Hendrix, Steve Vai, ou até por que não Kurt Cobain!!! O que seria ser genial??

Por inúmeros fatos eu curto muitos e muitos compositores, desde os mais 'certinhos' até aqueles mais doidos, um exemplo disso o Buckethead, incrível como ele consegue gerar som de tudo! "Não existe laranja podre pra ele!". Como é incrível seu processo de composição e como ele nega e contradiz muita coisa, e isso soa de forma muito boa, as vezes o cara chega exatamente naquele ponto onde só há contradições rítmicas e faz um baita som.... sempre muito bom de se escutar.

Alguns caras eu consigo entender e explicar, no momento chamo de genial aquele cara, o qual eu não consigo entender a lógica de raciocínio e não consigo explicar o por que daquilo!

Sempre fui muito racional ao estudar música, sempre fui daqueles caras, que gosta de visualizar as coisas, logo estudei bastante teoria, não me gabando, mas são poucos os conceitos que hoje em dia me pegam desprevenido sem que eu consiga explicar ou deduzir o que ali está rolando e isso é muito legal e eu de fato gosto desse tipo de coisa, pode ser que daqui há dez anos eu venha a entender a incógnita de hoje, é sempre bom estar se aplicando, estar na inquietação, procurando coisas novas, ampliando seus conhecimentos!

A música é muito ampla, e somos uma mínima parcela (quase não considerável) de tudo isso!

Por fim a música está acima de qualquer conceito, técnica ou habilidade, até mesmo as questões de vaidade que nos faz pensar sempre em algo mais rebuscado, em diversas situações é aquele acorde simples que vai resumir suas ideias.

Acredito que o importante é pensar mais na música e não nas possíveis fórmulas, no fim criamos uma dependência muito grande desses recursos, que são sim importantes mas que, não podem nos dominar, quem faz a música é o músico e não a teoria, essa é um auxílio para isso tudo!

É engraçado o fato de estarmos estudando por anos à fio e depois passar um outro grande tempo estudando para saber o que devemos priorizar em nossas composições, é uma situação engraçada, difícil até de se explicar, mas é muito importante refletirmos um pouco sobre.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Dicas para começar a Compor


Pergunte a compositores de onde suas ideias vêm e eles e veja como eles tateiam para achar as palavras certas ou imagens para explicar o inexplicável: canções aparecem do nada, como um raio num dia de sol. Elas estão no ar, passam pela gente várias vezes por dia e estão disponíveis para quem as estiver ouvindo. Elas nascem de erros interessantes e de acidentes de sorte e, é claro, de dores pessoais e experiências ruins. Elas são como peixes no fundo de águas escuras, que às vezes mordem a isca e outras não. A inspiração é uma coisa misteriosa e muitas vezes compositores nem querem adentrar nesse mistério —eles temem que, se entenderem o que acontece, não vão mais conseguir fazer isso.
A inspiração pode ser impossível de definir, controlar ou prever, mas isso não quer dizer que a gente tem de ficar de papo para o ar esperando ela. Há muitos jeitos de ficar mais receptivo à inspiração e reconhecê-la mais rápido quando ela chegar. Muitos compositores compartilharam seus truques para vencer o bloqueio criativo e escrever boas músicas. Aqui vão cinco ideias interessantes:
É uma coisa muito inconsciente. É como se um trechinho de canção aparecesse em você o tempo todo. É como se fosse um poço, onde você mergulha seu balde. Quando você é compositor, como eu, você tem de trabalhar firme no seu ofício—se você ouvir algo, quer descobrir como fazer algo parecido. Mas as músicas em si, eu não sei bem de onde elas vêm e como me ocorreram. Elas são presentes, e seu trabalho é recebê-los e passá-los para a frente.
—Greg Brown

1. Balbucie.

Se você já escreveu uma melodia antes da letra, é bem capaz que tenha cantado usando frases sem sentido, ou só sons que se encaixem no ritmo. Geralmente você precisa se livrar desses “tapa-buracos” e fazer uma letra “de verdade” (a gente é muito grato por Paul McCartney ter bolado a letra de “Yesterday”, que compôs inicialmente usando “scrambled eggs”, ou ovos mexidos, como letra), mas preste bastante atenção nas suas criações espontâneas. Às vezes elas podem te indicar uma direção interessante a seguir ou, além disso, essas palavras têm um som bom e que combinam com a música —foi por causa disso que você as cantou quando estava compondo. Ligue o gravador e deixe as palavras fluirem, sem filtro ou edição. Você pode rever esse material depois, procurando algo de bom para usar, ou só jogar tudo fora.
O processo para mim é geralmente me sentar, começar a tocar, colocar minha voz dentro da melodia e deixar o gravador funcionando durante todo esse tempo, porque eu geralmente entro num transe quando estou no que chamo de terra da melodia Eu não sei exatamente o que estou fazendo. Canto letras sem sentido e as palavras começam a se formar. Depois, quando estou terminando a canção, eu posso voltar a ouvir essa gravação de trabalho e, em 90% das vezes, os sons de vogais já começam a mostrar quais serão as letras que estarão ali dali a um mês ou dois. Eu realmente acredito nesse caldo de inconsciente, em que tudo é formado, e que tem mais inteligência do que meu cérebro de ervilha pode conceber.
—Beth Nielsen Chapman
Eu muitas vezes me sinto mais realizado quando começo a compôr e não sei exatamente o que estou fazendo. Eu só tenho uma melodia em que acredito o suficiente para murmurar tocando no meu som e vou ouvindo até que começam a aparecer as letras para a melodia que eu quero musicar. No caminho você começa a ter ideias. A coisa se resuma a transformar lixo em coisas bonitas. Criar beleza a partir do nada. Uma coisa bem Zen.
—Chris Whitley

2. Erre.

Muitos compositores que tocam violão ficaram viciados em usar afinações esquisitas, porque um novo tom vai distanciá-los daquilo que eles sabem tocar e criar um ambiente para acidentes estranhos e interessantes. Esse é só um exemplo de como erros podem gerar ótimas ideias e por que é bom cultivá-los.
Se você só trabalhar com aquilo que conhece, você não crescerá. É só através do erro que a descoberta é feita e, para descobrir, você tem de criar algum tipo de situação em que um elemento aleatório, uma atração estranha, para usar um termo da física. Quanto mais eu puder me surpreender, mais eu continuarei fazendo música e brincar com as notas é um jeito de continuar com essa peregrinação. Você está sempre puxando o tapete debaixo de si mesmo e assim não periga ficar preso a uma fórmula.
—Joni Mitchell
Eu uso teclado, que não sei tocar até hoje, como um jeito de tirar a minha familiaridade com o meio musical. Todos nós estamos tentando fazer isso de um jeito ou de outro, se libertar dos padrões que seus dedos se acostumaram a sentir. É assim que você cria algo que pode ter uma qualidade única. Coisas boas acontecem, se você se jogar no precipício uma vez ou outra.
—John Sebastian

3. Colecione nomes

Muitos compositores mantêm um arquivo com possíveis nomes de músicas. O Woody Guthrie era um colecionador ávido. Seu manuscrito “How to Make Up a Ballad-song” (“como fazer uma balada”, que está no arquivo Woody Guthrie Archives) descreve como ele gastava horas pensando nos nomes das canções e tinha milhares deles “guardados como selos”. John Fogerty manteve um caderno de nomes durante toda sua carreira e me contou sobre ele.
Eu tenho um caderninho de plástico e que eu carrego comigo para cima e para baixo. A primeira coisa que escrevi nele foi “Proud Mary.” Eu não tinha ideia do que isso significava, mas, depois dessa vez, sempre que tinha uma ideia, anotava no caderninho. O que descobri foi que, se eu tivesse um nome que soasse bom, eu podia tentar escrever uma música que se encaixasse nele. Foi assim que “Bad Moon Rising” aconteceu. Eu tinha escrito isso no caderninho e, algum tempo depois, brincando com acordes e uma historinha, eu vi essa frase e pensei. “Yeah—é sobre isso que é essa música” e ela foi nessa direção.
—John Fogerty
Um bom nome pode te dar uma vantagem na escrita—pode sugerir uma emoção, uma atitude, um suíngue, um personagem e muito mais. Uma ideia de título pode pintar na sua cabeça ou você pode ver ou ovir ela em algum lugar. Minhas próprias músicas “Stop, Drop, and Roll,” (pare, deite e role) e “The Day After Yesterday,” (o dia depois de ontem) “My Life Doesn’t Rhyme,” (minha vida não rima) e “Enough About You (What About Me)” (chega de você [e quanto a mim?]) todas começaram com essas frases pintando em conversas. Com um nome, seu trabalho de composição vai se tratar mais de jogar luz sobre uma ideia do que sobre criar algo do zero.
Eu gosto quando tenho um título. Daí eu já sei, isso é o que é. Falando no geral, essas músicas tendem a ser mais comerciais, na falta de uma palavra melhor para definir. Você sabe, o Vince Gill e eu escrevemos “It’s Hard to Kiss the Lips at Night That Chew Your Ass Out All Day Long” (é difícil beijar à noite os lábios que mastigam sua bunda de dia). Bom, isso era um título velho de canção, uma piada. Eu sou grato aos títulos que me ocorrem porque essas músicas são mais fáceis de escrever.
—Rodney Crowell

4. Faça arranjos e rearranje.

Se o silêncio está ensurdecedor e você estiver de saco cheio de olhar para uma folha em branco, tente trabalhar com materiais que já existam. Escreve letras para sua melodia predileta ou tente encaixar algumas letras ou poesia que já tenha num ritmo. Ou simplesmente pegue sua canção predileta e a mude um pouco; foi assim que Alynda Lee Segarra, da Hurray for the Riff Raff, começou, assim como muitos outros músicos.
Quando eu estava viajando e conheci o [violinista] Yosi Perlstein, que hoje toca comigo, a gente tocava juntos velhas canções folk, tipo “Worried Man Blues” e mudaríamos as letras um pouquinho porque achávamos que as músicas não deviam ser só sobre homens—podiam ser sobre mulheres também. Ele gostava de trocar uma palavra ou outra, só para tornar mais universal. Essa realidade então me ocorreu. Eu só compunha música há pouco tempo, devia ter uns dezoito anos, e adorei a ideia de pegar música folk e mudá-la para continuar o diálogo, renovar e tornar o som algo para a minha geração.
Às vezes eu faço isso [retrabalho uma canção antiga] só porque estou com a criatividade bloqueada e preciso começar de algum lugar.
—Alynda Lee Segarra
Se você espera usar sua adaptação comercialmente e não quer se envolver com questões de licenciamento, atenha-se às músicas de domínimo público. Mas, mesmo assim, reescrever um hit pop pode ser um exercício ótimo, e vale para aprender. O processo de adaptação te obriga a sair de sua zona de conforto e resolver problemas criativamente. Eis como Duncan Sheik descreve como usou poesia nas músicas do seu disco Phantom Moon.
Eu geralmente escrevo a música primeiro e as letras depois, quando elas vêm até mim. Então foi um ajuste mudar isso, mas quando eu me acostumei, passou a ser muito natural. Na verdade, eu gostei muito, porque a letra vira um quebra-cabeças bem interessante, como pegar a estrutura de um texto e trabalhá-lo como estrutura musical, fazendo uma canção inteira. A cada vez que eu fazia isso, era uma aventurazinha.
—Duncan Sheik
Se você tiver problemas para deixar de usar uma versão do material que está usando como fonte (vamos dizer, tentar escrever novas letras para “Man of Constant Sorrow”, mas não consegui tirar a voz do cantor Ralph Stanley da cabeça), tente acelerar o ritmo, ou diminuí-lo, levá-lo para outro acorde ou ainda usar um instrumento diferente —qualquer coisa que vá fazer o que é familiar ficar estranho e novo.

5. Use um template.

Outro jeito de começar a escrever música do zero é pegar a estrutura de uma música que já exista e a preencha com sua letra e sua canção. Em termo de letra, por exemplo, a música que já existe pode te ajudar a saber quantas linhas uma música deve ter, o número de sílabas em cada uma dessas linhas e onde as rimas devem estar.
Teve uma vez que, bem tarde da noite, eu estava sentado numa van em algum lugar da Espanha. .Eu de repente tive uma ideia ótima de letra e fiquei pensando, ai caramba, o que eu faço agora, peço para pararem o carro? E era uma letra muito boa, algo que eu queria escrever há muito tempo. Então peguei meu bloquinho e caneta e, no escuro, comecei a escrever a música usando um template de outra música que já existia. Peguei “Desolation Row”, do Bob Dylan, e escrevi minha música em cima das notas de “Desolation Row.” E, quando voltei para a Inglaterra, peguei meu violão e escrevi uma melodia nova, que não parecia em nada com “Desolation Row” mas tinha minha pegada.
—Billy Bragg
Você pode achar vários templates para usar nas suas criações em músicas que já existem. O David Wax (da David Wax Museum) escreveu muitas músicas trabalhando com as estruturas e as cadências de canções folclóricas mexicanas.
O que eu fiz muitas vezes é pegar uma canção tradicional e tentar decifrar o refrão, como a estrutura se repete. Quanto às letras, também é muito interessante ter uma estrutura. Qualquer estrutura nova pode ser uma ferramenta valiosa. Isso pode te inspirar a escrever de um jeito que você não teria feito.
—David Wax
Bom trabalho...

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Vida de Músico - "Você é músico? Trabalha em que?"





Ninguém pode dizer a uma criança ou a um adolescente se ele é ou será um "MÚSICO", nos tornamos aquilo que somos,

Mas enfim, aos que pretende ou se profissionalizaram, mais cedo ou mais tarde, você vai escutar essa pergunta:
"Você é músico? Trabalha em que?"

Pergunta que já respondi e já vi muita gente responder...

No mercado de trabalho a valorização por parte da população e dos contratantes não é tão perfeita assim. Seja o músico erudito ou o popular, o músico que acompanha artistas ou o músico que tem o seu trabalho autoral para mostrar, professor, etc...A vida de músico, para alguns, é, apenas, uma brincadeira e um divertimento, refletindo na desvalorização dada tanto pelo público que desconhece a profissão, quanto pelos contratantes e ainda, muitas vezes, pelos próprios músicos.

Para o público LEIGO e sem muita informação, músico bom é músico famoso. Muitos não entendem que, assim como em tantas profissões, os músicos precisam de oportunidades, “estágios”, “padrinhos”, sejam os músicos de “linha de frente” ou não, pois todos fazem arte e em um país que poucos podem ser artistas, um incentivo de alguém já estabelecido na área é algo importantíssimo para que esse músico se torne visível e passe a sua mensagem com mais tranquilidade.

Talvez a insegurança de um começo de carreira traga um certo descrédito, tanto para o artista quanto para quem está de fora. A desvalorização e a concorrência colocam a música em segundo plano, levando o músico, a atuar em dois ou três empregos diferentes e ainda tendo que tocar a noite por amor à arte e por um dinheiro bem abaixo do que realmente vale.

Vejo isso também em outras expressões artísticas como o teatro, as artes plásticas etc. Viver fazendo arte é lindo e é mais lindo ainda quando se consegue viver só de arte. Parece que isso incomoda um pouco alguns frustrados que não conseguiram tocar a flauta do jardim da infância, pintar algo interessante ou modelar coisas belas com a massinha.

O que sei é que ser músico não é simplesmente brincar de ser feliz, é levar felicidade aos outros, é imortalizar momentos. Ser músico, ser artista é ter um canal de ligação direto com Deus e receber sua graça comum, é descobrir outra realidade, ter uma percepção de coisas que nem todos percebem.

Valorize os músicos que você conhece e, se não conhece, passe a conhecê-los. Garanto, eles são gente fina e trabalham bastante.

O homem que trabalha somente por dinheiro e não tem prazer naquilo que faz, pode se considerar um escravo remunerado, e desse mal nós músicos estamos livres.

"Sou músico sim, graças a DEUS!"

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Strat-itis e a altura dos imãs



Noções básicas: a distância entre uma corda e um ímã determina a intensidade da mesma, assim concluímos que, para obter uma balaço equilibrado de volume entra as cordas, os imãs devem estar todos à mesma distância das cordas. Mas em sua maioria as escalas são geralmente são arredondadas, e como as cordas seguem esse raio, encontramos ímãs de diferentes comprimentos dispostos em um arco (aparentemente para coincidir com o arco das cordas). No entanto, na prática, algumas cordas geram mais saída do que outras. Por exemplo, a corda G tocada juntamente com as demais cordas, soa mais alta. A cordas B também é um pouco mais alta em relação corda D (que soa um pouco mais suave). 

É por isso que os captadores têm ímãs de diferentes comprimentos (escalonados) para ajudar a compensar as cordas que são mais altas do que outras, de modo que todas as cordas soem balanceadas. Ou seja, todas elas teriam que ter a mesma intensidade. 

Outro aspecto significativo desta história é que Leo Fender projetou seu raio de escala pensando no conforto, com um raio de 7-1 / 4 ", fica muito mais fácil para os dedos formarem acordes.

Problemas: O tradicional escalonamento das Stratocasters antigos foi projetado originalmente para que a corda G, seja tocada de forma predominantemente, o que era comum ser utilizado nos anos 50 e 60. Mas no final dos anos 60, os Blues influenciou estilos musicais e guitarristas começaram a esticar notas para cima com os "Bends", onde também se percebeu que a corda G tem uma saída dramaticamente maior e esse aumento no volume significa um excesso sobre as demais cordas, tornando-se perceptíveis em licks, riffs, runs, arpejos e principalmente acordes. 

Esta cadeia de eventos faz com que ela se comporte mal em termos de não oscilar a uma freqüência estável, por causa da sua massa e baixa tensão. Tudo isso tende a sucumbir na influência magnética do captador e em níveis elevados soa semelhante a uma motosserra. Isto acontece especialmente com os amplificadores Classe A. Esta é, na verdade, uma combinação da corda falhando nos trastes e instabilidade de freqüência chamada de Strat-itis, que é frequentemente causada quando a altura do captador é ajustada perto das cordas e os toques dissonantes são ouvidos enquanto você joga até os trastes (exemplo de Strat-itis) Não consigo imaginar nada mais horrível e não musical. Isso também se traduz em sons de distorção e, como com sons limpos, é realmente bastante censurável e desagradável. .

No entanto, existe um problema geométrico com o alongamento extremo da escala de raio de "7-1 / 4 " de Leo Fender, na medida em que as cordas tendem a baixar os trastes, resultando em notas bloqueadas (trastejamento e perda de sustain) no registro superior. 

Percebendo as vantagens de um raio mais plano, alguns fabricantes (que estavam procurando alguma idéia para aumentar a participação no mercado) conceberam o raio composto. Feito de forma sensata, um raio composto é uma maneira inteligente de combinar o conforto dos fretboards de Leo Fende no registro inferior com as propriedades aniti-sufocantes dos fretboards de Gibson no registro superior. No entanto, nem todos os raios compostos são sensíveis e alguns realmente criam outro problema com desequilíbrio de saída de corda. O resultado é que a corda G é excessivamente alta e as duas cordas E são excessivamente macias quando o ímã vintage cambaleia nos captadores. O uso de ímãs não escalonados melhora o equilíbrio, mas ainda existe a grande diferença na saída entre as cordas G e D, bem como uma diferença significativa para as outras cordas.



Soluções: um ímã stagge não pode combinar todas as diferentes opções de raio de fretboard disponíveis em guitarras modernas (exceto o Kinman). 
Os stagges de ímã são definidos no momento da fabricação e não podem ser alterados, para resolver esse dilema. 

Segue alguns vídeos que ajudarão a adequar os imãs: