quarta-feira, 7 de junho de 2017

Vida de Músico - "Você é músico? Trabalha em que?"





Ninguém pode dizer a uma criança ou a um adolescente se ele é ou será um "MÚSICO", nos tornamos aquilo que somos,

Mas enfim, aos que pretende ou se profissionalizaram, mais cedo ou mais tarde, você vai escutar essa pergunta:
"Você é músico? Trabalha em que?"

Pergunta que já respondi e já vi muita gente responder...

No mercado de trabalho a valorização por parte da população e dos contratantes não é tão perfeita assim. Seja o músico erudito ou o popular, o músico que acompanha artistas ou o músico que tem o seu trabalho autoral para mostrar, professor, etc...A vida de músico, para alguns, é, apenas, uma brincadeira e um divertimento, refletindo na desvalorização dada tanto pelo público que desconhece a profissão, quanto pelos contratantes e ainda, muitas vezes, pelos próprios músicos.

Para o público LEIGO e sem muita informação, músico bom é músico famoso. Muitos não entendem que, assim como em tantas profissões, os músicos precisam de oportunidades, “estágios”, “padrinhos”, sejam os músicos de “linha de frente” ou não, pois todos fazem arte e em um país que poucos podem ser artistas, um incentivo de alguém já estabelecido na área é algo importantíssimo para que esse músico se torne visível e passe a sua mensagem com mais tranquilidade.

Talvez a insegurança de um começo de carreira traga um certo descrédito, tanto para o artista quanto para quem está de fora. A desvalorização e a concorrência colocam a música em segundo plano, levando o músico, a atuar em dois ou três empregos diferentes e ainda tendo que tocar a noite por amor à arte e por um dinheiro bem abaixo do que realmente vale.

Vejo isso também em outras expressões artísticas como o teatro, as artes plásticas etc. Viver fazendo arte é lindo e é mais lindo ainda quando se consegue viver só de arte. Parece que isso incomoda um pouco alguns frustrados que não conseguiram tocar a flauta do jardim da infância, pintar algo interessante ou modelar coisas belas com a massinha.

O que sei é que ser músico não é simplesmente brincar de ser feliz, é levar felicidade aos outros, é imortalizar momentos. Ser músico, ser artista é ter um canal de ligação direto com Deus e receber sua graça comum, é descobrir outra realidade, ter uma percepção de coisas que nem todos percebem.

Valorize os músicos que você conhece e, se não conhece, passe a conhecê-los. Garanto, eles são gente fina e trabalham bastante.

O homem que trabalha somente por dinheiro e não tem prazer naquilo que faz, pode se considerar um escravo remunerado, e desse mal nós músicos estamos livres.

"Sou músico sim, graças a DEUS!"

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Strat-itis e a altura dos imãs



Noções básicas: a distância entre uma corda e um ímã determina a intensidade da mesma, assim concluímos que, para obter uma balaço equilibrado de volume entra as cordas, os imãs devem estar todos à mesma distância das cordas. Mas em sua maioria as escalas são geralmente são arredondadas, e como as cordas seguem esse raio, encontramos ímãs de diferentes comprimentos dispostos em um arco (aparentemente para coincidir com o arco das cordas). No entanto, na prática, algumas cordas geram mais saída do que outras. Por exemplo, a corda G tocada juntamente com as demais cordas, soa mais alta. A cordas B também é um pouco mais alta em relação corda D (que soa um pouco mais suave). 

É por isso que os captadores têm ímãs de diferentes comprimentos (escalonados) para ajudar a compensar as cordas que são mais altas do que outras, de modo que todas as cordas soem balanceadas. Ou seja, todas elas teriam que ter a mesma intensidade. 

Outro aspecto significativo desta história é que Leo Fender projetou seu raio de escala pensando no conforto, com um raio de 7-1 / 4 ", fica muito mais fácil para os dedos formarem acordes.

Problemas: O tradicional escalonamento das Stratocasters antigos foi projetado originalmente para que a corda G, seja tocada de forma predominantemente, o que era comum ser utilizado nos anos 50 e 60. Mas no final dos anos 60, os Blues influenciou estilos musicais e guitarristas começaram a esticar notas para cima com os "Bends", onde também se percebeu que a corda G tem uma saída dramaticamente maior e esse aumento no volume significa um excesso sobre as demais cordas, tornando-se perceptíveis em licks, riffs, runs, arpejos e principalmente acordes. 

Esta cadeia de eventos faz com que ela se comporte mal em termos de não oscilar a uma freqüência estável, por causa da sua massa e baixa tensão. Tudo isso tende a sucumbir na influência magnética do captador e em níveis elevados soa semelhante a uma motosserra. Isto acontece especialmente com os amplificadores Classe A. Esta é, na verdade, uma combinação da corda falhando nos trastes e instabilidade de freqüência chamada de Strat-itis, que é frequentemente causada quando a altura do captador é ajustada perto das cordas e os toques dissonantes são ouvidos enquanto você joga até os trastes (exemplo de Strat-itis) Não consigo imaginar nada mais horrível e não musical. Isso também se traduz em sons de distorção e, como com sons limpos, é realmente bastante censurável e desagradável. .

No entanto, existe um problema geométrico com o alongamento extremo da escala de raio de "7-1 / 4 " de Leo Fender, na medida em que as cordas tendem a baixar os trastes, resultando em notas bloqueadas (trastejamento e perda de sustain) no registro superior. 

Percebendo as vantagens de um raio mais plano, alguns fabricantes (que estavam procurando alguma idéia para aumentar a participação no mercado) conceberam o raio composto. Feito de forma sensata, um raio composto é uma maneira inteligente de combinar o conforto dos fretboards de Leo Fende no registro inferior com as propriedades aniti-sufocantes dos fretboards de Gibson no registro superior. No entanto, nem todos os raios compostos são sensíveis e alguns realmente criam outro problema com desequilíbrio de saída de corda. O resultado é que a corda G é excessivamente alta e as duas cordas E são excessivamente macias quando o ímã vintage cambaleia nos captadores. O uso de ímãs não escalonados melhora o equilíbrio, mas ainda existe a grande diferença na saída entre as cordas G e D, bem como uma diferença significativa para as outras cordas.



Soluções: um ímã stagge não pode combinar todas as diferentes opções de raio de fretboard disponíveis em guitarras modernas (exceto o Kinman). 
Os stagges de ímã são definidos no momento da fabricação e não podem ser alterados, para resolver esse dilema. 

Segue alguns vídeos que ajudarão a adequar os imãs:



sábado, 29 de abril de 2017

A Música e a Vida







Segundo Aurélio, música “é a arte e ciência de combinar sons de maneira agradável aos ouvidos”; no entanto, penso que seria mais lógico dizer que ela é a arte de combinar sons e silêncio, já que o ser “agradável” a alguém pode variar de pessoa para pessoa. Mas, gostos à parte, o que muitas vezes não sabemos é que além dos discursos, sentimentos e vibrações, a música se parece tanto com nós humanos que a sua linguagem e recursos são freqüentemente usados na vida cotidiana. Pra tirar lições dela, se faz necessário reconhecer não só seus componentes básicos: ritmo, melodia e harmonia, mas outros elementos que são determinantes para uma boa execução.Por isso pensei na dinâmica e no fraseado como aspectos importantíssimos para uma peça musical bem tocada.
Vejamos o que cada item pode nos ensinar nos aspectos musicais e em nosso dia a dia.

RITMO: é a ordem das batidas, a acentuação dos sons e das pausas de maneira ordenada.
Em nossas vidas o ritmo está presente na forma pessoal de cada um desempenhar seu andar cadencial (cada um tem seu próprio ritmo), como também na velocidade do nosso dia-dia; há pessoas cujo ritmo de vida é bastante acentuado, estressante, e nesse caso, as pausas são bem vindas, pois nelas as forças devem ser renovadas pra que a “música da vida” não pare.

MELODIA: é a sucessão de sons musicais combinados gerando um sentido, ela pode ser agradável para uns e não para outros.
Em nossas vidas, os traços melódicos têm haver como a personalidade de cada um; melodias alegres, tristes, simples, complexas, contagiantes ou tensas, representam pessoas e seus discursos, ou seja, é o “solo musical da vida” que cada uma entoa no seu cotidiano.

HARMONIA: é a combinação de sons simultâneos gerando intervalos e acordes. É o conjunto de notas vibrando ao mesmo tempo num mesmo espaço auditivo.
Em nossas vidas, harmonia representa a capacidade de sociabilidade que cada um tem. É conviver em harmonia com o próximo escutando um tom que às vezes não lhe agrada ou estando num grupo de notas distintas da sua, e mesmo assim em meio a tanta dissonância, construir a unidade sonora produzindo uma bela peça musical é sinal de superação e capacidade de lidar com o diferente.Isso é que é viver em harmonia com os outros.
Quando esses três elementos estão bem resolvidos numa música, e cada instrumentista consegue dominá-los satisfatoriamente, chega-se à hora de compreender aspectos importantíssimos relacionados à execução da música (muitas vezes eles passam despercebidos até por músicos habilidosos):

DINÂMICA: é a capacidade e habilidade de lidar com as propriedades do som (altura, timbre, duração e intensidade) durante a execução de uma peça. Muitos músicos iniciantes ou inexperientes às vezes conhecem os ritmos, acordes, solos, mas não têm a mínima noção dos momentos baixos e altos da música. Às vezes isso gera um efeito egocêntrico, principalmente quando o volume de um instrumento está com a dinâmica bastante alta ofuscando o brilho harmonioso do conjunto – isso é muito comum nos bateristas “mão-de-ferro” e nos guitarristas da “santa distorção”. Essas nuanças entre o forte/fraco, alto/baixo são importantíssimas não só para a música, mas para a vida.
Em nossas vidas há momentos de baixarmos nossa voz, há momentos de até silenciarmos; já em instantes oportunos, dizer algo com o tom de voz forte, alto, pode ser super adequado como, por exemplo, reivindicar por saúde e educação, pedir por socorro, comemorar o gol do seu time ou até mesmo repreender alguém de forma sensata.

FRASEADOS: os fraseados são expressões de solo sobre três ou mais notas, podem ser entendidos também por pequenas ornamentações, arranjos, ou solos curtos. Essa linguagem musical deve ser colocada de acordo com o contexto da música: em blues, usa-se frase de blues, em baião, frase de baião, em samba, de samba, e assim deve sempre ocorrer em outros estilos.
Em nossas vidas é preciso ter a sabedoria de usarmos nossas frases da melhor maneira possível. A linguagem é algo que deve ser inteligível e contextualizada; as frases que usamos em casa são construídas sob uma ideia de intimidade, liberdade e até com excesso de sinceridade; quando se fala de ambiente de trabalho, as frases devem ser pautadas de profissionalismo, responsabilidade e alteridade. Falar uma linguagem que ninguém conhece pode deixar a coisa sem nexo algum. O apóstolo Paulo reforça a importância disso ao afirmar que é melhor falar cinco palavras que alguém entenda do que dez mil desconhecidas (I Coríntios 14:19).
Nossa vida é uma canção entoada por nossas atitudes, portanto, aprender com a música é um bom começo pra quem não quer desafinar sua própria história.

#Musica #Vida 

segunda-feira, 13 de março de 2017

Os Estudos Musicais e a Educação do Ouvido



[Émile Jaques-Dalcroze, 1898]

Inutilidade dos estudos de harmonia desprovidos da aquisição ou da prévia utilização da audição ''interior'' - Necessidade de cultivar as faculdades auditivas dos harmonistas - Natureza dos exercícios conhecidos como ''desenvolvimento do ouvido'' - Perigos da realização de estudos especializados e, particularmente, de estudos de piano não acompanhados por estudos gerais - O papel das faculdades táteis e motoras na educação musical - Sensibilidade para elaboração de exercícios específicos destinados a regular e desenvolver o temperamento.
Um dos preceitos favoritos dos mestres de harmonia é o seguinte: ''Não se deve jamais utilizar seu instrumento para construir e escrever as sucessões de acordes''. Fiel à tradição, apliquei-me em repetir esse axioma durante as minhas aulas, até o dia em que um dos meus alunos perguntou-me com ingenuidade: ''Mas, senhor, por que eu dispensaria o piano, uma vez que sem ele eu não sou capaz de ouvir coisa alguma?''. Subitamente começou a vibrar, dentro de mim, uma centelha de verdade. Compreendi que toda regra que não tenha sido forjada pela necessidade e através da observação direta da natureza é arbitrária e falsa, e a proibição da utilização do piano não teria o menor sentido, a não ser que ela fosse destinada a jovens dotados de uma audição interior. As sensações táteis podem, em certa medida e em alguns casos, substituir as sensações auditivas: conhecemos compositores que possuem faculdades auditivas incompletas, mas conseguem escrever interessantes obras, compostas, como se diz, no piano. Eles seguramente só puderam estudar harmonia, negligenciando a observação da lei suprema, pois seria impossível escrever com precisão as sucessões de acordes sem dispor de um ouvido interior que lhes fornecesse o eco antecipado de suas ressonâncias. Ou uma coisa ou outra: ou é preciso compor com o auxílio do piano, se não dispusermos de um ouvido musical, ou é necessário dispensar o piano, se formos capazes de ouvir. Ao imporem aos seus alunos a obrigatoriedade de escrever as harmonias sem o amparo de um instrumento, os professores têm, portanto, como dever, despertar nos estudantes o sentido auditivo musical e desenvolver neles o sentimento melódico, tonal e harmônico com o auxílio de exercícios especiais.
Existem exercícios desse gênero? Esses exercícios são ensinados nas escolas de música? Essas foram as perguntas que eu me fiz inicialmente e que me esforçava em solucionar, escavando nas bibliotecas e consultando os programas de ensino dos Conservatórios. A resposta foi: ''não, não existem procedimentos pedagógicos destinados a reforçar as faculdades auditivas dos musicistas e não há nenhuma escola de música preocupada em analisar o papel dessas faculdades nos estudos musicais''.
Entendamos com clareza: existem, com toda certeza, numerosos livros nos quais são prescritos muitos exercícios de leitura à primeira vista, de transposição, de escrita e, mesmo, de improvisação vocal. No entanto, todos eles podem ser realizados sem o auxílio da audição; os exercícios de leitura e improvisação podem ser realizados com o auxílio do sentido muscular e os exercícios de transposição e escrita, com o auxílio do sentido visual. Nenhum deles é diretamente dirigido ao ouvido e, todavia, é através do canal auditivo que as vibrações sonoras são registradas em nosso cérebro. Não seria insensato ensinar música sem se preocupar em diversificar, graduar e combinar, em todas as suas nuances, as escalas de sensações que despertam em nossa alma os sentimentos musicais? Como é possível que o ensino atual de música não leve em consideração a qualidade principal que caracteriza o músico?
Apliquei-me, portanto, a inventar exercícios destinados a reconhecer a altura dos sons, a medir os intervalos, a escrutar os sons harmônicos, a individualizar as diversas notas dos acordes, a seguir os desenhos contrapontísticos das polifonias, a diferenciar as tonalidades, a analisar as relações entre as sensações auditivas e as sensações vocais, a desenvolver as qualidades receptivas do ouvido e - graças a uma ginástica de um novo gênero destinada ao sistema nervoso - a criar, entre o cérebro, o ouvido e a laringe, correntes necessárias para fazer do organismo, como um todo, algo que pudesse ser denominado ouvido interior. Ingenuamente eu imaginei que bastaria inventar esses exercícios para que eles fossem aplicados nas aulas especiais!...
Infelizmente, as dificuldades com as quais eu me deparei ao tentar construir um sistema destinado ao desenvolvimento auditivo não eram nada, comparadas àquilo que encontrei ao tentar introduzir esse sistema nos programas de ensino. Os grandes argumentos contra sua introdução eram que o verdadeiro musicista deveria possuir naturalmente as qualidades necessárias ao exercício de sua arte; e que o estudo não poderia substituir os dons naturais. Por outro lado, o tempo de estudos, já muito limitado, tornava impossível, ao que parece, atrapalhar os alunos com novos estudos que os impedissem de dedicar-se aos exercícios de técnica para os dedos. Além disso, ''os estudos instrumentais eram suficientes para formar um bom músico'', etc., etc. Alguns desses argumentos eram aparentemente justos, e é evidente que somente deveriam consagrar-se à arte musical os indivíduos particularmente dotados, isto é, aqueles que possuíssem, digamos, de modo natural, as qualidades necessárias de reconhecimento dos sons, tais como sensibilidade dos nervos e elevação dos sentimentos, sem as quais não existe um músico perfeito. Mas, enfim, o fato de que as aulas de instrumento estão repletas de indivíduos incapazes de ouvir ou de escutar música permite-nos constatar que os conservatórios admitem ser possível, mesmo aos que não são músicos natos, cantar ou tocar piano!
Ora, qual a razão para ocupar-se unicamente da instrução dos dedos desses alunos, esquecendo-se de sua educação auditiva?
Em relação aos bons músicos, dedicados aos estudos de composição ou de direção orquestral, não é possível supor que exercícios cotidianos de discernimento dos graus de intensidade e altura dos sons; de análises sensoriais dos timbres e de suas combinações; de polifonias e harmonias em todos os graus da escala sonora pudessem tornar seus ouvidos ainda mais refinados e sua inteligência musical ainda mais flexível?
O estilo musical varia de acordo com o clima e a latitude e, por conseguinte, de acordo com os temperamentos impregnados pelos ambientes e resultantes, assim, das condições de vida. As divergências de harmonia e movimento que caracterizam a música dos diferentes povos derivam, portanto, do estado nervoso e muscular de cada organismo, independentemente de suas faculdades auditivas. Nos estudos musicais, não seria conveniente dedicar uma atenção especial às faculdades motoras dos alunos; ao conjunto de reações, impulsos, de pausas e recuos, de movimentos espontâneos e movimentos deliberados que constituem o temperamento? Muitas vezes fiquei surpreso ao observar a dificuldade das crianças pequenas para acompanhar, andando, uma música muito lenta; realizar paradas ou partidas bruscas, conforme o comando; descontrair seus membros, ao sentirem medo; orientar ou combinar seus movimentos de braços, quando lhes ensinamos os gestos de uma canção. Tanto tempo se passa entre a vontade de movimentar-se e a possibilidade de realizar esse movimento, que não é de espantar que tantas pequenas laringes sejam inábeis; tantas cordas vocais se apresentem pouco flexíveis e pouco precisas; tantas respirações sejam mal reguladas nos exercícios de canto e também na maneira de escandir e dividir o tempo e de emitir a nota no momento justo. Portanto, não apenas o ouvido e a voz da criança deveriam ser exercitados, mas também tudo aquilo que, em seu corpo, coopera com os movimentos ritmados, tudo aquilo que, músculos e nervos, vibra, contrai-se e descontrai-se sob a ação de impulsos naturais.
Não seria, então, possível criar novos reflexos; empreender uma educação dos centros nervosos; acalmar os temperamentos agitados demais; regular os antagonismos e harmonizar as sinergias musculares; estabelecer comunicações mais diretas entre os sentidos e a mente, entre as sensações que provocam a inteligência e os sentimentos que recriam meios sensoriais de expressão? Todo pensamento é a interpretação de um ato. Uma vez que, até hoje, tem sido suficiente oferecer à mente a consciência do ritmo graças unicamente às experiências musculares da mão e dos dedos, não lhe comunicaríamos impressões muito mais intensas se fizéssemos colaborar o organismo inteiro em experiências que lhe despertassem a consciência tátil-motriz? Ponho-me a sonhar com uma educação musical na qual o próprio corpo desempenharia o papel de intermediário entre os sons e o pensamento e tornar-se-ia o instrumento direto de nossos sentimentos - em que as sensações do ouvido se tornariam mais fortes, graças àquelas provocadas pelas múltiplas matérias suscetíveis de vibrar e ressoar em nós: a respiração dividindo os ritmos das frases e as dinâmicas musculares traduzindo as dinâmicas que ditam as emoções musicais.

Assim, na escola, a criança não só aprenderia a cantar e a escutar com precisão e no compasso, mas aprenderia também a mover-se e a pensar de modo preciso e ritmicamente. Começaríamos por regular o mecanismo do andar, aliando os movimentos vocais aos gestos de todo o corpo. E isso seria, ao mesmo tempo, uma instrução para o ritmo e uma educação e pelo ritmo.
Infelizmente, quando penso nas dificuldades que tenho atualmente para convencer os educadores musicais sobre a possibilidade de exercícios cujo objetivo seja ensinar a criança a escutar as sonoridades antes de executá-las e registrá-las graficamente e a despertar o pensamento antes de empreender sua tradução, eu me pergunto: a educação dos centros motores será possível um dia? Os homens recusam toda proposta nova, quando certas tentativas anteriores lhes proporcionam alguma satisfação e suas mentes habituaram-se a não mais contestar a utilidade delas. Todo ato libertador com o qual consentem parece-lhes definitivo e imutável, e toda verdade futura parece-lhes hoje uma mentira. Todavia, o pensamento humano desenvolve-se pouco a pouco, apesar das resistências; as ideias esclarecem-se; os desejos afirmam-se; os atos multiplicam-se. Um dia, quem sabe, quando os pedagogos vierem a reconhecer universalmente a possibilidade de reforçar os diversos modos de sensibilidade por meio de procedimentos de adaptação, variação e substituição, a educação musical possa apoiar-se menos exclusivamente na análise e mais no despertar das sensações vitais e da consciência dos estados afetivos. Nesse dia, nascerão, por toda parte, métodos fundamentados na cultura da combinação das sensações auditivas e táteis, e eu poderei desfrutar da silenciosa alegria daqueles que puderam proferir, em algum momento doloroso de suas vidas, o eterno ''E pur si muove!''.